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Conhecer a Bíblia Vida Cristã

O que é o Dízimo?

A palavra dízimo significa “a décima parte” ou “dar um décimo”. Ou seja, dizimar é oferecer 10% de algo. No mundo antigo, esse montante era considerado como a parte devida por um adorador ao seu deus para sustento do santuário e de seus sacerdotes. O costume é anterior até mesmo ao Antigo Testamento, pois, outros povos semíticos e indo-germânicos tinham essa prática.

É provável que o número 10 tenha sido escolhido por ser a base do sistema de contagem antigo, que o fazia em unidades de dez. É possível também que tenham escolhido o número dez por considerarem-no um número sagrado, composto por dois outros números sagrados, 7+3. Além disso, era um número redondo muito utilizado nas contagens. Veja como exemplo a Arca de Noé (Gn 6.15), suas medições eram empregadas em cifras de dez.

Dízimo no Antigo Testamento

O dízimo surge na Bíblia já no tempo dos patriarcas, quando Abraão entrega o dízimo de tudo a Melquisedeque (Gn 14.20). Mais tarde é Jacó quem se dispõe a entregar o dízimo a Deus (Gn 28.22).

Contudo, observa-se que não há uma explicação ou menção de alguma lei que os obrigasse a isso. No entanto, especialmente no caso de Jacó, a atitude é resultado do encontro que teve com Deus em Betel e demonstra uma atitude de louvor e gratidão pelas bênçãos que receberia do Senhor.

Sendo assim, o dízimo dos patriarcas indica uma forma de retribuir a Deus por suas dádivas, como vitórias em batalhas, ou o sucesso numa jornada importante. Portanto, era uma forma de gratidão e reconhecimento da soberania de Deus sobre os sucessos da vida.

Na Lei de Moisés o dízimo era a forma de declarar e reconhecer que todas as coisas e todas os bens do homem pertencem a Deus. Por essa razão os dízimos pertenciam ao Senhor (Lv 27.30). Havia duas maneiras de se entregar o dízimo: (1) anualmente se levava o dízimo ao templo e era entregue aos levitas, realizava-se então uma refeição cultual da família (Dt 12. 5,11; Dt 14.23); (2) a cada três anos o dízimo era deixado na própria cidade e entregue aos levitas e necessitados da cidade para seu sustento.

Qual é o propósito do Dízimo?

No Antigo Testamento, o dízimo era usado para:

  • sustento dos levitas e sacerdotes na tenda da congregação e no templo;
  • auxílio aos necessitados, estrangeiros, órfãos e viúvas (Dt 14.28-29; Dt 26.12-13);
  • realizar a celebração cultual pelas famílias do povo de Deus, juntamente com os levitas de suas respectivas cidades. (Dt 12.12)

O Significado do dízimo no Antigo Testamento

É a forma de declarar que Deus é o proprietário da terra e de seus frutos, é aquele que dá todas as bênçãos (Sl 24.1). Era também o símbolo de gratidão pela generosidade do Senhor. Além disso, por ser usado no sustento dos levitas e necessitados, o dízimo era uma oportunidade de participar na obra de Deus e em sua preocupação para com os pobres. Pois, assim como o Senhor abençoava os israelitas, eles deveriam repartir suas bênçãos com as pessoas menos afortunadas. Sendo assim, entregar o dízimo era um ato de adoração a Deus.

Em suma, o dízimo era:

  1. é uma oferta que reconhece a soberania de Deus;
  2. um meio para sustento dos levitas;
  3. e uma oferta para caridade.

O Dízimo no Novo Testamento

Embora tenha um papel importante no Antigo Testamento, no Novo Testamento, ele é tratado de forma diferente, visto que não há qualquer menção ao dízimo como instrução ou obrigação à igreja.

Jesus menciona que o dízimo é dado por escribas e fariseus (Mt 23.33), mas nunca manda seus discípulos fazerem o mesmo. Em Hebreus 7.2-5, menciona-se o dízimo de Abraão, contudo, não é ensinado aos leitores de Hebreus que façam o mesmo. Paulo, em seus escritos, fala a respeito de repartir seus bens com os pobres (1Co 16.1-3), e sobre o sustento do ministério (1Co 9.12-14). Embora ele insista na generosidade, não há uma única vez que faça isso como um mandamento ou em que alguma quantia ou porcentagem seja especificada.

Contudo, isso não significa que o Novo Testamento não traga princípios a respeito da contribuição. Apesar de não estabelecer de dízimo, o ensino é a respeito de uma contribuição generosa e com alegria. O dízimo é substituído no Novo Testamento!

Especialmente no Novo Testamento, aprendemos que a contribuição deve ser voluntária, sem uma quantia especificada, conforme Deus prosperou o crente (1 Co 16.2). O cristão deve contribuir com alegria, sabendo que é Deus que lhe deu tudo que tem, e lhe dá também a oportunidade de oferecer uma oferta de louvor e gratidão ao Senhor:

Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria.
E Deus é poderoso para fazer que lhes seja acrescentada toda a graça, para que em todas as coisas, em todo o tempo, tendo tudo o que é necessário, vocês transbordem em toda boa obra.
2 Coríntios 9:7,8

Além disso, Paulo nos dá como exemplo e inspiração o caráter do próprio Deus que distribuiu seus bens e sua justiça sobre os necessitados (2Co 9.9). Ademais, é o próprio Senhor quem nos dá condição de sermos generosos, com a finalidade de glorificar sempre o nome de Deus. Sendo assim, todos os bens do cristãos pertencem a Deus e devem ser usados com sabedoria a fim de glorificador o Senhor. Dessa forma, o cristão olha para o que tem lembrando que tudo é uma dádiva divina.

Vocês serão enriquecidos de todas as formas, para que possam ser generosos em qualquer ocasião e, por nosso intermédio, a sua generosidade resulte em ação de graças a Deus.
2 Coríntios 9:11

Portanto, embora não haja um mandamento no Novo Testamento em relação ao dízimo, fica claro que o cristão deve contribuir. Contudo, agora de uma forma diferente, com motivações diferentes.

Razões e características da contribuição no Novo Testamento:

  • O cristão contribui conforme o que estipula em seu coração, não com peso ou obrigação, mas com alegria! (2Co 9.7);
  • deve contribuir de acordo com as bênçãos que Deus lhe tem dado (1Co 16.2);
  • contribui pois tem consciência de que é servo de Deus (Rm 6.16);
  • o cristão sabe que seus bens e posses pertencem a Deus, e que ele é somente um mordomo que administra aquilo que seu Senhor lhe confiou (1Pe 4.10);
  • o cristão tem a consciência de que prestará contas a Deus do que fez com recursos (Rm 14.12);
  • aquele que contribui o faz pois tem a generosidade de Cristo como seu modelo, e o Espírito Santo o motiva (2Co 8.9)
  • o dízimo jamais é mencionado como uma forma de obrigar Deus a nos abençoar!
  • Ele não pode ser usado para barganhar ou negociar com Deus.
  • Deus não nos abençoa mais quando contribuímos mais na igreja.

Em suma, a contribuição no Novo Testamento é feita com bom ânimo, voluntária e constantemente, e com generosidade sem limites (1Co 16.1-2; 2Co 9.6-9).

Leia também: Versículos sobre Dízimo e Oferta

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Uso do Dízimo na Igreja hoje

As igrejas hoje têm diferentes formas de administrar os seus recursos e as contribuições dos fiéis.

Normalmente, o dízimo é usado para: sustento pastoral, manutenção do templo ou aluguel de espaço para culto, pagamento de água e luz, auxílio aos necessitados ou a projetos de ação social, apoio a missionários e etc.

Contudo, atualmente vemos diversos escândalos envolvendo igrejas e suas práticas abusivas em relação a dízimos e ofertas. Situações que ocasionam vergonha e constrangimento para cristãos sérios e tementes a Deus. Por esta razão, dízimo e contribuição na igreja se tornaram um tema delicado, especialmente ao falar com não cristãos. Por esta razão, é necessário que cada cristão busque conhecer o funcionamento de sua igreja local e pergunte ao seu líder sobre o uso dos recursos naquela igreja.

Transparência e Prestação de contas na Administração Eclesiástica

A pessoa que tiver dúvidas e desejar conhecer melhor a administração dos recursos da igreja local deve entrar em contato com a liderança da igreja.

Diversas denominações fazem questão de manter registros claros e transparentes de todas as atividades financeiras da igreja. Além disso, fazem questão de disponibilizar os relatórios e comprovantes das transações financeiras para que qualquer pessoa possa averiguar a legitimidade do uso das contribuições.

Portanto, você que contribui tem o direito de exigir que sua igreja seja transparente sobre a forma como tem utilizado as ofertas dos crentes. Assim, você ajuda na construção de uma administração saudável e idônea da igreja local.

Pregação sobre dízimo no Novo Testamento

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Conhecer a Bíblia Vida Cristã

A Couraça da Justiça é mencionada por Paulo em Ef 6.14. Ali, o apóstolo está alertando os crentes que fiquem preparados para uma batalha. Mas, essa batalha não é contra outras pessoas. Na verdade, é uma luta “contra poderes e autoridades, dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais” (Ef 6.13).

Para enfrentar esse inimigos perigosos e terríveis, o cristão deve fortalecer-se no Senhor e em seu poder, além disso, deve vestir toda a armadura de Deus. (Ef 6.10-11) Somente assim, poderá resistir às ciladas do diabo e permanecer inabalável nos dias maus (Ef 6.11,13).

A Armadura de Deus

Para ensinar o cristão a se fortalecer em Deus, Paulo usa uma metáfora: a Armadura de Deus. O crente deve vesti-la. Cada parte dela é importante e tem um significado especial.

Na construção da armadura, o apóstolo provavelmente está pensando no soldado romano completamente armado. Contudo, ao construir sua metáfora, está recebendo constantes influências de passagens do Antigo Testamento (AT), como, por exemplo, Is 11.5; Is 49.2; Is 59.17. Porém, veja que ele não copia literalmente o que estava no AT, pois, vemos ajustes na metáfora em Ef 6.13-17.

A carta aos Efésios não é a primeira em que ele usa essa metáfora, visto que, lemos menções em outros de seus escritos:

  • “Nós, porém, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo a couraça da fé e do amor e o capacete da esperança da salvação.” 1 Ts 5:8
  • Quem serve como soldado às suas próprias custas? Quem planta uma vinha e não come do seu fruto? Quem apascenta um rebanho e não bebe do seu leite?” 1Co 9:7
  • “na palavra da verdade e no poder de Deus; com as armas da justiça, quer de ataque, quer de defesa” 2Co 6:7
  • “Suporte comigo os sofrimentos, como bom soldado de Cristo Jesus. Nenhum soldado se deixa envolver pelos negócios da vida civil, já que deseja agradar aquele que o alistou.” 2 Timóteo 2:3,4

Então, depois de usar várias pequenas metáforas, em Ef 6.13-17 vemos a armadura completa. Isso sugere que aqui Paulo é um sofrido veterano de guerra passando seu conhecimento da batalha para soldados mais novos.

