Categorias
Bíblia Conhecer a Bíblia

Diversos gestos que usamos têm significados mais profundos do que aparentam. Um abraço pode ser um gesto de afeto e carinho, estender a mão pode significar ajuda, mostrar a língua pode ser um sinal de desdém, entre outros exemplos. Nos tempos bíblicos, alguns gestos também carregavam significados por trás deles. Um destes gestos é o “rasgar as vestes”.

Ele representa sentimos muito profundos de pesar, tristeza, vergonha ou dor na alma. É uma maneira de demonstrar humilhação. O gesto expressa exteriormente aquilo que se passa no coração.

Versículos sobre rasgar as vestes

Rasgar as ventes aparece por diversas vezes na Bíblia, não é possível listar aqui todos os versículos. Desse modo, traremos apenas alguns exemplos:

  • Extrema tristeza: Quando Jó recebe a notícia de que seus filhos haviam morrido, ele raspa a cabeça, rasga sua túnica e se prostra. (Jó 1.18-20)
  • Vergonha e Arrependimento pelo pecado – O Rei Josias, ao ouvir a Palavra da Lei, reconheceu que ele e seu povo estavam vivendo distantes de Deus e em profundo pecado. Com isso, ele rasga as vestes e se arrepende. (2 Reis 22.8-13)
  • Desespero – Rúben, filho de Jacó, vê que seu irmão José não está mais no poço e entra em desespero, pois é sua responsabilidade cuidar dele. Então, ele rasga as vestes. (Gênesis 17.29-30)

Por que o Rei de Israel rasgou as vestes?

Até mesmo o grande Rei Davi rasgou suas vestes. Em 2 Samuel 1.11-12, ele rasga como sinal de tristeza e lamento pelo luto da morte de Saul e Jônatas. Em 2 Samuel 13.31, Davi rasga as vestes quando recebe a notícia que seu filho Absalão tinha matado todos os seus irmãos. Outros reis de Israel também rasgaram as vestes, como Josias que foi citado acima.

Os reis eram guias do povo, ao rasgarem suas vestes, eles sinalizavam para todo o Israel quão grave ou triste era determinada situação. Sendo assim, seu sofrimento e pesar eram compartilhados por todo Israel. A gravidade do pecado era entendida por todos como algo pelo que se humilhar e pedir perdão.

Outros gestos acompanhavam esse sinal de tristeza e lamento, como raspar a cabeça, passar areia no corpo, vestir panos de saco. São todos gestos com o mesmo simbolismo.

Banalização do gesto

É possível que esse gesto, depois de um tempo, tenha se tornado em algo vazio e falso. Pois, veja o que Deus diz:

“Agora, porém”, declara o Senhor, “voltem-se para mim de todo o coração, com jejum, lamento e pranto.” Rasguem o coração, e não as vestes. Voltem-se para o Senhor, para o seu Deus, pois ele é misericordioso e compassivo, muito paciente e cheio de amor; arrepende-se, e não envia a desgraça. Joel 2:12,13

Enfim, não bastar rasgar as vestes exteriormente se isso não for um reflexo verdadeiro do que se passa no coração. A Bíblia nos mostra que ao rasgar as vestes e nos humilharmos diante de Deus, podemos encontrar novas vestes, ou seja, um novo coração em Jesus.

Novas vestes

O significado figurativo das vestes é tão marcante na Bíblia, que no Apocalipse vemos diversas menções a novas vestes. Aqueles que foram salvos pelo sacrifício de Cristo lavaram suas vestes no sangue do cordeiro:

“Então um dos anciãos me perguntou: “Quem são estes que estão vestidos de branco, e de onde vieram?” Respondi: “Senhor, tu o sabes”. E ele disse: “Estes são os que vieram da grande tribulação e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.” Apocalipse 7:13,14

“Felizes os que lavam as suas vestes, para que tenham direito à árvore da vida e possam entrar na cidade pelas portas.” Apocalipse 22:14

Lavar as vestes significa purificar-se dos pecados. E a única maneira de ser purificado é reconhecendo que Jesus é o único Senhor e Salvador de nossas vidas. Foi através do sangue derramado na cruz que nós recebemos o perdão (purificação) dos nossos pecados. Não há alguém que possa se declarar puro, a não ser que seja purificado por Jesus. Porque mesmo as nossas obras são como vestes sujas, ou trapos imundos.

