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Quem foi Acã?

Acã foi um israelita, cuja história é contada no livro de Josué, cap.7. Ele é contemporâneo de Josué, e participou do momento em que Israel estava conquistando a Terra Prometida. Contudo, a história de Acã tem acontecimentos tristes, pois, nela vemos como é terrível desobedecer a Deus. Além disso, aprendemos como o pecado traz consequências severas na vida de quem o comete e também nas vidas de outras pessoas.

A história de Acã

Em Josué 6.1-2, lemos que o povo de Israel estava se preparando para a conquista de Jericó. Pois, Deus havia prometido que já havia lhes dado a vitória. Sendo assim, tudo que Israel precisava fazer era obedecer as instruções de Deus. Pois, não seria pela força de Israel que venceriam, mas pelo poder do Senhor!

Além das instruções sobre a conquista, havia também uma ordem. Os israelitas deveriam ficar longe das coisas consagradas. Ou seja, todo ouro, prata, os utensílios de bronze e de ferro deveriam ser entregues ao tesouro do Senhor, pois eram consagrados. As demais coisas de Jericó deveriam ser queimadas e destruídas, exceto Raabe, pois, ela tinha ajudado os espias de Israel anteriormente. (Js 6.17-19) Quem desobedecesse a ordem divina traria destruição e desgraça sobre o acampamento de Israel. (Js 6.18)

Leia também: Quem foi Raabe?

Infelizmente, como é de se esperar, Acã, por causa da cobiça, descumpre o mandamento de Deus e esconde algumas coisas que deveriam ter sido destruídas e outras que deveriam ter sido consagradas a Deus. (Js 7.1)

As consequências do pecado de Acã

A primeira consequência é que, por causa do pecado de Acã, a ira do Senhor se acendeu contra Israel. (Js 7.1) O povo todo pagaria pelo erro dele. Acã sabia disso, pois, o alerta de Deus havia sido dado no capítulo 6. Mesmo assim, ele não considerou que Deus conhece todas as coisas e que o pecado dele não passaria despercebido.

A segunda consequência acontece em decorrência da primeira. Em meio às lutas de conquista da Terra Prometida, Israel precisaria enfrentar o povo de Ai. (Js 7.3) Quando os israelitas viram que Ai era pequena e tinha poucos homens, disseram a Josué que enviasse apenas 3 mil homens para conquistá-la, pois, isso já era suficiente para uma vitória tranquila. Contudo, quando os 3 mil atacaram Ai, os inimigos foram mais fortes que eles e puseram o exército de Israel em fuga. Trinta e seis soldados de Israel morreram naquela batalha. (Js 7.3-5)

O Pecado de Acã causou a ira de Deus, a derrota na batalha contra Ai, a morte de 36 soldados e trouxe desânimo completo sobre o povo.

O Pecado contamina o coração

A grande vitória de Israel sobre Jericó havia sido histórica para o povo. Seu ânimo, confiança e esperança tinham sido alimentados e fortalecidos pela ação poderosa de Deus. Mais do que nunca, eles sentiam como se seu destino estivesse se cumprindo. No entanto, o pecado de Acã é como um balde de água fria no povo. Por causa dele, Israel experimenta a vergonha de uma derrota humilhante, vive o luto pelos soldados mortos, e fica em dúvida quanto ao cuidado de Deus sobre seu povo.

Isto, porque o pecado é sempre assim. Ele atrai a atenção, parece agradável, seduz e então, ao ser consumado, demonstra sua verdadeira face. Sua consequência é alta demais. O pecado não traz nada de bom, e suas consequências atingem todos os que nos cercam. Ele torna escravo quem o comete, fere aqueles que o cercam e nos afasta de Deus.

Toda alegria, paz e amor que temos no coração, são uma dádiva de Deus. Contudo, essa dádiva é afetada quando cometemos pecado. Pois, o pecado é como algo amargo lançado numa fonte de água doce.

Acã é descoberto

Após a vexatória derrota para Ai, os Israelitas se perguntam se Deus os havia abandonado. (Js 7.7) Enquanto Josué está prostrado em lamentos, Deus o manda se levantar e lhe diz que Israel está em pecado. Eles se apossaram, roubaram e esconderam coisas consagradas (Js 7.11-12). Enquanto permanecessem em pecado, eles sofreriam as consequências, seriam massacrados por seus inimigos. Portanto, era essencial que se limpassem logo do pecado. Eles deveriam se santificar (Js 7.13)

No dia seguinte, cada tribo de Israel apresentou diante de Josué. Ele examinou tribo por tribo, clã por clã, família por família, até que chegou em Acã. Então, disse-lhe “Conte-me o que você fez” (Js 7.19).  Neste momento, Acã confessou que havia pego uma bela capa da Babilônia, 2,4kg de prata e uma barra de ouro de 600g. A cobiça o atiçou e ele escondeu tudo embaixo de sua tenda. (Js 7.20-21)

Quando confrontado por Josué, Acã reconheceu seu pecado:

“É verdade que pequei contra o Senhor, contra o Deus de Israel […]”

Josué 7:20

Significado do nome Acã

Acã, é uma palavra hebraica: עָכָן
O nome vem de uma palavra que significa “problemático; perturbador”. [fonte] Strong’s Exhaustive Concordance [/fonte]

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Nome dos filhos de Acã

A Bíblia não relata o nome dos filhos de Acã. Em Josué 7.24, apenas lemos que Acã tinha filhos e filhas.

No entanto, na novela “A Terra Prometida” foram dados nomes fictícios aos filhos dele: Gibar e Melquias. Contudo, não há relatos bíblicos que comprovem serem esses os nomes verdadeiros. A novela apenas usa nomes fictícios para incrementar a trama narrativa.

Como Acã morreu?

Por causa de seu pecado, quando desobedeceu uma ordem clara de Deus (Js 7.21) e trouxe desgraça sobre o povo de Israel, Acã foi sentenciado à morte. (Js 7.25) Ele, sua família e tudo que tinham foram apedrejados e depois queimados. Sobre o lugar onde Acã estava foi erguido um grande monte de pedras, aquele local ficou conhecido como Vale de Acor.

A forma da execução da sentença demonstra quão grave foi o pecado de Acã. (Js 7.15) Além disso, sua morte serviu de exemplo para que nenhum israelita cometesse o mesmo erro. Os corpos foram queimados para demonstrar o juízo sobre pessoas que tão voluntariamente entram em pecado, desrespeitando escandalosamente a vontade de Deus.

O monte de pedras erguido sobre os restos de Acã serve de aviso público e visível para todos: “O pecado é julgado por Deus, ninguém deve cometer o mesmo erro de Acã. Não se esqueçam!”. É possível que as mesmas pedras usadas para apedreja-lo tenham sido utilizadas para fazer o monte sobre seus restos. Dessa forma, a linguagem do aviso ficaria bem explícita.

O nome ‘Vale de Acor’ significa ‘Vale do Problema’. Perceba que o nome de Acã e o nome do vale têm a mesma origem e raiz. O Vale do Problema é onde o ‘causador de problema’ foi sentenciado.

Acã foi salvo?

Acã não foi salvo de seu pecado deliberado contra a ordem de Deus. Ele foi sentenciado à morte e apedrejado. Quanto à salvação eterna que vem pela fé em Cristo, não podemos responder categoricamente. Apenas, poderíamos supor que não, visto que Acã não nós dá indícios de que houve arrependimento, tampouco, fé. Ele apenas confessou seu pecado quando foi pego.

Pregação sobre Acã

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Em Mateus 10.1-4, está registrada a lista com os nomes dos doze apóstolos que Jesus escolheu:

Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão;
Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu;
Simão, o zelote, e Judas Iscariotes, que o traiu.

Mateus 10:2-4

Apóstolo, significado:

O termo apóstolo vem do grego ἀπόστολος, e seu sentido básico é “enviado”. Era uma palavra conhecida e utilizada antes de aparecer na Bíblia, contudo, seu uso era raro.

No mundo antigo, a palavra “apóstolo” tinha a ver com expedições marítimas. Indicava simplesmente os navios que eram enviados em missões militares, ou expedições navais. Posteriormente, veio a ser aplicado ao grupo de expedicionários que povoavam uma localidade e, por fim, passou a designar o comandante de tal grupo. [fonte] Nicodemus, Augustus. Apóstolos: A verdade bíblica sobre o apostolado (Locais do Kindle 320-321). Editora Fiel. Edição do Kindle. [/fonte]

Entretanto, o uso do termo Apóstolo na Bíblia é diferente. Pois, os apóstolos de Jesus foram enviados com o poder da autoridade e de serem representantes dele. Conforme o Evangelho de Lucas, Jesus foi o primeiro a utilizar esse termo no Novo Testamento e o usou para designar os doze que havia escolhido:

Ao amanhecer, [Jesus] chamou seus discípulos e escolheu doze deles, a quem também designou como apóstolos
Lucas 6:13

Jesus falava aramaico, portanto é provável que originalmente ele tenha usado o termo aramaico shaliah, do verbo שָׁלוּחַ, “enviar”, que foi traduzido por Lucas e demais autores como ἀπόστολος. No Novo Testamento, a palavra apóstolo é usada 37 vezes para se referir claramente aos doze que Jesus escolheu, e outras 17 vezes para se referir a Paulo. [fonte] Nicodemus, Augustus. Apóstolos: A verdade bíblica sobre o apostolado (Locais do Kindle 339-341). Editora Fiel. Edição do Kindle.[/fonte]

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A missão dos apóstolos

A missão dos doze seria dar testemunho da morte e ressurreição de Cristo e anunciar o evangelho a toda criatura. (Atos 1.8) Portanto, deveriam repassar os ensinamentos de Jesus até os confins da terra e assim lançar os fundamentos da igreja de Cristo.

Fazer parte dos doze significava ter sido chamado

pessoalmente por Jesus para estar com ele diariamente em seu ministério itinerante pela Galileia e Judeia, ter recebido autoridade e poder para realizar sinais e prodígios, expulsar demônios em seu nome, pregar a proximidade do Reino dos céus e representar Jesus como enviado dele para o anúncio desta mensagem.

[fonte]Nicodemus, Augustus. Apóstolos: A verdade bíblica sobre o apostolado (Locais do Kindle 679-682). Editora Fiel. Edição do Kindle.[/fonte]

Ao nomear doze apóstolos e enviá-los em missão aos judeus, Jesus estava instituindo uma nova liderança espiritual em Israel. Visto que os mestres da lei e fariseus tinham exaurido o povo com legalismo e regras muito distantes da Palavra de Deus. Os líderes religiosos eram hipócritas e abusavam do povo usando o nome de Deus. Sendo assim, tinham falhado terrivelmente em pastorear o povo nos caminhos do Senhor.

Jesus, então, escolhe doze para proclamarem o Reino de Deus. O número 12 é muito importante, pois se refere às doze tribos de Israel. Dessa forma, os doze escolhidos representam os líderes do Novo Israel, sendo a contraparte dos doze patriarcas da nação. (Mt 19.28)

Os doze apóstolos seriam os líderes deste Novo Israel, uma nação espiritual, composta de judeus e também por pessoas de todas as partes do mundo, unidos pela fé no Messias. Jesus estava preparando o caminho para sua igreja, o Israel espiritual.

