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Qual é o significado “Sede santos porque eu sou santo”?

Um dos temas mais relevantes na Bíblia é a santidade do Senhor. Antigo e Novo Testamentos a mencionam e demonstram como aspecto essencial também na vida cristã. “Santidade”, “Santo”, são termos cheios de detalhes nos seus significados. Mas, qual é a origem do termo? Qual é sua relação com o cristão? Por que é tão importante?

Vamos ver a seguir.

“Sejam santos, porque eu sou santo” – Antigo Testamento

Há três palavras que esclarecem o significado de santo. A primeira delas é “qadash” (קָדַשׁ), um verbo que aparece em Êxodo 29 e indica a separação de coisas ou pessoas como “aquelas dedicadas a Deus”. Aparece também em Isaías 65.5 denotando “pureza moral”. A segunda palavra é o substantivo “qodesh” (קֹדֶשׁ), que descreve “o que é santo”, “pertence ao sagrado” e  “distinto do pecaminoso”. A terceira palavra é o adjetivo “qadôsh” (קָדוֹשׁ), que também serve para definir o que é santo. Portanto, é possível entender a palavra em ambos os sentidos: santo, como separado/consagrado; e santo, como moralmente perfeito. [fonte] FERREIRA, Franklin. Teologia Sistemática. Editora Vida Nova, 2007.[/fonte]

Nas Escrituras, a virtude de santidade aplica-se primeiramente a Deus, e, aplicada a ele, sua ideia fundamental é a de inacessibilidade . Ele é santo, santo, santo (a repetição denota intensidade). Ele é absolutamente inacessível, distinto. A santidade também é usada para descrever a luz da glória divina que se transforma em um fogo devorador, conforme Isaías 10.17 e 33.14,15. Sendo assim, o pecador diante de Deus fica consciente de sua própria total imperfeição, podridão e pecaminosidade.

Deus ainda revela sua santidade no Antigo Testamento (AT) quando separa um povo para si, para que este povo seja santo. Veja a seguir.

“Sede santos, porque eu sou santo.” – Levítico

No livro de Levítico, Deus diz: “Sejam santos porque eu, o Senhor, o Deus de vocês, sou santo.” Levítico 19:2, (essa mesma afirmação aparece em Lv. 11.44-45). Portanto, o padrão moral e ético de santidade para povo é o próprio Deus. Ser santo significa ser o povo escolhido e separado por Deus para ser seu povo exclusivo. Esse povo será lapidado, afim de refletir a imagem de Deus entre os outros povos. O povo de Israel deve ser santo, pois, segue os mandamento do Deus que é santo! A vida de Israel deve refletir o caráter de Deus.

O próprio livro de Levítico é a revelação do padrão que Deus requer de seu povo, no qual são reveladas as leis morais, civis e cerimoniais. Ser santo, portanto, significa viver conforme o padrão de vida que Deus revela a nós através de sua Palavra.

Em sua Palavra encontramos o maior mandamento, Deuteronômio 6.5: “Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.”. Este é o fundamento da santidade, o amor a Deus sobre todas as coisas e com todo o nosso ser, e a obediência a partir deste relacionamento.

“Sejam santos” – Novo Testamento

No Novo Testamento (NT), os termos relacionados a santidade são: ‘santificação’ (em grego hagiasmos) que aparece dez vezes. Enquanto a palavra ‘santidade’ aparece apenas três vezes (em grego hagiosune). O verbo grego santificar (hagiazo) significa ‘separar’, e aparece vinte oito vezes e tem três significados: venerar, separar e purificar. Com base no NT, ser santo pode ser definido, de modo geral, como: separado para Deus, ser lavado pelo sangue de Cristo, ter a santidade de Cristo imputada como nossa santidade, purificação do mal moral e conformidade com a imagem de Cristo.

Um fato relevante é que a santidade no Novo Testamento se apresenta como característica especial do Espírito Santo. É ele que santifica os crentes, qualifica-os para o serviço e os conduz para a vida eterna. A palavra hagios (santo) é empregada em conexão com o Espírito de Deus cerca de cem vezes no Novo Testamento. Mas, o sentido de ‘santidade’ no AT e no NT não são diferentes. Santidade não se trata apenas de melhoramento moral, mas sim de uma mudança moral ao se relacionar com Deus. Essa mudança significa ser transformado pelo Espírito Santo. Ser santo exige que nossa lealdade, acima de tudo, esteja sujeitada a Deus.

No sermão do monte, Jesus mostra a ética do Reino de Deus.  Ser santo, ou seja, buscar uma vida consagrada a Deus, tem aqui a mesma razão que no AT: “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso pai celeste.” (Mt 5.48 – ACF). A palavra traduzida por ‘perfeito’ tem um sentido semelhante a ‘íntegro’, ‘pleno’ e ‘cheio’.

O NT mostra que aquele que almeja ser santo deve ter apenas um objetivo: seguir o exemplo de Jesus. Mas para isso fica claro que precisará da ajuda do Espírito Santo. É mais do que um estado do coração, pois para amar a Deus e dedicar-se a ele, nós precisamos que ele nos dê uma nova vida.  Nossa força de vontade não é o suficiente. É necessário relacionamento e intimidade. Para ser santo, precisamos passar pelo processo da santificação que se dá conhecendo mais a Deus à medida que ele vai se revelando a nós. Este é o plano de Deus para os discípulos de Jesus.

1 Pedro 1.15 e 16 – Sede Santos

Pedro diz em sua primeira carta:

Mas, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem,
pois está escrito: “Sejam santos, porque eu sou santo”. 1 Pedro 1:15,16

O fundamento da santidade para o cristão é o caráter do próprio Deus. O Santo Deus chama pessoas para que façam parte do seu povo, um povo escolhido e separado. Portanto, ser santo significa ser separado e consagrado para Deus. Pois, um Deus santo exige santidade daqueles que são seus.