O que é a Couraça da Justiça?

Após essa breve contextualização, devemos dar ênfase ao foco deste post: a Couraça da Justiça.

A couraça era a parte da armadura que cobria o corpo do pescoço até as coxas. Consistia de duas partes, uma cobrindo a frente e a outra as costas (cf. 1Sm 17.5,38; 1Rs 22.34; 2Cr 26.14; Ne 4.16). Espiritualmente falando, a couraça representa a vida devota, santa e retidão moral (Rm 6.13; 14.17). Deve-se lembrar que em 1 Tessalonicenses 5.8 Paulo fala de “couraça da fé e do amor”.

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O que é Justiça?

No pensamento bíblico, a ideia de justiça ou retidão em geral expressa conformidade à vontade de Deus em todas as áreas da vida: Lei, governo, lealdade pactual, integridade ética, ações generosas. Quando o ser humano se submete à vontade de Deus de acordo com o que está expresso em sua lei, ele é considerado justo ou reto. Jesus ensinou que quem conforma a própria vida aos seus ensinamentos também é justo ou reto. [fonte] Dicionário Teológico do Novo Testamento – Ed. Daniel G. Reid. pag.800 [/fonte]

Em cada um dos casos anteriores em Efésios, a palavra “justiça” foi usada no sentido ético (4.24; 5.9). Além disso, deve-se ter em mente que o apóstolo, nesta epístola, esteve dando grande ênfase sobre a necessidade de se viver vidas dignas da vocação com que foram chamados (4.1).[fonte] William Hendriksen – Comentário de Efésios. pag.328 [/fonte]

A Justiça de Cristo e o Espírito Santo

Contudo, é necessário enfatizar que a justiça mencionada em Ef 6.14 é decorrente da Justiça de Cristo. Nós como pecadores não podemos nos tornar justos pelo nosso próprio esforço. Desse modo, a couraça da justiça não serviria em nós. A nossa justiça não é capaz de alcançar salvação. Somente em Cristo recebemos, pela graça e fé, a justiça que nos liberta do pecado. É o sacrifício de Jesus na cruz que paga pelo nossos pecados e nos faz justos diante de Deus. Ele conquistou a nossa justiça!

Então, essa justiça conquistada por Jesus é derramada sobre nós pelo poder do Espírito Santo. Ainda mais, ele nos conduz pelo caminho da santidade e retidão, conforme a vontade de Deus Pai.

Portanto, pela graça de Cristo e o poder do Espírito Santo, nós podemos viver uma vida justa diante de Deus. Ele nos capacita para vestirmos a Armadura de Deus e usarmos confiantemente a couraça da justiça. Pois, por ele, fomos perdoados e purificados de todos os nossos pecados.

Para que serve a Couraça da Justiça?

A couraça é um elemento de defesa na armadura. Ela serve para proteger o tronco, as costas e parte das pernas. De certo modo, Paulo está dizendo que nossa segurança está firmada pela justiça de Cristo. E nessa justiça nós devemos viver.

  • Em 2 Coríntios 6.7 Paulo menciona “as armas da justiça na mão direita e na esquerda”, ou seja, armas tais que permitem resistir os ataques de qualquer ponto que estes venham. Isso ocorre num contexto onde a pureza, a bondade e santidade são mencionadas.
  • Portanto, a justiça de Cristo nos protege durante os dias maus que temos vivido;
  • Nos fortalece para combatermos o mal, para isso devemos viver uma vida que reflete a justiça de Cristo que está em nós;
  • Além disso, a Couraça nos protege das ciladas e enganos do Inimigo, de suas mentiras e acusações contra nós.
  • Ela nos mantém firmes, seguros e inabaláveis em meio às batalhas.
  • No entanto, veja que uma couraça sozinha não constitui toda a armadura. A couraça precisa estar conectada às outras partes para ser eficaz. Paulo nos diz para vestir toda a armadura de Deus e não apenas para escolher algumas partes.

A Couraça da Justiça e as Batalhas Espirituais?

Ora, a Armadura não deve ser pensada apenas para batalhas espirituais, como dizem alguns. Ela é nos dada para usarmos todos os dias, em tudo que fizermos. Pois, precisamos da justiça de Deus, da fé, da verdade e do evangelho da paz em tudo que fizermos. Vista a armadura de Deus em todos os momentos. Pois, assim estaremos honrando o nosso Senhor.

Veja o conselho de Paulo a Timóteo:

Suporte comigo os sofrimentos, como bom soldado de Cristo Jesus.
Nenhum soldado se deixa envolver pelos negócios da vida civil, já que deseja agradar aquele que o alistou.
2 Timóteo 2:3,4

Com isso, ele quer dizer que aquele que está em Jesus, deve focar toda a sua vida para glória dele. Não há negócios que não estejam relacionados ao Senhor. Ou seja, sua vida, seu trabalho, seus relacionamentos e qualquer outra coisa, devem ser vividos para a glória daquele que nos alistou.

Note que o contexto que antecede a Armadura de Deus em Ef 5-6, é cheio de conselhos para a “vida comum”. Ao longo de toda carta, o apóstolo enfatiza a necessidade de se viver vidas dignas da vocação com que foram chamados.

Paulo aconselha o relacionamento de filhos e pais, escravos e senhores, maridos e esposas e etc. Em todas essas situações, ele demonstra como o evangelho redime a vida que o pecado deteriorou. E por fim, ele nos diz para lutarmos contra o diabo e suas artimanhas.

Nós devemos entender que o pecado afeta todas as áreas da vida humana. Portanto, nossa luta contra o pecado deve acontecer em todas essas áreas. Afim de que levemos o evangelho restaurador para aqueles que sofrem debaixo do pecado. Sendo assim, precisamos da Armadura de Deus e da couraça da justiça em todos os momentos.

Pregações

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Conhecer a Bíblia

O que é a Bíblia?

Cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus. Ela foi escrita por seres humanos, contudo, essas pessoas foram inspiradas e conduzidas pelo próprio Deus. Embora Deus tenha usado autores humanos para escrever os livros da Bíblia, o próprio Deus é a fonte de origem dessas palavras.

Portanto, a Bíblia é a Palavra que o Senhor revelou à humanidade. Através dela ouvimos Deus falando e nos ensinando. Ela não é um livro qualquer, pois, ela nos foi dada com um propósito.(2Tm 3.16)

Por que Deus nos deu a Bíblia?

O propósito da Bíblia é (1) nos ensinar a respeito do próprio Deus. Através dela conhecemos o Criador. Seu tema principal, do início ao fim, é o próprio Deus.

Gênesis começa com um Deus que existia sozinho e depois criou todas as coisas. Apocalipse termina com esse mesmo Deus reinando eternamente sobre todas as coisas que criou. Todos os livros bíblicos revelam o caráter e os atributos de Deus, narrando suas ações soberanas ao longo da história. [fonte] Chan, Francis. Multiplique (Locais do Kindle 1078-1080). Editora Mundo Cristão. Edição do Kindle. [/fonte]

Outro propósito da Bíblia (2) é nos ensinar a respeito de nós mesmos e do mundo em que vivemos. Pois, a narrativa bíblica nos mostra de onde viemos, porque o mundo é como é, e para onde a nossa história se encaminha.

A Bíblia nos oferece respostas a todas as perguntas mais importantes da vida. As verdades bíblicas não se restringem ao campo religioso. Pois, o Deus que escreveu a Bíblia é o mesmo que projetou o mundo. Logo, através da cosmovisão bíblica podemos dialogar com a filosofia, as ciências naturais, sociologia e etc.

Tudo isso significa que, quando estudamos a Bíblia, devemos buscar a compreensão de nosso Deus, de nosso mundo e de nós mesmos. [fonte]Chan, Francis. Multiplique (Locais do Kindle 1096-1097). Editora Mundo Cristão. Edição do Kindle.[/fonte]

Deus nos deu a Bíblia (3) para nos capacitar a viver uma vida piedosa. (2Pe 1.3) Paulo diz em  2Tm 3.16 que a Bíblia é útil para o ensino, a repreensão, a correção e para a instrução na justiça. Afim de que toda pessoa seja apta e plenamente preparada para toda boa obra. (2Tm 3.17) Portanto, através do estudo e prática do que a Bíblia ensina somos moldados a uma vida que agrada a Deus.

Por onde começar?

Agora, vejamos alguns aspectos práticos do estudo bíblico. Por conter diversos livros e estilos literários diferentes, a Bíblia pode parecer difícil para quem está começando. Por isso, é bom ter ajuda para não desanimar nessa jornada.

Por qual livro devo começar a estudar a bíblia?

Para ter um início facilitado e que flua melhor, você pode começar lendo a Bíblia pelos evangelhos. Isto é, leia Marcos, Mateus, Lucas e João. Pois, os evangelhos contam diretamente a respeito da vida de Jesus e tem muitas narrativas e ensinamentos em forma de discurso. As narrativas são agradáveis e facilitam a leitura para quem está começando.

Após ler algum dos evangelhos, leia algumas das cartas do Novo Testamento. Como por exemplo a carta de Tiago, que traz diversos ensinamentos práticos e fala de uma forma clara. Leia também as cartas Pedro.

Há algumas pessoas que tentam iniciar sua leitura em Gênesis para ler a Bíblia de ponta a ponta. Contudo, normalmente desanimam logo nos primeiros livros. Porque ficam entediadas ou não entendem o que leem.

Embora a leitura do Antigo Testamento seja muito importante, ela pode ser desanimadora para alguém que não tem o hábito de leitura. Por essa razão, se você está começando, indicamos que leia primeiro o Novo Testamento.

Além disso, é necessário desenvolver o hábito de ler e estudar a Bíblia rotineiramente. Porque, mesmo que pareça cansativo no começo, é preciso se esforçar para alcançar o melhor resultado.

Como desenvolver o hábito de ler e estudar?

Não tem segredo ou fórmula mágica! Você terá que se esforçar e ter disciplina.