Os nomes dos doze apóstolos em grego e aramaico (hebraico):

Os nomes dos apóstolos da forma que conhecemos hoje são traduções. Eles possuem também uma versão grega e a sua forma original em aramaico:

Simão Pedro
Grego: Simon Petros (Σίμων πέτρος)
Aramaico: Shim’own Kephas
Significado: Ouvir, Pedra

André
Grego: Andreas (Ανδρεας)
Aramaico: Aner
Significado: Másculo, viril

Tiago (lembre que dois apóstolos tinham esse nome)
Grego: Iakóbos ( Ἰάκωβος)
Aramaico: Iakob
Significado: Sustentado pelo calcanhar

João
Grego: Ioannes (Ἰωάννης)
Aramaico: Yohanan
Significado: O Senhor é misericordioso

Felipe
Grego: Philippos (Φιλιππος)
Significado: Amigo dos cavalos

Bartolomeu
Grego: Bartholomaios (Βαρθολομαιος)
Aramaico: bar-Tâlmay
Significado: Filho de Talmay

Mateus
Grego: Maththaios (Ματθαιος)
Significado: Presente de Deus

Tomé
Grego: Thomás (Θωμάς)
Aramaico: Ta’owm
Significado: O Gêmeo

Judas (nome de dois apóstolos)
Grego: Ioudas (Ἰούδας)
Aramaico: Yehudah
Significado: Abençoado

Simão, Zelote
Grego: Simon (Σίμων)
Aramaico: Shim’own
Significado: Aquele que ouve

Características de um Verdadeiro Apóstolo:

Quando falamos sobre apostolado precisamos lembrar que há algumas características bíblicas dos verdadeiros apóstolos, isso nos ajuda a não sermos enganados por pessoas que se auto denominam apóstolos nos dias de hoje.

  1. Os apóstolos tinham de ser testemunhas daquilo que Jesus havia feito e ensinado durante seu ministério terreno. Especialmente, ser testemunhas pessoais de sua morte e ressurreição. (Atos 1.21-22)
  2. Todos os apóstolos foram vocacionados (chamados) diretamente por Jesus – os doze, bem como, posteriormente, Paulo. (Atos 9.4-6; LC 6.12-16)
  3. O ministério apostólico foi especial e exclusivo para a fundação da Igreja de Jesus. (Ef 2.20-22)
  4. Os apóstolos realizavam sinais e milagres na autoridade outorgada por Jesus, como um sinal de que eram comissionados por ele. (Atos 5:12; 8:14-17).
  5. O ofício de Apóstolo nunca foi transmitido ou atribuído por alguém que não fosse Jesus. Por exemplo, veja que houve diáconos, obreiros e  presbíteros escolhidos pelas próprias igrejas (Atos 14:23). Todavia, os apóstolos nunca transferiram o seu ofício a algum sucessor.[fonte] Publicado em “Chamada da Meia Noite“, edição de abril 2004, Página 15. Resumido por Miguel Ângelo Luiz Maciel. Disponível em: http://solascriptura-tt.org/EclesiologiaEBatistas/CaracteristicasVerdadeiroApostolo-CMeiaNoite.htm [/fonte]

Existem Apóstolos hoje?

Não existem mais apóstolos hoje. Pois, não existem pessoas hoje que possam ter cumprido os requisitos bíblicos de um verdadeiro apóstolo:
• Ter visto o Senhor;
• Ter aprendido diretamente com Jesus;
• Ser vocacionado por Jesus para o apostolado.

Logo, não existem mais apóstolos hoje como os 12 e Paulo. O ofício de apóstolo cessou com a morte do último deles.[fonte] Nicodemus, Augustus. Apóstolos: A verdade bíblica sobre o apostolado (Locais do Kindle 875-876). Editora Fiel. Edição do Kindle.[/fonte]

Além disso, não são necessários hoje mais apóstolos para lançar os fundamentos da igreja cristã. Porque o fundamento está posto.O que se precisa hoje é de pastores e mestres que edifiquem sobre aquilo que nos foi entregue fielmente através da Palavra de Deus e do ministério dos Apóstolos. (1Co 3.10-11)

Como morreram os Apóstolos?

Para saber como cada um deles morreu, precisamos utilizar a Bíblia e também escritos da Tradição, pois, nem todos eles tem a sua morte relatada na Bíblia. Sendo assim, vamos falar brevemente sobre cada um.

Judas Iscariotes: suicidou-se por enforcamento, porque estava com remorso por trair Jesus. Ao enforcar-se, caiu de cabeça nas rochas e suas entranhas se espalharam pelo chão. (Mt 27.5; Atos 1.18)

Tiago, chamado Maior: a tradição diz que foi delatado ao Rei Herodes Agripa, acusado de quebrar a lei por pregar o evangelho, então, foi sentenciado à morte. Morreu decapitado pela espada de um soldado.

Filipe: a tradição diz que foi crucificado e torturado até a morte, por pregar o evangelho à esposa de um procônsul romano.

Mateus: Não se sabe ao certo. Há relatos de que morreu torturado na Etiópia, provavelmente por estar pregando sobre Jesus.

Tiago, o menor: foi sentenciado pelo Sumo Sacerdote Ananus à morte por apedrejamento, sob acusação de quebrar a lei judaica.

Pedro: Foi perseguido juntamente com outros cristãos durante o império de Nero de Roma. Foi sentenciado à morte por ser seguidor de Jesus. Ao ser crucificado, pediu para que o colocassem de cabeça para baixo, por se sentir indigno de morrer como Cristo.

André: Foi crucificado na Grécia, numa cruz em forma de X, pois se recusou a renegar sua fé em Jesus.

Tomé: Morreu perfurado pelas lanças de soldados na Índia, por ter pregado o evangelho à esposa do rei Misdaeu e ela ter se convertido.

Simão, o zelote: poucos registros a respeito de sua morte, alguns dizem que morreu por negar adorar o deus do sol. Pode ter acontecido na Pérsia.

Judas Tadeu: teria sido martirizado no Líbano.

Bartolomeu: não há registros escritos sobre sua morte. Contudo, acreditasse que morreu crucificado, ou esfolado, ou decapitado pelo rei Polymius.

João: morreu em Éfeso, por volta do ano 103 d.C., com cerca de 94. Morreu de causas naturais em sua velhice.

O testemunho dos Apóstolos

Excetuando Judas Iscariotes que traiu Jesus, os outros apóstolos servem de exemplo para nós. Pois, dedicaram sua vida pelo Reino de Deus e o Evangelho. Quase todos foram martirizados, ou seja,  mortos por conta da pregação da mensagem de Jesus. Não buscaram riquezas, conforto e glória para si. Pelo contrário, seguiram o Senhor Jesus, carregando suas próprias cruzes e morrendo por amor ao Salvador. Foram torturados, deixaram sua casas, sofreram dificuldades extremas, tudo isso pela missão que Jesus havia dado a eles.

A missão deles cumpriu seu propósito, e hoje a igreja está aqui por conta de sua dedicação e empenho. Ainda hoje, a igreja deve permanecer fundamentada no ensino dos apóstolos. Homens levantados por Deus para com fidelidade e amor edificarem sua igreja.

Material complementar:

Caso queira se aprofundar, veja o vídeo do Rev. Augustus Nicodemus explanando sobre o assunto:

 

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Conhecer a Bíblia Jesus Cristo Personagens Bíblicos

A Bíblia relata para nós duas genealogias de Jesus. A primeira está em Mateus 1.1-17 e a segunda está em Lucas 3.23-38. Cada uma delas tem particularidades ricas em significado e ensino. Portanto, merecem nosso estudo e atenção!

Desde muito tempo atrás, a interpretação tradicional supõe que:

  • a genealogia registrada em Mateus acompanha a linhagem de Jesus por intermédio de José (sua genealogia legal),
  • Enquanto que a genealogia em Lucas acompanha sua linhagem por meio de Maria (sua genealogia natural).

Algumas Teorias sobre as Genealogias de Jesus

A interpretação tradicional encontra algum apoio no fato de que, em Mateus, a narrativa do nascimento de Jesus concentra-se mais no papel de José que no de Maria (Veja Mateus 1.19-25; Mt 2.19-23). E por sua vez, a narrativa de Lucas faz de Maria personagem principal (Veja Lucas 1.28-30; Lc 1.42-48; Lc 2.19).

Há uma antiga hipótese que explica esse fato porque José seria a fonte de boa parte das narrativas do nascimento registradas em Mateus, ao passo que Maria é a fonte da maior parte do material de Lucas.

Outra teoria que plausível é a ideia de que Mateus apresenta a genealogia régia ou legal, enquanto que Lucas apresenta os que concreta e fisicamente descenderam de Davi.

Mas, qual é a diferença nisso? Naquela época havia antigas listas dinásticas, que apenas acompanhavam a linhagem da sucessão. Por isso, eram seletivas em suas informações. Não registravam todos os nomes de descendentes, apenas os sucessores mais importantes. Sendo assim, Mateus teria usado uma dessas listas dinásticas, enquanto Lucas reconstruiu a genealogia mais minuciosamente. Essa teoria não é impossível. No entanto, infelizmente, não há como confirmá-la ou refutá-la.

O fato é que os autores tinham em mente ensinar verdades a respeito de Cristo. Não queriam um registro científico histórico, mas trouxeram verdades profundas sobre o nascimento do Filho de Deus. Para isso, fizeram caminhos diferentes, mas não falaciosos.

Comparando as Genealogias

Começaremos pela genealogia registrada em Mateus e depois falaremos sobre Lucas. Cada um deles teve um propósito ao escrever seu evangelhos. Há algumas diferenças notáveis que nos ajudam a entender os objetivos dos autores. Vejamos a seguir:

A genealogia em Mateus

Em Mateus, a genealogia serve de introdução ao Evangelho, em especial para as narrativas do nascimento, e acompanha a linhagem que vai desde Abraão e, que através de José chega a Jesus. Ele usa repetidamente o verbo “gerou”.

Há uma divisão de organização dos nomes em três grupos de catorze. É notável a inserção de algumas mulheres e, possivelmente, alguns irmãos. Contudo, percebe-se também a omissão de vários nomes.

No final da genealogia, há um detalhe muito importante, a ausência do verbo “gerou”. Mateus fez uso repetitivo desse verbo para traçar a conexão entre pais e filhos. No entanto, quando se refere a José e Jesus ele não usa o verbo (Mt 1.16). José é o marido de Maria, da qual Jesus nasceu. Mas, José não “gerou” Jesus. Isso, reflete a crença do autor na concepção virginal.

A genealogia em Lucas

Em Lucas a genealogia aparece após o batismo e serve de introdução ao ministério de Jesus e, dessa maneira, não faz parte propriamente da narrativa do nascimento de Cristo. Lucas usa a expressão “filho de” repetidamente. Seu registro começa com Jesus, chega até Adão e, por fim, Deus.

Essa genealogia começa com uma explicação que indicando que Jesus não era filho biológico de José:

Jesus tinha cerca de trinta anos de idade quando começou seu ministério. Ele era, como se pensava, filho de José, filho de Eli… Lucas 3:23 [grifo nosso]

A explicação “como se pensava” mostra que Jesus era conhecido pelo povo como filho de José, mas na realidade, ele é Filho de Deus. É interessante ver que é o próprio Deus que afirma isso em Lc 3.22, um versículo antes da abertura da genealogia.

Resumindo as ideias

À primeira vista, parece que a genealogia de Mateus tem como propósito apresentar Jesus como um israelita verdadeiro e, em particular, um descendente de Davi. Enquanto Lucas tenta mostrar que Jesus é um ser humano de verdade. Isso pode explicar certas diferenças encontradas na forma e no conteúdo dessas genealogias.