“Somos como o impuro — todos nós! Todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo. Murchamos como folhas, e como o vento as nossas iniquidades nos levam para longe.” Isaías 64:6

Significado espiritual de “rasgar as vestes”

As vestes nesses versículos são uma metáfora para a situação do nosso coração. Sendo assim, rasgar as vestes significa rasgar nosso coração diante de Deus, reconhecendo nossos pecados, o quão sujos nós estamos. E clamarmos pedindo perdão a ele que é o único capaz do nos lavar de todos a sujeira.

“Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós.
Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.
Se afirmarmos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua palavra não está em nós.” 1 João 1:8-10

Portanto, a Bíblia nos diz que todos temos pecados e estamos com as vestes sujas. Não podemos ser aceitos por Deus assim. Todos precisam lavar suas vestes no sangue do cordeiro. Isso significa, todos devem rasgar o coração assumindo sua podridão, para pedir perdão e serem purificados. E aqueles que se rendem a Jesus e o seguem devem crer em sua promessa:

“O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.” Apocalipse 3:5

Aquele que vencer terá novas vestes, limpas e puras para sempre, e habitará com Jesus por toda eternidade. Não haverá mais motivos para rasgar as vestes, pois, não haverá mais tristeza, dor, humilhação. Com ele, teremos novas vestes, nova vida e alegre perene em sua presença.

Categorias
Conhecer a Bíblia Vida Cristã

A Santa Ceia é o sacramento instituído pelo Senhor Jesus na noite em que foi traído. É um momento muito sério e importante para os cristãos. Só devem participar dela os que confessam Jesus como senhor e salvador de suas vidas, estão em plena comunhão com sua igreja e confiam somente no sacrifício de nosso Senhor Jesus Cristo. [fonte] Manual do Culto – IPB [/fonte]

Por que devemos tomar a Santa Ceia?

Devemos participar da Santa Ceia, pois, o Senhor Jesus a instituiu para que fosse celebrada pela Igreja até o fim dos tempos. Ela é uma lembrança perpétua do sacrifício que ele fez e de sua aliança conosco.

Pois recebi do Senhor o que também lhes entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, tendo dado graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo, que é dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim”. Da mesma forma, depois da ceia ele tomou o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue; façam isto, sempre que o beberem, em memória de mim”.
Porque, sempre que comerem deste pão e beberem deste cálice, vocês anunciam a morte do Senhor até que ele venha. 1 Coríntios 11:23-26 

Logo, devemos participar da Santa Ceia para cumprir o mandamento de Cristo. Porque, é um meio de graça que nutre e fortalece o espírito dos crentes e é um sinal visível do vínculo e comunhão com Cristo e seu corpo que é a igreja.

Os que comungam dignamente, participando exteriormente dos elementos visíveis deste sacramento, também recebem intimamente, pela fé, a Cristo Crucificado e a todos os benefícios de sua morte, e dele se alimentam, não carnal ou corporalmente, mas real, verdadeira e espiritualmente. [fonte] Confissão de Fé de Westminster [/fonte]

Quem NÃO pode tomar Santa Ceia?

Todos aqueles que não compreendem o seu significado, desconhecem os princípios fundamentais do cristianismo, ou que vivem escandalosamente não devem participar. Pois, não pertencem ao povo de Deus. Do mesmo modo, os cristãos que se acharem em pecado e se recusarem a se arrepender genuinamente ou estiverem em disciplina eclesiástica, não devem participar. Visto que trariam maldição sobre suas vidas, ao invés de benção.

O que é tomar a Santa Ceia indignamente?

Participar dela sem compreender seu significado ou de forma leviana, são exemplos de ser indigno da comunhão. O Apóstolo Paulo diz á Igreja de Corinto:

“Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpado de pecar contra o corpo e o sangue do Senhor.
Examine-se o homem a si mesmo, e então coma do pão e beba do cálice.
Pois quem come e bebe sem discernir o corpo do Senhor, come e bebe para sua própria condenação.”
1 Coríntios 11:27-29 

Veja que Paulo enfatiza a importância de conhecer o significado do Pão e do Cálice e examinar-se, antes de participar. Quem não se examina e não compreende a importância daquele momento, corre grandes riscos de participar indignamente. Para ser digno da Ceia é necessário reconhecer seus próprios pecados e colocá-los diante de Jesus, e assim, receber perdão e ser limpo. Todo aquele que participa da comunhão sem confessar-se ignora que o sacrifício na cruz foi por causa dos nossos pecados.

Portanto, devemos nos examinar e confessar nossos pecados. Assim, receberemos o perdão e seremos abençoados pela comunhão na mesa do Senhor.

Nota do Editor
Quer aprender mais sobre a Santa Ceia do Senhor? Indicamos os seguintes livros:

R$ 12,56
R$ 22,50
in stock
6 new from R$ 12,56
as of fevereiro 26, 2020 9:28 pm
Amazon.com.br
Free shipping

O que significa “examinar-se a si mesmo”?

