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Conhecer a Bíblia

Quem escreveu o Salmo 37?

O Salmo 37 é um salmo de Davi que tem muito a nos ensinar hoje. Ele traz uma série de conselhos para aqueles que buscam o Senhor. A maldade, que parece prosperar nesse mundo, pode causar desânimo e confusão naqueles que são tementes a Deus. Mas, os que confiam no Senhor devem encontrar nessa salmo consolo e força.

Nos dias do salmista, parecia que o ímpio estava prosperando e feliz, sem ver consequências para sua maldade. De certa forma, isso se torna em tentação para aqueles que tem uma vida correta. Porque podem pensar que não tem valido a pena se dedicar ao que é certo, ou que o caminho do ímpio é melhor.

Contudo, a verdade anunciada nesse salmo é que a maldade passará, e Deus certamente agirá com justiça no tempo devido.

Não se aborreça e não tenha inveja!

O conselho do salmista é simples. Em Sl 37.1, ele diz “Não se aborreça e não tenha inveja”.

Embora seja difícil praticar isso, o motivo que nos incentiva é simples: os homens maus e perversos logo passarão, assim como a erva seca (Sl 37.2). Ou seja, aquele que é mau não terá muito tempo para aproveitar os frutos de sua maldade. Deus logo fará justiça. A felicidade dos homens maus (ímpios) é maldita, na verdade, eles são miseráveis. Eles terão que prestar contas diante de Deus.

Esse Deus, que faz justiça, está do lado de quem o ama. Por isso, não precisamos ter inveja ou aborrecimentos. Devemos confiar em Deus.

A maldade dos Ímpios

As designações “Homens maus, perversos e ímpios” são sinônimas. São aqueles que desprezam os ensinamentos de Deus. Eles vivem a vida conforme suas próprias regras e desagradam o Senhor. Sua conduta e seus planos ferem e oprimem outras pessoas. Tudo que fazem é para alimentar e saciar seus próprios pecados.

Sua conduta é descrita ao longo do Salmo:

  • eles tramam contra os justos e rosnam para eles (Sl 37.12);
  • Levantam a espada e o arco para abater o pobre, o necessitado e aqueles que andam na retidão (Sl 37.14);
  • eles tomam emprestado e não devolvem (Sl 37.21).

Há outros exemplos ao longo do salmo. Dessa forma, fica claro que o ímpio é inimigo da justiça e de todos aqueles que vivem um vida reta. O salmo procura deixar claro que o ímpio e o justo são opostos. Por esta razão o justo não deve invejar o ímpio, mas deve buscar em Deus a força para resistir à maldade do mundo.

Quatro lições do Salmo 37

Para ensinar como o justo deve agir, o salmista usa alguns conselhos:

  • Confie no Senhor;(Sl 37.3)
  • Deleite-se no Senhor; (Sl 37.4)
  • Entregue seu caminho ao Senhor; (Sl 37.5)
  • Descanse no Senhor. (Sl 37.7)

Veja que cada conselho do salmo é um verbo. E cada ação é direcionada ao Senhor! Sendo assim, a vida do justo é uma vida de constante dependência de Deus. Essa dependência nos leva a experimentar alegria e contentamento em meio às dificuldades e questionamentos da vida. Mas não adianta simplesmente agir. As ações devem ser conduzidas pelo Senhor e para o Senhor.

Confie no Senhor

Confie no Senhor e faça o bem; assim você habitará na terra e desfrutará segurança.

Salmos 37:3

Confiar no Senhor nos leva a habitar na terra e experimentar segurança. Veja que a promessa de uma terra é sobre estabilidade, ter de onde tirar seu sustento, ter um lar. A terra é um dos bens mais preciosos da antiguidade. Contudo a promessa é habitar na terra em segurança. Isso significa poder desfrutar da terra e do fruto dela, por muito tempo. Essa promessa é enfatizada novamente nos versículos, Sl 37.9,11,22,29,34.

Alguns poderiam entender essa mensagem da seguinte forma “O que Deus tem pra você é seu! Ninguém poderá tirar da sua mão! Tome posse!”. Contudo, a ênfase do salmo não é na posse da terra, mas na bondosa mão de Deus que dá a terra por herança àquele que o ama.

A frase “desfrutará segurança”, em hebraico significa literalmente “seja alimentado de sua fidelidade”. Sendo assim, desfrutar da terra não é o foco. Mas, sim, desfrutar de Deus. Pois, o Senhor é nossa porção e nossa maior herança (Sl 16.5). A fé (confiança) em Deus precede a bênção da terra, mas já nos possibilita desfrutar da presença e segurança do nosso Deus. [fonte] CALVINO, João. Comentário de Salmos – Vol.2. pag.131. [/fonte]

Deleite-se no Senhor: Salmo 37.4 – significado.

Deleite-se no Senhor, e ele atenderá aos desejos do seu coração.

Salmos 37:4

O que significa “deleitar-se“? Significa ter prazer, deliciar-se satisfazer-se. Portanto, o salmista nos diz que o Senhor é nossa fonte do bem. O deleite no Senhor é colocado em contraste aos deleites que o mundo proporciona. O homens maus são enganados e envenenados pelas ilusões do mundo. Mas, aquele que teme ao Senhor tem seu prazer nele.

“e ele atenderá aos desejos do seu coração.” Esse trecho pode ser erroneamente entendido como “qualquer desejo do seu coração será atendido”. Mas, veja que se trata do coração do justo, que deseja o Senhor acima de tudo.

Sendo assim, o salmo não diz que qualquer desejo nosso será realizado. Mas, nos diz que se desejarmos o Senhor em nosso coração e nos satisfizermos nele, certamente ele nos saciará com sua presença. Veja que o salmo nos diz o que essa pessoa traz no coração Sl 37.31. Portanto, deleitar-se no Senhor é o maior prazer que uma pessoa pode ter! Se o desejarmos e o buscarmos de coração, com certeza, ele nos saciará. Por estarmos satisfeitos nele, podemos em paz entregar nossas nossas vidas totalmente nas mãos dele.

Entregue seu caminho ao Senhor

Entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá:

Salmos 37:5

O fruto da confiança e do deleite é estar plenamente em paz com Deus. Logo, estamos entregues em seus mãos. Davi aprofunda o que havia ensinado no versículo anterior. Nossos desejos, preocupações, anseios, esperanças e dificuldades devem ser entregues ao Senhor. Tudo o que somos e o que temos.  O termo “caminho” significa todas as nossas atividades e áreas da vida.

Devemos entregar com paciência, sabendo que o resultado de nossos esforços está nas mãos de Deus. Quer recebamos recebamos prosperidade ou adversidade, continuaremos confiando que ele está fazendo o melhor para nossas vidas (Sl 55.22).[fonte] CALVINO, João. Comentário de Salmos – Vol.2. pag.134. [/fonte]

Contudo, o principal ensino desse versículo é que “entregar” significa passar para Deus o governo e a direção de nossas vidas. É muito fácil entregarmos planos (caminhos) prontos para Deus, esperando que ele siga nossas ideias. Mas, esse versículo nos ensina a entregar o comando de nossas vidas nas mãos dele. Sendo assim, nós seguiremos sua vontade e nos deleitaremos no que ele diz. Não seremos mais os senhores da nossa vida. “E Ele agirá”, ou seja, ele ativamente conduz e molda nossa vida. Não é um governante negligente. Ele é fiel e bondoso, o fruto dessa fidelidade será tão evidente quanto o sol do meio dia (Sl 37.6). Portanto, nele podemos descansar.

Descanse no Senhor

Descanse no Senhor e aguarde por ele com paciência; não se aborreça com o sucesso dos outros, nem com aqueles que maquinam o mal.

Salmos 37:7

Ao confiar, deleitar-se, entregar-se plenamente ao Senhor, nos resta descansar nele. O descanso é um sinal de fé. Não devemos ter receios de que ele cuida bem de nossas vidas.

A palavra descanso é colocado como oposta a aborrecer-se. O aborrecimento aparece em Sl 37.1,7. Descansar nele significa esperar por sua justiça, pacientemente. Davi está nos ensinado que devemos descansar, ao invés de nos revoltar. O sofrimento, desonestidade, maldades e injustiças nesse mundo nos revoltam. Isso pode nos tentar a tomar o controle e fazer justiça com nossas próprias mãos. Todavia, Davi nos diz para entregarmos ao Senhor e descansarmos nele. Pois, não podemos solucionar tudo com nossa força, nem tampouco faremos justiça da maneira adequada. Por isso, ao invés de nos aborrecermos, descansamos no Deus que nos faz justiça (Sl 4.1).

O Resultado da vida do Ímpio

O salmo repetidamente compara ímpios e justos, aquele que desprezam e aqueles que amam o Senhor. A estrutura mostrará o resultado dos planos dos homens maus e dos bons. O homem mau experimenta alegria temporária, mas o justo experimenta alegria plena.

O destino dos ímpios é murchar e secar, como uma planta que fica verde por um dia e logo morre.

Vi um homem ímpio e cruel florescendo como frondosa árvore nativa,
mas logo desapareceu e não mais existia; embora eu o procurasse, não pôde ser encontrado.
[…] Mas todos os rebeldes serão destruídos; futuro para os ímpios, nunca haverá.

Salmos 37:35-36,38

Não há futuro para o mau. Ele será destruído, não haverá lembrança a seu respeito. A justiça o apagará.

Mas, o futuro do justo está nas mãos do Senhor.

O Resultado da vida do Justo

Considere o íntegro, observe o justo; há futuro para o homem de paz.
[…] Do Senhor vem a salvação dos justos; ele é a sua fortaleza na hora da adversidade.
O Senhor os ajuda e os livra; ele os livra dos ímpios e os salva, porque nele se refugiam.

Salmos 37:37,39-40

Portanto, há futuro para o homem de paz. Seu bem-estar, segurança, paz e alegria estão assegurados pelo Senhor. Embora, tropecem (Sl 37.24), sofram dificuldades (Sl 37.25), tenham pouco (Sl 37.16), os justos jamais ficam desamparados.

Esse salmo nos mostra a fidelidade do Senhor, mesmo em meio a um mundo injusto, onde ímpios prosperam. Dedicar-se a Deus, deleitar-se nele, entrega o governo de nossas vidas em suas mãos, é o melhor que podemos fazer. Assim, teremos a certeza de que ele nos sustenta e fortalece para sempre.