Se olharmos para o contexto dos versículos citados acima, veremos que Pedro está exortando seus leitores a não viver como viviam anteriormente. Ou seja, eles devem abandonar a vida cheia dos maus desejos e pecados, que é característica daqueles que não conhecem a Deus (1 Pe 1.14). Agora, eles têm uma nova vida que receberão pela graça de Deus. Durante essa nova vida, na jornada neste mundo, os filhos de Deus devem viver espelhando-se na santidade de seu Pai Celeste (vs.17). Mas, a principal motivação da busca pela santidade é a salvação dada por Jesus. Veja o versículo 18 e 19:

Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver que lhes foi transmitida por seus antepassados,
mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito […]

Pedro considera a vida sem Jesus como vazia. Prata e ouro são insignificantes! O bem mais precioso que podemos encontrar é a redenção pelo sangue de Cristo. Mas veja, o sangue de Jesus é como de um cordeiro sem mancha e sem defeito. Um cordeiro perfeito. Um cordeiro santo. Essa é a base para a santidade do cristão: ser grato pelo sacrifício de Cristo, considerá-lo seu bem mais precioso, abandonar a vida vazia de antigamente e seguir os ensinamentos dele a cada dia, em tudo que fizermos. O cristão deve ser santo, pois, Jesus, seu mestre é santo! Porque Jesus lhe deu uma nova vida, agora o pecado é desprezível e ele só pode ter prazer verdadeiro em Deus!

Santo e Pecador

Aquele que é santo deve dedicar-se a obedecer e glorificar a Jesus. O oposto de uma vida de santidade é a vida de pecado. O Catecismo Maior de Westminster, como resposta à pergunta 24, diz: “Pecado é qualquer falta de conformidade com, ou transgressão de qualquer lei de Deus, dada como regra à criatura racional.” [fonte] O Catecismo Maior de Westminster. Editora Cultura Cristã.[/fonte]

O Apóstolo Paulo diz:

Da mesma forma, considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus. Portanto, não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais, fazendo que vocês obedeçam aos seus desejos. Não ofereçam os membros dos seus corpos ao pecado, como instrumentos de injustiça; antes ofereçam-se a Deus como quem voltou da morte para a vida; e ofereçam os membros dos seus corpos a ele, como instrumentos de justiça. Pois o pecado não os dominará, porque vocês não estão debaixo da lei, mas debaixo da graça. Romanos 6.11-14

Sendo assim, ser santo é estar morto para o pecado e ter a virtude da ação do Espírito Santo agindo em nós. Isso que quer dizer “voltamos da morte para a vida”. Paulo também diz “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados” (Efésios 2:1). O Espírito Santo nos dá nova vida e nos capacita a resistir às tentações e seduções do pecado. Nós, anteriormente, escravos do pecado, agora somos livres para lutar contra ele. Lembre-se, enquanto estiver nessa vida, o cristão estará em luta contra o pecado.

Conclusão

A ordem “Sede santo, porque eu sou santo” é um chamado para que consagremos nossas vidas a Deus. Em tudo devemos obedecê-lo, honrá-lo e glorificar seu nome. Buscar ser santo é uma forma de demonstrar nosso amor por ele e só é possível com a transformação do Espírito Santo em nossos corações. Participar da santidade de Deus é um privilégio e responsabilidade para todo aquele que se diz discípulo de Jesus Cristo. Ele é nosso exemplo e nossa motivação.

Para sermos santos precisamos da ação de Deus em nossas vidas. Pois, ele nos capacita a pensar,  desejar e amar de forma que tudo isto o glorifique. Ou seja, pensar no que ele pensa e viver em harmonia com sua vontade, de forma que nossa vida lhe seja agradável. Portanto, para ser santo: conheça a Deus, envolva-se num relacionamento profundo com ele, ame sua Palavra e dedique-se dia após dia, pois, a batalha é árdua, mas ele sempre está conosco.

Vídeo do Pr. Paulo Junior onde ele aborda este tema

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Personagens Bíblicos

Por que Ananias e Safira morreram? Estudo Bíblico

A história de Ananias e Safira é relatada no livro dos Atos dos Apóstolos. Eles eram membros da Igreja de Jerusalém em seu início. Lucas relata que aquela igreja vivia em plena comunhão, eram uma só mente e um só coração. Os cristãos compartilhavam tudo o que tinham, cuidavam uns dos outros, não havia quem passasse necessidades entre eles. Aqueles que tinham mais posses vendiam o que possuíam e traziam sua ofertas aos apóstolos para que eles distribuíssem conforme cada um precisasse (Atos 4.32-35).

O plano de Ananias e Safira

Ananias e Safira conheciam o costume das ofertas na igreja e viram nisso uma oportunidade de ganhar destaque na comunidade. Os dois tramam um plano: primeiramente, vender uma propriedade e prometer entregar tudo aos irmãos. Mas, na verdade, pensavam em reter parte do valor da venda para si e ofertar apenas uma parte. Na igreja, eles diriam que aquilo era tudo que tinham recebido. Assim, contariam uma pequena mentira em relação ao valor recebido. (Atos 5.1-11)

Certamente, não haveria problema nenhum se eles tivessem ofertado um pouco. Ou, mesmo se ficassem com todo o dinheiro, pois, a propriedade era deles. A questão não é o tamanho da oferta. Deus não está preocupado com o dinheiro que eles ofertariam. Ele não precisa das riquezas das pessoas para abençoa-las.

O problema foi a mentira! O casal teve uma motivação terrivelmente errada. Pedro diz que Satanás havia enchido o coração de Ananias, levando-o a mentir para o Espírito Santo (Atos 5.3).