“Examine-se o homem a si mesmo, e então coma do pão e beba do cálice.” 1 Coríntios 11.28

Examinar – δοκιμαζέτω (grego) – significa testar, provar para ver se é algo bom. É um teste para ver se algo é genuíno ou não. [fonte] https://biblehub.com/greek/1381.htm [/fonte]

Dessa maneira, examinar-se a si mesmo significa testar a própria mente e coração para ver se estão genuinamente em comunhão com Cristo e sua igreja. Caso haja algum problema, deve ser corrigido antes de participar.

Aqueles que não se examinam atraem para si o castigo divino. Como acontecia na Igreja de Corinto:

“Por isso há entre vocês muitos fracos e doentes, e vários já dormiram. Mas, se nós nos examinássemos a nós mesmos, não receberíamos juízo.” 1 Coríntios 11:30,31

Mas, veja que embora tenham sido castigados e recebido o juízo, essa não era uma atitude de falta de amor de Deus. Pelo contrário, Deus demonstra seu amor para com eles ao corrigi-los:

Quando, porém, somos julgados pelo Senhor, estamos sendo disciplinados para que não sejamos condenados com o mundo. 1 Coríntios 11:32

Se não houvesse juízo, os coríntios não saberiam como era grave a atitude que estavam tendo. Seu exemplo serve de alerta para nós. Devemos levar a Santa Ceia a sério, pois só assim receberemos a benção e a graça da comunhão com Cristo.

Conclusão

Enfim, a Santa Ceia é o momento de repensarmos os maus caminhos, consertarmos nossas falhas. Bem como, renovar a nossa aliança e comunhão, receber as bençãos e sermos espiritualmente fortalecidos e nutridos pela presença espiritual real de Jesus conosco. Devem participar dela aqueles que foram salvos e caminham nos caminhos de Jesus. Aqueles que estiverem em pecado, devem pedir perdão e então participar da comunhão.

Categorias
Conhecer a Bíblia

Essa pergunta é bastante curiosa. Há ou não menção a unicórnios na Bíblia? A partir de uma simples pesquisa é possível constatar que NÃO há unicórnios (o ser mitológico) na Bíblia. Entretanto, de onde surge essa ideia então?

Unicórnio na Bíblia! Versículos.

A questão surge a partir de uma tradução da palavra hebraica רְאֵם – re’ém, presente em textos como Jó 39:9,10; Números 23.22; 24.8; Deuteronômio 33.17; Salmos 22.21; 29.6; 92.10. Ao todo são nove versículos no Antigo Testamento. Algumas versões antigas da Bíblia traduziam essa palavra como unicórnio. Vamos fazer um comparativo a seguir.

Salmo 92.10, procurando o “unicórnio”.

Salmos 92.10:

“Mas tu exaltarás o meu poder, como o do unicórnio: serei ungido com óleo fresco.” (ARC)

“Tu aumentaste a minha força como a do boi selvagem; derramaste sobre mim óleo novo.” (NVI)

“Exaltastes a minha cabeça como a do búfalo, e com óleo puríssimo me ungistes.” (Versão Católica – VC)

As três versões apresentam o mesmo versículo, mas a NVI traduz RE’ÉM como “boi selvagem”, a VC como “búfalo” e a ARC como “unicórnio”. Portanto, aqui vemos o “unicórnio bíblico”. Ele não é a criatura mitológica vista nos filmes, ou seja, um cavalo branco com chifre em espiral. É mais provável que seja um boi selvagem, tradução usada pela NVI.

O dicionário hebraico de maior relevância acadêmia traduz Re’ém assim: Boi selvagem; criatura forte e feroz. [fonte] Brown-Driver-Briggs Hebrew and English Lexicon, Unabridged, Electronic Database.
Copyright © 2002, 2003, 2006 by Biblesoft, Inc. [/fonte] Enquanto a Concordância Exaustiva Strong aponta a possibilidade de tradução: Unicórnio, boi selvagem. [fonte] Strong’s Exhaustive Concordance [/fonte]

A Septuaginta (tradução do Antigo Testamento para o Grego) coloca Re’ém como  “μονοκέρως” – μονο = Um; κέρως = chifre. Aqui vemos de onde pode ter surgido a confusão entre o animal bíblico e o ser mitológico.

A Vulgata (tradução do Antigo Testamento para o Latim) traduz o mesmo termo para rhinoceros, ou, rinoceronte.