Para concluir, Calvino diz:

Ora, visto que Davi põe a fé em primeiro lugar na ordem para mostrar que Deus é o autor de todo bem, e que tão somente por meio de sua bênção é que a prosperidade deve ser buscada; por isso se deve observar que ele conecta isto com uma vida santa; pois o homem que coloca toda sua confiança em Deus, e se deixa governar por ele, é que viverá íntegra e inocentemente e se devotará à prática do bem. [fonte] CALVINO, João. Comentário de Salmos – Vol.2. pag.130. [/fonte]

 

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Conhecer a Bíblia Deus

Ao longo do Antigo Testamento, lemos a história da aliança entre Deus e Israel. Fica evidente que o povo de Israel foi conhecendo o Senhor progressivamente. Ou seja, aos poucos eles descobriam mais a respeito de Deus, seu caráter, poder e maravilhas.

Alguns eventos na história foram marcantes para o povo, e características de Deus se manifestaram de maneira especial. Em alguns desses eventos, o povo dava um novo nome ao Senhor para se lembrar quem ele é e o que havia feito por eles. Os nomes tinham uma aplicação didática. Era uma forma de ensinar o povo a respeito do seu Deus.

Alguns nomes conhecidos e muito usados para Deus são: SENHOR dos Exércitos (Sl 46.7), Jeová Rafa (Ex 15.26), Deus Altíssimo (Sl 57.2), entre outros títulos. No Novo Testamento vemos isso com menos frequência, mas um exemplo é Emanuel (Profecia em Is 7.14; concretiza-se em Mt 1.23).

Nesse artigo trataremos especialmente do nome Jeová Nissi.

Jeová Nissi – Contexto de Êxodo 17

É importante conhecer o contexto no qual surge o nome, pois, o contexto nos ensina o significado do nome e também sua aplicação para as nossas vidas. Em Êxodo 17.15, o nome Jeová Nissi é usado pela primeira vez.

O povo de Israel foi atacado pelos amalequitas (Ex 17.8), assim entraram em guerra. Enquanto os guerreiros de Israel foram para o campo de batalha, Moisés foi para o alto da colina, com a vara de Deus em sua mão (Ex 17.9-10). Moisés, Arão e Hur subiram a colina. Enquanto Moisés mantinha suas mãos levantadas, os guerreiros de Israel prevaleciam. Porém, quando ele abaixava as mãos, os inimigos avançavam (EX 17.11).

Com o passar do tempo, Moisés já estava cansado. Então, Arão e Hur lhe deram uma pedra para sentar e seguravam as suas mãos erguidas. Assim, com ajuda, Moisés conseguiu manter as mãos firmes até o pôr-do-sol. Dessa forma, o exército de Israel venceu a batalha.

Ao fim da batalha, Deus diz a Moisés que escreva em um rolo o que havia acontecido. Isso serviria de memorial. Nessa ocasião, Moisés constrói um altar e o chama de Jeová Nissi, que quer dizer “O SENHOR é minha bandeira”.

Jeová Nissi – Significado das palavras

O nome é composto por duas palavras. יְהוָ֥ה נִסִּֽי – Jeová Nissi.

  • A primeira palavra é o nome pessoal de Deus יְהוָֹה – Yahweh.

Esse nome é significa: aquele que dá vida, criador. Mas, em seu sentido mais puro significa “Aquele que é”. Também entendido como o absoluto e imutável e aquele que vive para sempre.

O próprio Deus se apresenta assim, quando Moisés lhe pergunta seu nome (Ex 3.12-15). As versões bíblicas em português traduzem o nome como “Eu Sou” ou “Eu Sou O Que Sou”. [fonte] Brown-Driver-Briggs. Verbete: יהוה [/fonte]

  • A segunda palavra é Nissi.

O significado é bandeira, sinal, estandarte. É como um símbolo de guerra. É a mesma palavra traduzida como “alto poste”, usada para descrever a serpente de bronze em Nm 21.8. Contudo, bandeira pode ser mal interpretado por nós hoje, pois imaginamos bandeira como um tecido, ornamentado com algum significado. No entanto, nos tempos bíblicos a “bandeira” ou estandarte de guerra era um poste de metal com ornamento em metal brilhante no topo para captar luz.

O significado de Jeová Nissi – Estudo

A bandeira, ou estandarte de batalha, é o símbolo visível da causa de um exército, é também o símbolo do rei ou comandante da tropa. Então, Moisés, ao dar esse nome ao altar, estava imprimindo na mente dos israelitas que saíram do Egito quem era seu Deus, o seu poderoso e verdadeiro líder.

Os israelitas tinham acabado de enfrentar sua primeira batalha depois da saída do Egito, ainda eram covardes e murmuradores, como se vê em Ex 17.2-3. Portanto, era necessário que aprendessem quem era o SENHOR que seguiam.

Lendo Ex 17.9-16, aprendemos:

  • Primeiramente, Moisés os faz ver que eles não batalham sozinhos, mas que Deus é sua bandeira, seu estandarte de guerra, seu rei e seu comandante. O povo batalha em nome do SENHOR e não estavam sozinhos. O povo pertence a um só Deus!
  • Em segundo lugar, também fica claro que para obter vitória, o povo deveria seguir as ordens de seu comandante. Não basta ter o estandarte ao seu lado, devemos obedecê-lo e segui-lo com dedicação e fidelidade.
  • Por fim, o povo aprende de quem vem o poder para a vitória. Israel é frágil e pequeno, contudo, seu comandante os conduz à vitória. A glória pertence ao SENHOR. Israel não deveria se tornar arrogante. [fonte] MacLaren’s Expositions [/fonte]

Sendo assim, a presença e o poder de Yahweh eram a bandeira sob a qual eles estavam alistados. Yahweh é a fonte de ânimo que os mantém unidos. O SENHOR é a bandeira que eles levantam no dia do triunfo. No nome de Deus, o povo sempre ergue seus estandartes. Ele que faz toda a obra, merece receber todo o louvor. [fonte] Benson Commentary [/fonte]

Conclusão

Jeová Nissi significa literalmente “O SENHOR é nossa Bandeira”. Contudo há um significado profundo nisso. Quando temos o SENHOR como nossa bandeira, significa dizer que ele é a razão pela qual lutamos. Dedicamos nossa vida para segui-lo. Assim, devemos segui-lo com fidelidade, confiança e coragem. O Senhor é nosso líder, que nos conduz nas batalhas da vida. A ele pertencem a vitória e a glória. A nós cabem o prazer e a honra de segui-lo e tê-lo ao nosso lado no dia a dia.

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Conhecer a Bíblia Personagens Bíblicos

Caim foi o primeiro filho de Adão e Eva. Ele é comumente lembrado pelo seu terrível ato contra Abel, seu irmão mais novo. Depois de uma desavença, por inveja e ciúmes, Caim assassina seu irmão. Sua sentença é viver em fuga pela terra (Gn 4.10-12).

A Bíblia não nos fala o nome ou quem foi a esposa de Caim. Pois, é possível que seu nome não fosse relevante para os relatos bíblicos. Mas, nos diz que Caim e sua esposa tiveram um filho chamado Enoque (Gn 4.17).

Genealogia de Caim:

  • Os pais de Caim foram Adão e Eva (Gn 4.1).
  • Ele e sua esposa tiveram um filho, chamado Enoque (Gn 4.17).
  • De Enoque nasceu Irade. O filho de Irade foi Meujael. De Meujael, nasceu Metusael. De Metusael nasceu Lameque. (Gn 4.18)
  • Lameque teve duas esposas, a primeira lhe deu o filho Jabal, que foi o pai daqueles que moram em tendas e criam rebanhos. O outro filho era Jubal, que foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta.
  • A outra esposa de Lameque lhe deu Tubalcaim, que fabricava todo tipo de ferramentas de bronze e de ferro.

Essa é a posteridade e genealogia de Caim registrada em Gênesis.

Avan foi esposa de Caim?

Esse relato é contato no Livro dos Jubileus. Lá está escrito que Avan teria sido uma filha de Adão e Eva, nascida após Abel. Ela teria se tornado esposa de Caim após a morte de Abel. Caim e Avan teriam tido relações e gerado vários filhos.

Contudo, o Livro dos Jubileus não é reconhecido pelos judeus como Escritura Sagrada, inspirada por Deus. Sendo assim, os relatos que estão presentes nesse livro não são confiáveis, nem tampouco podem ser tidos como reais. É um livro antiquíssimo, mas apócrifo, que não é reconhecido como verdadeiro nem por judeus, nem por cristãos.

Concluindo, a história de Avan como esposa de Caim não pode ser aceita como verdadeira.

Jarede, esposa de Caim?

Em Gn 5.18, lemos que Jarede gerou Enoque. Em Gn 4.17, vemos que o filho de Caim e sua esposa se chamava Enoque. Desses dois versículos surgem uma confusão que leva algumas pessoas a acreditarem que Jarede seja esposa de Caim. Contudo, Jarede é um homem descendente de Sete, o outro filho de Adão. Não é possível que seja esposa de Caim.

Para deixar mais evidente, veja que Enoque, filho de Caim, teve um filho chamado Irade (Gn 4.18). Enquanto que o Enoque, filho de Jarede, teve um filho chamado Matusalém (Gn 5.21). Concluindo, são dois “Enoques” diferentes, filhos de pais diferentes, que apenas têm o mesmo nome. Sendo assim, Jarede não é esposa de Caim.

Existiam pessoas fora do Jardim do Éden?

Em Gn 3.20, a Bíblia nos diz que Eva é a mãe de toda humanidade. Portanto, todos os seres humanos são descendentes do primeiro casal, Adão e Eva. A partir dos dois, a humanidade foi se multiplicando. Não existiam pessoas fora do Éden antes que os descendentes de Eva se espalhassem pela terra.

No início, os seres humanos viviam muito mais tempo, veja Adão que viveu 930 anos (Gn 5.4-5). Nesse tempo, a princípio, irmãos e irmãs se casavam, assim como primos e primas também. Isso fazia parte do plano de Deus de permitir que a humanidade se multiplicasse a partir do primeiro casal. Dessa forma, é possível que Caim tenha se casado com uma irmã, ou prima. Veja que Adão teve muitos outros filhos (Gn 5.4).