Estudo Bíblico – Ananias e Safira

Uma tradução mais precisa desse versículo ficaria assim: “Ananias, como é que Satanás encheu o teu coração para falsificar o Espírito Santo?” (Atos 5.3).

Inegavelmente, Ananias tentou forjar uma situação como divinamente inspirada, mas na verdade, era uma fraude. E ainda mais grave, ele procurou incluir o Espírito Santo em sua artimanha.

Então, a ação de Ananias e Safira não é uma simples mentira, mas um perigo crescendo dentro da igreja. Uma semente do mal em meio aos cristãos. Até esse momento em Atos, os problemas da igreja vinham de fora, agora ela está sendo atacada por dentro.

A oferta de Ananias e Safira não era motivada pelo amor aos irmãos. Sua motivação era o egocentrismo, queriam glórias pessoais, eram hipócritas. Ousaram tentar falsificar o Espírito Santo em seu esquema. Seu pecado foi dar parte da venda, afirmando que estavam entregando tudo. Seu erro foi mentir ao Espírito Santo e à Igreja. Eles foram ladrões, mentirosos e avarentos. [fonte]LOPES, Hernandes Dias. Atos – a ação do Espírito Santo na vida da Igreja.[/fonte]

Vejamos a continuação do versículo 3: “[…] e guardar para si uma parte do dinheiro que recebeu pela propriedade?”
Guardar para si no grego é o verbo “νοσφίσασθαι” (nosphisasthai), que significa apropriar-se indevidamente, roubar. [fonte]BibleHub – Interlinear Greek-English.[/fonte]

Assim, fica subentendido que antes da venda, Ananias e Safira assumiram algum tipo de compromisso com a Igreja para doarem todo o dinheiro. Posteriormente, quando entregaram apenas parte do valor, em vez do total, tornaram-se culpados de apropriação indébita/roubo.

Em Lucas 22.3-4, vemos o relato que Satanás entrou em Judas e este traiu Jesus. Agora ele havia entrado no coração de Ananias e Safira, levando-os a mentir ao Espírito Santo. O pecado aqui é julgado pelo Espírito Santo, através de Pedro. E serve de exemplo para toda a igreja.

O Pecado de Ananias assemelha-se ao pecado de Acã no Antigo Testamento.

O Pecado de Acã e sua relação com Ananias

O pecado de Acã foi roubar e esconder em sua tenda bens e posses que deveriam ser dedicados a Deus (Josué 6.17-19 e cap.7). Seu pecado trouxe o julgamento de Deus sobre Israel. Por causa disso, o povo perdeu uma batalha importante e soldados israelitas morreram. Israel sofreu até descobrir o pecado no meio do acampamento. Somente quando Acã foi descoberto e sua família e todos os seus bens foram queimados, Israel pôde continuar sua jornada. O povo que tinha de ser perfeito com o Deus é perfeito. Sendo assim, o pecado de Acã trouxe desgraça para sua nação. Mas Deus agiu para purificá-la novamente.

Da mesma forma, em Atos, a igreja é o novo Israel. A ação de Ananias e Safira tinha profanado a comunhão, violado a pureza da comunidade e poderia contaminar ainda mais a Igreja na continuidade de sua missão.

Portanto, pela gravidade de seus pecados, Acã, Ananias e Safira recebem o julgamento. E isso serve de exemplo e advertência para todo o povo, para que temam o Senhor e andem em seu caminho.

Consequência do Erro de Ananias

No momento em que ouve a repreensão de Pedro por causa do grave pecado, Ananias morre. O pecado que ele tentou esconder foi revelado e julgado pelo Espírito Santo. Contudo, se Ananias tivesse êxito em sua ideia, o fermento da hipocrisia estaria instalado na Igreja. O vigor do cristianismo estaria abalado.

O juízo do Espírito Santo serviu para extirpar a hipocrisia e de forma radical preservar sua igreja. Esse juízo, que aos nossos olhos pode parecer severo demais, é necessário para preservar o povo de Deus no caminho da justiça. Ao ver o que aconteceu com Ananias, o povo teve grande temor. (Atos 5.5)

Consequência do Erro de Safira

Semelhantemente, Safira veio ao lugar de reunião da igreja. Ao encontrar-se com Pedro, primeiramente ouve a pergunta: “Diga-me, foi esse o preço que vocês conseguiram pela propriedade?” (Atos 5.8). Ela não sabia o que havia acontecido com seu marido anteriormente. Mesmo diante da igreja, do apóstolo Pedro e do Espírito Santo, Safira mente. A ela é dada a oportunidade de corrigir o erro, contudo, ela não está arrependida. Porque ela participou do erro do marido, a ela foi dada a mesma sentença.

Ananias e Safira fizeram um pacto de mentira. Entraram
em comum acordo não só para mentir ao Espírito Santo
(At 5.3), mas também para tentar o Espírito do Senhor (At 5.9).
O pecado deles foi planejado. Eles deliberaram agir de
forma hipócrita. Houve uma aliança para o mal. Por isso, o
juízo de Deus se repete em Safira. [fonte]LOPES, Hernandes Dias. Atos – a ação do Espírito Santo na vida da Igreja.[/fonte]

Conclusão

Enfim, a mentira e hipocrisia foram desmascaradas. Todos que ouviram sobre aquele acontecimento ficaram cheios de temor (Atos 5.11). Esse acontecimento demonstra que Deus leva muito a sério a pureza coletiva de seu povo, assim como a sinceridade no compromisso daqueles que se dizem cristãos. Deus conduz sua igreja e a cuida dela. Portanto, fica claro que, quando necessário ele age da forma correta para que todos se mantenham no caminho.

A pureza da comunhão na igreja foi violada pela atitude do casal quando tentaram falsificar o amor gerado pelo Espírito Santo. Assim, atraíram para si o julgamento de Deus. Sua astúcia se tornou em uma armadilha.