Portanto, a tradução unicórnio não é totalmente errada, mas não é a mais indicada. Pois, o animal relatado nos textos bíblicos não é o animal mitológico que hoje é chamado de unicórnio. O animal mencionado nos textos bíblicos é um animal forte (Nm 24.8), que tem um chifre e é reconhecido por sua força e ferocidade. É bem possível que não também não seja o rinoceronte, mas alguma animal que vivia nas regiões da palestina naquele tempo. Sendo assim, a tradução mais adequada e indicada pelos dicionários é “boi selvagem”.

Unicórnio é do mal?

Quando falamos do animal bíblico, pode-se dizer que não é mau. Ele é um exemplo de força e ferocidade indomável. O chifre é um sinal de poder no Bíblia. Veja como sua figura é usada na conversa de Deus com Jó:

“Ou, querer-te-á servir o boi selvagem? Ou ficará no teu curral?
Ou com corda amarrarás, no arado, ao boi selvagem? Ou escavará ele os vales após ti?
Ou confiarás nele, por ser grande a sua força, ou deixarás a seu cargo o teu trabalho?
Ou fiarás dele que te torne o que semeaste e o recolha na tua eira?”
Jó 39:9-12

O Boi Selvagem é símbolo de força que o homem não pode domar ou controlar. Nesse texto podemos ver Deus argumentando sobre a limitação da humanidade em entender e controlar a criação. Entretanto, ao mesmo tempo, o Senhor demonstra que toda a criação está debaixo de seu domínio e cumpre sua vontade. O unicórnio/boi selvagem em si, não é bom ou mau, ele é um animal que foi criado conforme a vontade do criador. Ele não é uma criatura do diabo.

Entretanto, precisamos fazer uma distinção entre esse “unicórnio bíblico” e o ser mitológico.

Unicórnio na mitologia

A imagem do cavalo branco com um chifre em espiral e super poderes não tem nada a ver com o termo usado na Bíblia. Essa figura mitológica tem origem em outras culturas. É difícil saber onde essa figura surgiu. Há possíveis relatos na China, na história da vida de Confúcio, na Pérsia, outros, no entanto, afirmam ter vindo da região da Rússia. Mas foi na arte medieval e renascentista que ganhou destaque. Atualmente, é citado com frequência em livros de fantasia como um ser mágico, puro, dócil e forte.

Todavia, esse animal é um ser mitológico, não qualquer registro ou testemunho de sua existência. Portanto, não é real.

Unicórnio, significado espiritual.

Tratando-se do animal mencionado na Bíblia, seremos breves e claros: não há significado espiritual para o unicórnio. Atribui-se significado espiritual para a figura mitológica atual, mas isso não é bíblico e não tem fundamento na Palavra de Deus. Se você deseja crescer espiritualmente busque o Espírito Santo e não unicórnios.

Conclusão

O termo unicórnio na Bíblia surge em edições antigas, contudo, as atuais traduzem o termo por “boi selvagem”. Esse animal não é a criatura mitológica das histórias. Ele é usado como símbolo de força e ferocidade, mas, mesmo toda essa força está sob o domínio do Criador.

Categorias
Bíblia Conhecer a Bíblia

Os samaritanos são um povo mencionado diversas vezes na Bíblia. Seu nome é derivado da cidade de Samaria. São um povo misto de israelitas e outros povos pagãos. Seus conflitos com os judeus e o preconceito que há entre eles foi desenvolvido ao longo de séculos. Leia esse post para aprender um pouco mais sobre o tema com fontes bíblicas e históricas. [fonte] Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. Volume 2. Editora: Vida Nova. Verbete: Samaritano.[/fonte]

Como surgiram os samaritanos?

Após a morte do Rei Salomão, Roboão tornou-se rei em Israel. O início de seu reinado foi marcado por conflitos entre ele e seu povo. O ápice desses conflitos causou uma ruptura em Israel, dividindo o reino em Reino do Norte e Reino do Sul (1 Reis 12). O Reino do Norte permaneceu com o nome Israel, e sua nova capital era Samaria. O Reino do Sul era a Tribo de Judá, que permaneceu fiel a Roboão, pois, ele era da dinastia de Davi.

O Reino do Norte, Israel, foi liderado por Jeroboão. Ele fortificou as cidades de Siquém e de Peniel. Depois, decidiu fazer dois bezerros de ouro e disse “Vocês já subiram muito a Jerusalém. Aqui estão os seus deuses, ó Israel, que tiraram vocês do Egito” (1 Reis 12:28). Sua intenção era evitar que o povo do Norte fosse até Jerusalém para adorar ao Senhor no templo e, que assim, aos poucos voltasse sua lealdade para o antigo rei.