  • Separe um tempo do seu dia e um horário específico. Tente separar pelo menos uma hora.
  • Evite e anule as distrações. Desligue o celular, saia do computador, fique longe da televisão! Dedique toda sua atenção à leitura.
  • Escolha a tradução da Bíblia adequada para você! Hoje, existem diversas traduções da Bíblia disponíveis, mas algumas são antigas e tem um vocabulário mais complicado. Portanto, leia uma tradução que você entenda melhor. (Para dicas de tradução bíblica, leia o tópico abaixo)
  • Tenha um caderno de anotações, como um diário de estudo. Ali você pode anotar o que leu e suas percepções sobre o texto. Escreva suas dúvidas também e procure um pastor que possa lhe auxiliar.
  • Esforce-se para manter a rotina de leitura constante. Se possível, diariamente.
  • Não leia só pequenos trechos aleatórios da Bíblia. Procura ler o capítulo todo e terminar o livro bíblico. Ao final do livro, escreva o que você aprendeu.
  • Releia o livro da Bíblia. Você certamente terá novas percepções. Compare com as anotações que fez anteriormente e veja o que surgiu de novo.
  • Preste atenção no contexto das passagens bíblicas. O contexto muitas vezes auxilia a responder dúvidas que encontramos no caminho.
  • Não é fácil, mas é possível desenvolver o hábito. Compartilhe suas experiências sobre seu estudo com alguém que também esteja estudando a Bíblia. Você pode incentivar a pessoa e ela também te incentivar.
  • O mais importante: Lembre-se de orar, pedindo ao Espírito Santo para que lhe auxilie e instrua durante o estudo. É ele que ilumina nossa mente para entendermos a Palavra de Deus.

Coloque em prática essas dicas. Desenvolva seu próprio hábito e momento de leitura. Será muito edificante para você. Para ajudar no estudo bíblico existem diversas ferramentas que, se usadas da forma correta, serão muito enriquecedoras. Veja a seguir algumas delas.

Ferramentas de apoio para estudar a Bíblia

Se você já está desenvolvendo seu hábito de estudo da Bíblia e quer se aprofundar ainda mais, nós temos algumas dicas de material de apoio. Contudo, você não precisa ter todo o material para começar! Veja o que se aplica mais ao seu estudo e objetivo e invista aos poucos.

Sendo assim, pense se você estuda para seu crescimento pessoal, para ensinar alguém, ou para dar aula e pregar. Porém, se você está começando, é melhor focar em seu desenvolvimento pessoal, antes de ensinar outros.

Vejamos as ferramentas:

  1. Bíblias de Estudo. É a primeira ferramenta que pode te auxiliar. Mas, por quê? Pois, essas Bíblias trazem informações adicionais, tais como: introdução aos livros da Bíblia, suas características, quem escreveu e um esboço do conteúdo do livro. Além disso, algumas trazem quadros que explicam temas bíblicos e orientam o estudo. Também contam com comentários no rodapé que auxiliam na leitura.
  2. Livros: se você está começando a estudar, logo perceberá que os livros serão seus melhores amigos. Abaixo colocaremos algumas sugestões de livros que certamente enriquecerão seu estudo.
  3. Devocionários. São recursos que contém meditações diárias em textos bíblicos. Geralmente são leituras mais curtas com um ensinamento central. Você encontra em livros ou sites. Dicas de site com devocionais:  www.mudeobrasilpelabiblia.org.br e lecionario.com
  4. Comentários bíblicos. São livros que comentam os textos bíblicos, trazendo o contexto histórico, contexto cultural, questões das línguas originais e etc. Normalmente, esmiúçam versículo por versículo.
  5. Sites. Vários sites podem te auxiliar no estudo da Bíblia. Alguns trazem recursos específicos para isso. Nós indicamos dois aqui, mas, ambos estão em inglês: biblehub.com e netbible.org (embora em inglês, são gratuitos).

Livros para quem está começando a ler a Bíblia

Listamos abaixo alguns livros que podem te ajudar MUITO no estudo da Bíblia. São todos de autores renomados e confiáveis. Além disso, sua forma de escrever é envolvente e agradável, facilitando o estudo.

Colocamos os nomes dos livros em itálico e logo em seguida o nome do autor, com uma breve descrição da obra.

  • Como ler a Bíblia Livro por Livro – Gordon Fee e Douglas Stuart. É um guia de estudo panorâmico da Bíblia. Ele nos ensina sobre cada livro bíblico, suas características, história e elementos-chave.
  • Entendes o que lês? – Gordon Fee e Douglas Stuart. Um livro que auxilia a entender como os diferentes gêneros literários da Bíblia são escritos e como passam sua mensagem. Você aprenderá sobre parábolas, narrativas, cartas, epístolas, salmos e etc.
  • Multiplique: Discípulos que fazem discípulos – Francis Chan. Essa obra é muito boa para quem quer começar a entender aspectos teológicos mais profundos da Bíblia. Aqui você aprenderá como entender o Antigo e o Novo Testamento. Além disso, aprenderá sobre aliança, queda, redenção, a vida na igreja e etc. Tudo isso com uma linguagem simples e envolvedora.
  • Para entender a Bíblia e a série Lendo a Bíblia com John Stott – John Stott. Aqui temos uma obra introdutória sobre a Bíblia e uma série. Seu autor é um dos mais renomados na área de estudo bíblico. A série Lendo a Bíblia com John Stott traz diversos comentários bíblicos, que o guiarão através da leitura e estudo, com aplicações práticas para sua vida.
  • Série A Palavra de Deus Para Você – autor Timothy Keller e outros. Uma série fantástica! Ela aborda um livro bíblico por obra. Serve para uso pessoal e para uso em grupos de estudo bíblico. Traz profundidade no estudo da Palavra, com contexto história-cultural e aplicações para hoje. Além disso, cada capítulo tem perguntas para reflexão pessoal.

Listamos alguns livros e séries que certamente vão te auxiliar. Porém, é impossível que listemos todos! Sendo assim, comece por esses aqui, posteriormente vá pesquisando mais sobre cada autor mencionado. Leia diferentes autores e veja com qual você se adapta melhor. Desse modo, você começará a ter sua própria opinião sobre os livros e autores, e moldará melhor sua prática de estudo ao seu estilo.

Qual tradução bíblica ler?

É uma escolha pessoal. Porém, algumas traduções são mais complicadas para quem está começando. Por isso indicamos a NVI (Nova Versão Internacional) ou NVT (Nova Versão Transformadora). Pois, são traduções fiéis, com linguagem contemporânea e acessível.

As traduções mais tradicionais são a ARA (Almeida Revista e Atualizada) ou a ARC (Almeida Revista e Corrigida). Contudo, elas tem um vocabulário mais rebuscado e complicado em alguns momentos. Para corrigir isso, recentemente foi lançada a NAA (Nova Almeida Atualizada).

Para estudo, não indicamos a NTLH, pois se trata de uma paráfrase e não tradução bíblica.

Se tem dúvidas sobre a tradução da Bíblia que vai usar, vá a uma livraria e leia algumas traduções diferentes. Ou use um aplicativo da Bíblia que tenha várias traduções, como o aplicativo Bíblia Sagrada (ou Holy Bible) da Life.Church. (O aplicativo é gratuito)

Como ler a bíblia em um ano?

Normalmente para ler a Bíblia em um ano são usados planos de leitura bíblica. Você pode encontrá-los no google ou em aplicativos bíblicos. Esses planos dividem a Bíblia em porções diárias.

Normalmente intercalam leituras do Antigo e do Novo Testamento. Para ler a Bíblia toda é só seguir o plano.

Um ótimo aplicativo gratuito que auxilia nisso é o Bíblia Sagrada (ou Holy Bible) da Life.church. Ele conta com mais de 2 milhões de usuários no Brasil. Além de conter planos de leitura, também traz diversas traduções da Bíblia. (O aplicativo é gratuito e está disponível para Android e iOS)

Como ler a bíblia em ordem cronológica

Há algumas edições da Bíblia em ordem cronológica à venda. Como por exemplo a Bíblia em Ordem Cronológica, da editora Vida. Além disso, há sites que trazem o plano de leitura na ordem cronológica.

Contudo, lembre-se que essas ordens cronológicas são propostas dos editores. E muitas vezes, determinar a ordem dos acontecimentos é difícil e pode ser algo impreciso.

A reorganização da Bíblia em um ordem cronológica rompe as conexões de contexto das passagens bíblicas. Dessa forma, ela pode ferir nuances do texto bíblico, além de alterar a forma como a mensagem deveria ser recebida pelo povo. Sendo assim, a leitura em ordem cronológica é interessante para quem tem curiosidade, mas não é aconselhável para um estudo aprofundado da Bíblia.

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Conhecer a Bíblia Jesus Cristo Personagens Bíblicos

A Bíblia relata para nós duas genealogias de Jesus. A primeira está em Mateus 1.1-17 e a segunda está em Lucas 3.23-38. Cada uma delas tem particularidades ricas em significado e ensino. Portanto, merecem nosso estudo e atenção!

Desde muito tempo atrás, a interpretação tradicional supõe que:

  • a genealogia registrada em Mateus acompanha a linhagem de Jesus por intermédio de José (sua genealogia legal),
  • Enquanto que a genealogia em Lucas acompanha sua linhagem por meio de Maria (sua genealogia natural).

Algumas Teorias sobre as Genealogias de Jesus

A interpretação tradicional encontra algum apoio no fato de que, em Mateus, a narrativa do nascimento de Jesus concentra-se mais no papel de José que no de Maria (Veja Mateus 1.19-25; Mt 2.19-23). E por sua vez, a narrativa de Lucas faz de Maria personagem principal (Veja Lucas 1.28-30; Lc 1.42-48; Lc 2.19).

Há uma antiga hipótese que explica esse fato porque José seria a fonte de boa parte das narrativas do nascimento registradas em Mateus, ao passo que Maria é a fonte da maior parte do material de Lucas.

Outra teoria que plausível é a ideia de que Mateus apresenta a genealogia régia ou legal, enquanto que Lucas apresenta os que concreta e fisicamente descenderam de Davi.

Mas, qual é a diferença nisso? Naquela época havia antigas listas dinásticas, que apenas acompanhavam a linhagem da sucessão. Por isso, eram seletivas em suas informações. Não registravam todos os nomes de descendentes, apenas os sucessores mais importantes. Sendo assim, Mateus teria usado uma dessas listas dinásticas, enquanto Lucas reconstruiu a genealogia mais minuciosamente. Essa teoria não é impossível. No entanto, infelizmente, não há como confirmá-la ou refutá-la.

O fato é que os autores tinham em mente ensinar verdades a respeito de Cristo. Não queriam um registro científico histórico, mas trouxeram verdades profundas sobre o nascimento do Filho de Deus. Para isso, fizeram caminhos diferentes, mas não falaciosos.

Comparando as Genealogias

Começaremos pela genealogia registrada em Mateus e depois falaremos sobre Lucas. Cada um deles teve um propósito ao escrever seu evangelhos. Há algumas diferenças notáveis que nos ajudam a entender os objetivos dos autores. Vejamos a seguir:

A genealogia em Mateus

Em Mateus, a genealogia serve de introdução ao Evangelho, em especial para as narrativas do nascimento, e acompanha a linhagem que vai desde Abraão e, que através de José chega a Jesus. Ele usa repetidamente o verbo “gerou”.

Há uma divisão de organização dos nomes em três grupos de catorze. É notável a inserção de algumas mulheres e, possivelmente, alguns irmãos. Contudo, percebe-se também a omissão de vários nomes.