Mas, a história de Ananias e Safira nos mostra que Deus conhece os corações. Não há como mentir para ele ou enganá-lo. Ele não se importa com o tamanho da oferta, pois, na verdade, ele busca corações sinceros que o adorem em espírito e em verdade (João 4.24).

 

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Bíblia

O que é Pobre de Espírito? Explicação completa aqui!

A expressão “Pobres de Espírito” é bem conhecida por aqueles que já ouviram as palavras de Jesus, mas seu significado pode não ser tão claro e simples. Vejamos quais são seus usos na Bíblia e seu significado no Sermão do Monte.

Pobres de Espírito na Bíblia

A expressão “Pobre de Espírito” é usada por Jesus em um dos seus sermões mais famosos, o sermão do monte. Mas, essa não é a primeira vez que os pobres de espírito são mencionados na Bíblia. A expressão se refere aos pobres piedosos, ou seja, aqueles que confiam e esperam no Senhor. Pois ele é sua única esperança. Vemos ao longo da Bíblia, então, que Deus tem um zelo especial por eles.

Salmo 14.6 diz: Vós envergonhais o conselho dos pobres, porquanto o Senhor é o seu refúgio.

Salmo 34.6: Este pobre homem clamou, e o Senhor o ouviu; e o libertou de todas as suas tribulações.

Salmo 40.17: Quanto a mim, sou pobre e necessitado, mas o Senhor preocupa-se comigo. Tu és o meu socorro e o meu libertador; meu Deus, não te demores!

Portanto, esses poucos exemplos mostram que os pobres, aflitos, vulneráveis e necessitados não estão desamparados, porque Deus está próximo deles. Mas, esse cuidado em favor dos pobres não é apenas um socorro momentâneo, sua ampla eficácia fica ainda mais clara no sermão do monte.

Pobres de Espírito, O Sermão do Monte.

Jesus diz “Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus.” (Mateus 5.3). Essa é a primeira frase de todo o seu sermão. Ser bem-aventurado significa ser muito feliz, abençoado e aprovado por Deus. Jesus está anunciando as bençãos àqueles com os quais Deus se importa. Assim, essas palavras servem como um convite para que venham e experimentem da graça de Deus.

Os primeiros a receberem o anúncio da benção de Deus no sermão são os pobres de espírito. Por quê? Qual é a intenção de Jesus ao começar por eles?

O significado de pobres de espírito vai além da questão de bens materiais. Seu sinônimo é humildes de espírito. Jesus está apontando para um ensinamento espiritual. Os pobres são considerados menos importantes na sociedade, ninguém lhes dá valor, são vulneráveis e praticamente descartáveis. Dessa forma, não se esperava na cultura judaica que eles receberiam qualquer importância no Reino Deus.

Entretanto, ao citá-los no início de seu ensino, há uma ênfase na qualidade que os pobres têm e todo aquele que quiser entrar no Reino de Deus precisará ter também. Os pobres são humildes e reconhecem as suas necessidades espirituais e estão mais perto de entender suas próprias deficiências. Portanto, estão mais próximos de confiar apenas em Deus ao invés de confiar em seus próprios méritos ou em sua própria força.

Quem são os Pobres de Espírito

Os pobres de espírito são aqueles que o mundo não admira e despreza. São a antítese do espírito e da atitude do mundo. Pois, o mundo busca as riquezas, a glória, a fama. A qualidade do pobre de espírito é o esvaziamento de tudo que há no mundo, e a inteira dependência em Deus.[fonte]Lloyd-Jones, D. Martyn. Estudos no Sermão do Monte. Editora Fiel. Edição do Kindle.[/fonte]

Os pobres de espírito são aqueles que não se apegam a esse mundo. Porque é a eles que pertence o Reino dos Céus. Aqueles que não tem nada, na verdade possuem o Reino de Deus. O ensino aponta a graça de Deus em conceder o Reino para aqueles que não podem conquistá-lo. Pois na realidade, ninguém pode pagar o preço de sua própria entrada no céu. Mas, aqueles que o possuem, o recebem de graça, pela bondade de Deus.

Ser pobre de espírito não se trata de rejeitar os bens materiais e viver na miséria. Mas, de colocar todas as coisas dessa terra a serviço do Reino. Ou seja, o propósito de tudo o que temos aqui é glorificar a Deus. Se tivermos riquezas, elas não preenchem o nosso coração, e o objetivo da nossa vida nunca será conquistá-las.

Se for na miséria, ela não nos fará duvidar do amor de Deus. Também não a usaremos como um meio de conquistar o amor de Deus, ou de conquistar a santidade. Algo que já foi feito no passado da igreja, quando homens faziam voto de pobreza para se aproximarem de Deus e serem santos.

Nem a riqueza, nem a miséria definem um pobre de espírito. O que define alguém como pobre e humilde de espírito é sua total confiança e dependência da graça de Deus.

Pobres de Espírito segundo o Espiritismo

No Espiritismo, pobres de espírito são aqueles que são humildes que não procuram exaltação própria, ou demonstram pouco do que sabem, pois, querem mostrar que ainda tem muito a aprender. A virtude da humildade é essencial para se aproximar de Deus e o orgulho caracteriza uma revolta contra ele. A humildade, então, é um meio para se aproximar de Deus e ser aceito em seu Reino. Sendo assim, a humildade é uma atitude praticada pelo ser humano para atrair o favor de Deus.

O Erro do Espiritismo

Entretanto, não é isso que vemos no sermão do monte. A pobreza e humildade de espírito não servem como meio de atrair o favor de Deus. Pois, o sermão não ensina que o esforço humano conquiste o favor de Deus. Visto que, os pobres são aqueles que confiam plenamente em Deus sabendo que dependem dele. Se você confia em sua própria humildade como razão para Deus o amar, então, deixou de confiar plenamente em Deus e passou a confiar em sua própria virtude. Deixou de ser pobre de espírito e passou a considerar a humildade a sua maior riqueza.