Em ambas, contudo, a intenção básica é dizer ou explicar aos leitores algo acerca de Jesus e de seu caráter, não tanto dar a conhecer seus ancestrais.

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A Teologia na Genealogia de Jesus

Alguns aspectos mais profundos nessas genealogias nos trazem ensinos riquíssimos. Por isso merecem atenção especial.

Objetivos teológicos de Mateus

A genealogia de Mateus deve ser lida em conjunto com o trecho seguinte (Mt 1.18-25). Juntas, as duas partes destacam Jesus como Filho de Davi e Filho de Deus, temas desenvolvidos em outras passagens do evangelho.

Provavelmente, o objetivo de Mateus 1.18-25 é explicar a genealogia e, em particular, como Jesus podia ter nascido de Maria, mas não de José, e ainda assim pertencer à linhagem davídica. Isso significa que a genealogia e o trecho seguinte pressupõem e tentam explicar o nascimento virginal. Mateus se preocupa em explicar essa questão, pois, seria um tema sensível a respeito da origem de Cristo.

Por esse motivo, podemos considerar que Mateus encontrou um meio de defender
a concepção virginal. Isso explica, em parte, a decisão incomum de incluir várias mulheres na genealogia.

Na verdade, isso só acontecia quando:

  • o pai era desconhecido,
  • ou quando os filhos de um patriarca provinham da união com esposas diferentes,
  • ou quando as mulheres estavam relacionadas com algum personagem importante
  • ou quando eram elas mesmas personagens famosas (como é o caso aqui).

As mulheres na genealogia em Mateus

Mateus não cita apenas Maria. Ele inclui outras quatro mulheres: Tamar, Raabe, Rute e Bate-Seba. Alguns estudiosos discutem por qual motivo Mateus as incluiu em sua lista. As principais hipóteses são:

  1. É possível que Mateus estivesse mostrando uma ponte entre Jesus e gentios e pecadores. Visto que algumas dessas mulheres tinham histórias controversas. Como é o exemplo de Raabe que era uma prostituta pagã, mas foi acolhida pelo povo de Deus e teve sua vida transformada.
  2. Alguns acreditam que a menção a essas quatro mulheres teve o objetivo de mostrar que elas foram veículos do plano messiânico de Deus, apesar das uniões irregulares. Desse modo, parece que nosso autor deseja, por meio dessa genealogia, chamar a atenção para Maria como instrumento do plano messiânico de Deus (e como fonte da humanidade de Jesus), mostrando que, para ser descendente de Davi, Jesus foi devedor tanto a mulheres quanto a homens.

Leia também: Quem foi Raabe?

A importância de José em Mateus

Embora o Evangelista mencione Maria na genealogia, é José com seus
sonhos que faz a ligação entre as várias narrativas de Mateus 1—2.

Mateus concentra sua atenção na reação de José diante da intervenção divina na vida de Maria e, em particular, mostra como, por meio de sonhos, ele é repetidas vezes levado a fazer a vontade de Deus. Não é por acidente que, além de
Jesus, nesses relatos só José seja chamado “filho de Davi”. Ele é visto como o típico patriarca que guiará e protegerá Maria e Jesus de acordo com a direção de Deus.

José é apresentado como um discípulo-modelo e um filho de Israel. É obediente aos sonhos celestes e chamado “homem justo” (Mt 1.19), ou seja, aquele que apoia e defende a Lei. Assim, em Mateus 1.18,19 ele é apresentado como alguém apanhado entre a santa lei de Deus e seu amor por Maria.

Ele é um judeu fiel, que está disposto a abrir mão do que era visto como o
maior privilégio de um pai judeu — engravidar a esposa de seu primogênito — a fim de obedecer à vontade de Deus (Mt 1.24).

Assim, Mateus explica um pouco como Jesus se tornou legalmente filho
de Davi e busca mostrar a veracidade da origem de Jesus. Nessa apresentação, Maria não apenas está submissa à liderança de José, mas também totalmente calada. Por isso, é possível que o autor esteja reafirmando os tradicionais papéis judaicos de liderança masculina e submissão feminina por causa de seu público judaico-cristão.

Objetivos teológicos de Lucas

A genealogia de Lucas apresenta Jesus no contexto mais amplo da humanidade em geral não apenas do judaísmo. Isso acontece porque Lucas está escrevendo para um público gentio e deseja mostrar que Jesus também veio para eles.

Contudo, é importante enfatizar que Jesus é apresentado como o ideal humano! Ele não é apenas um só com toda a humanidade, mas, deve ser visto como o modelo de relacionamento pessoal com Deus e com o próximo! Ele também é o exemplo de como se deve agir na tentação e em outros aspectos de como seguir a vontade de Deus.

Lucas apresenta Jesus como o Novo Adão, ou seja, ele é o primeiro em uma nova linhagem de seres humanos. Mas com a diferença fundamental é que esse Adão — ao contrário do primeiro — é um filho obediente de Deus.

Um fato importantíssimo é a presença da expressão “filho de Deus” no final da genealogia. Pois, os judeus, em suas genealogias, não tinham o costume de se referir a alguém dessa forma. Existe, então, uma ênfase não apenas na humanidade plena de Jesus (um filho de Adão), mas também em sua origem divina, que portanto, procede de Deus (um filho de Deus).

Conclusão

Em Mateus e Lucas, os objetivos são mostrar a natureza de Jesus e as verdades bíblicas que se concretizam ali. Os autores não estavam preocupados em apresentar listas minuciosas ou exaustivas de todos os antepassados de Jesus. Eles desejavam realçar alguns aspectos de sua herança, os quais iriam demonstrar aos seus leitores a relevância e a natureza de Jesus.

Fonte Bibliográfica:

Esse artigo sobre as genealogias de Jesus tem como fonte principal o Dicionário Teológico do Novo Testamento; Editora Vida Nova. São Paulo: 2012. Verbete: Jesus, Nascimento de. Escrito por B. Witherington. pág. 706-710.

 

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Jejum de Ester na Bíblia

A história bíblica de Ester nos conta que o povo judeu estava exilado e sob o domínio do Império Assírio. Ester havia se tornado rainha, esposa de Xerxes. Além disso, ela era sobrinha de Mardoqueu e do povo de Israel.

O povo judeu corria grande perigo. Pois, um homem chamado Hamã odiava Mardoqueu e havia tramado contra todo seu povo. Ele fez com que o Rei Xerxes emitisse um decreto que ordenava a aniquilação do povo judaico. Diante de tamanho perigo, Mardoqueu pede a Ester que interviesse diante do rei em favor de seu povo.

No entanto, Ester temia apresentar-se diante de Xerxes, pois, isso só era permitido a quem fosse convidado. Pois, se alguém que aparecesse sem um convite poderia ser condenado à morte. Por esta razão, Ester disse para Mardoqueu convocar todo o povo judeu a um jejum coletivo:

Então Ester mandou esta resposta a Mardoqueu:
“Vá reunir todos os judeus que estão em Susã, e jejuem em meu favor. Não comam nem bebam durante três dias e três noites. Eu e minhas criadas jejuaremos como vocês. Depois disso irei ao rei, ainda que seja contra a lei. Se eu tiver que morrer, morrerei”.

Ester 4:15,16

Para conhecer a história completa de Ester e Mardoqueu clique aqui.

Jejum de Ester 2018 e 2019

Uma prática pentecostal atual tem sido chamada de O Jejum de Ester. Ele é descrito da seguinte forma:

  • É um jejum de mudança de sorte;
  • É um jejum que trará o favor do Rei dos reis;
  • Enfim, é um jejum que tirará todos os impedimentos de suas promessas, te habilitará e que te constituirá para o Reino.
  • Além disso, declare todo o dia “Eu declaro que vou viver dias de alegria, de paz, de saúde, de prosperidade, de amor. Nesses dias, o Senhor mudará a minha sorte e a minha boca se encherá de riso e minha família viverá o melhor de Deus. Em nome de Jesus!”

Portanto, esse jejum tem como objetivo destravar as bênçãos de Deus sobre a vida do seu povo. O jejum atrairá o favor do Rei dos Reis. A promessa é que se você o fizer, alcançará um nível superior de espiritualidade, pois, é um jejum poderoso!

Contudo, note que se você falhar haverá consequências:

Note-se que sua carne vai lutar com você a cada passo do caminho em uma tentativa desesperadamente para te impedir dessa experiência inovadora. [sic]

Por favor, esteja ciente de que se você permitir que sua carne ganhe, então você acaba de dar um  beijo de adeus às bênçãos!

  • Blog Fonte de Fogo [fonte] fontedefogo.blogspot.com/2016/01/perguntas-e-respostas-sobre-jejum-de.html[/fonte]

Sendo assim, há diversos métodos na internet, orientando passo a passo como fazê-lo. De fato, ele se assemelha com as orientações bíblicas sobre jejum, contudo há alguns erros graves. Vejamos a seguir o jejum bíblico.

Nota do Editor
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O Jejum Bíblico

O jejum bíblico é a abstinência de todo tipo de alimentação, às vezes até mesmo de água. A privação do alimento, por um tempo determinado, tem o objetivo de dedicar-se à oração, à comunhão com Deus, ao exame da alma. É também uma expressão de quebrantamento, tristeza e arrependimento diante de Deus.

No Antigo Testamento, havia dias de jejum específicos no calendário dos judeus. Eram épocas em que a nação inteira jejuava, em certas ocasiões por alguns dias. Nesses períodos, eles afligiam sua alma, humilhavam-se diante de Deus, confessavam seus pecados, se quebrantavam e renovavam sua aliança e o propósito de viver para o Senhor. Os jejuns conclamavam o povo a jogar fora seus ídolos, arrepender-se e voltar-se para Deus. O jejum era parte visível da consternação, da dependência do Senhor (cf. Êx 34.28; Jz 20.26; 1Rs 19.8; 2Cr 20.3).

Além disso, o Jejum que realmente agrada ao Senhor, deve ser oportunidade para ajudar os pobres, deixar o pecado, quebrar o jugo da iniquidade, parar de oprimir os inocentes, cessar a prática da violência, andar nos caminhos de Deus. (Is 58.6-8)

Já no Novo Testamento, o jejum tem o propósito de exercício espiritual, que visa a mortificar a carne, subjugar os desejos pecaminosos, elevar o espírito, entristecer o homem diante de Deus. [fonte] Nicodemus, Augustus. Cristianismo Descomplicado. Editora Mundo Cristão. Edição do Kindle. [/fonte]

Portanto, jejum é um exercício para mortificar nossos desejos carnais e nos humilhar diante de Deus. Dessa forma, nosso ego é diminuído e a graça de Deus nos fortalece. Não é um meio de convencer Deus a fazer a nossa vontade! O jejum bíblico não é uma forma de mudar a nossa sorte. O jejum bíblico transforma o nosso ser!  O jejum bíblico não traz o favor de Deus e não nos dá o poder de determinar coisas para dele. O jejum é o sinal visível da humilhação de nosso coração, que reconhece sua pequenez e pecaminosidade e clama pelo perdão do nosso Senhor.

Veja mais versículos sobre Jejum e Oração

A forma errada de Jejuar

Mesmo na época do Antigo Testamento, o real propósito santo do jejum era distorcido. Já havia pessoas que o praticavam de forma errada e pelo motivo errado. Queriam conseguir coisas que Deus não prometeu dar por meio do jejum. Achavam que essa prática tivesse em si algo mágico.