Muito tempo depois, Samaria foi conquistada pelo Império Assírio. O Rei de Samaria se tornou servo do Rei da Assíria, mas logo o traiu. Quando a traição foi descoberta, o Rei da Assíria decidiu revidar, atacando e sitiando Samaria por 3 anos. Ele exilou o povo de Samaria de suas terras e os espalhou por diversos países. Posteriormente, trouxe pessoas de diversos lugares, como Babilônia, Cuta, Ava, Hamate e Sefarvaim. Essas pessoas foram colocadas nas cidades de Samaria para substituir os israelitas. Por isso, os samaritanos não são considerados judeus, pois são um povo misturado. (2 Reis 17)

Por que os samaritanos eram considerados impuros?

Em seguida, um sacerdote foi enviado para ensinar os novos habitantes de Samaria a adorar ao Senhor. Entretanto, cada um deles criou seus próprios deuses e os adoravam. Eles adoravam ao Senhor, mas adoravam também os falsos deuses que trouxeram de suas terras de origem. Misturavam os cultos a Javé com cultos pagão. Essa atitude é desprezível aos olhos de Deus (2 Reis 17). Por serem uma mistura de israelitas com outros povos pagãos, os samaritanos eram considerados impuros.

Como surgiram os conflitos entre Samaritanos e Judeus?

As rixas entre samaritanos e judeus começaram com a separação dos Reinos do Norte e Sul, como falamos acima. O Reino do Norte logo se tornou extremamento idólatra. Construiu locais de adoração para seus bezerros de ouro, se apegaram aos falsos deuses, fizeram sacrifícios, queimavam incenso para eles, faziam festas pagãs e os adoravam. O povo do Norte logo abandonou ao Deus verdadeiro e se desviou (1 Rs 12.28-33).

Esses foram só os primeiros conflitos. Outro episódio que parece ter contribuído para a animosidade entre os povos foi quando Neemias e Esdras estavam reconstruindo Jerusalém. Sambalate (ou Sambalá) era o governador de Samaria nesse período e foi um dos principais opositores à reforma dos muros de Jerusalém. O governador de Samaria não queria que Jerusalém fosse reconstruída e procurou atrapalhá-los de diversas formas. Isso está relatado em Neemias 2.10,19; 6.2; 4.7. Nesses textos vemos que os samaritanos uniram-se a outros povos inimigos para fazer mal ao povo de Jerusalém. Isso contribuiu para o distanciamento e as rixas entre judeus e samaritanos.

Onde os samaritanos adoravam a Deus?

Além disso, outro elemento importante nesses conflitos foi a construção de um templo para Javé no Monte Gerizin, perto do fim do séc. IV a.C. A iniciativa para essa construção partiu dos sacerdotes que foram excluídos de Jerusalém, pois, seus casamentos tinham sido rejeitados por serem casamentos mistos. Ou seja, eram casados com esposas que não tinham origem judaica.

Eles foram aceitos em Siquém, Samaria. Decidiram construir um templo ali, para rivalizar com o templo de Jerusalém. Após a construção, procuraram textos antigos para dizer que o verdadeiro lugar de adoração a Javé era o Monte Gerizin e não Jerusalém. Portanto, foi no Monte Gerizin que os samaritanos começaram a adorar a Deus. Os samaritanos não consideram todo o Antigo Testamento como palavra de Deus, eles liam apenas partes do pentateuco. Eles adoravam o que não conheciam (Jo 4.22).

O ápice dos conflitos

Embora tivessem construído o templo para Javé, em 167 a.C. os samaritanos fingiram que o templo ali nunca havia sido dedicado a uma divindade. Agora queriam dedica-lo a Zeus. Essa era uma atitude política.Dessa forma, poderiam escapar da perseguição no período em que os gregos estavam impondo seus costumes culturais e religiosos aos povos que conquistavam.

Contudo, enquanto os samaritanos faziam de tudo para fugir da perseguição, os judeus na Judeia resistiram às ações gregas, chegando a entregar suas próprias vidas. Quando a revolta dos macabeus obteve sucesso, eles conseguiram expandir a judeia e conquistar o território de Samaria. Em 128 a.C., os judeus que dominavam o território samaritano destruíram o templo no Monte Gerizin.

O domínio da Judéia sobre Samaria durou até 63 a.C. Os samaritanos tinham boa relação com os romanos, pois, sempre procuraram fazer alianças com os povos inimigos para evitar sofrimento. Em 52 d.C., os samaritanos apoiados pelo procurador romano Cumano, entraram em violento conflito com os judeus. Por violarem a paz, os líderes samaritanos foram executados e o procurador romano banido.