Essa bem-aventurança condena, logo no início do Sermão do Monte, a perspectiva que o considera um programa para o homem natural pôr imediatamente em ação, sem que tenha havido qualquer transformação em sua pessoa.¹

Como ser pobre de espírito

Não há verdadeira humildade sem a transformação que o Espírito Santo efetua no nosso coração. Somente a graça de Deus pode agir em nós para que sejamos verdadeiramente humildes de espírito. Certamente, se tentarmos através de nosso próprio esforço, falharemos, pois, seria uma tentativa de salvação pelas nossas próprias obras. Pelo nosso próprio esforço, jamais conquistaríamos o Reino dos Céus.

Repito, ser humilde de espírito é sentir que nada somos, que nada temos, e também que olhamos para Deus em total submissão a Ele, dependendo inteiramente de Sua misericórdia, de Sua graça.¹

Para ser verdadeiramente pobre de espírito, assuma sua fragilidade e incapacidade diante de Jesus. Busque a presença e a força do Espírito Santo através da leitura da Bíblia e oração. Arrependa-se de seus erros, receba o perdão e a misericórdia e submeta-se ao senhorio de Jesus Cristo.

 

Pobres de Espírito no Grego

“πτωχοὶ τῷ πνεύματι” (ptōchoi tõ pneumati) – pobres de espírito.

πτωχοὶ (pobres) – pobre, necessitado, indigente, desamparado como um mendigo. Num sentido mais amplo: destituído de riqueza, influência, posição, honras; humilde, aflito.[fonte]BibleHub – Interlinear Greek-English.[/fonte]

Conclusão

Os Pobres de Espírito na Bíblia não são aqueles que através de sua humildade conquistam o Reino de Deus. Mas são aqueles que assumem sua insuficiência e sua incapacidade e colocam sua inteira confiança na graça de Jesus. A estes é dado o Reino de Deus e seus promessas, somente através da graça. Usar a humildade como uma virtude para conquistar a bondade de Deus é uma armadilha para si mesmo. Apenas o Espírito Santo de Deus pode gerar em nós essa humildade e derramar as bençãos de Deus sobre nossas vidas. Ao ser humilde de espírito, podemos repetir essas palavras com sinceridade:

Nada trago em minha mão, Só na Tua cruz me agarro. Vazio, desamparado, nu e vil. Entretanto, Ele é o Todo-suficiente Sim, tudo quanto me falta em Ti encontro, Oh, Cordeiro de Deus, venho a Ti.¹

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Personagens Bíblicos

Quem é Josué na Bíblia?

Um dom momentos mais marcantes da história de Israel no Antigo Testamento é a libertação da escravidão no Egito. Após ser liberto o povo peregrina no deserto por 40 anos. Sob a liderança de Moisés, caminham em direção à Terra Prometida. O grande sonho desse povo é receber das mãos de Deus a terra onde manam leite e mel.

Moisés não poderá entrar na Terra Prometida, em seu lugar um novo líder dará continuidade à missão de conduzir o povo na conquista da promessa. Esse líder é Josué. Ele é o sucessor de Moisés, escolhido por Deus.

Josué, Filho de Num

Nascido no Egito, era um israelita da tribo de Efraim (tecnicamente, Tribo de José). É o personagem principal do 6º livro da Bíblia, que recebe seu nome. Seu pai era Num e no nascimento recebeu o nome de Oséias, que significa “salvação” (Nm 13.8). Mais tarde, Moisés mudou seu nome para Josué, que significa “Javé é Salvação” (Nm 13.16). Esse nome é muito importante e especial na literatura bíblica, pois, é a raiz hebraica do nome “Jesus” (“Yeshua” em aramaico que também significa “Javé é Salvação”).

Não há relatos a respeito de seus filhos ou sua esposa. As evidências bíblicas apontam que é provável que ele tenha tido família, mas não há registro de seus nomes. Uma das evidências que apontam para a família de Josué são suas palavra no versículo “Mas, eu e a minha família serviremos ao Senhor” (Js 24.15 – NVI).

Veja também: Quem foi a Esposa de Josué?

A Preparação de Josué

Antes de ser líder, Josué foi auxiliar de Moisés. Era um jovem nos tempos do livro do Êxodo. (Ex 33.11), e servia como ministro e companheiro. Acompanhou Moisés quando subiu o Monte Sinai para receber os 10 Mandamentos (Ex 24.13). Ele tinha a confiança de Moisés e buscava o Senhor.

Quando surge um conflito com os amalequitas em Refidim, no deserto do Sinai, Moisés encarrega Josué de um grupo de soldados israelitas para repelir o ataque inimigo. Ele obtém uma grande vitória (Ex 17.9-13). Mais tarde, é escolhido como um dos 12 enviados para espiar a terra de Canaã (Nm 13.8).

Em seu retorno, ele e Calebe apresentam um relatório motivando o povo. Apesar das dificuldades e do poder dos inimigos, eles confiam que a mão do Senhor está ao lado deles e dará vitória, entregando a terra prometida. Os outros espias apresentaram relatórios desanimadores e cheios de medo influenciam o povo a recuar. Por sua fé e coragem firmadas na Palavra de Deus, Josué e Calebe recebem a permissão para entrar na terra prometida quando chegasse a hora. Enquanto os outros espias e os todos adultos do povo morreriam no deserto, porque duvidaram da palavra de Deus

Josué, líder escolhido por Deus

Ao se aproximar o dia da morte de Moisés, conforme Deus havia determinado, Josué é chamado para uma conversa. Nesse momento, ele recebe sua missão, deveres e responsabilidades diretamente de Deus (Dt 31.14). Mas não ouve apenas qual será sua missão, Javé diz:

O Senhor deu esta ordem a Josué, filho de Num: “Seja forte e corajoso, pois você conduzirá os israelitas à terra que lhes prometi sob juramento, e eu próprio estarei com você”. Dt 31.23

A grande responsabilidade de ser o sucessor de Moisés é desafiadora. Josué recebe uma das missões mais difíceis em toda a Bíblia, não está em sua força e em sua capacidade concretizar o sucesso da tarefa. Ele é chamado, por escolha de Deus e capacitado a realizar sua missão em dependência daquele que o chamou.