Muitas pessoas pensam assim hoje. O ato de jejuar é, muitas vezes, como uma espécie de talismã, garantia de bênçãos que coloca Deus como um escravo de nossos pedidos. Parece que o jejum nos dá poder de mandar em Deus. Mas, na verdade, biblicamente, caso o jejum não seja acompanhado de uma atitude espiritual correta, não valerá absolutamente nada.

O jejum deve vir acompanhado de quebrantamento, arrependimento, confissão de pecados, humilhação diante de Deus, tempo de oração e dedicação ao Senhor.

Portanto, não adianta jejuar se isso não vier acompanhado de arrependimento, um proceder santo, mudança de atitude e vida de oração. [fonte] Nicodemus, Augustus. Cristianismo Descomplicado. Editora Mundo Cristão. Edição do Kindle. [/fonte]

Como praticar o Jejum

  • Abstenha-se de comer, talvez até de beber, um dia, dois ou o tempo que você aguentar.
  • O jejum tem de ocorrer  juntamente com a meditação, oração, leitura da Escritura, quebrantamento, súplicas.
  • O jejum é também apropriado em momentos de crise, calamidade pública, doenças na família e crises existenciais.
  • Tire um tempo para ficar diante de Deus.
  • E, quando jejuar, jejue para Deus. Não precisamos contar às pessoas que estamos jejuando. (Mt 6.16-18)

Notas Bibliográficas

Os trechos a respeito do Jejum Bíblico, A Forma Errada de Jejuar, Como praticar o Jejum foram retirados do livro Cristianismo Descomplicado do Rev. Augustus Nicodemus.[fonte] Nicodemus, Augustus. Cristianismo descomplicado (Locais do Kindle 1992-1995). Editora Mundo Cristão. Edição do Kindle. [/fonte]

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Personagens Bíblicos

Gideão foi um juiz de Israel no Antigo Testamento. Ele era o menor de sua família e do menor clã da tribo de Manassés. (Jz 6.15)

Mas, ser um juiz naquela época tinha um significado diferente dos atuais. Gideão não era um juiz de toga em um tribunal. Os juízes de Israel eram libertadores do povo. (Jz 6.14)

Israel, por diversas vezes se desviou do caminho de Deus e então foi oprimido por inimigos. Quando o povo clamava a Deus por socorro, o Senhor levantava um juiz. Alguém que era escolhido por Deus para liderar o povo e libertá-lo dos seus opressores. Gideão foi um destes escolhidos.

Gideão significado

O nome Gideão é derivado da palavra hebraica gada’ (גָּדַע), e significa guerreiro. [fonte] Strong’s Exhaustive Concordance [/fonte]

Gideão também recebeu o nome Jerubaal que queria dizer “Que Baal dispute com ele, pois derrubou o altar de Baal”. (Jz 6:32)

A história de Gideão – o Início

A história de Gideão começa quando Israel estava sendo oprimido por seus inimigos. Dessa vez, eram os midianitas que estavam impondo terror e sofrimento aos israelitas já havia 7 anos. A razão disso era que o povo de Israel se esqueceu do Senhor e faziam tudo que ele reprovava.

Os midianitas não estavam interessados em estabelecer um reino. Tudo que eles queriam era saquear toda riqueza e produção de Israel. Sendo assim, eles vinham de tempos em tempos e levavam tudo que Israel produzia. (Jz 6.1-5)

Logo, Israel empobreceu terrivelmente. Eles tiveram que fugir para as montanhas e cavernas afim de sobreviver. Então, clamaram ao Senhor. (Jz 6.7)

Gideão malhando o trigo

A primeira vez que lemos sobre Gideão na Bíblia é em Jz 6.11,12. Lá estva ele, malhando o trigo no tanque de prensar uvas. Pois, estava se escondendo dos inimigos. O Anjo do Senhor o encontra e o saúda dizendo “O Senhor está com você, poderoso guerreiro”. Mas, veja que irônico. Gideão está acoado e escondido com medo dos inimigos. Como poderia ele ser um poderoso guerreiro?

Essa pergunta deve ter passado pela mente de Gideão, pois, ao ouvir o Anjo, ele começa a questiona-lo. Observe que Gideão era muito bom em arrumar desculpas:

  • Ele diz que Deus havia abandonado o povo (Jz 6.13)
  • Ele era o menor de sua família,
  • sua origem era um clã muito pequeno e sem importância. (Jz 6.15)
  • Ele pede um sinal para saber se o Anjo dizia a verdade mesmo. (Jz 6.17)

Contudo, a cada desculpa de Gideão, o Anjo lhe apresentava uma resposta. E aqui aprendemos um grande ensino “O Senhor está contigo” (Jz 6.16). Ele diz para Gideão usar a força que tem, pois Deus o usará para sua obra.

Gideão pede sinais

Por não ter muita confiança e coragem, Gideão constantemente pedia sinais a Deus de que ele o ajudaria. O primeiro sinal pedido (Jz 6.17) era para que o Anjo esperasse até que Gideão lhe trouxesse uma oferta. O Anjo então o espera. Então quando a oferta está posta diante do Anjo, com a ponta de seu cajado, ele ateia fogo na oferta. (Jz 6.21)

O segundo sinal pedido por Gideão é o da lã. Quando seus inimigos se levantam contra ele, seu coração clama pedindo um sinal de que Deus está mesmo ao seu lado. O sinal da lã seria assim: Gideão colocaria lã no chão, e se pela manhã o orvalho molhasse a lã, mas o chão ao redor estivesse seco, seria um sinal de que Deus estava com ele. (Jz 6.37-38)

O terceiro sinal, é o da lã. Mas, invertido. Gideão colocaria a lã no chão novamente. Contudo, dessa vez a lã deveria estar seca e o chão ao redor molhado com orvalho. Assim aconteceu, Deus enviou todos os sinais pedidos por Gideão para comprovar que estava de fato com ele. (Jz 6.39-40)

Entretanto, perceba que pedir sinais demonstra falta de confiança e pouca maturidade no relacionamento com Deus. Sendo assim, Deus teve muita paciência em dar os sinais a Gideão para que ele tivesse mais firmeza na fé.

Gideão e os 300

Como líder do povo, Gideão conseguiu convocar guerreiros de diversas tribos de Israel. Eles se acamparam em preparação para a guerra contra os opressores. (Jz 7.1) Contudo, Deus disse a Gideão que havia gente demais ali. E para que Israel entendesse que é o Senhor quem dava a vitória, e não era por causa da força de Israel, parte dos guerreiros deveria ir embora. (Jz 7.2)

Os guerreiros de Israel que estavam tremendo de medo deveriam partir (Jz 7.3) Vinte e dois mil partiram. Restaram dez mil no exército. Mas, ainda era gente demais. Então, Deus fez outro teste.

O Senhor disse a Gideão que levasse o exército até o rio, e lá Deus separaria os guerreiros certos. Então, quando os homens de Israel passaram pelo rio. Deus disse que aqueles que se ajoelharam para beber água, deveriam ser dispensados. Ficariam somente aquele que beberam água na palma da mão, lambendo como cachorrinhos. (Jz 7.5-6) Restaram apenas 300 homens!

Dessa maneira, Deus escolheu Gideão e seus 300 homens para enfrentar o exército midianita.

Essa parte nos mostra que a vitória pertence ao Senhor. Israel não deve se tornar arrogante e acreditar em sua própria força. Mas, aquele que confiam em Deus serão fortalecidos e guiados por ele.

A vitória de Gideão

Após separar os 300 homens. Os guerreiros de Israel permaneceram acampados, prontos para a guerra. Deus então diz a Gideão para ir espiar o acampamento inimigo com seu servo Pura. (Jz 7.10-11)

Ao descer para espiar o acampamento inimigo, Gideão ouve um dos soldados contanto um sonho que teve. A interpretação daquele sonho era que Deus havia entregado os midianitas à espada de Gideão. Ao ouvir isso, ele se enche de coragem e volta ao acampamento de Israel conclamando seus guerreiros à batalha. (Jz 7.13-14)

Os 300 homens de Gideão pegaram trombetas e vasos. Colocaram-se ao redor do acampamento inimigo. Durante a noite, eles quebraram os vasos e soaram as trombetas. Gritavam “à espada, pelo Senhor e por Gideão”. (Jz 7.19-20) Os midianitas se assustaram e saíram correndo, atacavam-se uns aos outros. (Jz 7.21-22)

Naquela noite a vitória foi estrondosa. Enquanto os midianitas fugiam, os israelitas os cercaram e atacavam. O Senhor deu a vitória ao seu povo naquele dia. A vitória de Gideão é na verdade a vitória do Senhor. Os líderes dos midianitas foram caçados e mortos. Gideão e seus homens vingaram-se dos inimigos.

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Características de Gideão

  • Um pouco medroso: estava malhando trigo escondido com medo dos inimigos. Tinha medo da repercussão de sua ação de destruir os ídolos. (Jz 6.11,27)
  • Não tinha muita confiança e coragem em Deus, pois pede diversos sinais.
  • Líder: conseguiu mobilizar diversas pessoas de sua tribo e algumas outras tribos para batalhar contra os midianitas. Além disso, os liderou em batalha. (Jz 7.15-16)
  • Guerreiro: quando confiou na Palavra do Senhor, foi para a batalha e venceu seus inimigos.
  • Obediente ao Senhor: apesar de pedir diversos sinais, Gideão obedeceu aquilo que Deus disse. Mesmo quando precisou enfrentar sua própria família. Ele derrubou os ídolos de seu pai. (Jz 6.25-27) Desta forma, sua família abandonou os ídolos e voltou-se para o Senhor. (Jz 6.31 – Joás é o pai de Gideão)
  • Vingador: algumas cidade israelitas se recusaram a ajudar Gideão e seus homens quando estes estavam cansados e perseguindo os inimigos. Então, Gideão, ao fim da perseguição, voltou a essas cidades e lhes castigou severamente. (Jz 8.16-17)

Por fim, Gideão era imperfeito, mas foi poderosamente usado por Deus. Pois, Deus chama e capacita a quem quiser. Da mesma maneira, a glória e o louvor pertencem somente ao Senhor.

Gideão é proclamado rei

Ao fim das batalhas, as vitórias de Gideão trouxeram paz sobre Israel. O povo com muita alegria e gratidão decide proclamar Gideão e seus filhos como reis de Israel. Contudo, Gideão nega tal apelo, dizendo que nem ele e tampouco seus filhos reinarão. Porque Deus é o único Rei sobre Israel.

Os israelitas disseram a Gideão, “Reine sobre nós! você, seu filho e seu neto, pois você nos libertou das mãos de Midiã”.
“Não reinarei sobre vocês”, respondeu-lhes Gideão, “nem meu filho reinará sobre vocês. O Senhor reinará sobre vocês. ”

Juízes 8:22,23

O erro de Gideão

Gideão errou ao fazer um manto sacerdotal de ouro. Pois, isso se tornou como objeto de idolatria. Algo que trouxe desgraça para Gideão e sua família.

Gideão usou o ouro para fazer um manto sacerdotal, que ele colocou em sua cidade, em Ofra. Todo o Israel prostituiu-se, fazendo dele objeto de adoração; e veio a ser uma armadilha para Gideão e sua família.