No final da genealogia, há um detalhe muito importante, a ausência do verbo “gerou”. Mateus fez uso repetitivo desse verbo para traçar a conexão entre pais e filhos. No entanto, quando se refere a José e Jesus ele não usa o verbo (Mt 1.16). José é o marido de Maria, da qual Jesus nasceu. Mas, José não “gerou” Jesus. Isso, reflete a crença do autor na concepção virginal.

A genealogia em Lucas

Em Lucas a genealogia aparece após o batismo e serve de introdução ao ministério de Jesus e, dessa maneira, não faz parte propriamente da narrativa do nascimento de Cristo. Lucas usa a expressão “filho de” repetidamente. Seu registro começa com Jesus, chega até Adão e, por fim, Deus.

Essa genealogia começa com uma explicação que indicando que Jesus não era filho biológico de José:

Jesus tinha cerca de trinta anos de idade quando começou seu ministério. Ele era, como se pensava, filho de José, filho de Eli… Lucas 3:23 [grifo nosso]

A explicação “como se pensava” mostra que Jesus era conhecido pelo povo como filho de José, mas na realidade, ele é Filho de Deus. É interessante ver que é o próprio Deus que afirma isso em Lc 3.22, um versículo antes da abertura da genealogia.

Resumindo as ideias

À primeira vista, parece que a genealogia de Mateus tem como propósito apresentar Jesus como um israelita verdadeiro e, em particular, um descendente de Davi. Enquanto Lucas tenta mostrar que Jesus é um ser humano de verdade. Isso pode explicar certas diferenças encontradas na forma e no conteúdo dessas genealogias.

Em ambas, contudo, a intenção básica é dizer ou explicar aos leitores algo acerca de Jesus e de seu caráter, não tanto dar a conhecer seus ancestrais.

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A Teologia na Genealogia de Jesus

Alguns aspectos mais profundos nessas genealogias nos trazem ensinos riquíssimos. Por isso merecem atenção especial.

Objetivos teológicos de Mateus

A genealogia de Mateus deve ser lida em conjunto com o trecho seguinte (Mt 1.18-25). Juntas, as duas partes destacam Jesus como Filho de Davi e Filho de Deus, temas desenvolvidos em outras passagens do evangelho.

Provavelmente, o objetivo de Mateus 1.18-25 é explicar a genealogia e, em particular, como Jesus podia ter nascido de Maria, mas não de José, e ainda assim pertencer à linhagem davídica. Isso significa que a genealogia e o trecho seguinte pressupõem e tentam explicar o nascimento virginal. Mateus se preocupa em explicar essa questão, pois, seria um tema sensível a respeito da origem de Cristo.

Por esse motivo, podemos considerar que Mateus encontrou um meio de defender
a concepção virginal. Isso explica, em parte, a decisão incomum de incluir várias mulheres na genealogia.

Na verdade, isso só acontecia quando:

  • o pai era desconhecido,
  • ou quando os filhos de um patriarca provinham da união com esposas diferentes,
  • ou quando as mulheres estavam relacionadas com algum personagem importante
  • ou quando eram elas mesmas personagens famosas (como é o caso aqui).

As mulheres na genealogia em Mateus

Mateus não cita apenas Maria. Ele inclui outras quatro mulheres: Tamar, Raabe, Rute e Bate-Seba. Alguns estudiosos discutem por qual motivo Mateus as incluiu em sua lista. As principais hipóteses são:

  1. É possível que Mateus estivesse mostrando uma ponte entre Jesus e gentios e pecadores. Visto que algumas dessas mulheres tinham histórias controversas. Como é o exemplo de Raabe que era uma prostituta pagã, mas foi acolhida pelo povo de Deus e teve sua vida transformada.
  2. Alguns acreditam que a menção a essas quatro mulheres teve o objetivo de mostrar que elas foram veículos do plano messiânico de Deus, apesar das uniões irregulares. Desse modo, parece que nosso autor deseja, por meio dessa genealogia, chamar a atenção para Maria como instrumento do plano messiânico de Deus (e como fonte da humanidade de Jesus), mostrando que, para ser descendente de Davi, Jesus foi devedor tanto a mulheres quanto a homens.

Leia também: Quem foi Raabe?

A importância de José em Mateus

Embora o Evangelista mencione Maria na genealogia, é José com seus
sonhos que faz a ligação entre as várias narrativas de Mateus 1—2.

Mateus concentra sua atenção na reação de José diante da intervenção divina na vida de Maria e, em particular, mostra como, por meio de sonhos, ele é repetidas vezes levado a fazer a vontade de Deus. Não é por acidente que, além de
Jesus, nesses relatos só José seja chamado “filho de Davi”. Ele é visto como o típico patriarca que guiará e protegerá Maria e Jesus de acordo com a direção de Deus.

José é apresentado como um discípulo-modelo e um filho de Israel. É obediente aos sonhos celestes e chamado “homem justo” (Mt 1.19), ou seja, aquele que apoia e defende a Lei. Assim, em Mateus 1.18,19 ele é apresentado como alguém apanhado entre a santa lei de Deus e seu amor por Maria.

Ele é um judeu fiel, que está disposto a abrir mão do que era visto como o
maior privilégio de um pai judeu — engravidar a esposa de seu primogênito — a fim de obedecer à vontade de Deus (Mt 1.24).

Assim, Mateus explica um pouco como Jesus se tornou legalmente filho
de Davi e busca mostrar a veracidade da origem de Jesus. Nessa apresentação, Maria não apenas está submissa à liderança de José, mas também totalmente calada. Por isso, é possível que o autor esteja reafirmando os tradicionais papéis judaicos de liderança masculina e submissão feminina por causa de seu público judaico-cristão.

Objetivos teológicos de Lucas

A genealogia de Lucas apresenta Jesus no contexto mais amplo da humanidade em geral não apenas do judaísmo. Isso acontece porque Lucas está escrevendo para um público gentio e deseja mostrar que Jesus também veio para eles.

Contudo, é importante enfatizar que Jesus é apresentado como o ideal humano! Ele não é apenas um só com toda a humanidade, mas, deve ser visto como o modelo de relacionamento pessoal com Deus e com o próximo! Ele também é o exemplo de como se deve agir na tentação e em outros aspectos de como seguir a vontade de Deus.

Lucas apresenta Jesus como o Novo Adão, ou seja, ele é o primeiro em uma nova linhagem de seres humanos. Mas com a diferença fundamental é que esse Adão — ao contrário do primeiro — é um filho obediente de Deus.

Um fato importantíssimo é a presença da expressão “filho de Deus” no final da genealogia. Pois, os judeus, em suas genealogias, não tinham o costume de se referir a alguém dessa forma. Existe, então, uma ênfase não apenas na humanidade plena de Jesus (um filho de Adão), mas também em sua origem divina, que portanto, procede de Deus (um filho de Deus).

Conclusão

Em Mateus e Lucas, os objetivos são mostrar a natureza de Jesus e as verdades bíblicas que se concretizam ali. Os autores não estavam preocupados em apresentar listas minuciosas ou exaustivas de todos os antepassados de Jesus. Eles desejavam realçar alguns aspectos de sua herança, os quais iriam demonstrar aos seus leitores a relevância e a natureza de Jesus.

Fonte Bibliográfica:

Esse artigo sobre as genealogias de Jesus tem como fonte principal o Dicionário Teológico do Novo Testamento; Editora Vida Nova. São Paulo: 2012. Verbete: Jesus, Nascimento de. Escrito por B. Witherington. pág. 706-710.

 

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Conhecer a Bíblia Salvação Vida Cristã

A Vida Eterna existe?

Sim! Cremos nisso pois lemos na Bíblia. Jesus promete vida eterna para aqueles que creem em seu nome. A razão de Jesus vir ao mundo foi salvar e resgatar o perdido (Lc 19.10; Jo 3.16-17).

Em especial, ao longo do Evangelho de João lemos muitas coisas que Jesus disse sobre a salvação. De fato, a Vida Eterna é um dos temas predominantes nesse evangelho. Sendo que não seria incorreto resumir a missão de Jesus e o tema do Evangelho de João em termos de Vida Eterna.

Vejamos a seguir um pouco mais sobre Vida Eterna.

Como ter a Vida Eterna?

Em João 17.3, Jesus diz:

Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.
João 17:3

Veja alguns aspectos interessantes que Jesus nos ensina,

  • Jesus não está afirmando que conhecer a Deus precede a vida eterna, tampouco que isso é necessário para obtê-la. Mas, conhecer a Deus é a Vida Eterna. Os que conhecem a Deus no tempo presente têm com ele uma comunhão incorruptível que a morte não pode romper nem impedir.
  • A vida eterna é algo que se tem no presente. O mesmo aspecto é lido em Jo 3.15, quando Jesus diz “todo o que nele crer tenha a vida eterna.” Ao se referir à vida eterna, Jesus emprega verbos no presente, como “te conheçam e tenham”, apontando que ela é uma dádiva para hoje.
  • A vida eterna é obtida pelo conhecer. Mas é muito mais do que conhecimento intelectual. Ela se manifesta na vida daquele que conhece e reconhece que Jesus é o Filho de Deus. Esse conhecimento significa receber crendo com alegria e prazer na soberania, no amor e na íntima comunhão com Deus e seu Filho Jesus.
  • Esse conhecer é mais do que saber algo, conhecer significa relacionar-se com Deus.
  • Esse conhecimento deve nos levar a crer em Jesus, a arrepender-nos, confessar os nossos pecados e dia a dia vivermos a nova vida com Cristo. (Jo 3.15-18)
  • É importante que saibamos que Vida Eterna é algo dado pela graça de Deus aos pecadores que creem em Jesus. (Ef 2.1) Não a conquistamos pelos nossos méritos. Pois, quando reconhecemos nossos pecados, e nossa podridão, a mensagem do evangelho diz que só Jesus pode nos salvar, e só nele encontramos a vida (Ef 2.4-5; Rm 6.23).

É necessário Nascer de Novo:

Biblicamente, para ter a vida eterna é necessário nascer de novo (Jo 3.3), Jesus diz isso a Nicodemos. Isso não significa nascer mais uma vez da barriga da mãe. No entanto, nascer de novo significa nascer da água e do Espírito.

Sendo assim, uma pessoa só pode conhecer o Reino de Deus e ter vida eterna se for tocada pelo Espírito Santo. Ou seja, o Espírito precisa tocar o coração, implantando nela a vida que vem de cima, que tem sua origem no céu. Essa ação gera uma mudança radical, como alguém que é trazido da morte para a verdadeira vida (Jo 5.24-26). Dessa forma, a ação de Deus vem antes de qualquer desejo nosso de conhecê-lo. É ele que nos atrai para transformar nossa vida (Jo 6.37).