Josué, capítulo 1

O livro de Josué, capítulo 1, verscículos 1 a 9, demonstra como a tarefa será bem sucedida. Por 3 vezes, Deus lhe diz “Seja forte e corajoso” (Js 1.6,7,9), repetindo o que já havia sido dito em Deuteronômio. Mas a mensagem não se resume ao elemento motivador. O complemento é muito importante para toda a história de Josué.

Primeiramente, Josué deve ser forte e corajoso, pois, ele tem a missão de conduzir e liderar seu povo à terra que havia sido prometida aos seus antepassados (Js 1.6). Ele será o exemplo do povo, o líder que não deve recuar. Mas, não deverá fazer isso de qualquer forma. Pois, vemos a seguir que sua força e coragem devem mantê-lo apegado às coisas que aprendeu com Moisés. Principalmente obedecer a lei, e não se desviar nem para a direita ou para a esquerda. Deve falar da lei, meditar, tê-la na memória. Se cumprir isso, ele será bem sucedido por onde andar. A Palavra do Senhor conduzirá Josué e o fortalecerá na missão. Essa será uma das suas fontes de força e coragem (Js 1.7-8).

Esses conselhos completam-se com:

Não fui eu que lhe ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem se desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar”. (Js 1.9)

A promessa está firmada na palavra dita pelo próprio Deus. Ele é fiel e não volta atrás. O desânimo e o pavor virão ao encontro de Josué e de seu povo durante a jornada. Mas, a presença do Senhor os confortará e fortalecerá. A Palavra do Senhor e sua doce presença são a fonte de força e coragem para aqueles que dedicam sua vida à missão que o Senhor lhes deu.

Josué, confirmado por Deus

A história contada no livro de Josué mostra a ação de Deus para confirmá-lo como o líder do povo (Js 3.7). Uma delas, em especial, é a travessia do Jordão (Js 3.8 – 4.24). O povo está prestes a entrar na terra prometida, mas precisa atravessar o Rio Jordão. Não é uma travessia fácil naquele tempo. Deus dá instruções a Josué de como a travessia deveria ser feita e avisa que fará um milagre. Josué orienta o povo, e quando os sacerdotes pisam nas águas, o rio se abre. As fortes correntezas que desciam rio abaixo, na época da cheia, estancam e abrem caminho para o povo passar.

Josué orienta o povo a pegar 12 pedras, simbolizando as tribos de Israel. Eles devem empilhar essas pedras como um memorial para os filhos dos israelitas lembrarem que Deus os ajudou a passar o Jordão. Para que eles saibam que o Deus vivo está no meio deles e dará a vitória sobre todos os povos inimigos (Js 3.10).

Tal ação de Deus fez com que o povo respeitasse Josué todos os dias da sua vida, assim como tinham feito com Moisés (Js 4.14).

A Conquista de Canaã

Josué obteve diversas vitórias ao longo de sua jornada como líder do povo. Algumas são marcantes e notáveis: a conquista de Jericó (Js 6), a conquista de Ai, a vitória sobre 5 reis, depois outra vitória sobre 7 reis, quando fez o sol parar com sua oração e outras vitórias relatadas em seu livro. Em todas essas vitórias fica clara a ação da mão de Deus conduzindo-o e fortalecendo seu coração.

A habilidade militar de Josué foi uma ferramenta usada por Deus em sua missão, mas não foi a capacidade de Josué que lhe deu a conquista de Canaã. O seu livro deixa claro que foi a mão do Senhor que lhes deu vitória: “[Josué] convocou todo o Israel, com as autoridades, os líderes, os juízes e os oficiais, e lhes disse: “Estou velho, com idade muito avançada. Vocês mesmos viram tudo o que o Senhor, o seu Deus, fez com todas essas nações por amor a vocês; foi o Senhor, o seu Deus, que lutou por vocês.” (Js 23.2-3 – NVI)

A ênfase do livro, portanto, não é a pessoa de Josué. O ponto principal é como Deus é fiel à sua aliança, à promessa que tinha feito a Abraão de dar ao seu povo uma terra onde manam leite e mel. É a fidelidade de Deus que conduz o povo na conquista de Canaã e lhe dá descanso. Após diversas guerras para conquistar a terra prometida, o livro de Josué relata que o Senhor deu repouso a Israel (Js 23.1). O Senhor cumpriu sua promessa, usando homens desde Abraão, José no Egito, Moisés e, por fim, Josué. O papel destes homens é glorificar a Deus e fazê-lo conhecido. Suas conquistas apontam para a grandeza do poder de Deus. Como o próprio nome de Josué diz, “Javé é Salvação”, não é o próprio Josué quem salva e dá a vitória, mas sim, Deus que os acompanha é quem os salva.

Conclusão

Josué é retratado em seu livro como um segundo Moisés conduzindo o povo à vitória em nome e no poder de Javé. Em justiça, sabedoria e lealdade ao Senhor, ele parece encarnar as características necessárias a todos os líderes servos. Ele é o único líder político e militar do Antigo Testamento com uma história imaculada, ou seja, que durante sua vida não se afastou do Senhor.

 

 

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Quem foi a esposa de Josué?