Juízes 8:27

Genealogia de Gideão

  • Gideão ( também chamado Jerubaal) era filho de Joás. Ao fim de suas batalhas, retirou-se e foi para sua casa, onde morou até sua morte.
  • Teve setenta filhos, todos gerados por ele, pois tinha muitas mulheres.
  • Sua concubina, que morava em Siquém, também lhe deu um filho, a quem ele deu o nome de Abimeleque.
  • Ele morreu em idade avançada e foi sepultado no túmulo de seu pai, Joás, em Ofra dos abiezritas.
  • Contudo, não se fala exatamente com quantos anos Gideão morreu. (Juízes 8:29-32)
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Conhecer a Bíblia Jesus Cristo Personagens Bíblicos

Um dos encontros mais marcantes de Jesus na Bíblia é com a Mulher Samaritana. Esse momento está relatado em João 4.3-30. O evangelho não nos conta qual era o nome verdadeiro dela. Por isso, ficou conhecida como Mulher Samaritana. Ou seja, uma mulher de Samaria que teve um diálogo marcante com Jesus, a partir do qual toda sua vida mudou.

Os Samaritanos

Os samaritanos eram um povo com antepassados israelitas, mas, ao longo dos séculos foi mesclado com outros diversos povos pagãos que dominaram seu território. O povo que era israelita se casou com pessoas da Babilônia, adoraram outros deuses. Foram mudanças profundas nos costumes e religião do povo do Reino do Norte.

Dessa forma, os judeus não consideravam os samaritanos como parte do Israel verdadeiro. Havia grande rivalidade entre judeus e samaritanos, ambos se odiavam profundamente.

O encontro de Jesus com essa mulher é uma quebra de paradigmas culturais da época. Visto que judeus não falavam com samaritanos. Tampouco, um rabi judeu falaria com uma mulher de Samaria.

Jesus teve de passar por Samaria

João nos conta que Jesus teve de passar por Samaria (Jo 4.4). Mas por quê? Ele estava saindo da Judeia em direção à Galileia. Sendo assim, “teve de passar” poderia significar apenas que o caminho mais curto e rápido da Judeia para a Galileia era a estrada que passava por Samaria. Muitos viajantes galileus usavam esse percurso para ir a Jerusalém.

No entanto, “teve de passar por Samaria” tem outro sentido. Veja:

  • O Evangelho de João enfatiza constantemente a consciência do plano divino agindo no tempo correto em cada passo de Jesus (Jo 2.4; Jo 7.30; Jo 12.23; Jo 13.1).
  • Ao fim de sua conversa com a Mulher Samaritana, Jesus diz que seu alimento é fazer a vontade de seu pai e concluir sua obra. (Jo 4.34)
  • Sendo assim, havia um propósito de Deus para o encontro entre Jesus e aquela mulher.
  • Portanto, Jesus teve de passar em Samaria para cumprir a vontade do Pai de levar o evangelho também aos samaritanos.

O encontro entre Jesus e a Mulher Samaritana

Em meio a sua viagem, Jesus passou pela cidade samaritana de Sicar. Seus discípulos tinham ido buscar comida. Havia ali um poço. Jesus estava cansado da viagem e decidiu sentar-se um pouco.

Era por volta do meio dia, o momento em que o sol está mais forte. Então, uma mulher samaritana veio buscar água no poço. Nesse momento, Jesus aproveita a oportunidade para pedir água àquela mulher. A mulher se assusta e pergunta “Como o senhor sendo judeu pede água para mim que sou samaritana???” (Jo 4.9).

Vamos ver os detalhes desse momento

  • As mulheres daquele época costumavam buscar água no poço logo cedo. Elas iam em grupo. E aproveitavam o momento em que o sol estava mais ameno.
  • Aquela mulher samaritana faz o oposto. Ela vai ao meio dia, sozinha. Como se estivesse evitando se encontrar com outras pessoas. (Jo 4.6)
  • Jesus pede água para a samaritana. Isso vai contra a rivalidade dos judeus e samaritanos. Veja que a atitude de Jesus espanta a mulher. João faz questão de nos explicar que judeus não se davam bem com samaritanos.(Jo 4.9)

É em meio a esses detalhes que percebemos que esse não é um encontro comum, por mero acaso. Jesus tem um propósito ali. E logo ele começa a revelá-lo.

A primeira parte do diálogo

Ao ouvir a reação espantada da mulher, Jesus lhe responde de maneira enigmática.

Jesus lhe respondeu: “Se você conhecesse o dom de Deus e quem lhe está pedindo água, você lhe teria pedido e ele lhe teria dado água viva”.
João 4:10

Nessa frase, vemos que ele desperta a curiosidade da mulher. Ao mencionar a água viva e também ao sugerir um mistério sobre “quem está lhe pedindo a água”. Sutilmente Jesus instiga a mulher a pensar além da água, e quem seria esse com quem ela falava.

As objeções da Mulher

Mas a mulher lhe faz objeção com dois pontos:

  • Se o senhor não tem como pegar água do poço, como e onde vai conseguir essa tal água viva? (Jo 4.11)
  • Por acaso, o senhor é maior que Jacó que construiu o poço e bebeu dele com seus filhos e seu gado? (Jo 4.12)

A resposta de Jesus

Jesus não responde diretamente as perguntas da mulher, ele continua em seu enigma. Esse enigma é chamado Mashal, é um dito paradoxal, velado e contundente. Alguns termos demonstram dupla interpretação. De forma que o ensino é dado em forma de enigma. [fonte] Hendriksen, William. Comentário do Novo Testamento – João [/fonte]

Jesus respondeu: “Quem beber desta água terá sede outra vez,
mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Pelo contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna”.
João 4:13,14

Perceba que ele continua instigando a curiosidade da mulher. E através do assunto da água, ele está ensinando algo sobre o evangelho. Água e sede tem um duplo sentido na frase de Jesus. Porém, a mulher entende apenas o sentido material dos termos, enquanto o mestre está ensinando algo espiritual.

Ao ouvir Jesus dizer “água viva” a mulher pode ter entendido primeiramente “água nascente”. Como se Jesus estivesse se referindo a uma fonte de corrente, uma nascente de água em outro lugar. Mas, o ensino de Cristo aponta que água viva é um símbolo de fonte infinita de vida, a dádiva da vida eterna e salvação.

As sedes da Mulher Samaritana

A fala de Jesus mostra diferentes sedes de uma pessoa. Percebemos isso ao ver Jesus mencionando a vida eterna. Contudo, a mulher deseja uma água que a faça não ter mais sede física, para que não precise ir novamente ao poço. (Jo 4.15) Ela conhece a sede do corpo. Mas isso não é tudo.

Ela tem uma sede mais profunda, mas não sabe. A sede da alma que ela esconde tão bem, até de si mesma. A sede espiritual de uma vida árida e distante de Deus. Uma sede como a do Salmo 42.1-2. A sede da alma só pode ser saciada com um encontro real com o Deus vivo.

Sendo assim, o Criador conhece o coração que está sedento e precisa desesperadamente da água viva. Água que flui do próprio Deus.

Os 5 maridos da Mulher Samaritana

Ambos estavam falando sobre água e sede. De repente Jesus diz: “Vá chamar seu marido e volte!”. A mulher, desconcertada, diz “Não tenho marido”. A resposta está correta. Ela não tem marido. Ela já teve cinco, e agora estava com um homem, mas este não era seu marido. (Jo 4.16-17)

Talvez, seja esse o motivo pelo qual ela ia buscar água sozinha. Pode ser que esse fosse um motivo de vergonha para ela.

Repare nas respostas anteriores dessa mulher. Se olharmos o texto em grego (língua original), veremos:

  • No versículo 9, ela usa cerca de 11 palavras.
  • Nos versículos 11 e 12, são 42 palavras.
  • No versículo 15, são 13 palavras.
  • Mas, no versículo 17, ela usa apenas 3 palavras.

Diante disso, percebe-se que ela não gostava do assunto. E colocou-se em posição defensiva quando Cristo menciona seu marido. Sua postura muda drasticamente.

Por que Jesus mandou a mulher samaritana chamar seu marido?

Porque ele conhecia o coração da mulher. Através dessa frase ele demonstra que conhece até os segredos da vida dela. Ao mencionar esse assunto, ele está se aprofundando e falando à consciência dela. Jesus demonstra conhecer o passado e o presente da mulher.

Ao expor verdades sobre a mulher e sua vida atual de pecado, Jesus estava preparando-a para conhecer a verdade sobre a água viva. Diante do que ela ouve sobre sua própria história, ela o chama de profeta (Jo 4.19). Ao chamá-lo assim, ela confirma que o que ele havia dito era verdadeiro. Ela assume seu pecado.

A partir disso, a conversa se encaminha para o seu ponto mais importante.

A segunda parte do diálogo

É interessante que a partir de sua conversa com Jesus, aquela mulher levante a questão da adoração. Ela pergunta qual é o lugar correto para adorar a Deus. (Jo 4.20) Ao ter seu pecado exposto por Cristo, ela fala sobre adoração. Se caso agora ela estivesse se arrependendo, aonde deveria buscar a Deus?

Verdadeiros adoradores

Nesse momento Jesus ensina algo maravilhoso para ela e para nós. Não importa o local de adoração, se é Jerusalém ou qualquer outro lugar no mundo. A verdadeira adoração é em espírito e em verdade. Os verdadeiros adoradores que Deus procura o adorarão assim. (Jo 4.21-24)

Mas, qual é o significado de adorar em espírito e em verdade?

Vejamos o contexto da fala de Jesus em Jo 4.23-24;

  • a adoração a Deus não está restrita a um lugar sagrado (Jo 4.21)
  • essa adoração é preenchida pela verdade, ou seja, conhecimento claro e profundo de Deus, que flui de sua salvação. (Jo 4.22)
    • Sendo assim, adorar a Deus em Espírito e em Verdade, significa: honrar a Deus de tal maneira que todo o ser entra em ação, e fazer isso em perfeita harmonia com a vontade de Deus, conforme se encontra revelada nas Escrituras. [fonte] Hendriksen, William.[/fonte]

Essa adoração tem seu fundamento na verdade que Jesus revela a seguir:

Então Jesus declarou: “Eu sou o Messias! Eu, que estou falando com você”.
João 4:26

Jesus revela que ele é o Messias, o Filho de Deus que veio ao mundo para salvar e resgatar os perdidos. É muito especial que ele tenha revelado isso de forma tão direta a essa mulher. Visto que, em outras ocasiões e encontros ele não tenha falado isso abertamente.

O Testemunho da Mulher

Veja que nesse momento os discípulos de Jesus chegam. A mulher deixa o cântaro ali mesmo e corre para a cidade para contar a todos sobre o homem que encontrou no poço. Chama os seus vizinhos e conhecidos para conhecê-lo dizendo “Será que ele é o Cristo?”. (Jo 4.28-29) (Cristo e Messias são palavras com mesmo significado)

A partir do testemunho dela, muitos samaritanos vêm até Jesus e o conhecem.(Jo 4.39) Eles pedem que Jesus permaneça ali, ele aceita e fica por dois dias. Após esses tempo aprendendo com Jesus, eles dizem:

E disseram à mulher: “Agora cremos não somente por causa do que você disse, pois nós mesmos o ouvimos e sabemos que este é realmente o Salvador do mundo“.
João 4:42

Veja que o que Cristo disse à mulher se cumpriu. A partir do momento que ela reconheceu que ele era o Messias, sua vida foi transformada. Como se água viva estivesse fluindo do seu coração que outrora estava árido pelo pecado.

Ao receber a água viva, ela partiu e contou aos outros sobre o Messias. Ela conta a todos sobre a fonte de água viva que transformou sua vida. Desse modo, de dentro dela a água viva jorrava em forma de testemunho àqueles que a ouviam. (Jo 4.13-14) Ela pôde saciar sua sede espiritual. E então, agora, ela e seus conterrâneos sabiam que Jesus Cristo é o Salvador do mundo.