Portanto, a menos que haja esse novo nascimento, a pessoa não pode ver o Reino de Deus, tampouco experimentar, participar, ou possuir a vida eterna.(Jo 3.5)

É importante lembrar que ao longo dos evangelhos, os termos Vida Eterna e Reino de Deus tem significado muito próximo, quase equivalentes.

Vida eterna na terra?

Vida eterna, em grego no Novo Testamento, significa literalmente “vida da era”. Mas, em escritos do Antigo Testamento, vida eterna tinha o sentido de “vida da era vindoura”, como em Dn 12.2. O conceito judaico dessa era vindoura reflete a vida que os justos herdarão com Deus.

No Evangelho de João, esse conceito de era vindoura indica a vida sob a vem-aventurança que o crente participa pela fé em Jesus. Essa vida é aquela que vem do próprio Deus, portanto, o cristão vive na dependência do Pai Celestial. Contudo, perceba essa não é uma realidade para ser experimentada apenas após a morte e ressurreição dos nossos corpos.

Em João, a vida eterna é algo para hoje e agora! Essa vida é dada por Jesus hoje, quando através dele conhecemos o Pai e temos comunhão com ele. Assim, vida eterna é também a apropriação pela fé de realidades não vistas, embora presentes, que dão forma à vida do crente nesse mundo e se tornarão plenamente realizadas no mundo vindouro.

Portanto, a partir do momento em que nasce de novo, o cristão experimenta as bênçãos do céu em sua vida. Contudo, essas experiências serão plenas e livres de sofrimento e limitações apenas quando estivermos no Novo Céu e na Nova Terra.

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Como será a Vida Eterna?

Em Ap 21 nos é contado um pouco de como será a vida eterna. Aqueles que têm seu livro escrito no livro da vida do Cordeiro entrarão na cidade Santa (Ap 21.27). Nada de impuro, perverso, pecaminoso terá espaço ali. Todo choro, tristeza e dor serão aniquilados. As lágrimas cessarão, pois, o próprio Deus enxugará os olhos daqueles que sofrem. (Ap 21.4)

A vida eterna será vivida em Novos Céus e uma Nova Terra. A Nova Jerusalém descerá do Céu, e a habitação de Deus estará no meio das pessoas. O próprio Deus pastoreará as nações. (Ap 21.2,3) A Cidade Santa será especialmente preparada por Deus. Lindíssima, como feita de ouro puro, pedras preciosas e pérolas. Mas o seu brilho virá da glória de Deus! (Ap 21.11)

No centro da cidade está o trono de Deus e do Cordeiro. Dos pés do trono flui o rio da água da vida, na rua central da cidade, e ali também está a árvore da vida que dá doze colheitas por ano, uma a cada mês.

A cidade não precisará de sol, nem lua, pois a glória de Deus a ilumina e o Cordeiro é sua candeia (Ap 21.23). As nações andarão em sua luz. Pois, veja, que a promessa da vida eterna é andar sob a luz de Deus para todo sempre.

Todas essas maravilhas durarão eternamente!

Reflexão sobre a Vida Eterna

Aqueles que conhecem a Jesus já andam sob a luz de Deus. Mas, em meio a esse mundo de sofrimento e pecado, muitas vezes tropeçamos. Embora experimentemos aspectos da vida eterna hoje, ela será plena quando se concretizar a promessa da volta de Cristo.

Essa é a esperança e alegria do discípulo de Jesus. A esperança da vida eterna nos motiva a viver nesse mundo de maneira que glorifique ao nosso Deus.

Andamos com os pés nesse mundo, mas nosso coração e mente estão no céu.

 

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Conhecer a Bíblia Personagens Bíblicos

Jejum de Ester na Bíblia

A história bíblica de Ester nos conta que o povo judeu estava exilado e sob o domínio do Império Assírio. Ester havia se tornado rainha, esposa de Xerxes. Além disso, ela era sobrinha de Mardoqueu e do povo de Israel.

O povo judeu corria grande perigo. Pois, um homem chamado Hamã odiava Mardoqueu e havia tramado contra todo seu povo. Ele fez com que o Rei Xerxes emitisse um decreto que ordenava a aniquilação do povo judaico. Diante de tamanho perigo, Mardoqueu pede a Ester que interviesse diante do rei em favor de seu povo.

No entanto, Ester temia apresentar-se diante de Xerxes, pois, isso só era permitido a quem fosse convidado. Pois, se alguém que aparecesse sem um convite poderia ser condenado à morte. Por esta razão, Ester disse para Mardoqueu convocar todo o povo judeu a um jejum coletivo:

Então Ester mandou esta resposta a Mardoqueu:
“Vá reunir todos os judeus que estão em Susã, e jejuem em meu favor. Não comam nem bebam durante três dias e três noites. Eu e minhas criadas jejuaremos como vocês. Depois disso irei ao rei, ainda que seja contra a lei. Se eu tiver que morrer, morrerei”.

Ester 4:15,16

Para conhecer a história completa de Ester e Mardoqueu clique aqui.

Jejum de Ester 2018 e 2019

Uma prática pentecostal atual tem sido chamada de O Jejum de Ester. Ele é descrito da seguinte forma:

  • É um jejum de mudança de sorte;
  • É um jejum que trará o favor do Rei dos reis;
  • Enfim, é um jejum que tirará todos os impedimentos de suas promessas, te habilitará e que te constituirá para o Reino.
  • Além disso, declare todo o dia “Eu declaro que vou viver dias de alegria, de paz, de saúde, de prosperidade, de amor. Nesses dias, o Senhor mudará a minha sorte e a minha boca se encherá de riso e minha família viverá o melhor de Deus. Em nome de Jesus!”

Portanto, esse jejum tem como objetivo destravar as bênçãos de Deus sobre a vida do seu povo. O jejum atrairá o favor do Rei dos Reis. A promessa é que se você o fizer, alcançará um nível superior de espiritualidade, pois, é um jejum poderoso!

Contudo, note que se você falhar haverá consequências:

Note-se que sua carne vai lutar com você a cada passo do caminho em uma tentativa desesperadamente para te impedir dessa experiência inovadora. [sic]

Por favor, esteja ciente de que se você permitir que sua carne ganhe, então você acaba de dar um  beijo de adeus às bênçãos!

  • Blog Fonte de Fogo [fonte] fontedefogo.blogspot.com/2016/01/perguntas-e-respostas-sobre-jejum-de.html[/fonte]

Sendo assim, há diversos métodos na internet, orientando passo a passo como fazê-lo. De fato, ele se assemelha com as orientações bíblicas sobre jejum, contudo há alguns erros graves. Vejamos a seguir o jejum bíblico.

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O Jejum Bíblico

O jejum bíblico é a abstinência de todo tipo de alimentação, às vezes até mesmo de água. A privação do alimento, por um tempo determinado, tem o objetivo de dedicar-se à oração, à comunhão com Deus, ao exame da alma. É também uma expressão de quebrantamento, tristeza e arrependimento diante de Deus.

No Antigo Testamento, havia dias de jejum específicos no calendário dos judeus. Eram épocas em que a nação inteira jejuava, em certas ocasiões por alguns dias. Nesses períodos, eles afligiam sua alma, humilhavam-se diante de Deus, confessavam seus pecados, se quebrantavam e renovavam sua aliança e o propósito de viver para o Senhor. Os jejuns conclamavam o povo a jogar fora seus ídolos, arrepender-se e voltar-se para Deus. O jejum era parte visível da consternação, da dependência do Senhor (cf. Êx 34.28; Jz 20.26; 1Rs 19.8; 2Cr 20.3).

Além disso, o Jejum que realmente agrada ao Senhor, deve ser oportunidade para ajudar os pobres, deixar o pecado, quebrar o jugo da iniquidade, parar de oprimir os inocentes, cessar a prática da violência, andar nos caminhos de Deus. (Is 58.6-8)

Já no Novo Testamento, o jejum tem o propósito de exercício espiritual, que visa a mortificar a carne, subjugar os desejos pecaminosos, elevar o espírito, entristecer o homem diante de Deus. [fonte] Nicodemus, Augustus. Cristianismo Descomplicado. Editora Mundo Cristão. Edição do Kindle. [/fonte]

Portanto, jejum é um exercício para mortificar nossos desejos carnais e nos humilhar diante de Deus. Dessa forma, nosso ego é diminuído e a graça de Deus nos fortalece. Não é um meio de convencer Deus a fazer a nossa vontade! O jejum bíblico não é uma forma de mudar a nossa sorte. O jejum bíblico transforma o nosso ser!  O jejum bíblico não traz o favor de Deus e não nos dá o poder de determinar coisas para dele. O jejum é o sinal visível da humilhação de nosso coração, que reconhece sua pequenez e pecaminosidade e clama pelo perdão do nosso Senhor.

Veja mais versículos sobre Jejum e Oração

A forma errada de Jejuar

Mesmo na época do Antigo Testamento, o real propósito santo do jejum era distorcido. Já havia pessoas que o praticavam de forma errada e pelo motivo errado. Queriam conseguir coisas que Deus não prometeu dar por meio do jejum. Achavam que essa prática tivesse em si algo mágico.

Muitas pessoas pensam assim hoje. O ato de jejuar é, muitas vezes, como uma espécie de talismã, garantia de bênçãos que coloca Deus como um escravo de nossos pedidos. Parece que o jejum nos dá poder de mandar em Deus. Mas, na verdade, biblicamente, caso o jejum não seja acompanhado de uma atitude espiritual correta, não valerá absolutamente nada.

O jejum deve vir acompanhado de quebrantamento, arrependimento, confissão de pecados, humilhação diante de Deus, tempo de oração e dedicação ao Senhor.

Portanto, não adianta jejuar se isso não vier acompanhado de arrependimento, um proceder santo, mudança de atitude e vida de oração. [fonte] Nicodemus, Augustus. Cristianismo Descomplicado. Editora Mundo Cristão. Edição do Kindle. [/fonte]

Como praticar o Jejum

  • Abstenha-se de comer, talvez até de beber, um dia, dois ou o tempo que você aguentar.
  • O jejum tem de ocorrer  juntamente com a meditação, oração, leitura da Escritura, quebrantamento, súplicas.
  • O jejum é também apropriado em momentos de crise, calamidade pública, doenças na família e crises existenciais.
  • Tire um tempo para ficar diante de Deus.
  • E, quando jejuar, jejue para Deus. Não precisamos contar às pessoas que estamos jejuando. (Mt 6.16-18)

Notas Bibliográficas

Os trechos a respeito do Jejum Bíblico, A Forma Errada de Jejuar, Como praticar o Jejum foram retirados do livro Cristianismo Descomplicado do Rev. Augustus Nicodemus.[fonte] Nicodemus, Augustus. Cristianismo descomplicado (Locais do Kindle 1992-1995). Editora Mundo Cristão. Edição do Kindle. [/fonte]

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Conhecer a Bíblia Jesus Cristo Personagens Bíblicos

Um dos encontros mais marcantes de Jesus na Bíblia é com a Mulher Samaritana. Esse momento está relatado em João 4.3-30. O evangelho não nos conta qual era o nome verdadeiro dela. Por isso, ficou conhecida como Mulher Samaritana. Ou seja, uma mulher de Samaria que teve um diálogo marcante com Jesus, a partir do qual toda sua vida mudou.