Os samaritanos no Novo Testamento

Antes de tudo, no Novo Testamento, os samaritanos não são reconhecidos como israelitas. Vemos isso em Mateus 10.5-6, “Jesus enviou estes doze com as seguintes instruções: Não se dirijam aos gentios, nem entrem em cidade alguma dos samaritanos. Antes, dirijam-se às ovelhas perdidas de Israel.”. Portanto, fica claro que os samaritanos são colocados ao lado dos gentios e não fazem parte de Israel.

Em segundo lugar, a animosidade entre judeus e samaritanos aparece em Lucas 9.51-56. Quando povoados samaritanos se recusam a receber Jesus, Tiago e João perguntam se deveriam enviar fogo do céu para destruí-los. Porém, Jesus responde alertando-os que não veio para matar os homens, mas sim, salvá-los. Portanto, embora não façam parte do verdadeiro povo de Israel, os samaritanos também são alvo da graça de Deus revelada em Jesus Cristo.

Em Lucas 10.30-37, lemos a parábola do bom samaritano, onde este, surpreendentemente, serve como bom exemplo para os judeus. Um exemplo de como amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo (Lc 10.27). Assim, Jesus critica o judaísmo oficial da época que se orgulhava de sua a religiosidade, mas negligenciava os aspectos mais essenciais da Bíblia. Em contrapartida, demonstra que um samaritano pode se achegar a Deus e fazer o que é certo.

Em Atos 1.8, Jesus diz que seus discípulos serão suas testemunhas em Jerusalém, na Judeia, em Samaria e até os confins da terra. Portanto, ainda se vê a primazia dos judeus, mas fica claro que as boas novas de salvação também se estendem para os samaritanos e para outros povos.

Jesus e a mulher samaritana

O encontro mais memorável de Jesus com os samaritanos é relatado em João 4. Ao passar por uma cidade chamada Sicar, Jesus estava cansado e sentou-se à beira de um poço. Nisso, veio uma mulher samaritana pegar água. Então, Jesus inicia um diálogo com ela, pede-lhe água. O relato em João demonstra diversas informações a respeito do péssimo relacionamento entre samaritanos e judeus. Mas, ao longo da conversa, Jesus a trata com respeito e dignidade. Ainda mais, revela para ela coisas muito profundas ao oferecer a água da vida que jorra como uma fonte de vida eterna dentro de quem a recebe.

Entretanto, a mulher não o entende. Após um tempo de conversa, ela pergunta a respeito de qual é o local correto de adoração. Ela se refere ao conflito entre Monte Gerizin e Jerusalém. A reposta de Jesus indica algo importante: os samaritanos adoram o que não conhecem, os judeus adoram o que conhecem. Pois, a salvação vem dos judeus (Jo 4.22). Isso está conectado a 2 Reis 17, que nos conta exatamente como os samaritanos “adoravam” a Deus, mas não o conheciam.

Contudo, o principal é que Jesus diz que estava chegando a hora que o local de adoração não teria mais importância. Pois, “[…] os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura.” (João 4:23). Ao dizer isso para uma samaritana, ele está oferecendo a oportunidade para que ela faça parte do povo de Deus, abandone suas práticas erradas de antigamente e conheça o Messias.

Após a conversa com Jesus, aquela mulher samaritana volta para sua aldeia e começa a anunciar tudo que Jesus havia lhe dito. Seus ouvintes correm até Jesus para conhecê-lo. Ele prega o evangelho para eles. E no final da história lemos as seguintes palavras:

E disseram à mulher: “Agora cremos não somente por causa do que você disse, pois nós mesmos o ouvimos e sabemos que este é realmente o Salvador do mundo”.

João 4:42

Os samaritanos passam a ser considerados povo de Deus quando ouvem a pregação de Jesus e o professam como único e suficiente senhor e salvador de suas vidas.

 

 

Categorias
Bíblia Conhecer a Bíblia Vida Cristã

Um dos temas mais relevantes na Bíblia é a santidade do Senhor. Antigo e Novo Testamentos a mencionam e demonstram como aspecto essencial também na vida cristã. “Santidade”, “Santo”, são termos cheios de detalhes nos seus significados. Mas, qual é a origem do termo? Qual é sua relação com o cristão? Por que é tão importante?

Vamos ver a seguir.