 

 

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Conhecer a Bíblia Jesus Cristo Personagens Bíblicos

Em Marcos 5.24-34; Lc 8.43-48 e Mt 9.20-22;  a Bíblia relata para nós o momento em que uma mulher toca em Jesus. Isso pode parecer normal. Contudo, a história relata que como um ato de fé essa mulher toca em Jesus para ser curada de uma doença que a afligia por 12 longos anos.

Essa história tem detalhes e ensinamentos muito valiosos. Portanto, vamos nos aprofundar através do estudo dessa passagem bíblica.

Contexto anterior

Em todos os relatos bíblicos da história dessa mulher, lemos antes que um homem chamado Jairo vai ao encontro de Jesus e pede com urgência que ele vá até sua casa, pois sua filha está muito doente, à beira da morte. Ao ouvir o pedido, Jesus começa a acompanhar Jairo até sua casa. Contudo, no meio do caminho, uma grande multidão se aproximou de Jesus e seus companheiros, de forma que era difícil andar. 

Em meio à multidão, estava uma mulher que padecia havia 12 anos de uma hemorragia (ou fluxo de sangue). (Mc 5.25) Os três evangelhos relatam o tempo que ela sofria desse mal. Porém, nenhum deles relata seu nome. No entanto, todos enfatizam, especialmente, a sua fé

A realidade da Mulher com fluxo de sangue

Essa mulher sofria há muito tempo e gastou tudo que tinha com os médicos à procura de uma cura (Lc 8.43). Mas, ao invés de melhorar, sua situação era cada vez pior (Mc 5.36). A história parece demonstrar que a hemorragia era incurável. Uma doença que piorava gradualmente e debilitava a mulher, lhe causando sofrimento e vergonha, além de outros diversos incômodos e constrangimentos.

Ser uma mulher com hemorragia nos tempos bíblicos era mais do que um problema clínico. Havia outras implicações culturais. 

Questões culturais – Fluxo de Sangue no Antigo Testamento

Qualquer mulher que estivesse em seu período menstrual era considerada impura cerimonialmente (Lv 15.19). Ou seja, por conta de sua doença, essa mulher tinha também restrições culturais. Pois, quem tocasse nela seria considerado impuro. Assim, as pessoas a evitavam. Além disso, ela não podia entrar no templo para participar dos momentos de adoração. 

Sendo assim, além do sofrimento físico, sua doença lhe causa exclusão social. A mulher sofria havia doze anos e estava sem esperanças. Até que ouviu falar de Jesus (Mc 5.27).

O encontro da Mulher com Jesus

Em meio ao aperto da multidão (Mc 5.24), que o cercava por todos os lados, Jesus sentiu um toque diferente. Ao sentir esse toque, Jesus perguntou “Quem me tocou?” (Mc 5.30). Perceba que cena curiosa. Jesus está sendo comprimido e apertado por toda multidão ao redor e de repente pergunta quem o está tocando. 

Seus discípulos estranham a pergunta do mestre! “A multidão toda te aperta e você pergunta quem te tocou?” (Mc 5.31) Várias pessoas estão tocando Jesus! Mas, em meio a toda pressão da multidão, um toque foi diferente. Jesus não estava falando dos toques físicos, mas de um toque de fé.

Uma mulher com fluxo de sangue, acanhada e humilde, havia se esgueirado em meio a multidão. E sutilmente tocou a barra do manto de Jesus. Discretamente, ela o tocou. Um toque sutil e rápido. Pois, ela acreditava “Se eu apenas o tocar serei curada” (Mc 5.28).

Ela não queria interromper o mestre. Por causa de sua condição, ela nem ousa apresentar-se. Ela não tinha o que lhe oferecer. Nem ao menos se achava digna de se colocar diante dele. Tudo que ela tinha era uma simples fé que ao tocá-lo, mesmo que fosse um breve toque em sua veste, ela seria curada. Pois, ela sabia que o poder de Jesus era grandioso, então apenas um toque seria suficiente.

A mulher imaginava que Jesus jamais perceberia o toque dela na ponta da veste. 

A cura da Mulher com fluxo de sangue

Imediatamente!!! Ao tocar a veste de Jesus, a mulher é imediatamente curada! (Mc 5.29) Ela sente seu corpo livre do sofrimento que carregava há tantos anos! O alívio lhe percorre o corpo e a mente. A leveza invade sua alma.

Então, de repente ela ouve Jesus perguntar “Quem me tocou?”. 

Ao ver que Jesus insistia e procurava saber quem havia lhe tocado, a mulher se apresenta diante dele. Veja que ela treme de medo ao se colocar diante dele. (Mc 5.33) Ela se prostra de joelhos, aos pés de Jesus e lhe conta toda a verdade. Seu medo pode ser por ter tocado o mestre sendo ela impura. Ou por ter “usado” o poder do mestre sem sua permissão. Ele teme a Jesus, pois não o conhece. 

A fé da mulher não é perfeita. Mas, Deus graciosamente concede cura para ela. Além disso, sua fé aprofundada e elevada através de seu encontro com Jesus. 

O ciclo do encontro com Deus

Ao tocar Jesus, a mulher recebe a cura. Entretanto, o propósito do encontro com Jesus não estava completo. Por isso, Jesus faz questão de saber quem lhe tocou. Veja o que lemos no Salmos 50.15:

“e clame a mim no dia da angústia; eu o livrarei, e você me honrará.”
Salmos 50:15

Nesse versículo vemos 3 passos: Clamor – Livramento – Glória a Deus.

Sendo assim, o ciclo e propósito daquele encontro não estava completo. Ela (1) havia clamado a ele com o toque, (2) recebeu a cura, mas ainda não havia o honrado, faltando assim o terceiro passo. Então, quando ela se prostra e lhe conta tudo, o ciclo se completa.

Por fim, veja que é apenas nesse momento que ela recebe o carinho direto de Jesus. Ele lhe diz:

Então ele lhe disse: “Filha, a sua fé a curou! Vá em paz e fique livre do seu sofrimento”.
Marcos 5:34

Perceba a forma gentil que ele usa ao chamá-la de filha. Não só a cura é derramada sobre ela, Jesus lhe dá paz e liberdade. A certeza de que o sofrimento não voltará.

Ao apenas tocar em Jesus, ela não havia recebido a parte mais especial: falar com ele e receber seu afeto. Ela sentiu medo quando ele chamou. Mas, as palavras de Jesus a conduzem a conhecer o coração do mestre.

Depois desse encontro, ela pode perceber que não foi apenas o poder de Jesus que a curou, mas sim, sua graça e misericórdia. Portanto, a fé não se baseia apenas em crer no poder de Deus. Mas, em que Deus nos ama e tem compaixão dos que sofrem.

Ainda que ela tenha tido que esperar 12 anos. O sofrimento teve o propósito de aproximá-la de Jesus e dar a ela o privilégio de receber seu afeto e poder.

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Personagens Bíblicos

Boaz é um personagem bíblico do Antigo Testamento. Ele viveu no tempo dos juízes de Israel, pouco tempo após a conquista de Canaã. Ele era rico e influente.(Rt 2.1) Era também parente de uma mulher chamada Noemi (ou Naomi em outras traduções). Sua história é relatada no livro de Rute, que nos mostra que ele era honrado, bondoso e temente a Deus. (Rt 2.12)

Posteriormente, Boaz se casou com Rute. Sua história é um ponto chave especial da Bíblia, pois, entre os descendentes desse casal estão personagens bíblicos muito importantes. Tais como o Rei Davi e o Senhor Jesus.

Boaz – significado

O nome Boaz é um nome próprio que significa “rapidez”. Sua forma hebraica é בֹּעַז. [fonte] Brown-Driver-Briggs [/fonte]

Boaz é também o nome de um dos pilares do templo em frente ao templo. (1Rs 7.21) O nome do pilar não relação com o personagem.

Estudo sobre Boaz

Era época da colheita e a plantação de Boaz estava cheia de ceifeiros trabalhando. Ao chegar de Belém, Boaz viu alguém diferente colhendo em sua plantação. Era uma moça jovem. Então, ele chamou o capataz e lhe perguntou a quem pertencia aquela jovem. (Rt 2.4-5)

O capataz logo lhe conta que aquela era Rute, uma jovem de outra terra chamada Moabe. Ela veio para Belém acompanhando Noemi. Aquela moça havia pedido permissão para recolher espigas após os ceifeiros. Ela era esforçada, pois, estava trabalhando desde cedo, e só havia se sentado um pouco.(Rt 2.6-7)

Boaz e Rute – O Início

Boaz logo vai falar com Rute, sabendo que ela é ex-esposa do filho falecido de Noemi. Ele a aconselha a continuar colhendo em sua plantação e a recebe com gentileza, dizendo que ela pode ficar entre as suas servas. Além disso, ele diz aos homens que não devem mexer com ela e dá permissão a ela para beber água com seus servos. (Rt 2.8-9) A atitude de Boaz é tão gentil e bondosa que Rute caiu de joelhos agradecendo profundamente (Rt 2.10,13).

Boaz foi tão bondoso, pois, sabia que Rute havia sido fiel à Noemi quando sua família morreu. Ela deixou toda sua terra e seus pais para seguir Noemi. E agora, havia encontrado abrigo entre o povo de Deus. Boaz é bondoso, pois é temente a Deus e sabe que Israel deveria ser hospitaleiro com estrangeiros para mostrar a graça e o amor de Deus para com o próximo. Além disso, a história já nos dá indícios que Boaz gostou de Rute e estava interessado nela.

Rute conta a Noemi sobre Boaz

Após, passar o dia na colheita, Rute volta para sua casa. Noemi logo pergunta onde ela trabalhou naquele dia, então, ela conta toda a conversa que teve com Boaz. Noemi logo se lembra que Boaz é seu parente próximo. Ainda mais, ela fica feliz e agradece a Deus por sua bondade e lealdade. Pois, Boaz é um de seus resgatadores. (Rt 2.19-20)

Boaz é um resgatador

A palavra resgatador é muito importante nessa história. Em Rute 2.20, quando Noemi diz que Boaz é um de seus resgatadores, ela quer dizer que ele era um de seus parentes próximos que, por lei, tinha direito de redimir quaisquer terras que anteriormente tinham pertencido à ela. Ou seja, ele tinha direito prioritário de comprar as terras e propriedades que pertenceram a Noemi. Além disso, ele poderia também comprar terras que atualmente pertenciam a ela.

Noemi e Rute estavam em situação precária devido às circunstâncias. Contudo, elas não eram pobres. Elas tinham terras (Rt 4.3), mas não tinham como cultivá-las e usá-las para obter seu sustento naquele momento. [fonte] Pulpit Commentary [/fonte]

Portanto, Boaz é um resgatador. Ele surge como esperança para o renascimento da família de Noemi e Rute. Além de resgatar as propriedades, ele deveria também dar continuidade à descendência do esposo que havia falecido. Para que o nome da família não acabasse.