Os Samaritanos

Os samaritanos eram um povo com antepassados israelitas, mas, ao longo dos séculos foi mesclado com outros diversos povos pagãos que dominaram seu território. O povo que era israelita se casou com pessoas da Babilônia, adoraram outros deuses. Foram mudanças profundas nos costumes e religião do povo do Reino do Norte.

Dessa forma, os judeus não consideravam os samaritanos como parte do Israel verdadeiro. Havia grande rivalidade entre judeus e samaritanos, ambos se odiavam profundamente.

O encontro de Jesus com essa mulher é uma quebra de paradigmas culturais da época. Visto que judeus não falavam com samaritanos. Tampouco, um rabi judeu falaria com uma mulher de Samaria.

Jesus teve de passar por Samaria

João nos conta que Jesus teve de passar por Samaria (Jo 4.4). Mas por quê? Ele estava saindo da Judeia em direção à Galileia. Sendo assim, “teve de passar” poderia significar apenas que o caminho mais curto e rápido da Judeia para a Galileia era a estrada que passava por Samaria. Muitos viajantes galileus usavam esse percurso para ir a Jerusalém.

No entanto, “teve de passar por Samaria” tem outro sentido. Veja:

  • O Evangelho de João enfatiza constantemente a consciência do plano divino agindo no tempo correto em cada passo de Jesus (Jo 2.4; Jo 7.30; Jo 12.23; Jo 13.1).
  • Ao fim de sua conversa com a Mulher Samaritana, Jesus diz que seu alimento é fazer a vontade de seu pai e concluir sua obra. (Jo 4.34)
  • Sendo assim, havia um propósito de Deus para o encontro entre Jesus e aquela mulher.
  • Portanto, Jesus teve de passar em Samaria para cumprir a vontade do Pai de levar o evangelho também aos samaritanos.

O encontro entre Jesus e a Mulher Samaritana

Em meio a sua viagem, Jesus passou pela cidade samaritana de Sicar. Seus discípulos tinham ido buscar comida. Havia ali um poço. Jesus estava cansado da viagem e decidiu sentar-se um pouco.

Era por volta do meio dia, o momento em que o sol está mais forte. Então, uma mulher samaritana veio buscar água no poço. Nesse momento, Jesus aproveita a oportunidade para pedir água àquela mulher. A mulher se assusta e pergunta “Como o senhor sendo judeu pede água para mim que sou samaritana???” (Jo 4.9).

Vamos ver os detalhes desse momento

  • As mulheres daquele época costumavam buscar água no poço logo cedo. Elas iam em grupo. E aproveitavam o momento em que o sol estava mais ameno.
  • Aquela mulher samaritana faz o oposto. Ela vai ao meio dia, sozinha. Como se estivesse evitando se encontrar com outras pessoas. (Jo 4.6)
  • Jesus pede água para a samaritana. Isso vai contra a rivalidade dos judeus e samaritanos. Veja que a atitude de Jesus espanta a mulher. João faz questão de nos explicar que judeus não se davam bem com samaritanos.(Jo 4.9)

É em meio a esses detalhes que percebemos que esse não é um encontro comum, por mero acaso. Jesus tem um propósito ali. E logo ele começa a revelá-lo.

A primeira parte do diálogo

Ao ouvir a reação espantada da mulher, Jesus lhe responde de maneira enigmática.

Jesus lhe respondeu: “Se você conhecesse o dom de Deus e quem lhe está pedindo água, você lhe teria pedido e ele lhe teria dado água viva”.
João 4:10

Nessa frase, vemos que ele desperta a curiosidade da mulher. Ao mencionar a água viva e também ao sugerir um mistério sobre “quem está lhe pedindo a água”. Sutilmente Jesus instiga a mulher a pensar além da água, e quem seria esse com quem ela falava.

As objeções da Mulher

Mas a mulher lhe faz objeção com dois pontos:

  • Se o senhor não tem como pegar água do poço, como e onde vai conseguir essa tal água viva? (Jo 4.11)
  • Por acaso, o senhor é maior que Jacó que construiu o poço e bebeu dele com seus filhos e seu gado? (Jo 4.12)

A resposta de Jesus

Jesus não responde diretamente as perguntas da mulher, ele continua em seu enigma. Esse enigma é chamado Mashal, é um dito paradoxal, velado e contundente. Alguns termos demonstram dupla interpretação. De forma que o ensino é dado em forma de enigma. [fonte] Hendriksen, William. Comentário do Novo Testamento – João [/fonte]

Jesus respondeu: “Quem beber desta água terá sede outra vez,
mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Pelo contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna”.
João 4:13,14

Perceba que ele continua instigando a curiosidade da mulher. E através do assunto da água, ele está ensinando algo sobre o evangelho. Água e sede tem um duplo sentido na frase de Jesus. Porém, a mulher entende apenas o sentido material dos termos, enquanto o mestre está ensinando algo espiritual.

Ao ouvir Jesus dizer “água viva” a mulher pode ter entendido primeiramente “água nascente”. Como se Jesus estivesse se referindo a uma fonte de corrente, uma nascente de água em outro lugar. Mas, o ensino de Cristo aponta que água viva é um símbolo de fonte infinita de vida, a dádiva da vida eterna e salvação.

As sedes da Mulher Samaritana

A fala de Jesus mostra diferentes sedes de uma pessoa. Percebemos isso ao ver Jesus mencionando a vida eterna. Contudo, a mulher deseja uma água que a faça não ter mais sede física, para que não precise ir novamente ao poço. (Jo 4.15) Ela conhece a sede do corpo. Mas isso não é tudo.

Ela tem uma sede mais profunda, mas não sabe. A sede da alma que ela esconde tão bem, até de si mesma. A sede espiritual de uma vida árida e distante de Deus. Uma sede como a do Salmo 42.1-2. A sede da alma só pode ser saciada com um encontro real com o Deus vivo.

Sendo assim, o Criador conhece o coração que está sedento e precisa desesperadamente da água viva. Água que flui do próprio Deus.

Os 5 maridos da Mulher Samaritana

Ambos estavam falando sobre água e sede. De repente Jesus diz: “Vá chamar seu marido e volte!”. A mulher, desconcertada, diz “Não tenho marido”. A resposta está correta. Ela não tem marido. Ela já teve cinco, e agora estava com um homem, mas este não era seu marido. (Jo 4.16-17)

Talvez, seja esse o motivo pelo qual ela ia buscar água sozinha. Pode ser que esse fosse um motivo de vergonha para ela.

Repare nas respostas anteriores dessa mulher. Se olharmos o texto em grego (língua original), veremos:

  • No versículo 9, ela usa cerca de 11 palavras.
  • Nos versículos 11 e 12, são 42 palavras.
  • No versículo 15, são 13 palavras.
  • Mas, no versículo 17, ela usa apenas 3 palavras.

Diante disso, percebe-se que ela não gostava do assunto. E colocou-se em posição defensiva quando Cristo menciona seu marido. Sua postura muda drasticamente.

Por que Jesus mandou a mulher samaritana chamar seu marido?

Porque ele conhecia o coração da mulher. Através dessa frase ele demonstra que conhece até os segredos da vida dela. Ao mencionar esse assunto, ele está se aprofundando e falando à consciência dela. Jesus demonstra conhecer o passado e o presente da mulher.

Ao expor verdades sobre a mulher e sua vida atual de pecado, Jesus estava preparando-a para conhecer a verdade sobre a água viva. Diante do que ela ouve sobre sua própria história, ela o chama de profeta (Jo 4.19). Ao chamá-lo assim, ela confirma que o que ele havia dito era verdadeiro. Ela assume seu pecado.

A partir disso, a conversa se encaminha para o seu ponto mais importante.

A segunda parte do diálogo

É interessante que a partir de sua conversa com Jesus, aquela mulher levante a questão da adoração. Ela pergunta qual é o lugar correto para adorar a Deus. (Jo 4.20) Ao ter seu pecado exposto por Cristo, ela fala sobre adoração. Se caso agora ela estivesse se arrependendo, aonde deveria buscar a Deus?

Verdadeiros adoradores

Nesse momento Jesus ensina algo maravilhoso para ela e para nós. Não importa o local de adoração, se é Jerusalém ou qualquer outro lugar no mundo. A verdadeira adoração é em espírito e em verdade. Os verdadeiros adoradores que Deus procura o adorarão assim. (Jo 4.21-24)

Mas, qual é o significado de adorar em espírito e em verdade?

Vejamos o contexto da fala de Jesus em Jo 4.23-24;

  • a adoração a Deus não está restrita a um lugar sagrado (Jo 4.21)
  • essa adoração é preenchida pela verdade, ou seja, conhecimento claro e profundo de Deus, que flui de sua salvação. (Jo 4.22)
    • Sendo assim, adorar a Deus em Espírito e em Verdade, significa: honrar a Deus de tal maneira que todo o ser entra em ação, e fazer isso em perfeita harmonia com a vontade de Deus, conforme se encontra revelada nas Escrituras. [fonte] Hendriksen, William.[/fonte]

Essa adoração tem seu fundamento na verdade que Jesus revela a seguir:

Então Jesus declarou: “Eu sou o Messias! Eu, que estou falando com você”.
João 4:26

Jesus revela que ele é o Messias, o Filho de Deus que veio ao mundo para salvar e resgatar os perdidos. É muito especial que ele tenha revelado isso de forma tão direta a essa mulher. Visto que, em outras ocasiões e encontros ele não tenha falado isso abertamente.

O Testemunho da Mulher

Veja que nesse momento os discípulos de Jesus chegam. A mulher deixa o cântaro ali mesmo e corre para a cidade para contar a todos sobre o homem que encontrou no poço. Chama os seus vizinhos e conhecidos para conhecê-lo dizendo “Será que ele é o Cristo?”. (Jo 4.28-29) (Cristo e Messias são palavras com mesmo significado)

A partir do testemunho dela, muitos samaritanos vêm até Jesus e o conhecem.(Jo 4.39) Eles pedem que Jesus permaneça ali, ele aceita e fica por dois dias. Após esses tempo aprendendo com Jesus, eles dizem:

E disseram à mulher: “Agora cremos não somente por causa do que você disse, pois nós mesmos o ouvimos e sabemos que este é realmente o Salvador do mundo“.
João 4:42

Veja que o que Cristo disse à mulher se cumpriu. A partir do momento que ela reconheceu que ele era o Messias, sua vida foi transformada. Como se água viva estivesse fluindo do seu coração que outrora estava árido pelo pecado.