Portanto, não existiam pessoas fora do Éden. Posteriormente, a humanidade foi se espalhando por diversas terras e ocupando o mundo.

Como Caim morreu?

Não se sabe, pois a Bíblia não relata sua morte. A Bíblia dá ênfase à vida e genealogia de Sete, outro filho de Adão e Eva. Porquanto, é através dele que Deus dará continuidade a seu plano redentivo na história.

O Livro dos Jubileus afirma que Caim morreu quando sua casa desabou sobre ele e uma pedra o feriu. Porque ele havia matado Abel com uma pedra, por uma pedra também tinha de morrer. Porém, esse livro não é bíblico, desse modo, não devemos considerá-lo fidedigno e inerrante.

Esposa de Abel? Filhos de Abel?

A Bíblia não relata que Abel tenha tido esposa ou filhos. Sua vida foi curta e muito provável que ele não tenha tido descendentes. Veja que a Bíblia conta sobre os filhos de Caim e também de Sete, mas não menciona Abel. Portanto, é seguro afirmar que caso houvesse descendentes de Abel, eles seriam mencionados. Por não haver menção, então, conclui-se que não haja.

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Conhecer a Bíblia Personagens Bíblicos

Jezabel é uma das personagens mais marcantes do Antigo Testamento. Mas, ela não é lembrada por coisas boas. Ao invés disso, sua vida é um exemplo de desprezo pelas coisas de Deus. Ela se dedicou a fazer aquilo que é mau e a perseguir aqueles que amavam o Senhor.

Conhecendo Jezabel:

Em 1Rs 16.31, ela é citada pela primeira vez. Jezabel é filha de Etbaal, rei dos sidônios. Sendo assim, ela é uma princesa de um povo pagão que adorava Baal e Astarte. O nome Etbaal significa “com Baal”. Antes de ser rei, ele era um sacerdote da deusa Astarte, dos fenícios. Provavelmente, por conta disso, sua filha Jezabel era tão dedicada e devota aos deuses pagãos.

Jezabel se torna a esposa de Acabe, rei de Israel. O casamento dos dois é um ponto de virada na vida de Acabe. Ele era forte fisicamente, com potencial para liderar o povo em batalhas. Contudo, sua moral e caráter eram fracos e duvidosos. O casamento era a forma de selar a aliança de Acabe com o Rei Etbaal. O objetivo era fortalecer as relações entre Israel e a Fenícia.

A história nos mostra que Jezabel tinha altíssima influência sobre Acabe (1Rs 21.25). Ela era implacável. Inclusive, tão logo ela é apresentada na Bíblia, vemos que Acabe passa a adorar Baal e os deuses pagãos.

Significado do nome: Jezabel.

Jezabel ou Jezebel significa “Baal exalta” ou “Baal é marido de” ou “impura”. É um nome de origem fenícia em homenagem ao falso deus Baal.

Ela é citada 13 vezes no 1º Livro dos Reis e 6 vezes no 2º Livro dos Reis.

A Rainha Jezabel:

Ela foi esposa de Acabe, Rei de Israel. Nesse tempo, Israel estava dividido em dois reinos: o Reino do Norte e Reino do Sul, sendo o norte chamado de Israel e o sul de Judá.

Acabe era um rei mau que se envolveu com diversos falsos deuses, em especial Baal e Aserá. Além disso, a Bíblia relata que ele cometeu coisas piores que qualquer outro rei que o antecedeu (1Rs 16.30).

Jezabel era uma rainha tão má quanto Acabe. Ela não honrava ao Deus de Israel, pelo contrário, ela incentivava a idolatria e sustentava diversos profetas dos falsos deuses (1Rs 18.19). Ela se esforçou em desviar o povo de Israel dos caminhos de Deus. Do mesmo modo, a rainha combateu e perseguiu os profetas do Senhor, inclusive, matando-os (1Re 18.4).

Acabe, Elias e Jezabel.

Mesmo com toda perseguição e assassinatos dos profetas do Deus verdadeiro, ainda havia um profeta em Israel. Seu nome era Elias. Elias foi enviado por Deus para confrontar Acabe e a perversidade de seu reinado e dizer que não haveria chuva em Israel (1Rs 17.1). Vendo que o as palavras do profeta se concretizaram, Acabe se esforçou para encontrar Elias (1Rs 18.10) e trazê-lo à força para reverter a situação, provavelmente. Depois de certo tempo, Elias é enviado por Deus para falar novamente com Acabe, para dizer que haveria chuva (1Rs 18.1-2).

Acabe recebe Elias de maneira ríspida, chamando-o de perturbador de Israel (1Rs 18.17-18). Elias diz que a verdadeira perturbação de Israel era culpa do rei Acabe, que havia abandonado os mandamentos do Senhor e seguido aos baalins. A acusação de Elias se aplica tanto a Acabe quanto a Jezabel. E para mostrar a todo povo quem era o Deus verdadeiro, Elias desafia todos os profetas de Baal e Aserá que comiam à mesa de Jezabel (1Rs 18.19).

Os profetas de Jezabel são desafiados por Elias

Eram 450 profetas de Baal e 400 profetas de Aserá que eram protegidos por Jezabel. Todos eles foram convocados para o desafio de Elias. O desafio consistia em trazer dois novilhos, um para Baal e outro para o Senhor Deus verdadeiro. Os profetas e Elias construiriam um altar, cada qual para seu deus, e colocariam o novilho sobre o altar. Não acenderiam fogo, mas clamariam. O deus que respondesse com fogo sobre o altar mostraria que é o verdadeiro (1Rs 18.23-24).

Os profetas de Baal clamaram do amanhecer até meio dia, mas não houve resposta (1Rs 18.26). Elias zombou deles, perguntando se por acaso Baal não estaria dormindo ou viajando (1Rs 18.27). Todo povo havia se reunido para ver o desafio. Os profetas continuaram clamando até o entardecer, mas Baal não havia respondido (1Rs 18.29). Elias, então, chama a atenção do povo e reconstrói o altar de Deus que estava em ruínas (1Rs 18.30-31). Ele pede que encharquem o altar e o novilho, de forma que a água escorria pelo altar (1Rs 18.35). Pediu que encharcassem o altar mais uma vez.

A Resposta do Deus Verdadeiro

Elias orou ao Senhor, na hora do sacrifício da tarde. Ao fim da oração, Deus enviou fogo do céu que caiu sobre o altar e o novilho. Toda água que encharcava o altar também evaporou (1Rs 18.36-38). Ao ver isso, o povo de Israel se lançou ao chão, prostrado. Eles declaravam “O Senhor é Deus! O Senhor é Deus!” (1Rs 18.39). Elias então ordenou que fossem capturados os falsos profetas que serviam a Baal e depois os matou (1Rs 18.40).

Esse episódio é uma afronta a Jezabel que se sentiu humilhada, pois viu seus profetas sendo derrotados e mortos. Além disso, viu seus falsos deuses sendo derrotados publicamente. E o povo agora voltava seu coração para o Deus verdadeiro. Ela se irou profundamente.

A Vingança de Jezabel:

Ao ouvir o que Elias tinha feito, Jezabel jura por sua vida que fará a Elias o que eles fez aos seus profetas. Ela jura que dentro de 24h cumpriria sua vingança (1Rs 19.1-2). Contudo, Elias foge e o Senhor o protege. Jezabel não consegue cumprir sua vingança e novamente é humilhada.

Ela se julgava poderosa e ilimitada. Mas, o Deus de Israel mostraria para ela quem é verdadeiramente Rei sobre Israel. Acabe e Jezabel esqueceram-se do Senhor e se esforçaram em enfrentar o Deus vivo. Portanto, eram tolos, embora não o soubessem.

A Vinha de Nabote:

Esse relato está em 1 Reis 21. Nabote era um homem que tinha uma vinha ao lado do palácio em Jezreel. Acabe desejava a vinha dele e lhe fez uma oferta de compra. Contudo, Nabote recusa, pois aquela vinha era uma herança de família.

Acabe fica irado, para de comer e fica emburrado. Jezabel vê a situação de seu marido e lhe pergunta o que está acontecendo. Nesse momento, Acabe lhe conta a situação. Ela diz que dará um jeito de conseguir a vinha de Nabote para seu marido.

Jezabel planeja uma ação extremamente maligna (1Rs 21.9-10). Seu plano consiste em contratar duas pessoas para um falso testemunho diante do povo, dizendo que Nabote amaldiçoou a Deus e ao rei. Após isso, Nabote seria apedrejado. Posteriormente, seu plano é realizado e Nabote é assassinado (1Rs 21.14). Então, Acabe toma posse da vinha que tanto queria.

Sentença contra Jezabel.

Jezabel se sentiu muito astuta ao traçar seu plano para conseguir a vinha de Nabote. Contudo, ela não levou em consideração que o Deus de Israel não ignora o pecado e a maldade. Tão logo Acabe se levanta para tomar posse da vinha, o Senhor ordena que Elias vá ao encontro dele para proferir a sentença. Jezabel e Acabe foram julgados por Deus e agora ouviriam as suas sentenças (1Rs 21.18).

A sentença de Acabe diz que onde os cães lamberam o sangue de Nabote, ali também lamberão o sangue de Acabe. Haveria desgraça sobre a vida de Acabe e seus descentes masculinos seriam eliminados (1Rs 21.19,21).

Quanto a Jezabel, os cães a devorariam junto ao muro de Jezreel (cidade da vinha de Nabote). (1Rs 21.23)

Nunca existiu ninguém como Acabe, que se vendeu para fazer o que o Senhor reprova, pressionado por sua mulher Jezabel.

1 Reis 21:25

A Sentença se Cumpre!

Acabe morreu durante uma guerra, registrada em 1 Reis 22. Ele morreu em seu carro de guerra, seu sangue escorreu pelo carro. Após sua morte, ele foi sepultado e seu carro de guerra foi lavado. No local onde o carro foi lavado, o sangue de Acabe escorreu pelo chão e ali o seu sangue foi lambido por cães (1Rs 22.37-38). Dessa forma, a primeira parte da sentença contra Acabe se cumpriu.

Em 2Rs 9.6-8, lemos que o Senhor levanta Jeú para concretizar outra parte da sentença proferida anteriormente. Jeú reúne um exército e marcha contra o filho de Acabe, o Rei Jorão.