“Sejam santos, porque eu sou santo” – Antigo Testamento

Há três palavras que esclarecem o significado de santo. A primeira delas é “qadash” (קָדַשׁ), um verbo que aparece em Êxodo 29 e indica a separação de coisas ou pessoas como “aquelas dedicadas a Deus”. Aparece também em Isaías 65.5 denotando “pureza moral”. A segunda palavra é o substantivo “qodesh” (קֹדֶשׁ), que descreve “o que é santo”, “pertence ao sagrado” e  “distinto do pecaminoso”. A terceira palavra é o adjetivo “qadôsh” (קָדוֹשׁ), que também serve para definir o que é santo. Portanto, é possível entender a palavra em ambos os sentidos: santo, como separado/consagrado; e santo, como moralmente perfeito. [fonte] FERREIRA, Franklin. Teologia Sistemática. Editora Vida Nova, 2007.[/fonte]

Nas Escrituras, a virtude de santidade aplica-se primeiramente a Deus, e, aplicada a ele, sua ideia fundamental é a de inacessibilidade . Ele é santo, santo, santo (a repetição denota intensidade). Ele é absolutamente inacessível, distinto. A santidade também é usada para descrever a luz da glória divina que se transforma em um fogo devorador, conforme Isaías 10.17 e 33.14,15. Sendo assim, o pecador diante de Deus fica consciente de sua própria total imperfeição, podridão e pecaminosidade.

Deus ainda revela sua santidade no Antigo Testamento (AT) quando separa um povo para si, para que este povo seja santo. Veja a seguir.

“Sede santos, porque eu sou santo.” – Levítico

No livro de Levítico, Deus diz: “Sejam santos porque eu, o Senhor, o Deus de vocês, sou santo.” Levítico 19:2, (essa mesma afirmação aparece em Lv. 11.44-45). Portanto, o padrão moral e ético de santidade para povo é o próprio Deus. Ser santo significa ser o povo escolhido e separado por Deus para ser seu povo exclusivo. Esse povo será lapidado, afim de refletir a imagem de Deus entre os outros povos. O povo de Israel deve ser santo, pois, segue os mandamento do Deus que é santo! A vida de Israel deve refletir o caráter de Deus.

O próprio livro de Levítico é a revelação do padrão que Deus requer de seu povo, no qual são reveladas as leis morais, civis e cerimoniais. Ser santo, portanto, significa viver conforme o padrão de vida que Deus revela a nós através de sua Palavra.

Em sua Palavra encontramos o maior mandamento, Deuteronômio 6.5: “Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.”. Este é o fundamento da santidade, o amor a Deus sobre todas as coisas e com todo o nosso ser, e a obediência a partir deste relacionamento.

“Sejam santos” – Novo Testamento

No Novo Testamento (NT), os termos relacionados a santidade são: ‘santificação’ (em grego hagiasmos) que aparece dez vezes. Enquanto a palavra ‘santidade’ aparece apenas três vezes (em grego hagiosune). O verbo grego santificar (hagiazo) significa ‘separar’, e aparece vinte oito vezes e tem três significados: venerar, separar e purificar. Com base no NT, ser santo pode ser definido, de modo geral, como: separado para Deus, ser lavado pelo sangue de Cristo, ter a santidade de Cristo imputada como nossa santidade, purificação do mal moral e conformidade com a imagem de Cristo.

Um fato relevante é que a santidade no Novo Testamento se apresenta como característica especial do Espírito Santo. É ele que santifica os crentes, qualifica-os para o serviço e os conduz para a vida eterna. A palavra hagios (santo) é empregada em conexão com o Espírito de Deus cerca de cem vezes no Novo Testamento. Mas, o sentido de ‘santidade’ no AT e no NT não são diferentes. Santidade não se trata apenas de melhoramento moral, mas sim de uma mudança moral ao se relacionar com Deus. Essa mudança significa ser transformado pelo Espírito Santo. Ser santo exige que nossa lealdade, acima de tudo, esteja sujeitada a Deus.

No sermão do monte, Jesus mostra a ética do Reino de Deus.  Ser santo, ou seja, buscar uma vida consagrada a Deus, tem aqui a mesma razão que no AT: “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso pai celeste.” (Mt 5.48 – ACF). A palavra traduzida por ‘perfeito’ tem um sentido semelhante a ‘íntegro’, ‘pleno’ e ‘cheio’.

O NT mostra que aquele que almeja ser santo deve ter apenas um objetivo: seguir o exemplo de Jesus. Mas para isso fica claro que precisará da ajuda do Espírito Santo. É mais do que um estado do coração, pois para amar a Deus e dedicar-se a ele, nós precisamos que ele nos dê uma nova vida.  Nossa força de vontade não é o suficiente. É necessário relacionamento e intimidade. Para ser santo, precisamos passar pelo processo da santificação que se dá conhecendo mais a Deus à medida que ele vai se revelando a nós. Este é o plano de Deus para os discípulos de Jesus.