Com a adaptação da história de Josué para a televisão, surge a pergunta “Quem foi a esposa de Josué?”. O que é verdade naquilo que vimos na novela? Dentre os acréscimos feitos pela novela, vemos personagens destacando-se no enredo. Qual é a importância de Aruna, Ana, Raabe na história de Josué. Alguma delas realmente foi sua esposa ou par romântico?

Da Bíblia para a TV

Antes de tratarmos de cada uma das possibilidades, é necessário esclarecer que adaptações de histórias bíblicas para a televisão têm a tendência de inserir elementos que vão além do registro bíblico. Isso acontece porque a novela precisa envolver o público com a história. Para isso, surgem novos pares românticos, situações de conflito, coisas além do registro bíblico. Tais elementos visam prender a atenção do público, despertar curiosidade, envolvê-lo e fidelizar o espectador para gerar audiência.

Josué e Ana

Não há registro bíblico que mencione alguma Ana presente na vida de Josué. Podemos afirmar que isso é uma adição que a novela faz à história. A primeira personagem Ana da Bíblia é a mãe de Samuel, citada pela primeira vez em 1 Samuel 1.2. Há uma Aná citada em Gênesis 36.2. Mas, ambas não tem relação com a história de Josué na Bíblia. Ambas estão separadas cronologicamente de Josué por séculos

O uso do nome Ana para uma personagem na novela pode indicar que o nome, comum na época, é plausível para a história da televisão. Portanto, facilmente aceitável pelo público.

Josué e Raabe

A relação entre Josué e Raabe é registrada no livro de Josué 6. Quando o povo de Israel chega a Jericó, espias são enviados para ver a cidade e descobrir fraquezas. Raabe, uma prostituta que morava em Jericó esconde os espias israelitas em sua casa e os salva. Em troca disso, promete-se que ela e sua casa (família) serão poupados quando Jericó for conquistada. Josué cumpre a promessa em Josué 6.17-25. Não há quaisquer outros detalhes sobre sua relação com Josué.

Posteriormente Raabe é citada novamente em  Mateus 1.5, na genealogia de Jesus. Lá vemos que Raabe se casou com Salmom e foi mãe de Boaz. A relação de Raabe com Salmom não está detalhada na Bíblia. Há apenas a menção de que ambos geraram Boaz. Este Boaz se casou com Rute e de sua descendência vem o Rei Davi. Portanto, Raabe, a ex-prostituta, é a trisavó do Rei Davi e uma das antepassadas de Jesus. 

Josué e Aruna 

Não há, em toda Bíblia, uma única menção a Aruna.

Aruna é um nome de origem sânscrita, antiga língua indiana, e significa “castanho avermelhado”. Na mitologia Hindu, Aruna é o cocheiro do deus Surya, o deus sol do hinduísmo. Aruna seria a personificação do brilho avermelhado do sol nascente.

Há outras histórias para o personagem Aruna no budismo e no jainismo(religiões também da Índia). Entretanto, esse nome jamais surge na Bíblia ou no Cristianismo. Portanto, não há possibilidade de uma Aruna ter sido a esposa de Josué.

A Verdadeira Esposa de Josué

Não há relatos sobre o nome da esposa de Josué, ou mesmo se ele teve esposa. Com base em Js 24.15 “Mas, eu e a minha família serviremos ao Senhor” (tradução NVI), entende-se que Josué possuía família. Era muito incomum nos tempos de Josué um homem não se casar e ter filhos, visto que isso era considerado uma benção de Deus.

Mas, os relatos bíblicos focam na liderança e nas conquistas de Josué sob a orientação de Deus. Não há intenção de registrar quem eram seus descendentes e sua esposa. Por isso, também não se sabe quais eram os nomes dos filhos de Josué.O único parente de Josué mencionado na Bíblia é seu pai. Josué, filho de Num. (Números 13.16)

Conclusão

Os relatos bíblicos não nos trazem detalhes a respeito da família de Josué, quem foi sua esposa ou quantos filhos teve. O enfoque da história bíblica é demonstrar como através da vida de Josué, Deus cumpriu a promessa que fizera a Israel de lhes dar a terra prometida. A liderança de Josué conduziu o povo a servir a Deus (Js 24.31), esse é seu grande feito e o ponto mais importante de sua vida.

Quanto à história relatada na novela, é necessário assistir com senso crítico. Pois, é uma história floreada que em diversos momentos vai além da verdade para entreter o público. Não é pecado assistir, mas não se pode acreditar em tudo que se fala ali.

 

 

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Quem foi Josafá?

Josafá foi Rei de Judá, de 872 a.C. à 848 a.C. Foi sucessor de Asa, seu pai, da linhagem de Davi, no tempo em que o Reino de Israel e o Reino de Judá estavam divididos. Josafá (ou Jeosafá) significa “Javé é Juiz”. Sua história é narrada no 2º Livro das Crônicas e no 1º Livro dos Reis.

Início do Reinado

Em seus primeiros anos de reinado, Josafá se dedicou a buscar a Deus e seus mandamentos, ensinando ao povo os caminhos do Senhor. Desprezou os baalins e empenhou-se em combater a idolatria no Reino de Judá. . Fortaleceu e ampliou o poderio militar de Judá nas cidades que Asa havia conquistado.

A Bíblia diz que o Senhor era com ele e o abençoava, o povo lhe dava presentes e ele teve riquezas e glória em abundância.  (2 Cr 17.1-6)

Aliança com Acabe

Josafá aparentou-se com acabe quando seu filho Jeorão se casou com Atalia, filha de Acabe, Rei de Israel. Acabe persuade Josafá a ir para a guerra em Ramote Gileade. Antes de partirem para a guerra, Josafá pede que consultem um profeta do Senhor. Acabe convoca seus profetas que lhe dizem palavras de vitória, mas Josafá pede que lhe seja trazido um profeta de Javé. Micaías é trazido e profetiza a morte de Acabe . Por esta razão é esbofeteado e mandado para a prisão. Josafá não dá ouvidos aos alertas do profeta a respeito da derrota na guerra. Acabe e Josafá, então, começam a se preparar para a guerra.