Quando Jorão viu Jeú, perguntou: “Você vem em paz, Jeú? ” Jeú respondeu: “Como pode haver paz, enquanto continua toda a idolatria e as feitiçarias de sua mãe Jezabel? ”
Jorão deu meia-volta e fugiu, gritando para Acazias: “Traição, Acazias! ”
Então Jeú disparou seu arco com toda força e atingiu Jorão nas costas. A flecha atravessou-lhe o coração e ele caiu morto. (grifo nosso)
2 Reis 9:22-24

A Morte de Jezabel

Em 2Rs 9.10, lemos que dentro da sentença há uma parte especialmente reservada a Jezabel. Pois, os pecados e crimes dela foram gravíssimos.

Após matar Jorão, Jeú entra na cidade e vê Jezabel arrumada e maquiada em uma janela. Certamente ela queria que ele a visse bela. Mas, ele grita e pede que alguém lançasse Jezabel pela janela. Um dos funcionários do palácio cumpre sua ordem:

Em seguida Jeú entrou em Jezreel. Ao saber disso, Jezabel pintou os olhos, arrumou o cabelo e ficou olhando de uma janela do palácio.
Quando Jeú passou pelo portão, ela gritou: “Como vai, Zinri, assassino do seu senhor? ”
Ele ergueu os olhos para a janela e gritou: “Quem de vocês está do meu lado? ” Dois ou três funcionários olharam para ele.
Então Jeú ordenou: “Joguem essa mulher para baixo! ” Eles a jogaram e o sangue dela espirrou na parede e nos cavalos, e Jeú a atropelou.

2 Reis 9:30-33

Jeú deu ordens aos seus servos para que sepultassem Jezabel, mas quando eles vão buscar seu corpo, encontram apenas restos. Pois, cães haviam comido a maior parte do corpo da rainha Jezabel.

Jeú entrou, comeu, bebeu e ordenou: “Peguem aquela maldita e sepultem-na, afinal era filha de rei”.
Mas, quando foram sepultá-la, só encontraram o crânio, os pés e as mãos.
Então voltaram e contaram isso a Jeú, que disse: “Cumpriu-se a palavra do Senhor, anunciada por meio do seu servo Elias, o tesbita: Num terreno em Jezreel cães devorarão a carne de Jezabel,
os seus restos mortais serão espalhados num terreno em Jezreel, como esterco no campo, de modo que ninguém será capaz de dizer: ‘Esta é Jezabel’ “.
2 Reis 9:34-37 (grifo nosso)

A sentença sobre os pecados e crimes de Jezabel se cumpriu conforme o Senhor havia dito! Pois, o Deus de Israel não falha e não mente. A arrogância de Jezabel precedeu sua ruína e seu fim foi terrível, assim como toda sua vida.

Características de Jezabel:

A rainha Jezabel foi uma mulher manipuladora, sedenta por poder, gananciosa, infiel a Deus, assassina, cruel e causou destruição para toda sua família.

Espírito de Jezabel

Sua maldade e conduta horripilantes foram tão marcantes que ela ainda é citada no Novo Testamento, séculos depois. Em Ap 2.20-23, é citada uma Jezabel. Sua citação faz alusão à Jezabel do Antigo Testamento.

Essa menção, sobretudo, designa uma mulher que é astuta e persuasiva, capaz de exercer grande influência sobre outros; que tinha talentos de alta ordem e que era uma defensora completa do que é errado. Ela era inescrupulosa na maneira como agia para alcançar seus objetivos. Além disso, a tendência de sua influência era conduzir as pessoas a práticas abomináveis de idolatria.

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Introdução

Calebe foi um israelita, líder da tribo de Judá, (Nm 13.2,6) nos tempos em que o povo de Israel peregrinou no deserto em busca da terra prometida. O povo havia sido liberto do Egito pela ação poderosa de Deus. Agora, peregrinava no deserto sob a liderança de Moisés em direção à promessa do Senhor. Calebe fazia parte desta geração e teve papel importante como companheiro de Josué que foi sucessor de Moisés nessa jornada.

Espiando a Terra Prometida – parte 1.

Calebe é apresentado na Bíblia pela primeira vez em Nm 13.6. Nesse momento, Deus diz a Moisés para separar um líder de cada tribo de Israel para espiarem e conhecerem a terra que ele havia prometido (Nm 13.1-2). Portanto, 12 homens são escolhidos para espiarem a terra. Dentre eles, dois nomes se destacam Calebe da tribo de Judá, e Oséias da tribo de Efraim. Oséias, logo depois recebe o nome de Josué (Nm 13.16). Calebe tinha 40 anos quando foi escolhido como espião (Js 14.6,7).

Após escolherem os espias, eles receberam essas orientações de Moisés (Nm 13.18-20):

  • Eles deveriam observar se o povo que já habitava naquela terra era forte ou numeroso;
  • se habitavam em boa terra, se as cidades eram fortificadas ou não tinham muros;
  • deviam observar se a terra era fértil, se havia florestas ou não.

Calebe estava nessa missão e deveria relatar tudo que visse com fidelidade. A missão durou 40 dias (Nm 13.25) A terra era maravilhosa, com frutos lindos. O relato dos espias dizia que, de fato, a terra manava leite e mel, ou seja, era abundante em maravilhas (Nm 13.27). Mas…

Espiando a Terra Prometida – parte 2.

Embora os espias trouxessem notícias maravilhosas sobre a terra prometida, havia um problema. A terra estava habitada por diversos povos (Nm 13.28-29). Esses povos eram fortes e suas cidades fortificadas. Diante disso, os espias ficaram com medo e aterrorizados. Ainda mais, eles espalharam as notícias ruins por todo o povo para o desanimar (Nm 13.31-33). Contudo, um dos espias ergueu sua voz para dizer:

“Subamos e tomemos posse da terra. É certo que venceremos”

Números 13:30

Calebe foi corajoso para animar o povo e afirmar a vitória certa, mesmo contra inimigos mais poderosos. Pois, ele confiava em Deus que havia feito a promessa e a cumpriria. Ele foi corajoso para enfrentar os companheiros do seu próprio povo que não tinham fé em Deus.

Calebe – Companheiro de Josué.

Após ouvir os relatos dos espias, todo o povo de Israel começou a chorar, lamentar e reclamar. Queixaram-se contra Moisés, dizendo que preferiam ter morrido no Egito, ou no deserto. Ainda mais, cogitaram até mesmo voltar para o Egito, na terra onde foram escravos (Nm 14.1-4). Seu medo os impedia de crer em Deus. Era um povo rebelde e murmurador.

Contudo, dentre todo o povo, dois homens rasgaram suas vestes e ergueram sua voz. Calebe e Josué se levantaram no meio do povo e disseram:

A terra que percorremos em missão de reconhecimento é excelente.
Se o Senhor se agradar de nós, ele nos fará entrar nessa terra, onde manam leite e mel, e a dará a nós.
Somente não sejam rebeldes contra o Senhor. E não tenham medo do povo da terra, porque nós os devoraremos como se fossem pão. A proteção deles se foi, mas o Senhor está conosco. Não tenham medo deles”

Números 14:7-9

Todavia, o povo não queria ouvir a voz deles. Não quiseram confiar em Deus e enfrentar os inimigos. Ao invés disso, queriam apedrejar Calebe e Josué (Nm 14.10).

Veja mais sobre Josué.

O pecado do povo.

Quando os israelitas se rebelavam contra Moisés, Josué e Calebe. Deus se manifestou diante do povo (Nm 14.10-11). O pecado de Israel era: não crer em Deus, apesar de todo os sinais que ele já tinha realizado. Embora, Deus já os tivesse libertado do Egito de maneira miraculosa, cuidasse deles diariamente no deserto, Israel recusava-se a confiar em Deus de todo seu coração. O povo sempre procurava motivos para reclamar e desculpas para voltar para o Egito.

Sendo assim, a consequência dos pecados do povo foi peregrinar no deserto por 40 anos. E nenhum dos que viram a glória de Deus no deserto poderia entrar na terra prometida. Pois, apesar de tudo que Deus havia feito, ainda assim desconfiaram, desobedeceram e colocaram o Senhor à prova (Nm 14.22-23). Exceto, Josué, Calebe e os que tinham menos de 20 anos (Nm 14.29-30).

Calebe – Exemplo para o povo.

A razão para Calebe não receber o  mesmo castigo era sua integridade e fidelidade a Deus (Nm 14.24). Por essa razão, ele seria abençoado e seus descentes também. Dentre um povo que constantemente se afastava de Deus, Calebe era um exemplo do que se deve fazer. Ele ainda é um exemplo para nós. Exemplo de coragem, fé e obediência ao Senhor, mesmo em meio a situações adversas, mesmo quando querem nos fazer mal por confiarmos em Deus.

Muito tempo após o acontecimento dos espias, os nomes de Josué e Calebe ainda eram citados como exemplos diante do povo, pois, foram os únicos que confiaram em Deus em meio à rebelião de Israel (Nm 26.65; Nm 32.11-12; Dt 1.36). Deus não esquece daqueles que lhe são fiéis e não esquece de suas promessas.

A Entrada na Terra Prometida.

Ao começarem as orientações para divisão da Terra Prometida, Calebe é citado novamente como líder da tribo de Judá (Nm 34.19). Ele e Josué são os únicos adultos da antiga geração que poderão ver a terra prometida, conforme Deus dissera. Nesse tempo, Calebe tinha 85 anos de idade (Js 14.10).

Ao entrarem na terra prometida, ainda precisaram travar diversas batalhas contra os inimigos antes de tomar posse da terra. Calebe era um dos guerreiros, mesmo avançado em idade. Ele estava plenamente convicto que aquilo que Deus prometeu se cumpriria(Js 14.9). Mesmo com 85 anos, sabia ter a mesma força e vigor que tinha com 40 anos (Js 14.10-11). Pois o Senhor estava com ele.

Os inimigos que haviam amedrontado Israel 40 anos antes ainda habitavam a terra, as dificuldades e problemas permaneciam. Mas, dessa vez, o povo não era o mesmo. Calebe liderou a tribo de Judá para a conquista de sua herança (Nm 14.12-13). Mesmo diante das dificuldades, a certeza de Calebe era “se o Senhor estiver comigo, eu os expulsarei de lá, como ele prometeu” (Js 14:12). E assim aconteceu, o povo liderado por Calebe conquistou o monte Hebrom. E essa foi a herança de seus descendentes (Js 14.14).