Boaz e Rute – continuação

Preocupada com o futuro de Rute, Noemi a aconselha a ir até Boaz mais uma vez (Rt 3.1). Mas, há um plano especial nesse momento. Rute deve tomar banho, vestir suas melhores roupas, perfumar-se e ir até Boaz. Ele não deve vê-la antes da hora certa. Portanto, ela deve esperar o momento oportuno. Após ele jantar e ir dormir, Rute deve se aproximar, descobrir os pés dele e se deitar ali. Rute cumpriu tudo que Noemi disse.(Rt 3.1-7)

No meio da noite, Boaz acordou e levou um susto ao ver uma mulher deitada aos seus pés. Ele pergunta quem está ali e Rute se apresenta novamente, mas, com um pedido! Ela diz “Estenda a sua capa sobre a sua serva, pois o senhor é resgatador”. Rute 3:9

Símbolos e gestos culturais.

  • 1º descobrir os pés dele e deitar-se ali. Deitar-se aos pés de alguém é a posição comum para servos que dormem no mesmo cômodo que seu mestre. E se eles quiserem se cobrir, o costume os permitia usar parte da extremidade da coberta da cama de seu senhor. Portanto, não era indelicado ou incomum o que Rute estava fazendo. Era um gesto de submissão e humildade. [fonte] Jamieson-Fausset-Brown Bible Commentary [/fonte]
  • 2º o pedido para estender sua capa sobre ela. Esse gesto simbólico significava que o resgatador, no caso Boaz, reivindicava a viúva, Rute, como sua esposa. [fonte] Cambridge Bible for Schools and Colleges [/fonte]

Boaz muito se alegra com o pedido de Rute, e diz:

Boaz lhe respondeu: “O Senhor a abençoe, minha filha! Este seu gesto de bondade é ainda maior do que o primeiro, pois você poderia ter ido atrás dos mais jovens, ricos ou pobres!
Agora, minha filha, não tenha medo; farei por você tudo o que me pedir. Todos os meus concidadãos sabem que você é mulher virtuosa.

Rute 3:10,11

Todavia, há um último empecilho antes que eles possam se casar.

Boaz e o último empecilho

Embora Boaz quisesse se casar com Rute, pois, já a amava, havia um problema. Outro homem era parente mais próximo de Noemi e Rute, e por isso tinha prioridade caso quisesse resgatá-las. Então, Boaz, por ser muito honrado, decide falar com esse homem antes. Mas, Noemi já parecia saber que Boaz amava Rute, e por isso tinha convicção de que ele não descansaria até que resolvesse a questão.(Rt 3.18)

No dia seguinte, Boaz se encontra com esse outro parente. Ao explicar a situação para o outro homem, lhe fala primeiramente sobre as propriedades a serem resgatadas. O outro homem se anima e decide resgatar as terras de Noemi. (Rt 4.3-4)

Contudo, Boaz lhe fala que se resgatar as propriedades terá também que resgatar Rute como sua esposa e suscitar descendência em nome do falecido esposo. Quando ouve isso, o outro homem rejeita a ideia e decide abrir mão de seu direito de resgatador, dando a Boaz liberdade para assumir esse posto. (Rt 4.5-6)

Então, ao selarem o acordo Boaz teve permissão para resgatar Noemi e Rute e casar-se com esta.

Boaz casou-se com Rute, e ela se tornou sua mulher. Boaz a possuiu, e o Senhor concedeu que ela engravidasse e desse à luz um filho.

Rute 4:13

Genealogia de Boaz

A genealogia de Boaz está registrada em Rute 4.18-22:

Perez gerou Hezrom;
Hezrom gerou Rão; Rão gerou Aminadabe;
Aminadabe gerou Naassom; Naassom gerou Salmom;
Salmom gerou Boaz; Boaz gerou Obede;
Obede gerou Jessé; e Jessé gerou Davi.

Boaz e Rute tiveram um filho chamado Obede, que significa ‘adorador’. Obede foi pai de Jessé, que foi pai de Davi. Sendo assim, Boaz e Rute são bisavós do Rei Davi.

 

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Mefibosete era integrante da família real de Israel. Ele era filho de Jônatas e neto do Rei Saul. Quando tinha 5 anos seu pai e seu avô morreram. Para proteger sua vida dos inimigos, sua cuidadora o pegou e fugiu. Mas, por causa da pressa, ela se descuidou e deixou que ele caísse. Assim, ele ficou aleijado dos dois pés por toda vida (2Sm 4.4).

Jônatas, seu pai, era muitíssimo amigo de Davi. Anos depois, quando Davi se tornou rei, lembrou-se de sua amizade com Jônatas que já havia morrido. Por isso, ele procurou os descendentes de Saul que ainda estavam vivos, para demonstrar sua lealdade em respeito à memória de Jônatas (2Sm 9.1,3).

Davi, Mefibosete e Ziba.

Quando Davi procurava os descendentes de Saul, contaram-lhe que Mefibosete, filho de Jônatas estava vivo em Lo-Debar. Então, ele convoca Mefibosete à sua presença e lhe devolve todas as posses de sua família. Além disso, Davi o chama a comer sempre à sua mesa (2Sm 9.7).

Para auxiliar Mefibosete, Davi ordena que Ziba seja seu servo. Pois, ele havia servido Saul anteriormente. Agora, ele deveria cuidar das posses de Mefibosete, de sua casa, cultivar a terra e trazer a colheita. Ziba tinha quinze filhos e vinte servos. Todos eles agora deveriam servir Mefibosete (2Sm 9.10).

Por causa da amizade de Jônatas e Davi, Mefibosete passou a comer sempre à mesa do rei como se fosse um de seus filhos (2Sm 9.11,13).

Mefibosete – Estudo Bíblico

A controvérsia entre Ziba e Mefibosete

Passado muito tempo, Absalão planejou uma revolta para tomar o trono de Davi. Então, Davi teve que fugir às pressas para não morrer. Ele juntou alguns de seus homens de confiança, parte de sua família e fugiu de Jerusalém. (2Sm 15.10,14)

Em meio à sua fuga, Davi encontra Ziba, servo de Mefibosete. (2Sm 16.1) Ziba trazia alimentos, vinho e montarias (2Sm 16.2). Quando o viu, Davi perguntou onde estava Mefibosete, ele respondeu que Mefibosete havia permanecido em Jerusalém, pois acreditava que lhe restituiriam o trono que era de Saul. Então, Davi declara que tudo que pertencia a Mefibosete agora pertenceria a Ziba. (2Sm 16.3-4)

É provável que Davi tenha se sentido traído por Mefibosete. Visto que ele havia recebido Mefibosete como um filho. E agora, nesse momento de dor e fuga, Mefibosete não foi ao seu encontro e não dava apoio a ele. Pelo contrário, nas palavras de Ziba, Mefibosete era um traidor que só se preocupava em recuperar o trono que era de Saul.

Mefibosete se apresenta diante de Davi

Quando Davi derrotou Absalão e reconquistou seu reino, diversas pessoas foram ao seu encontro. Entre essas pessoas estava Mefibosete. Ele não havia lavado os pés, nem suas roupas, tampouco havia feito a barba desde o dia que Davi partiu em fuga. (2Sm 19.24) Esse é um sinal de tristeza e aflição. Ele estava assim, pois estava aflito pela vida de Davi.

Logo, Davi o questiona “Por que você não foi comigo?” (2Sm 19.25). Mefibosete explica que seu servo Ziba o enganara. Ele pediu para selarem seu jumento para que pudesse partir com Davi, mas o servo foi na frente e contou mentiras ao rei (2Sm 19.26-27).

Sendo assim, era a palavra de Mefibosete contra a de Ziba.

É possível que Ziba tenha planejado isso para ganhar todas as posses de Mefibosete, seu senhor. Aproveitando-se da limitação física dele, Ziba foi mais rápido e envenenou a mente Davi. Dessa forma, Ziba não teria mais senhor e aumentaria grandemente suas posses. Contudo, mesmo que Mefibosete contasse a verdade, seria difícil provar. Sendo assim, Davi resolve dividir a propriedade e as posses dando metade para cada um (2Sm 19.29).

A humildade de Mefibosete

Ao ouvir o veredicto de Davi, Mefibosete não questiona ou reclama. Ele demonstra que não se importa com a propriedade ou riquezas. Pois, diz que tudo deveria ser dado a Ziba (2Sm 19.30). Mefibosete se importa apenas com o bem-estar de Davi.

A atitude dele demonstra que é plausível que ele estivesse falando a verdade, enquanto Ziba era realmente um mentiroso, traidor e interesseiro.

O coração de Mefibosete não estava nas riquezas! Porque em suas palavras ele demonstra humildade, gratidão e paz por ver Davi reinando novamente. (2Sm 19.28,30)

Como Mefibosete morreu?

Em 2Sm 21.7-8 Mefibosete é citado novamente. Ali diz que Davi poupa a vida dele por causa de seu jurado feito a Jônatas. Mas, o versículo 8 cita outro Mefibosete, filho de Rispa. Esse outro foi morto.

Mas, a respeito da morte de Mefibosete filho de Jônatas não se fala na Bíblia. Portanto, não sabemos a resposta para essa pergunta.

Mefibosete – significado

Mefibosete é um nome que significa: Dissipador/Exterminador da vergonha.

Em 1Cr 8.34, ele é chamado de Meribe-Baal que significa “aquele que contende com Baal”. Para substituir o nome do deus pagão ‘Baal’, colocaram ‘Bosheth’ (que significa: vergonha) ficando, em português Mefibosete.

Quem foi a mãe de Mefibosete?

A Bíblia não diz. É repetido diversas vezes que ele era filho de Jônatas e neto de Saul. Mas, não há menção à sua mãe.

Mefibosete se casou

É provável que sim, pois em 2Sm 9.12 lemos que ele tinha um filho ainda jovem chamado Mica.

Características de Mefibosete

  • Humildade: Ao receber de Davi os bens de sua família e ser convidado para viver à mesa de Davi, Mefibosete age com extrema humildade. Ele pergunta “por que o rei se lembraria de um cachorro morto como eu?” (2Sm 9.8).
  • Ele não é avarento: após a controvérsia, ele diz para Davi entregar toda propriedade para Ziba. (2Sm 19.30)
  • Ele é agradecido: em sua resposta a Davi, ele demonstra que já se sente feliz por ter sido tratado tão bem pelo rei, mesmo sem merecer. (2Sm 19.28)
  • Ele não busca favores de Davi, quer apenas saber que o rei está bem. (2Sm 19.28,30)

 

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Qual Mardoqueu?

Na Bíblia há dois Mardoqueu:

  • Um deles é companheiro de Zorobabel (Ed 2.2; Ne 7.7).
  • O outro é primo de Ester (Ester 2.5). Nesse artigo tratamos sobre esse Mardoqueu.

Quem foi Mardoqueu?

Mardoqueu é apresentado para nós em Ester 2.5-7. Conforme a história bíblica, ele era um judeu da tribo de Benjamim. Filho de Jair, neto de Simei, bisneto de Quis. Ele foi tirado de Jerusalém, portanto era um dos exilados. Tinha sido feito prisioneiro por Nabucodonosor, Rei da Babilônia. Nos tempos do livro de Ester, Mardoqueu vivia em Susã, capital do reino Persa.

Mardoqueu era primo mais velho de Hadassa, também conhecida como Ester. Ele a criou porque ela não tinha pai nem mãe. Sendo assim, embora primo, Mardoqueu era como pai dela. Ao longo do livro vemos sua influência, cuidado e orientação na vida dela. Desse modo, a história de Mardoqueu está intimamente ligada à história de Ester.

Breve contexto histórico

É preciso explicar que Jerusalém havia sido conquistada pela Babilônia, cujo rei era Nabucodonosor. Então, o povo foi feito prisioneiro e exilado de sua terra. Posteriormente, a Babilônia foi conquistada pelo Império Persa, cujo rei era Xerxes (Ester 1.1-2). Dessa forma, alguns judeus foram viver em cidades da Pérsia.