Ao receber a água viva, ela partiu e contou aos outros sobre o Messias. Ela conta a todos sobre a fonte de água viva que transformou sua vida. Desse modo, de dentro dela a água viva jorrava em forma de testemunho àqueles que a ouviam. (Jo 4.13-14) Ela pôde saciar sua sede espiritual. E então, agora, ela e seus conterrâneos sabiam que Jesus Cristo é o Salvador do mundo.

 

 

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Conhecer a Bíblia Jesus Cristo Personagens Bíblicos

Em Marcos 5.24-34; Lc 8.43-48 e Mt 9.20-22;  a Bíblia relata para nós o momento em que uma mulher toca em Jesus. Isso pode parecer normal. Contudo, a história relata que como um ato de fé essa mulher toca em Jesus para ser curada de uma doença que a afligia por 12 longos anos.

Essa história tem detalhes e ensinamentos muito valiosos. Portanto, vamos nos aprofundar através do estudo dessa passagem bíblica.

Contexto anterior

Em todos os relatos bíblicos da história dessa mulher, lemos antes que um homem chamado Jairo vai ao encontro de Jesus e pede com urgência que ele vá até sua casa, pois sua filha está muito doente, à beira da morte. Ao ouvir o pedido, Jesus começa a acompanhar Jairo até sua casa. Contudo, no meio do caminho, uma grande multidão se aproximou de Jesus e seus companheiros, de forma que era difícil andar. 

Em meio à multidão, estava uma mulher que padecia havia 12 anos de uma hemorragia (ou fluxo de sangue). (Mc 5.25) Os três evangelhos relatam o tempo que ela sofria desse mal. Porém, nenhum deles relata seu nome. No entanto, todos enfatizam, especialmente, a sua fé

A realidade da Mulher com fluxo de sangue

Essa mulher sofria há muito tempo e gastou tudo que tinha com os médicos à procura de uma cura (Lc 8.43). Mas, ao invés de melhorar, sua situação era cada vez pior (Mc 5.36). A história parece demonstrar que a hemorragia era incurável. Uma doença que piorava gradualmente e debilitava a mulher, lhe causando sofrimento e vergonha, além de outros diversos incômodos e constrangimentos.

Ser uma mulher com hemorragia nos tempos bíblicos era mais do que um problema clínico. Havia outras implicações culturais. 

Questões culturais – Fluxo de Sangue no Antigo Testamento

Qualquer mulher que estivesse em seu período menstrual era considerada impura cerimonialmente (Lv 15.19). Ou seja, por conta de sua doença, essa mulher tinha também restrições culturais. Pois, quem tocasse nela seria considerado impuro. Assim, as pessoas a evitavam. Além disso, ela não podia entrar no templo para participar dos momentos de adoração. 

Sendo assim, além do sofrimento físico, sua doença lhe causa exclusão social. A mulher sofria havia doze anos e estava sem esperanças. Até que ouviu falar de Jesus (Mc 5.27).

O encontro da Mulher com Jesus

Em meio ao aperto da multidão (Mc 5.24), que o cercava por todos os lados, Jesus sentiu um toque diferente. Ao sentir esse toque, Jesus perguntou “Quem me tocou?” (Mc 5.30). Perceba que cena curiosa. Jesus está sendo comprimido e apertado por toda multidão ao redor e de repente pergunta quem o está tocando. 

Seus discípulos estranham a pergunta do mestre! “A multidão toda te aperta e você pergunta quem te tocou?” (Mc 5.31) Várias pessoas estão tocando Jesus! Mas, em meio a toda pressão da multidão, um toque foi diferente. Jesus não estava falando dos toques físicos, mas de um toque de fé.

Uma mulher com fluxo de sangue, acanhada e humilde, havia se esgueirado em meio a multidão. E sutilmente tocou a barra do manto de Jesus. Discretamente, ela o tocou. Um toque sutil e rápido. Pois, ela acreditava “Se eu apenas o tocar serei curada” (Mc 5.28).

Ela não queria interromper o mestre. Por causa de sua condição, ela nem ousa apresentar-se. Ela não tinha o que lhe oferecer. Nem ao menos se achava digna de se colocar diante dele. Tudo que ela tinha era uma simples fé que ao tocá-lo, mesmo que fosse um breve toque em sua veste, ela seria curada. Pois, ela sabia que o poder de Jesus era grandioso, então apenas um toque seria suficiente.

A mulher imaginava que Jesus jamais perceberia o toque dela na ponta da veste. 

A cura da Mulher com fluxo de sangue

Imediatamente!!! Ao tocar a veste de Jesus, a mulher é imediatamente curada! (Mc 5.29) Ela sente seu corpo livre do sofrimento que carregava há tantos anos! O alívio lhe percorre o corpo e a mente. A leveza invade sua alma.

Então, de repente ela ouve Jesus perguntar “Quem me tocou?”. 

Ao ver que Jesus insistia e procurava saber quem havia lhe tocado, a mulher se apresenta diante dele. Veja que ela treme de medo ao se colocar diante dele. (Mc 5.33) Ela se prostra de joelhos, aos pés de Jesus e lhe conta toda a verdade. Seu medo pode ser por ter tocado o mestre sendo ela impura. Ou por ter “usado” o poder do mestre sem sua permissão. Ele teme a Jesus, pois não o conhece. 

A fé da mulher não é perfeita. Mas, Deus graciosamente concede cura para ela. Além disso, sua fé aprofundada e elevada através de seu encontro com Jesus. 

O ciclo do encontro com Deus

Ao tocar Jesus, a mulher recebe a cura. Entretanto, o propósito do encontro com Jesus não estava completo. Por isso, Jesus faz questão de saber quem lhe tocou. Veja o que lemos no Salmos 50.15:

“e clame a mim no dia da angústia; eu o livrarei, e você me honrará.”
Salmos 50:15

Nesse versículo vemos 3 passos: Clamor – Livramento – Glória a Deus.

Sendo assim, o ciclo e propósito daquele encontro não estava completo. Ela (1) havia clamado a ele com o toque, (2) recebeu a cura, mas ainda não havia o honrado, faltando assim o terceiro passo. Então, quando ela se prostra e lhe conta tudo, o ciclo se completa.

Por fim, veja que é apenas nesse momento que ela recebe o carinho direto de Jesus. Ele lhe diz:

Então ele lhe disse: “Filha, a sua fé a curou! Vá em paz e fique livre do seu sofrimento”.
Marcos 5:34

Perceba a forma gentil que ele usa ao chamá-la de filha. Não só a cura é derramada sobre ela, Jesus lhe dá paz e liberdade. A certeza de que o sofrimento não voltará.

Ao apenas tocar em Jesus, ela não havia recebido a parte mais especial: falar com ele e receber seu afeto. Ela sentiu medo quando ele chamou. Mas, as palavras de Jesus a conduzem a conhecer o coração do mestre.

Depois desse encontro, ela pode perceber que não foi apenas o poder de Jesus que a curou, mas sim, sua graça e misericórdia. Portanto, a fé não se baseia apenas em crer no poder de Deus. Mas, em que Deus nos ama e tem compaixão dos que sofrem.

Ainda que ela tenha tido que esperar 12 anos. O sofrimento teve o propósito de aproximá-la de Jesus e dar a ela o privilégio de receber seu afeto e poder.

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Conhecer a Bíblia

Ouro de Ofir na Bíblia é um ouro puríssimo e raro. Sua origem é a cidade de Ofir. Ele é usado como exemplo de algo precioso e refinado. (Jó 28.16) O Rei Davi doou 105 toneladas desse ouro para fazer o revestimento das paredes do templo do Senhor em Jerusalém. (1Cr 29.4)

Cidade de Ofir na Bíblia

Não se sabe a localização exata da cidade.

Ofir é mencionada como um local onde se comprava muito ouro de excelente qualidade. Muitos mercadores da época passavam por lá. É possível que fizesse parte de importantes rotas comercias.(2Cr 9.10,21) A cidade tinha ótima reputação como fornecedora de ouro e outras coisas raras e caras. Contudo, não se sabe se o ouro era originalmente produzido na cidade, ou trazido de outros lugares por mercadores. Sendo assim, Ofir poderia ser o local onde era extraído e tratado o ouro ou um ponto comercial de coisas finas. [fonte] Brown-Driver-Briggs – verbete אוֺפִיר [/fonte]

Salomão comprou 14 toneladas e 700 quilos de ouro de Ofir (1Rs 9.28) e frequentemente enviava seus navios para essa cidade. Posteriormente, o Rei Josafá também quis comprar comprar ouro de lá. (1Rs 22.48)

Uso simbólico do Ouro de Ofir

O Ouro de Ofir era sinal de qualidade, preciosidade e raridade. Do mesmo modo, era usado em poesias e metáforas bíblicas. Talvez esse seja seu significado mais importante na Bíblia. Para determinar qual era a intenção do autor ao mencionar o ouro de Ofir é necessário sempre ler o contexto da passagem.

Passagens bíblicas:

  • Em Jó 28.16 o Ouro de Ofir é símbolo de algo muito precioso. Porém, mesmo sendo tão caro e valioso, ele não poderia comprar nem um pouquinho de sabedoria. Sendo assim, a sabedoria vale mais do que ouro e jóias. Mesmo que muitos homens desejem ouro acima de tudo, na verdade, deveriam buscar a sabedoria.
  • Em Isaías 13.11-12, Deus pronuncia seu julgamento contra os ímpios e diz que eles serão mais raros que ouro puro de Ofir. Nesse contexto, enfatiza-se a raridade do ouro para expressar quão ampla será a ação de Deus contra os ímpios tornado-os escassos. Portanto, quando compara o ser humano com o ouro de Ofir, Isaías está falando de condenação. Ao contrário da música da  atualidade que usa o ouro de Ofir para exaltar o homem. No contexto bíblico o Ouro de Ofir nunca é usado nesse sentido.
  • Em Jó 22.22-25, Elifaz aconselha Jó a jogar (metaforicamente) o seu ouro de Ofir nas rochas dos vales. Ou seja, deveria se desfazer do ouro, pois, o Senhor seria sua riqueza. Esse conselho indica que o Senhor deve ser tratado como aquilo que nós temos de mais precioso.
  • Outros exemplo do uso do Ouro de Ofir é Sl 45.9; aqui é usado como sinal de beleza poética ao adornar a bela noiva real. Levando-se em consideração que esse Salmo pode ser considerado messiânico, (ou seja, está falando de Jesus) e que muitas vezes a igreja é chamada noiva de Cristo. (Ap 19.7; 2Co 11.2) O Salmo pode estar apresentando a igreja adornada com o Ouro de Ofir, ao lado de seu salvador.