Genealogia, Esposa, Filhos e Geração.

O pai de Calebe foi Jefoné, o quenezeu. Isso mostra que o pai de Calebe não era israelita. Quenezeu significa “descendente de Quenaz”. Quenaz é também o nome do irmão de Calebe (Js 15.17). Não há mais informações sobre o pai de Calebe. Entende-se que sua mãe tenha sido israelita, da tribo de Judá, mas não se sabe seu nome.

Sua filha se chamava Acsa, e se casou com Otoniel, sobrinho de Calebe (Js.15.16-17).

Otoniel se tornou juiz em Israel posteriormente (Jz 3.9-11).

Não há relatos sobre o nome da esposa de Calebe ou de outros filhos.

Veja mais sobre a esposa de Josué.

Conclusão.

Calebe é um exemplo de dedicação ao Senhor, com coragem e fidelidade. Repete-se constantemente que ele serviu ao Senhor com integridade e de todo o coração. Assim devemos nós também buscar e servir a Deus, com fé, coragem, integridade e de todo o coração. Dessa forma, certamente honraremos a Deus e receberemos as bênçãos que ele promete.

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Quem é o Espírito Santo?

O Espírito Santo é o próprio Deus! Ele é a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Isso não quer dizer que seja o terceiro em importância, apenas se usa esse número para distinguir entre as pessoas da Trindade.

O Espírito Santo não é um poder impessoal, não é uma força sobrenatural. Ele é uma pessoa divina. Portanto, a Bíblia nos mostra que não devemos buscá-lo como uma coisa ou fonte de poder, mas devemos nos relacionar com ele de forma pessoal

Veja mais sobre Espírito Santo.

Ter o Espírito Santo x Ser Cheio do Espírito Santo

Segundo a Bíblia, todos aqueles que recebem Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador e verdadeiramente creem nele, têm o Espírito Santo. Portanto, não há como ser verdadeiramente cristão e não ter o Espírito Santo (Rm 8.9).

Pois, é ele que age em nós para que nos convencer do nosso pecado, da justiça e do juízo (João 16.8). Além disso, a regeneração e a lavagem dos pecados é feita por ele (Tito 3.5) Essa regeneração é a nova vida que nos foi dada quando estávamos mortos em nossos delitos e pecados (Ef 2.5). O novo nascimento é a obra do Espírito que toca no mais profundo íntimo do ser, ali ele cria essa nova vida e e passa a transformar o nosso interior. Concluindo, todo filho de Deus tem o Espírito Santo (Rm 8.15-16)!

Contudo, ter o Espírito Santo é diferente de estar cheio dele:

“A  diferença entre ter e ser cheio do Espírito Santo é a mesma diferença entre comprar uma casa e mudar para uma casa. Ser cheio do Espirito Santo não se trata de possuir uma maior dose do Espírito Santo, mas o Espírito Santo possuir uma parte maior da nossa personalidade. Infelizmente, não lhe oferecemos todas as chaves para que tenha acesso livre em todos os sucessos de nossa vida. É preciso que ele disponha de tudo, porquanto não se trata de hósdede qualquer, mas do próprio dono da nossa existência”. [fonte] Oswald J. Smith – A concessão do Poder [/fonte] – (grifo nosso).

Sendo assim, para sermos cheios do Espírito Santo é necessário que ele tenha liberdade para agir e transformar tudo que há em nós.

O que é ser cheio do Espírito Santo?

Para alguns, ser cheio do Espírito Santo é ter mais poder, dons e fazer coisas sobrenaturais. Alguns chamam de segunda benção, concedida apenas aos que se dedicarem mais. Mas, conforme a Bíblia, encher-se do Espírito Santo significa rendermos nossos desejos, ações e vontades ao controle dele. Para que ele nos conduza, nos fortaleça e nos molde.

Encher-se do Espírito Santo é encher-se da nova vida recebida em Cristo (Ef 4.22-24). O Espírito Santo nos guia e orienta conforme o que Jesus ensinou (João 14.26). Portanto, o propósito de Deus em nossas vidas é moldar-nos à imagem de Cristo (Rm 8.29).

Esse processo de mudança e transformação é chamado de Santificação. O Espírito Santo está agindo em nós para nos tornar cada vez mais santos. Sendo assim, nosso dever é obedecê-lo, e praticarmos aquilo que nos ensina. Para sermos cheios do Espírito Santo, devemos buscar a santidade e nos esforçar para viver a nova vida que nos foi dada.

Como ser cheio do Espírito Santo?

Em Atos 1.4-5, Jesus orienta seus discípulos a esperarem até o momento em que fossem batizados com o Espírito Santo. Em Atos 2.4, vemos a promessa de Criso se cumprir, e o Espírito Santo descer sobre os seus discípulos.

Veja que Jesus não os ensina maneiras para receber o Espírito. Ele promete que o Espírito virá sobre seus discípulos e os capacitará a cumprirem os seus mandamentos. Portanto, é errado pensar que nós devemos nos esforçar para receber o Espírito. Pois, ele vem graciosamente sobre aqueles que são eleitos, como uma dádiva a todos que pertencem a Jesus. Ele não é conquistado por nossa força ou dedicação, de fato, é ele quem conquista nossos corações.

Estudo – Efésios 5.

Contudo, também é errado ser indiferente ao Espírito Santo. Paulo nos orienta a nos enchermos do Espírito (Ef 5.18).

  • “enchei-vos do Espírito” significa literalmente “deixem-se encher do Espírito”. Tem o sentido de ser preenchido, repleto, equipar-se, satisfazer-se no Espírito.

Essa ordem de Paulo para a Igreja de Éfeso aponta a necessidade de nos abrirmos para o agir do Espírito em nossa vida. Ele nos dá orientações sobre como fazer isso.

  • Ele diz para sermos imitadores de Deus e vivermos no amor que Cristo nos ensinou. (Ef 5.1-2)
  • Não devemos buscar os prazeres desse mundo, como a bebida forte. Mas, nosso prazer deve estar em uma relação profunda com Deus. (Ef 5.18)
  • O conteúdo das nossas relações uns com os outros e as expressões de alegria devem ser cânticos de louvor a Deus. (Ef 5.19)
  • Devemos ser gratos a Deus por todas as coisas e expressar essa gratidão. (Ef 5.20)
  • Por fim, devemos servir e nos sujeitar uns aos outros em amor, por causa de Cristo. (Ef 5.21)

Além disso, a continuidade da carta aos Efésios nos capítulos 5 e 6 demonstram mais aspectos práticos de como devemos ser cheios do Espírito Santo no dia a dia. Ser cheio do Espírito Santo não significa ter sensações ou emoções fortes. Tampouco, está restrito a movimentos sobrenaturais durante um culto, ou acampamento. Ser cheio do Espírito Santo é ter uma vida moldada por Deus. Isso se reflete em nossas atitudes e estilo de vida no cotidiano.

Outras dicas práticas ao longo da Bíblia

Os cristãos que continuam a crescer “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pedro 3: 18) fazem isso ao: (1) dar ouvidos à sua Palavra (João 15: 7), (2) ao falar com ele em oração (João 16: 24) e (3) ao amar os outros com seu tempo e suas vidas (João 13: 35).

Eis algumas maneiras práticas pelas quais os cristãos são capazes de aprofundar a paixão que têm por Deus e expressar o amor que sentem pelos outros: (1) ao participarem da adoração coletiva (Salmos 100: 1-5), (2) ao tirar períodos extensos para jejuar e orar (Mateus 6: 16-18) e (3) ao suprir as necessidades dos outros (2Coríntios 8-9). [fonte] Challies, Tim; Byers, Josh. Teologia visual: Uma ferramenta inovadora para o estudo de Deus (Locais do Kindle 1372-1376). Thomas Nelson Brasil. Edição do Kindle. [/fonte]

Pregações Reformadas sobre Plenitude do Espírito Santo

1º A plenitude do Espírito Santo – Rev. Augustus Nicodemus:

2º Plenitude do Espírito Santo – Rev. Hernandes Dias Lopes:

 

 

 

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O problema da Maldição Hereditária

Alguns definem a “maldição hereditária” como “um problema que surge por causa de pecado na família” e assim, os descendentes estarão presos à uma maldição espiritual. Seguindo essa linha, a maldição surge a partir do pecado de alguém e a consequência disso afeta e prejudica os demais. Mas, o aspecto principal não é a consequência do fato em si, mas a parte espiritual. Ou seja, como se por causa do pecado, Deus castigasse a família e os descentes do pecador.

Além disso, parece haver a ideia de que o pecado dá poder ao diabo para entrar naquele lar e destruí-lo. Sendo assim, a ideia de maldição hereditária desdobra a crença de que quando alguém peca, Deus está ansioso para punir e o diabo fará a festa ali.

Contudo, a Bíblia nos mostra que todas as famílias têm pecados. Pois, todos pecaram e carecem da glória de Deus (Rm 3.23). Não existem pessoas perfeitas. Pois, toda humanidade está contaminada pelo pecado. Se juntarmos a ideia anterior de maldição hereditária e a verdade bíblica que todos são pecadores, logo, chegaremos à conclusão que todos estão amaldiçoados. Mas, a simples crença em maldição hereditária é rasa, e precisa de aprofundamento e estudo bíblico.

Outra forma de entender Maldição

Em diversos textos ao longo da história bíblica, vemos a palavra maldição. Mas é necessário entender que maldição na Bíblia é resultado da quebra de uma aliança. Ou seja, Aliança significa compromisso entre duas partes. Aqui, a aliança é entre Deus e Israel. Quando Deus estabelece a aliança, ele fala quais são os termos, responsabilidades de cada parte, benefícios e consequências da quebra da aliança.

É nesse contexto que vemos Deuteronômio. Veja o capítulo 28. Em Dt 28.1-14, vemos os benefícios da Aliança de Deus com Israel. A condição é que Israel permaneça fiel exclusivamente a Deus. Se assim o fizer, experimentarão as bênçãos do Senhor. Entretanto, veja Dt 28.15-20, se o povo abandonar a Deus e ignorar seus mandamentos, experimentarão as maldições. Nesse contexto fica claro que maldição é a consequência da quebra da aliança. E o sofrimento é o resultado disso.