A história de Mardoqueu e Ester acontece nos tempos do Império Persa, na cidade de Susã, local onde o rei persa Xerxes vivia.

O Início da história – o crime da Rainha Vasti

Há muito tempo atrás, quando o povo de Israel estava exilado distante de sua terra, o Rei Xerxes da Pérsia dominava diversos territórios (Ester 1.1). Ele era rico e poderoso e quis mostrar isso aos príncipes e nobres com uma grande festa que durou cerca de 6 meses (Ester 1.4). Ao fim dessa festa, deu um banquete de uma semana a todos que moravam na cidadela de Susã, do mais rico ao mais pobre (Ester 1.5).

Durante a festa e o banquete, Xerxes ostentou toda sua riqueza. Deu comida e bebida em abundância a todos os seus convidados. Nessa ocasião, ao fim do banquete, ele ordenou que seus oficiais trouxessem até ele a sua rainha Vasti. Ela era deslumbrante e o rei queria que todos vissem sua beleza. Contudo, a rainha se recusou a atender a convocação do rei. Então, Xerxes ficou irado! (Ester 1.11,12)

Por consequência, a rainha Vasti perdeu sua coroa. Foi decretado que ela jamais voltaria à presença do rei e que uma nova rainha seria escolhida (Ester 1.19).

  • Esse é o início do enredo dessa grande história.

A Nova Rainha

Logo que Xerxes se acalmou, seus conselheiros lhe disseram para encontrar uma nova rainha. Mas, ela deveria ser melhor do que Vasti. Dessa forma, eles traçaram um plano. Escolheriam lindas virgens de todas as províncias do reino. Depois, trariam essas moças para o harém do rei e elas receberiam um tratamento de beleza. Então, a moça que mais agradasse o rei seria rainha no lugar de Vasti. (Ester 2.1-4).

A Importância de Mardoqueu

Mardoqueu era um israelita que vivia na cidadela de Susã. Ele tinha uma linda sobrinha que criou como filha (Ester 2.15), o nome dela era Ester. Quando as belas moças do reino foram levados ao harém, Ester estava entre elas. (Ester 2.5-8) Mardoqueu diariamente ia para perto do pátio do harém, para saber como Ester estava e o que lhe estava acontecendo. (Ester 2:11) Posteriormente, Ester foi escolhida como rainha (Ester 2.17).

Mardoqueu disse a Ester que mantivesse em segredo a origem de sua família e a qual povo pertencia. Ele continuou instruindo Ester mesmo quando ela se tornou rainha (Ester 2.20).

Mardoqueu denuncia uma conspiração contra o rei

Um dia, Mardoqueu estava sentado na porta do palácio, quando ouviu dois oficiais do rei conspirando para matá-lo. Ele contou tudo para sua sobrinha Ester que agora era rainha. Ela avisou Xerxes que decidiu investigar a questão, logo descobrindo que era verdade. Esse fato foi registrado no livro das crônicas do rei Xerxes (Ester 2.21-23).

  • Esse fato é importante na história de Mardoqueu, pois Deus usará isso no futuro.

Hamã se enfurece contra Mardoqueu

Depois daqueles acontecimentos, Xerxes escolheu Hamã como o nobre mais elevado que todos os outros do reino. As pessoas nas ruas deveriam se curvar diante de Hamã. Porém, Mardoqueu se recusava a se curvar e prostrar diante dele. Os oficiais do palácio perguntaram por que Mardoqueu fazia aquilo, ele disse que era por ser judeu. (Ester 3.1-5)

Então, os oficiais contaram a Hamã que Mardoqueu se recusava a prostrar-se. Hamã ficou irado e decidiu vingar-se não apenas de Mardoqueu, mas de todo o povo judeu. Ele tramou para exterminar todos os judeus. Para isso, ele foi até Xerxes e disse:

Então Hamã disse ao rei Xerxes: “Existe certo povo disperso e espalhado entre os povos de todas as províncias de teu império, cujos costumes são diferentes dos de todos os outros povos e que não obedecem às leis do rei; não convém ao rei tolerá-los.
Se for do agrado do rei, que se decrete a destruição deles; e colocarei trezentas e cinqüenta toneladas de prata na tesouraria real à disposição para que se execute esse trabalho”.

Ester 3:8,9

  • Xerxes aceitou o que Hamã propôs, sem saber que sua própria rainha querida estava incluída na destruição.

Mardoqueu na porta do palácio

Ao saber que o plano de Hamã para exterminar os judeus havia sido aprovado pelo rei, Mardoqueu rasgou suas vestes, e saiu pelas ruas lamentando em alta voz (Ester 4.1). Ele foi até a porta do palácio, vestindo panos de saco.

Os empregados de Ester o viram e contaram à rainha. Ela mandou novas roupas para Mardoqueu, mas ele recusou vesti-las. Novamente, ela enviou seus servos para perguntarem o que estava acontecendo (Ester 4.4-5). Então, Mardoqueu contou a eles sobre o plano de Hamã (Ester 4.7-8).

Mardoqueu enviou um recado pedindo a Ester que fosse até Xerxes e interviesse por seu povo. Porém, ela respondeu que não poderia. Pois, havia uma lei que a impedia de ir até a presença do rei sem ser convidada. Caso ela fosse sem ser convocada, ela poderia até morrer!

Então, Mardoqueu disse:

Quando Mardoqueu recebeu a resposta de Ester,
mandou dizer-lhe: “Não pense que pelo fato de estar no palácio do rei, de todos os judeus só você escapará,
pois, se você ficar calada nesta hora, socorro e livramento surgirão de outra parte para os judeus, mas você e a família de seu pai morrerão. Quem sabe se não foi para um momento como este que você chegou à posição de rainha? ”

Ester 4:12-14

  • Perceba que Mardoqueu tem fé de que se Ester não agir, certamente, Deus proveria outro meio de livrar seu povo. Contudo, ele tem sabedoria para entender que foi o próprio Deus que fez de Ester a rainha, e assim, ela poderia servir ao Senhor dentro do palácio.

A coragem de Ester

Ester respondeu a Mardoqueu:

“Vá reunir todos os judeus que estão em Susã, e jejuem em meu favor. Não comam nem bebam durante três dias e três noites. Eu e minhas criadas jejuaremos como vocês. Depois disso irei ao rei, ainda que seja contra a lei. Se eu tiver que morrer, morrerei”.
Mardoqueu retirou-se e cumpriu todas as instruções de Ester.

Ester 4:15-17

Ao ouvir os conselhos de Mardoqueu, Ester se enche de coragem a ponto de arriscar a própria vida. Ela convoca todos os judeus em Susã a buscar o Senhor em jejum e então ela faria o que precisava ser feito. Logo depois, Mardoqueu cumpre o pedido de Ester.

Após os três dias de jejum, Ester se apresenta diante do rei. Mesmo sem ser convidada, o rei a recebe com alegria. Dessa forma, ela não morreu por ter infringido a lei (Ester 5.2-3). Então, ela convida o rei para um banquete e pede que Hamã também seja convidado (Ester 5.7-8). O rei concede seu pedido.

Enquanto isso, Hamã continua alimentando seu ódio por Mardoqueu (Ester 5.9) e manda construir uma forca para matar seu algoz (Ester 5.14).

Mardoqueu é honrado

Na noite anterior ao banquete da rainha Ester, o rei ficou sem sono. Então, pediu a seus servos que lhe trouxessem o livro das crônicas de seu reinado. Ali, ele releu a história de quando Mardoqueu havia denunciado a conspiração de alguns oficiais para mata-lo. Logo, ele questiona qual foi a recompensa de Mardoqueu por isso (Ester 6.1-3). Contudo, Mardoqueu não havia recebido recompensa.

Xerxes, chama Hamã e pergunta qual seria a recompensa para um homem a quem o rei quisesse honrar. Hamã pensa que o rei está se referindo a ele (Ester 6.6). Então, Hamã dá uma grande ideia:

Por isso respondeu ao rei: “Ao homem que o rei tem prazer de honrar,
ordena que tragam um manto do próprio rei e um cavalo que o rei montou, e que leve o brasão do rei na cabeça.
Em seguida, sejam o manto e o cavalo confiados a alguns dos príncipes mais nobres do rei, e ponham eles o manto sobre o homem que o rei deseja honrar e o conduzam sobre o cavalo pelas ruas da cidade, proclamando diante dele: ‘Isto é o que se faz ao homem que o rei tem o prazer de honrar! ’ ”

Ester 6:7-9

Hamã pensava que seria honrado, no entanto, Xerxes ordena que ele faça tudo o que disse em honra a Mardoqueu. Hamã é obrigado a sair pelas ruas honrando e proclamando o prazer do rei para com Mardoqueu.

O Senhor agindo nos detalhes

Até aqui a história nos mostra Deus agindo nos detalhes. Às vezes, distraidamente podemos imaginar que é o acaso, mas, veja:

  • Por algum motivo, o rei perde o sono,
  • pede para ler o livro,
  • depois relembra a história de Mardoqueu
  • e decide honrá-lo.
  • Posteriormente, o homem que mais odeia Mardoqueu é justamente quem dá a ideia de como honrá-lo.

Embora o livro de Ester não mencione que é o Senhor agindo, fica claro que Deus está conduzindo toda a história e honrando seu servo Mardoqueu. (Ester 6.10-11)

A forca de Hamã

No capítulo 7, do livro de Ester vemos como ela conta ao rei sobre o plano de Hamã. O rei fica furioso e decide condena-lo. Então, um de seus oficiais diz que havia uma forca de 20 metros de altura que Hamã construíra para enforcar Mardoqueu. Logo, o rei ordena que o próprio Hamã seja enforcado em sua própria forca (Ester 7.9-10).

Deus abençoa Mardoqueu

Depois que Hamã é executado, Mardoqueu recebe o anel-selo do rei e é nomeado administrador de todos os bens de Hamã (Ester 8.1-2). Mas, o povo judeu ainda estava em perigo. Então, Ester e Mardoqueu receberam permissão do rei para escrever um novo decreto. E assim o fizeram:

Mardoqueu escreveu em nome do rei Xerxes, selou as cartas com o anel-selo do rei, e as enviou por meio de mensageiros montados em cavalos velozes, das estrebarias do próprio rei.
O decreto do rei concedia aos judeus de cada cidade o direito de reunir-se e de proteger-se, de destruir, matar e aniquilar qualquer força armada de qualquer povo ou província que os ameaçasse, a eles, suas mulheres e seus filhos, e de saquear os bens dos seus inimigos.

Ester 8:10,11

  • Dessa forma, Ester e Mardoqueu foram usados por Deus para livrar os judeus da aniquilação. Os judeus obtiveram o direito de se defender de qualquer inimigo e ainda saquear aqueles que os ameaçassem.
  • Note que o antigo decreto que ordenava que os judeus fossem mortos não foi revogado. Contudo, agora os judeus tinham o direito de se defender. Nem sempre Deus retira as lutas, mas nesses momentos, ele nos dá força para lutar.

Características de Mardoqueu

Ao longo da história de Mardoqueu e Ester vemos algumas de suas características mais importantes:

  • Era temente a Deus (Ester 4.16-17);
  • Confiava no Senhor (Ester 4.13,14);
  • Permanecia fiel mesmo frente a perigos (Ester 3.2,5);
  • Cuidava bem de Ester (Ester 2.11);
  • Era um bom conselheiro (Ester 2.20).