Acabe trama um plano para se disfarçar durante a batalha, enquanto diz a Josafá que use suas vestes de rei. O plano era um meio de esconder-se durante a batalha e deixar Josafá em evidência, para que ele fosse o alvo dos inimigos. Em meio à batalha, os inimigos vêem Josafá com as vestes reais e começam a persegui-lo! Nesse momento, ele grita ao Senhor que o socorre e desvia os inimigos dele. Acabe é atingido por uma flecha e morre. (2 Cr 18.28-34)

Após a batalha, o profeta Jeú repreende Josafá com as seguintes palavras: Devias tu ajudar ao perverso e amar aqueles que aborrecem o Senhor? Por isso caiu sobre ti a ira da parte do Senhor. (2 Cr 19.2,3)

Guerras de Josafá

O princípio do reinado de Josafá foi pacífico e ele era muito poderoso, seus inimigos o temiam e não o desafiavam. Após os acontecimentos decorrentes da aliança com Acabe, Josafá espalhou líderes por Judá para instruir e conduzir o povo na lei do Senhor.

Após esse período pacífico, o povo de Moabe, de Amom e outros inimigos, se uniram contra Josafá. Ao ouvir que seus inimigos fizeram aliança e subiam para guerrear contra Judá, o rei sentiu medo e dedicou-se a buscar ao Senhor. Declarou um jejum em todo o reino. Todo o povo de Judá se congregou para buscar o Senhor e pedir socorro. De todas as cidades do reino vieram pessoas para esse momento. (2 Cr 20.11-4)

A Oração de Josafá

Quando todo povo está reunido em Jerusalém para buscar o socorro do Senhor. Josafá faz uma oração direcionada a Deus, diante de todo o povo.  Em sua oração, o rei inicia suas palavras glorificando a Deus que está nos céus e reina sobre todos os povos. A grandeza de Deus se expressa em força e poder e não há quem possa resisti-lo. Os feitos do Senhor levaram conduziram o povo desde Abraão, até a conquista da terra prometida. E agora o povo experimenta a angústia de ver-se em risco de perder aquilo que recebera.

A oração declara que em face da fome, medo, perigo ou qualquer mal que possa ocorrer, o povo se colocará diante do Senhor, em seu santo templo, para clamar confiante de que serão ouvidos e resgatados. Diante das ameaças dos inimigos, eles clamam pelo socorro divino. Pois, não há força em Judá para resistir aos inimigos, mas embora não soubessem o que fazer, colocariam seus olhos no Senhor. (2 Cr 20.5-12)

A Resposta do Senhor

Ao fim da oração feita pelo rei, o Espírito do Senhor veio a Jaaziel, dizendo que não temessem, não se assustassem, pois Deus entraria na guerra por eles. Eles deveriam ir até o local da guerra e apenas assistir a ação de livramento provida por Deus. Ao ouvir a palavra do Senhor, o rei e todo o povo se prostraram e adoraram em voz alta com muito fervor.

Pela manhã, o povo se preparou para a batalha assim como lhe havia sido dito. À frente do exército foram os cantores, marchando e entoando hino de louvor que dizia “Rendei graças ao Senhor, porque a sua misericórdia dura para sempre”. Tendo eles começado a cantar, Deus pôs emboscadas contra os inimigos, causando confusão entre eles. Quando o povo de Judá chegou ao campo de batalha, seus inimigos estavam todos mortos, pois haviam se matado uns aos outros e não havia sobreviventes. Judá não precisou erguer a espada naquele dia, pois a mão do Senhor havia vencido a guerra por eles.

Entre os despojos de guerra, o povo de Judá encontrou riquezas e objetos preciosos em abundância. Havia mais coisas do que podiam carregar, por isso levaram três dias para carregar tudo. No quarto dia, reuniram-se no vale da benção e novamente louvaram ao Senhor. O povo experimentou grande alegria, porque Deus os alegrara com a vitória sobre seus inimigos.

Assim o Rei Josafá novamente teve paz, porque Deus lhe deu descanso e tranquilidade em todas as fronteiras do reino. (2 Cr 20.15-24)

A morte de Josafá

Josafá começou a reinar sobre Judá quando tinha 35 anos. Seu reinado durou 25 anos, em Jerusalém. A Bíblia diz que ele caminhou nos caminhos de Asa, seu pai, foi temente a Deus e fazia o que era correto.

Antes de sua morte, entretanto, Josafá novamente se aliou com o Rei Acazias, filho de Acabe. Esse rei era iníquo, desprezava a palavra do Senhor. Ambos planejaram construir navios e ir a Társis, mas Deus frustrou seus planos, pois Josafá havia sido infiel novamente ao Senhor, aliando-se ao Reino de Israel.

Josafá morreu e foi sepultado na Cidade de Davi entre os reis de outrora.(2 Cr 21.1-2)

Conclusão

O Rei Josafá foi temente a Deus durante sua vida, trouxe grandes conquistas para Judá. Dedicou-se acabar com a idolatria e ensinar o povo no caminho do Senhor.

Entretanto, em alguns momento de sua vida, ele falhou. Aliou-se aos reis do Reino de Israel que eram contrários à vontade de Deus, que caçavam e maltratavam os profetas de Javé. Ao aliar-se com eles, Josafá pecou e sofreu consequências. Ao deparar-se com o resultado de seus erros, Josafá se arrependeu e buscou novamente Javé e recebeu sua graça.

Seus anos de reinado proporcionaram paz, riquezas e prosperidade ao povo. Mas, mesmo assim, o povo não dispôs totalmente seu coração ao Deus verdadeiro e ainda havia idolatria em Judá.

Josafá foi sucedido por seu filho Jeorão.