Conforme o que lemos, o povo experimentará a maldição que é uma vida sem a benção de Deus. Benção e maldição são palavras opostas ao longo do Antigo Testamento.

O que é Bênção?

Duas palavras usadas no Antigo Testamento são traduzidas como benção. Uma delas é אַ֥שְֽׁרֵי־ (’aš·rê) que é normalmente traduzida como bem-aventurado, muito feliz e abençoado. É a primeira palavra do livro dos Salmos. E veja, abençoado é aquele que anda no caminho do Senhor (Salmos 1.1-6. Esse salmo mostra o sentido de benção, especialmente em Salmos 1.3. Benção é estar constantemente regado e cuidado por Deus. Portanto, é ter uma vida que prospera (sentido é maior do que prosperidade financeira). Mas, essa palavra aponta especialmente para a fonte da benção e alegria na vida, que é o próprio Deus.

A outra palavra é בְּרָכָה (berakah) que significa abençoado, bendito, louvado seja, e etc. Ela é usada 327 vezes no Antigo Testamento e 88 vezes em Gênesis. Todas as formas de uso dessa palavra  pressupõem Deus, ou como autor supremo que concede a bênção ou como receptor (da adoração).

É importante enfatizar que no contexto bíblico, nada era mais importante do que assegurar a benção divina sobre a vida de uma pessoa, família, ou nação. Todos os povos da antiguidade buscavam a benção de uma divindade, acreditando que essa benção traria fertilidade, prosperidade, proteção, libertação, cura, preservação, poder, exaltação, além de muitos outros benefícios. A bênção é evidente e tangível. Os povos criam que quanto mais poderosa a divindade, maiores as bênçãos.

Assim, era essencial para o povo de Israel assegurar a bênção do Deus Todo Poderoso. Pois, sua bênção é extremamente poderosa e irrevogável, mas também, sua maldição seria impossível de remover. Uma vida sem a bênção de Deus era o maior de todos os pesadelos.

Benção x Maldição

Deus prometeu abençoar Israel, se fosse obediente, com tudo que fosse necessário para sobrevivência, bem-estar e continuação na posteridade. Nisso, estavam incluídos alimento, água, remoção de doenças, fertilidade e garantia de vidas longas e plenas. Dessa forma, cumpriria-se Dt 7.14. As bênçãos prometidas eram ativadas a partir da obediência.

Contudo, diante de Israel são colocados dois caminhos: (1) bênção, se obedecerem serão felizes; (2) se desobedecer e se rebelar, as maldições declaradas serão sua herança.

A maldição opera como meio de dissuasão e julgamento. Portanto, é uma forma de fazer o povo entender o mal caminho que estavam trilhando e converterem-se. Além disso, é uma forma de exercer justiça sobre a má conduta do povo. Quando Deus avisa sobre as maldições, ele está alertando ao povo que o pecado tem consequências.

Maldição e Consequências

É preciso diferenciar questões de maldição espiritual de consequências do pecado. É perigoso interpretar tudo como uma maldição, ação do diabo ou coisa parecida. É necessário entender que o pecado gera consequências. Nem sempre os sofrimentos são ações sobrenaturais na vida de alguém.

Por exemplo, um pai alcoólatra que agride a esposa. Certamente, os filhos ficarão traumatizados e terão problemas psicológicos decorrentes do pecado do pai. Isso não significa que eles terão uma maldição espiritual sobre si, ou que obrigatoriamente reproduzirão os erros do pai. Contudo, há sim grande perigo de que marque de formas terríveis a vida daquela família.

A crença na maldição hereditária cria um ciclo vicioso que prenderia a família para sempre na maldição. Há, portanto, a questão Influência familiar x Maldição hereditária. A Bíblia não diz que os filhos serão amaldiçoados e presos aos pecados dos pais.

Entendendo Números 14.18

Em Nm 14.18, lemos que Deus castiga os filhos pelos pecados dos pais até a 3ª e 4ª geração. Esse texto tem sido usado para justificar a maldição hereditária. Porém, isso é um equívoco. Nesse versículo, Moisés está citando Ex 34.7. Vejamos o que esses versículos querem dizer:

  • Não deixa de punir o pecado (Nm 14.18 e Ex 34.7): enfatiza a justiça de Deus que não falha. É também um alerta para que os homens não pensem que podem abusar da misericórdia de Deus.
  • Mantém seu amor a milhares (Ex 34.7): nota-se que a misericórdia de Deus excede limites. Mas, não ignora sua justiça. Contudo, é necessário notar que sua misericórdia cobre milhares, enquanto o castigo atinge até 4 gerações. Ele é tão gracioso que apesar de punir severamente o pecador por seus pecados, até 3 ou 4 gerações, ainda sim, ele lembrará de sua misericórdia e não destruíra o povo. Mas, haverá perdão e graça quando se arrependerem.
  • Segundo a tua grande fidelidade, perdoa a iniquidade deste povo (Nm 14.19): aqui vemos Moisés pedindo perdão pelo povo. Pois, ele sabe que Deus é fiel e misericordioso. Embora, seja justo sofrimento do povo, como consequência de seus erros.
  • O Senhor respondeu: “Eu os perdoei, conforme você pediu […]” (Nm 14.20-23): Vemos aqui Deus aceitando o arrependimento e concedendo o perdão. Todavia, ao continuar a leitura do texto, vemos que aquela geração que foi rebelde e desafiou a Deus constantemente não poderia entrar na terra prometida. Eles sofreriam a consequência por desobedecer e provocar a ira de Deus constantemente.

Embora houvesse a consequência para as pessoas acima de 20 anos por causa de seu pecado (Nm 14.29), seus filhos poderiam entrar na terra (Nm 14.31). Contudo, os filhos sofreriam a consequência dos pecados do povo. Veja que não é uma maldição hereditária! É a consequência pelo pecado do povo do qual eles também faziam parte. Mas, haveria misericórdia para eles. Apesar de sofrerem a consequência dos erros dos seus pais, eles um dia desfrutariam a terra prometida com seus próprios filhos.

Maldição hereditária é bíblica?

Fica nítido em Nm 14.41-45, que apesar de todos os avisos de Moisés e do próprio Deus, que aquele povo era totalmente rebelde. Não conseguia ouvir e obedecer ao que Deus falava. Sendo assim, fica claro que os 40 anos do deserto, que era um castigo, era também necessário para que aquele povo aprendesse a respeito de sua arrogância e pecados. O castigo foi necessário para fazê-los mudar sua conduta diante de Deus. Nesse trecho vemos os dois propósitos da maldição na Bíblia, (1) trazer julgamento sobre o pecado, (2) fazer o povo mudar seus caminhos e conduta.

Portanto, esse trecho não fala sobre maldição hereditária. Essa crença não é bíblica!

Pecado de Adão é uma maldição hereditária?

Não. Essa não é a forma correta de se entender o pecado original. Adão não passou uma maldição hereditária. Mas, a partir dele toda a humanidade ficou submetida à escravidão do pecado. As maldições na Bíblia são uma resposta à desobediência humana. Na forma como muitos têm entendido, a maldição hereditária alcança alguns filhos ou gerações depois.  No caso de Adão a consequência vai além de 3 ou 4 gerações, pois, afetou todos os seres humanos e maculou a essência de todos.

O “pecado original” significa que a pecaminosidade marca a cada pessoa desde o nascimento, tornando o coração inclinado para o pecado, antes de quaisquer pecados de fato cometidos. Essa pecaminosidade íntima é a raiz e a fonte desses pecados atuais. Ela nos foi transmitida por Adão, nosso primeiro representante diante de Deus. A doutrina de pecado original nos diz que nós não somos pecadores porque pecamos, mas pecamos porque somos pecadores, nascidos com uma natureza escravizada ao pecado.

Como se livrar de uma maldição?

Biblicamente a maldição é uma vida desgraçada e perdida longe de Deus. É a condição de quem está sob a ira de Deus. Essa é a pior coisa que podemos viver. Não há maldição hereditária! Há a consequência do pecado, rebeldia e desprezo das leis de Deus. Isso traz sofrimento, dor e todo tipo de malefícios em nossas vidas.

Entretanto, há uma forma de se livrar das maldições! Há um caminho para estar em paz com Deus e viver abençoado por ele. O único caminho é Jesus (João 14.6). A Bíblia nos conta que em Cristo, nós recebemos perdão pelos nossos pecados. Porque ele levou sobre si as nossas dores, aflições, o nosso castigo (Is 53.4-6). A nossa maldição recaiu sobre ele, a consequência dos nossos erros. O salário do nosso pecado, ele recebeu (Rm 6.23). Ele se fez maldito em nosso lugar! (Gl 3.13)

Assim como nas passagens de Êxodo e Números que vimos anteriormente, aqui fica claro como a misericórdia e graça de Deus sobrepõem toda maldição. Não há maldição/condenação para aqueles que estão em Jesus (Rm 8.1-2). Pois, ele recebeu toda ira destinada a nós! Toda crença de maldição hereditária, ou maldição de qualquer origem deve cair diante da maravilhosa promessa da graça de Deus em Jesus! Essa graça é para aqueles que creem em seu nome e entregam sua vida ao salvador.

Você quer se livrar de uma maldição? Creia em Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador! Seja livre.

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O que é o sinal da cruz?

É um gesto simbólico no qual o cristão “desenha” uma cruz sobre si mesmo, em outra pessoa ou sobre um objeto . É usado por cristãos católicos e ortodoxos. Esse gesto pode ser acompanhado por uma frase ou oração também. Seu principal significado é relembrar a importância da morte de Cristo na cruz.

Origem do sinal da cruz

A história conta que esse gesto tem origem no séc. II d.C. O gesto consistia simplesmente em desenhar a cruz com o polegar sobre a testa. Nesse desenho não havia tinta, era apenas um desenho no ar. Ainda hoje, os padres fazem o mesmo gesto ritualístico sobre a testa daqueles que fazem a Crisma.

Ao longo dos tempos, o gesto se desenvolveu e não mais ficou restrito à testa. O sinal da cruz agora começa na testa, cruza o lábio, o peito e os ombros, fazendo um desenho ainda maior sobre si.