Breve análise de ‘Ouro de Ofir’ em Raridade de Anderson Freire

Com o lançamento da música Raridade de Anderson Freire, em 2013, o termo Ouro de Ofir entrou na moda. Na canção há a comparação entre você e o ouro puro. Ali se canta que você é mais raro, valioso e importante.

Embora seja uma canção que cative muitas pessoas, é necessário ter precaução com algumas de suas ênfases. Pois, é uma música que exalta o ser humano. Sendo assim, não pode ser considerado um hino de louvor a Deus. Porque, embora mencione Deus, o foco da canção é você.

Biblicamente aprendemos que o ser humano é feito à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26) e que Deus nos ama (João 3.16). Essas coisas são mencionadas na canção. Contudo, a música enfatiza tanto o valor do ser humano, que se esquece de que diante de Deus nós somos impuros, sujos como trapos de imundícia (Is 64.6). E precisamos nos arrepender (Mt 4.17).

Portanto, ao ouvir a canção você pode imaginar que Deus tem obrigação de ajudá-lo por causa de seu valor inato. E Deus ao reconhecer seu valor não tem outra escolha a não ser ajudá-lo. No entanto, a Bíblia nos diz que somos imundos por causa de nosso pecado (Ef 2.1-3). Então, Deus, por sua graça e bondade, nos salva em Cristo. (Ef 2.4-5) Isso não vem de nós, do nosso valor ou de nossas atitudes. É somente pela misericórdia de Deus. (Ef 2.8) Portanto, ele deve ser exaltado. Ele é mais raro e valioso que o ouro puro de Ofir. Não a nós, somente a Ele toda Glória. (Rm 11.33,36)

 

 

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Bíblia Conhecer a Bíblia Vida Cristã

Essa parte do Evangelho de João registra os últimos ensinamentos de Jesus antes de ser preso e morto na cruz. Lemos como Jesus orientou e fortaleceu seus discípulos para o momento desafiador que viria a seguir. Diante disso, a mensagem os encoraja a permanecerem firmes na fé, afim de que prossigam no caminho e produzam frutos que glorifiquem a Deus.

A Videira Verdadeira – João 15.1-11

A videira era uma planta muito comum na palestina naquele tempo. Então, Jesus usa um exemplo do cotidiano para um ensinamento espiritual mais profundo.

No Antigo Testamento, a videira já era utilizada como símbolo de muito frutos. Então, era natural que israelitas conhecedores do Antigo Testamento associassem a frutificação, tanto natural quanto espiritual, com a videira (Sl 128.3; Is 5.1-5; Jl 2.22; Zc 8.12-13). Em algumas passagens a videira representa o próprio Israel. (Sl 80.8; Sl 80.14-16; Ez 17.8-10).

Contudo, no Antigo Testamento lemos que Israel é uma videira de frutos azedos e podres. Embora, Deus a tenha tratado e cultivado da melhor forma possível, e, por isso, esperasse frutos doces de justiça. Mas, Israel só produzia frutos azedos (Is 5.1-7).

Posto isto, quando Jesus diz “Eu sou a videira verdadeira” (João 15.1), podemos entender que ele é a raiz, tronco e sustentação do verdadeiro e novo Israel de Deus. Em Jesus, os frutos são diferentes daqueles azedos vistos anteriormente. Porque na videira verdadeira há obediência perfeita à vontade de Deus Pai. Graça e poder de Deus fluem dela e assim, ela alimenta e sustenta os ramos frutíferos, o verdadeiro povo de Deus.

Videira Verdadeira – Estudo

Jesus fala de muitas coisas aqui: videira, o Pai agricultor, os ramos, dar frutos, tirar e queimar ramos que não produzem frutos. Contudo, há uma lição central que deve ser explicitada!

  • Assim como os ramos só podem dar frutos quando estão conectados à videira, os discípulos de Jesus só dão frutos quando permanecem em Jesus. (João 15.4)

Isso fica evidente ao lermos quantas vezes Jesus repete a palavra permanecer e dar frutos nesse trecho. Releia João 15.1-11 e conte quantas vezes as expressões são repetidas. Portanto essa é a ideia central aqui.

Na videira há dois tipos de ramos (João 15.2). O Pai é o agricultor que cuida da videira e trata cada tipo de ramo de forma específica:

  • os ramos que produzem frutos > são podados para gerar mais fruto.
  • os ramos que não produzem frutos > são cortados e lançados fora.

Portanto, a relação entre videira e seus ramos exemplifica como é vital estar intimamente conectado com Jesus. Estar ligado a ele é fonte de vida para o cristão. Essa vida gera frutos. O ramo não pode fazer nada sozinho (João 15.4,5). Da mesma forma, somos totalmente dependentes de Cristo.

“Meu Pai é o agricultor”

Prosseguindo, Jesus nos diz que Deus Pai cuida de nós e nos poda. O verbo podar significa: limpar, purificar, eliminar aquilo que é infrutífero. [fonte] HELPS Word-studies. Verbete: καθαίρω – kathaírō [/fonte]

Em vista disso, podar é um ato de cuidado e amor do Pai para com a videira e seus ramos frutíferos. Podar indica que ele está aperfeiçoando e auxiliando o desenvolvimento de cada um que está conectado à videira. Dessa forma, aprendemos que o Pai está nos ajudando a crescer, desenvolver a maturidade cristã e a gerar frutos (João 15.2).

Veja que Jesus havia dito que o “Pai poda”, o verbo está no presente, indicando que essa é uma ação constante do Pai que ocorre com frequência. Mas, eles já estão limpos (João 15.3). Isso demonstra que a Palavra já os limpou de seus pecados (João 13.10), no entanto, eles continuam sendo aperfeiçoados através dela. Ou seja, o discípulo de Jesus já está limpo de seus pecados, mas através da ação constante de Deus no dia a dia, ele vai sendo liberto da influência que o pecado tinha sobre sua vida.[fonte] William Hendriksen. João – Comentário do Novo Testamento. [/fonte]

Portanto, há duas verdades aqui. (1) O discípulo já está limpo; mas (2) dia após dia a sua vida vai sendo moldada ao caráter de Cristo e começa a produzir frutos que glorificam a Deus (João 15.8). Esse processo é chamado de santificação.

Limpos pela Palavra

Jesus nos diz que a ferramenta usada para nossa limpeza é a sua Palavra (João 15.3). Palavra se refere aos ensinamentos de Cristo que remoldam nossa vida. Através da palavra de Cristo, somos podados e aperfeiçoados. Contudo, se rejeitamos sua palavra, não crescemos. Mas, se a praticamos, damos frutos.

Ser podado pode doer, pois, muitas áreas sensíveis da nossa vida precisam dessa limpeza. Então, não é confortável mudar. Porém, é necessário para que sejamos mais parecidos com Cristo e sejamos reflexo de seu caráter. Ser podado por Deus não deve trazer medo, pois o amor expulsa o medo (1Jo 4.15-21).

Ser podado não é um castigo! É ser amado por um Pai que tem cuidado de nós. Só assim produziremos muitos frutos que permaneçam (João 15.16).

Qual é o fruto?

Esses frutos são os bons motivos, desejos, atitudes, disposições (virtudes espirituais), palavras, boas obras. Tudo isso tendo origem na fé, em harmonia com a lei de Deus, e feito para sua glória. [fonte] William Hendriksen. João – Comentário do Novo Testamento.[/fonte] Sobre o fruto na vida do Cristão, lembramos especialmente de Gálatas 5.22-23. Porquanto, é o fruto do Espírito apresentado ali que nos diz quais são os aspectos do fruto na vida do discípulo de Jesus.

Veja mais sobre como ser cheio do Espírito.

Sobretudo, perceba a progressão de ideia: em João 15.2, Jesus fala em darmos “mais fruto”; já em João 15.5,8; ele diz “darem muito fruto”.  Tal característica denota desenvolvimento e crescimento. Além de demonstrar que não se deve esperar pouco daqueles que estão em Cristo.

O fruto especial – permaneça no amor

Apesar de citarmos algumas características diferentes sobre o fruto mencionado por Jesus, vemos no texto um fruto sendo citado de maneira especial. Trata-se do amor, que é mencionado pelo menos 8 vezes nesse capítulo (João 15.9-13).

Para entender o amor de Jesus, veja João 13.1. Esse amor, além do mais, era puro, de todo coração, profundo, pessoal, com conhecimento, permanente; daí, em todos esses aspectos era exatamente como o amor do Pai pelo Filho. [fonte] William Hendriksen. João – Comentário do Novo Testamento. [/fonte] É o amor que se sacrifica (João 15.13).

Jesus nos envolve no seu amor e no amor de Deus Pai (João 15.9). E nos diz para permanecer em seu amor. O resultado (fruto) prático e visível disto é seguir seus mandamentos (João 15.10). A prática demonstra que o amamos, pois, confiamos que suas palavras são palavras de vida eterna. O discípulo deve experimentar desse amor, permanecer nele e praticá-lo. Obedecê-lo se resume em amar uns aos outros como ele nos ama!

Observe:

O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros como eu os amei.
Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos.

João 15:12,13

Nosso amor é uma resposta ao seu amor por nós. Nós o amamos porque ele nos amou primeiro (1Jo 4.19). Então, seu amor age em nós e nos transforma. Passamos a conhecer e praticar o amor. É como um ciclo de amor. Somos nutridos pelo amor da videira e geramos o fruto da essência que recebemos. O resultado dessa vida de amor é a alegria (João 15.11).

Os ramos infrutíferos

Diante dessa notícia maravilhosa do amor de Jesus por nós e tudo que ele nos dá, como é possível que haja ramos infrutíferos? Ao ouvirmos que alguns ramos são cortados e lançados fora, podemos nos escandalizar e achar que Deus é severo demais. Contudo, veja como é grave a atitude desses ramos. Eles se recusam a crescer, se recusam a receber o amor de Jesus e praticá-lo. Os ramos infrutíferos, mesmo tendo contato com Jesus, rejeitam seu amor.

Por essa razão, eles sofrerão. João 15.6 diz que eles:

  • serão jogados fora;
  • secarão;
  • serão reunidos e lançados no fogo;
  • queimarão.

Do mesmo modo que o agricultor corta os ramos que não dão frutos físicos, o Pai também rejeita aquelas pessoas que não produzem frutos espirituais. Esses ramos sugam a força da videira, mas não produzem frutos dignos de arrependimento (Mt 3.8). A árvore é reconhecida por seu frutos (Lc 6.43,44), logo se os ramos infrutíferos permanecessem na videira, pensariam que ela é infrutífera. Os ramos infrutíferos, na verdade, não pertencem à videira. Estão sempre aprendendo, mas nunca chegam ao conhecimento da verdade (2Tm 3.7). Estes sofrerão justo castigo. Pois, jamais pertenceram verdadeiramente à videira (1Jo 2.19).