1 Pedro 1.15 e 16 – Sede Santos

Pedro diz em sua primeira carta:

Mas, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem,
pois está escrito: “Sejam santos, porque eu sou santo”. 1 Pedro 1:15,16

O fundamento da santidade para o cristão é o caráter do próprio Deus. O Santo Deus chama pessoas para que façam parte do seu povo, um povo escolhido e separado. Portanto, ser santo significa ser separado e consagrado para Deus. Pois, um Deus santo exige santidade daqueles que são seus.

Se olharmos para o contexto dos versículos citados acima, veremos que Pedro está exortando seus leitores a não viver como viviam anteriormente. Ou seja, eles devem abandonar a vida cheia dos maus desejos e pecados, que é característica daqueles que não conhecem a Deus (1 Pe 1.14). Agora, eles têm uma nova vida que receberão pela graça de Deus. Durante essa nova vida, na jornada neste mundo, os filhos de Deus devem viver espelhando-se na santidade de seu Pai Celeste (vs.17). Mas, a principal motivação da busca pela santidade é a salvação dada por Jesus. Veja o versículo 18 e 19:

Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver que lhes foi transmitida por seus antepassados,
mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito […]

Pedro considera a vida sem Jesus como vazia. Prata e ouro são insignificantes! O bem mais precioso que podemos encontrar é a redenção pelo sangue de Cristo. Mas veja, o sangue de Jesus é como de um cordeiro sem mancha e sem defeito. Um cordeiro perfeito. Um cordeiro santo. Essa é a base para a santidade do cristão: ser grato pelo sacrifício de Cristo, considerá-lo seu bem mais precioso, abandonar a vida vazia de antigamente e seguir os ensinamentos dele a cada dia, em tudo que fizermos. O cristão deve ser santo, pois, Jesus, seu mestre é santo! Porque Jesus lhe deu uma nova vida, agora o pecado é desprezível e ele só pode ter prazer verdadeiro em Deus!

Santo e Pecador

Aquele que é santo deve dedicar-se a obedecer e glorificar a Jesus. O oposto de uma vida de santidade é a vida de pecado. O Catecismo Maior de Westminster, como resposta à pergunta 24, diz: “Pecado é qualquer falta de conformidade com, ou transgressão de qualquer lei de Deus, dada como regra à criatura racional.” [fonte] O Catecismo Maior de Westminster. Editora Cultura Cristã.[/fonte]

O Apóstolo Paulo diz:

Da mesma forma, considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus. Portanto, não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais, fazendo que vocês obedeçam aos seus desejos. Não ofereçam os membros dos seus corpos ao pecado, como instrumentos de injustiça; antes ofereçam-se a Deus como quem voltou da morte para a vida; e ofereçam os membros dos seus corpos a ele, como instrumentos de justiça. Pois o pecado não os dominará, porque vocês não estão debaixo da lei, mas debaixo da graça. Romanos 6.11-14

Sendo assim, ser santo é estar morto para o pecado e ter a virtude da ação do Espírito Santo agindo em nós. Isso que quer dizer “voltamos da morte para a vida”. Paulo também diz “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados” (Efésios 2:1). O Espírito Santo nos dá nova vida e nos capacita a resistir às tentações e seduções do pecado. Nós, anteriormente, escravos do pecado, agora somos livres para lutar contra ele. Lembre-se, enquanto estiver nessa vida, o cristão estará em luta contra o pecado.

Conclusão

A ordem “Sede santo, porque eu sou santo” é um chamado para que consagremos nossas vidas a Deus. Em tudo devemos obedecê-lo, honrá-lo e glorificar seu nome. Buscar ser santo é uma forma de demonstrar nosso amor por ele e só é possível com a transformação do Espírito Santo em nossos corações. Participar da santidade de Deus é um privilégio e responsabilidade para todo aquele que se diz discípulo de Jesus Cristo. Ele é nosso exemplo e nossa motivação.

Para sermos santos precisamos da ação de Deus em nossas vidas. Pois, ele nos capacita a pensar,  desejar e amar de forma que tudo isto o glorifique. Ou seja, pensar no que ele pensa e viver em harmonia com sua vontade, de forma que nossa vida lhe seja agradável. Portanto, para ser santo: conheça a Deus, envolva-se num relacionamento profundo com ele, ame sua Palavra e dedique-se dia após dia, pois, a batalha é árdua, mas ele sempre está conosco.

Vídeo do Pr. Paulo Junior onde ele aborda este tema