Diferente regiões e culturas cristãs fazem o sinal da cruz de forma particular e com diferentes simbologias. Nas igrejas orientais, o sinal é feito com os dedos polegar, indicador e médio unidos, simbolizando a Santíssima Trindade. Nas igrejas ocidentais é mais comum fazer o gesto com a mão aberta, e os cinco dedos simbolizam as cinco chagas de Cristo.

O sinal da cruz é bíblico

Não há registros bíblicos de cristãos fazendo o sinal da cruz. Contudo, ao longo dos séculos, cristãos usaram diferentes sinais como maneira de expressar sua fé.

O sinal da cruz é pecado?

Não necessariamente. Porém, pode ser, dependendo de como é usado. Embora não seja bíblico, não significa que é pecado. Devemos levar em consideração o seu significado e seu uso. Vejamos outro sinal cristão histórico que não está na Bíblia também. Rapidamente, vejamos o exemplo do desenho do peixe.

O Peixe – outro sinal cristão

O cristianismo foi muito perseguido durantes alguns séculos. Para protegerem-se dos perigos de serem denunciados, perseguidos e mortos, os cristãos desenvolveram códigos. Um desses códigos era o simples desenho de um peixe. Eles usavam para saber se estavam mesmo diante de alguém que compartilhava a mesma fé, ou de alguém que os odiava.

Evidências históricas indicam que o cristão, quando pensava estar diante de outro cristão, desenhava uma curva ou meia-lua no chão de areia. Se a outra pessoa completasse o desenho corretamente, formaria a figura de um peixe. Dessa forma, eles se reconheceriam como seguidores de Jesus, porque conheciam o sinal secreto cristão. A mesma figura também era usada nos túmulos cristãos.

O peixe lembrava a multiplicação que Jesus fez na Bíblia. Lembrava também que Jesus chamou seus discípulos a serem pescadores de homens. Além disso, a palavra grega para peixe era usada como acróstico que significava “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”. [fonte] Símbolo Cristão: Peixe. https://pt.aleteia.org/2017/03/27/simbolo-secreto-cristao-por-que-o-peixe/ [/fonte]

Assim, o peixe tornou-se um dos primeiros símbolos cristãos. Mesmo não sendo expressamente usado na Bíblia. Contudo, seu significado remetia à Bíblia e seu uso não infringia nenhum princípio ensinado por Cristo.

Desse modo, isso demonstra que historicamente os cristãos desenvolveram sinais visíveis que expressassem sua fé. Sinais com significados profundos.

O problema do uso do Sinal da Cruz

O sinal da cruz simboliza a morte de Cristo em nosso lugar. Embora seu significado seja belo, ele pode sim ser usado de maneira errada. O sinal da cruz se torna pecado quando é usado supersticiosamente. Quando é usado como mantra para proteção ou para atrair sorte, ele está sendo usado pecaminosamente. Pois, substitui a confiança e oração para Deus, por um gesto vazio que não tem poder algum.

Quando usado para relembrar e agradecer o sacrifício de Cristo, o gesto não é errado. Mas, se for aplicado como forma de conseguir algum poder ou benção sobrenatural, está errado. A superstição inibe um relacionamento verdadeiro e íntimo com Deus. Não devemos por nossa fé em gestos ou rituais, nossa fé deve estar firmada apenas em Cristo. (Hb 12.1-2)

Por que evangélicos não fazem o sinal da Cruz?

Pelos motivos que foram listados no tópico anterior. Pois, o sinal da cruz passou a ser usado com superstição. Dessa forma, é usado para atrair proteção, benção, entre outras coisas. Portanto, seu uso não está de acordo com os ensinos bíblicos. Conforme a Bíblia devemos confiar em Deus e não fazer uso desses meios enganosos para atrair seu favor (Ap 21.27).

O significado da cruz para evangélicos?

A cruz é o lugar onde Jesus foi morto por nossos pecados. A cruz simboliza a vergonha e a dor que nós merecíamos. Mas Deus, por sua infinita graça, deu seu Filho para morrer em nosso lugar. Sendo assim, a cruz também simboliza a graça de Deus. Contudo, embora seja um momento de morte. A cruz vazia simboliza a vitória de Jesus! Porque ele não está mais morto, mas ressuscitou e vive para sempre. A Cruz significa vergonha e dor, mas também a graça e a vitória de nosso Salvador.

 

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O espiritismo é uma religião sistematizada por Allan Kardec muitos séculos depois da Bíblia ter sido escrita. Portanto, a Bíblia não fala a respeito do espiritismo diretamente. Mas, antes mesmo de haver doutrinas espíritas, a Bíblia já condenava muitas de suas práticas e filosofias atuais. Vejamos algumas delas a seguir.

Reencarnação

Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei“. Essa frase está no túmulo de Allan Kardec. Umas das doutrinas espíritas é a volta do espírito à matéria (reencarnação). Pois essa é a forma natural para se alcançar o aperfeiçoamento material e moral do espírito. Isso acontece quantas vezes foram necessárias. Contudo, a perfeição que a possível para a humanidade é relativa, pois apenas Deus possui a perfeição plena, absoluta e infinita.

Sendo assim, a pessoa está destinada a reencarnar até que seu espírito esteja plenamente aperfeiçoado. Ela deve se esforçar e se dedicar às boas obras, cuidado ao próximo e perdão. Para que obtenha o aperfeiçoamento necessário.

Contudo, a Bíblia é contrária a essa doutrina. Pois, a Bíblia afirma:

Da mesma forma, como o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentar o juízo,
Hebreus 9:27 [grifo nosso]

A Bíblia nos diz que não há reencarnação, não aperfeiçoamento através de diversas vidas aqui na terra. O ser humano depois da morte será levado diante de Deus para o juízo. Ainda nesse ponto é importante salientar algo mais:

[…] assim também Cristo foi oferecido em sacrifício uma única vez, para tirar os pecados de muitos; e aparecerá segunda vez, não para tirar o pecado, mas para trazer salvação aos que o aguardam.
Hebreus 9:28

A doutrina Espírita diz que o ser humano precisa usar suas boas obras para aperfeiçoar-se. Mas a Bíblia enfatiza veementemente que somente através de Jesus Cristo e seu sacrifício na cruz, somos perdoados e salvos.

Boas Obras e Méritos x Graça

A doutrina espírita baseia-se no acúmulo de boas obras como meio para aperfeiçoar-se e obter a plena iluminação do espírito. Através de um conjunto ético-moral de doutrinas e ensinamentos, o seguidor do espiritismo acredita estar fazendo aquilo que a Bíblia diz e obtendo para si luz.

No entanto, biblicamente, as boas obras não nos dão mérito ou créditos diante de Deus. O ser humano é salvo/iluminado/transformado apenas pela graça de Deus. Graça é um favor imerecido! Não há nenhuma boa obra, bom comportamento ou bons pensamentos que possam convencer Deus a nos salvar. Deus nunca está em dívida conosco por causa de nossas boas obras. A salvação é pela graça somente! (Ef 2.1-9).

Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie.
Efésios 2:8,9

Um dos principais problemas do Espiritismo é tentar apresentar um meio de auto salvação. Mostrando um caminho para a humanidade salvar-se sem precisar de Jesus! Isso é uma mentira e leva muitos à destruição, enquanto imaginam fazer a vontade de Deus. A vida eterna, anunciada na Bíblia por Jesus é definida assim:

Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.
João 17:3

As boas obras na Bíblia são fruto da salvação. Aquele que é salvo produz boas obras para glorificar a Deus e como resposta ao amor que recebeu em Jesus. Elas não são uma maneira de salvar-se!  Somos salvos para a boas obras que só somos capazes de fazer porque ele transforma nossas vidas (Ef 2.10).

Sendo assim, o espiritismo não conhece verdadeiramente Jesus e impede que muitas pessoas o conheçam.

Jesus, segundo o espiritismo.

Segundo o espiritismos: Jesus, criado por Deus, é o guia e modelo para toda a humanidade. A moral cristã contida nos evangelhos canônicos é o maior roteiro ético-moral de que o homem possui, e a sua prática é a solução para todos os problemas humanos e o objetivo a ser atingido pela humanidade.

Embora pareçam palavras bonitas e cheias de sabedoria, essa é uma heresia! Jesus Cristo não foi criado por Deus. Ele é eterno, assim como Deus Pai. O Credo Niceno (conjunto de doutrinas cristãs escritas no Concílio de Nicéia) diz a respeito de Jesus:

Cremos em um só Senhor Jesus Cristo, o único Filho de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos, Deus de Deus, luz de luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus; gerado, não criado, de igual substância do Pai; por Ele todas as coisas foram feitas. Por nós, homens, e por nossa salvação, Ele desceu do céu e se fez carne, pelo Espírito Santo, da virgem Maria, e se tornou homem. Também por nós, foi crucificado sob Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado. Ressurgiu no terceiro dia, conforme as Escrituras. Subiu ao céu, está sentado à direita do Pai e de novo há de vir, com glória, para julgar os vivos e os mortos, e seu reino não terá fim. [fonte] Credo Niceno. Disponível em: http://igrejasreformadasdobrasil.org/doutrina/credos/credo-niceno [/fonte] [grifo nosso]

A declaração do Credo Niceno é um sumário da crença cristã a respeito de Jesus. Ele é o próprio Deus, jamais criado, mas igualmente eterno como o Pai. Ele é sim um modelo para a humanidade, mas uma modelo de perfeição que a humanidade jamais conseguirá imitar plenamente. Mas, ele veio ao mundo com a missão de morrer na cruz e pagar os nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia. O espiritismo não afirma as principais doutrinas a respeito de Cristo. Pelo contrário, ele diminui a obra do salvador e diminui tudo que a Bíblia revela a respeito dele.

Jesus não é só um modelo, ele é o caminho, a verdade e a vida! Ninguém chega a Deus a não ser através de Jesus. (João 14.6)

O próprio Jesus afirma repetidas vezes nas Escrituras que é o verdadeiro Deus! (Jo 17.21; Jo 8.58; Fp 2.5-11)

Comunicação com espíritos dos mortos

Outra prática comum do espiritismo é a busca de comunicação com os espíritos. Eles dizem que há a possibilidade de comunicação entre os espíritos encarnados (vivos) e os espíritos desencarnados (mortos), por meio da mediunidade. Essa comunicação é realizada com o auxílio de pessoas com determinadas capacidades – os médiuns como, por exemplo, na chamada “escrita automática” (psicografia). [fonte] https://pt.wikipedia.org/wiki/Espiritismo [/fonte]

Para a Bíblia, no entanto, tal prática é reprovada por Deus. Isaías diz:

Quando disserem a vocês: “Consultem médiuns e espíritas que murmuram encantamentos, pois todos procuram seus deuses e os mortos em favor dos vivos”.
Respondam: “À lei e aos mandamentos! ” Se eles não falarem conforme esta palavra, vocês jamais verão a luz!
Isaias 8:19,20

As leis e os mandamentos citados por Isaías proíbem a prática de consulta aos mortos (Dt 18.9-14; Lv 19.31). Em 1Sm 28.3-25, lemos a história de Saul que decidiu consultar o espírito de Samuel. Contudo, a atitude de Saul é reprovada por Deus e ele sofre as consequências de seu pecado.  Esses trechos bíblicos são suficientes para mostrar como a prática de consulta aos mortos é reprovada por Deus.

Quais são os perigos de consultar os mortos? Pense, nessas consultas não há qualquer garantia de que realmente seja o espírito de quem você imagina. Ou que os espíritos lhe digam a verdade e queiram o seu bem. Outra coisa, você não deveria consultar os espíritos para saber sobre seu futuro, sua vida ou para matar a saudade. Você deve buscar a Deus e não permitir que sua vida fique presa aos que já se foram.

A Bíblia segundo Allan Kardec.

O evangelho segundo Allan Kardec é um dos principais livros do espiritismo. É uma tentativa de explicar as máximas morais de Cristo em concordância com as doutrinas espíritas e suas aplicações para as circunstâncias da vida. É uma obra que busca comentar textos dos evangelhos bíblicos conforma a interpretação espírita. Contudo, essa obra está cheia de heresias! Veja um exemplo:

Ao comentar João 14.15-17 e João 14.26, Allan Kardec diz:

“O Espiritismo vem, na época predita, cumprir a promessa do Cristo:
preside ao seu advento o Espírito de Verdade. Ele chama os homens à observância da lei; ensina todas as coisas fazendo compreender o que Jesus só
disse por parábolas. Advertiu o Cristo: “Ouçam os que têm ouvidos para
ouvir.” O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porquanto fala sem
figuras, nem alegorias; levanta o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios.” [fonte] O evangelho segundo o espiritismo. KARDEC, Allan. Editora FEB. pág.106 [/fonte]

A interpretação de Kardec é que nesses versículos, Jesus promete o Espírito da Verdade que ensinaria os mistérios e relembraria o que Jesus tinha ensinado. Para Kardec, o cumprimento dessa promessa é o próprio Espiritismo. Aqui está a heresia! Pois o cumprimento dessa promessa é o Espírito Santo de Deus, terceira pessoa da Trindade. (João 14.17,26).

Cremos no Espírito Santo, Senhor e Vivificador, que procede do Pai e do Filho, e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; [fonte] Credo Niceno [/fonte]

Allan Kardec ousa colocar o espiritismo no lugar da pessoa do Espírito Santo! Isso deixa claro como o espiritismo buscar substituir o próprio Deus e dar à humanidade um caminho alternativo para salvar-se a si mesma. O espiritismo não compreende a Bíblia, e a deturpa sempre que fala dela. Sua compreensão a respeito de Jesus e do Espírito Santo são totalmente erradas.

Conclusão

O alerta de Paulo aos Gálatas serve para os dias de hoje, devemos ter cuidado com os falsos evangelhos espalhados por aí e nos apegarmos firmemente à mensagem bíblica.

A vocês, graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo,
que se entregou a si mesmo por nossos pecados a fim de nos resgatar desta presente era perversa, segundo a vontade de nosso Deus e Pai,
a quem seja a glória para todo o sempre. Amém.
Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho
que, na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo.
Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado!
Como já dissemos, agora repito: Se alguém lhes anuncia um evangelho diferente daquele que já receberam, que seja amaldiçoado!
Gálatas 1:3-9

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“A glória da segunda será maior que a da primeira” é um profecia de Ageu (Ageu 2.9). O livro de Ageu retrata a época em que o povo de Israel tinha voltado do exílio e estava reconstruindo a cidade de Jerusalém. O contexto da profecia é a reconstrução do templo da cidade e a promessa de que o novo templo seria ainda mais glorioso do que o templo construído por Salomão. O termo “casa” refere-se ao templo, que é a casa do Senhor em meio ao povo.

A Primeira Casa

A primeira casa, ou templo, foi construída pelo Rei Salomão. Ao longo de muito tempo, o Rei Davi juntou recursos e preparou o caminho para que a obra acontecesse. No entanto, foi o Rei Salomão quem deu início à construção. Ele era lindo, cheio de ouro e pedras preciosas. Uma construção magnífica para aquela época. Era o símbolo da presença de Deus no meio de seu povo. Portanto, sua importância era destacar o relacionamento de Deus com Israel.

Salomão dedicou essa primeira casa ao Senhor com grande festa (2Cr 7.1-3). A resposta do Senhor foi que seus olhos e seu coração estariam sempre naquele lugar (2Cr 7.13-16). A glória do templo não é a sua beleza arquitetônica, ou o ouro, prata e pedras preciosas. A glória do templo é a presença do Senhor.

A destruição da Primeira Casa

Embora fosse magnífico, o glorioso templo e a cidade de Jerusalém foram incendiados e destruídos por Nabucodonosor, o Imperador da Babilônia (2Cr 36.19). A cidade, com seus muros, palácios e casas, foi destruída. O povo foi levado cativo para a Babilônia. Esse foi um dos episódios mais humilhantes da história de Israel. Ademais, os utensílios preciosos do templo foram saqueados e levados para a Babilônia. A glória do templo estava em ruínas, pois, não havia mais a presença de Deus ali. O povo tinha esquecido de seu Deus e agora experimentava as consequências dos seus erros.

A segunda Casa

Depois de muito tempo exilado, o povo de Israel voltou para sua terra. Eles tinham muito trabalho para reconstruir a cidade, os muros e o templo. As reconstruções começaram com Esdras e Neemias, mas não foram totalmente concluídas. Nos tempos do profeta Ageu, Deus convoca o povo a terminar as obras no templo de Jerusalém.

Todavia, a tarefa não era fácil e o povo estava desanimado. Ao se lembrarem de como era maravilhoso o primeiro templo e verem o estado de destruição atual, os construtores não tinham esperança e viam grande dificuldade. Por isso, Deus fala ao povo para os incentivar e fortalecer. A promessa é que o novo templo seria mais glorioso do que aquele construído por Salomão. Esse templo conduziria à glória dos últimos dias.

Deus os encorajou e assegurou que ele mesmo estava com eles. A ordem “sê forte” se repete 3 vezes (Ageu 2.4). Isso enfatiza a necessidade do povo ser perseverante na obra do Senhor. Ademais, a glória do novo templo não seria apenas pelas riquezas materiais. Pois, a intenção de Deus era de honrar a si mesmo pela manifestação de sua gloriosa presença diante de todas as nações (Ageu 2.7).

Sendo assim, quando a presença de Deus enchesse o templo, as nações seriam atraídas para a luz. Além disso, como soberano possuidor de todas as coisas, Deus realizaria a própria glorificação e faria seu povo herdar as riquezas de todas as nações (Is 60.5).

A verdadeira glória da Segunda Casa

A promessa de uma glória maior foi finalmente concretizada quando Jesus entrou no templo. Porquanto, ele é a maior manifestação da presença e da glória de Deus (João 1.14). Uma das promessas era que naquele lugar Deus derramaria a paz (Ageu 2.9). De acordo com o Novo Testamento, Jesus dá a verdadeira paz aos crentes (João 14.27). Paz, no entanto, quer dizer mais do que ausência de conflito. Ela representa prosperidade, bem-estar, uma vida em harmonia com Deus e com o próximo. Isso só é possível através da nova vida dada por Jesus e pelo Espírito Santo.

Portanto, a segunda casa é ainda mais gloriosa, pois o próprio Jesus esteve ali. Ele cumpriu as promessas feitas no Antigo Testamento. As nações puderam ver a glória de Deus nele. A presença do Messias, Filho de Deus, Senhor da Glória, pessoalmente e encarnado.

Contudo, o pleno cumprimento dessa promessa aguarda o momento em que o Senhor Deus e o Cordeiro serão eles próprios o templo da Nova Jerusalém (Ap 21.22).

Jesus no Antigo Testamento

Essa profecia de Ageu é um ótimo exemplo para demonstrar que Jesus é o centro da Bíblia. A Bíblia, de Gênesis ao Apocalipse, nos revela quem é Jesus. Ele é o mais importante, e tudo foi feito por, para ele e para a glória dele (Rm 11.36).

Algumas coisas importantes no Antigo Testamento servem como sombras, ou figuras importantes que terão seu significado e propósito mais profundo revelados apenas em Jesus. É o caso do templo. Ele simbolizava a presença gloriosa de Deus no meio de Israel. Contudo, essa presença não podia ser acessada por qualquer pessoa do povo, apenas os sacerdotes.

No entanto, quando Jesus vem para a terra, ele é chamado Emanuel, que significa Deus conosco (Mt 1.23). Sendo assim, a presença de Deus em meio a Israel não está mais restrita ao templo. Deus está andando nas ruas, pregando a mensagem da salvação, curando e libertando os oprimidos. A glória de Deus deixa o templo e caminha em meio ao povo. A luz para as nações, a paz de Deus está entre o povo de maneira muito mais gloriosa do que antes. Em Jesus, as pessoas experimentam o amor e poder de Deus.

Jesus é o centro da História e nossas história encontram sentido nele. Não devemos ser os protagonistas, mas nossa vida deve ter o propósito de glorificar a Deus a cada dia. A glória prometida para a segunda casa é a presença de Jesus. A glória prometida para nós é a presença de Jesus em nossas vidas.

O Novo Testamento diz que o cristão é templo do Espírito Santo (1Co 3.16). Veja que o templo do Antigo Testamento cumpriu seu propósito, e agora a presença gloriosa de Deus habita nos crentes. Da mesma forma que o antigo templo era sinal da presença de Deus em meio às nações, os cristãos devem viver como sinal da presença da glória de Deus. Eles só podem fazer isso através de Jesus! Devemos viver nossas vidas para a glória dele, porque a glória dele nos transformou e deu sentido para nossa história.