Categorias
Personagens Bíblicos

Raabe é uma personagem do Antigo Testamento, mencionada no Livro de Josué. Ela era uma prostituta, habitante da cidade de Jericó. Sua participação é muito importante na história de como Israel conquistou aquela cidade. Além disso, na vida dela se manifesta a graça de Deus, como veremos a seguir.

Estudo sobre Raabe – Início

Quando Israel entrou na terra prometida, ela não estava vazia. Diversos inimigos e poderosas cidades ocupavam a terra. Por esta razão, Deus preparou seu povo para as batalhas que viriam e lhes prometeu que estaria com eles. (Js 1.11,14) Pois, aquele que prometeu a terra haveria de dá-la ao seu povo escolhido.

A primeira cidade a ser enfrentada era Jericó, uma cidade fortificada com imponentes muralhas (Js 2.1). Josué envia dois espias para ver a cidade e conhecer seus pontos fracos, assim poderia traçar uma estratégia. Mas, o rei de Jericó foi avisado sobre os espias em seu território. Assim que soube, o rei enviou uma mensagem a Raabe, pois ela havia recebido os espias em sua casa. Ele disse que ela deveria expulsa-los. Certamente o rei faria algum mal a eles, os torturaria ou mataria, porque eram espias inimigos (Js 2.3).

Contudo, Raabe não entrega os espias. Ela os protege escondidos no terraço de sua casa, e mente despistando o rei sobre o paradeiro dos dois israelitas (Js 2.4-7).

O pedido de Raabe

Ao salvar os espias israelitas, Raabe faz um pedido. Mas, veja como é interessante esse trecho da história:

  • O pedido dela é simples, apenas deseja que ela e seus familiares sejam tratados com bondade e suas vidas fossem poupadas quando Israel conquistasse Jericó. (Js 2.12-13)

Veja que esse simples pedido carrega por trás de si uma verdade a respeito de Raabe. Ela já cria que Deus entregaria Jericó nas mãos dos Israelitas. Ela afirma que certamente Jericó seria conquistada, embora ela soubesse que a cidade fosse fortificada com grandes muralhas intransponíveis. Ela não crê que isso aconteceria por causa do poder do exército de Israel, mas por causa do Deus daquele povo. Veja:

  • Raabe diz “Sei que o Senhor lhes deu esta terra. Vocês nos causaram um medo terrível, e todos os habitantes desta terra estão apavorados por causa de vocês. (Js 2.9) Ou seja, Raabe pede que os espias tenham misericórdia dela e sua família, pois ela sabe que Deus já havia dado aquela terra para eles.

Raabe tem fé. É uma prostitua, que vive em uma cidade pagã e seguia diversos deuses. Ela não faz parte do povo escolhido. Mas, ela crê que Deus já deu esta terra ao seu povo, e tudo que ela deseja é misericórdia.

Não apenas isto, mas através das palavras de Raabe, nós sabemos que as obras e maravilhas do Senhor se tornaram famosas e conhecidas pelos outros povos:

  • todos os habitantes de Jericó estavam apavorados (Js 2.9); eles já sabiam sobre como Deus abrira o Mar Vermelho e libertara Israel do Egito; sabiam como Israel derrotara os dois reis dos amorreus (Js 2.10).

Por terem conhecimento dos poderosos feitos do Senhor, os povos tremiam de medo e já não sabiam o que fazer. Estavam sem coragem e desanimados.

A Confissão de Fé de Raabe

Ao lermos que Raabe era uma prostituta e pagã, pode crescer em nós certo preconceito. Ao lermos que ela mentiu, nosso legalismo pode condená-la. Todavia, observe que o texto nos conduz, não a condená-la, mas, a aprendermos algo especial com ela.

Ao ouvir sobre os poderosos feitos de Deus em favor de Israel, Raabe sabia que aquela era a terra prometida ao povo de Deus. Ela sabia e cria que Deus completaria sua promessa. Ninguém poderia impedir o Deus de Israel. A sua única chance era submeter-se a esse Deus e fazer parte de seu povo. A conduta de Raabe mostra que ela tinha o princípio da fé.  [fonte] Matthew Henry’s Concise Commentary [/fonte]

A declaração de fé de Raabe é essa:

[…] pois o Senhor, o seu Deus, é Deus em cima nos céus e embaixo na terra.

Josué 2:11

  • “o Senhor, o seu Deus” – literalmente “Yahweh, seu Deus”. Raabe conhece o nome pessoal de Deus, com o qual ele se apresentou a Moisés e seu povo (Ex 3.14). A declaração dela, nessas circunstâncias, e por ser ela quem é, torna-se marcante e inesperada. Uma pagã que conhece o nome do Senhor.
  • “o seu Deus, é Deus” – ela vivia em um ambiente politeísta, idólatra. Mas, sua afirmação é que Yahweh é Deus. Ela não diz que ele é um deus entre outros deuses, como seus compatriotas poderiam acreditar.
  • “Deus em cima nos céus e embaixo na terra.” – ela reconhece o poder do Altíssimo. Como ela vem a conhecer o nome pessoal de Deus e seus atributos é um mistério. Contudo, ela pode ser considerada, não apenas uma pessoas de fé verdadeira em Deus, mas uma profetisa. [fonte] Pulpit Commentary [/fonte]

Desfecho da história de Raabe

Ao ouvir o pedido de Raabe, os espias juram para ela que pouparão sua família (Js 2.14). Raabe os ajuda a fugir, e os orienta onde deveriam se esconder e quanto tempo esperar para não serem pegos (Js 2. 15-16). Eles a orientam a respeito das regras para sobreviver (Js 2.18-20).

  • Toda sua família deveria estar dentro de sua casa para serem poupados.
  • Ela deveria amarrar um pano vermelho na janela pela qual os espias fugiriam.
  • Por último, ela deveria guardar segredo sobre os planos dos espias.

Enfim, quando Israel conquistou Jericó, Raabe havia feito tudo que prometera. Assim, ela e sua casa foram poupadas (Js 6.17). Os espias foram até a casa de Raabe para cumprir sua parte da promessa. Ela e sua família foram salvas, todo resto da cidade foi destruído (Js 6.23). Contudo, mais do que ser poupada, ela foi integrada ao povo de Israel:

Mas Josué poupou a prostituta Raabe, a sua família, e todos os seus pertences, pois ela escondeu os homens que Josué tinha enviado a Jericó como espiões. E Raabe vive entre os israelitas até hoje.

Josué 6:25

Genealogia de Raabe

É importante notar que ao relatar os parentes de Raabe que foram salvos, nenhum filho é citado. Há pais, irmãos e parentes, mas sem filhos. Contudo, após esse acontecimento, vemos que a vida dela mudou.

  • Raabe se casou com Salmom (Mt 1.4)
  • Ela teve um filho chamado Boaz (Mt 1.5-6). Esse mesmo Boaz se casou com Rute. Era bisavô do Rei Davi.
  • Portanto, Raabe era triavó do Rei Davi. Ela faz parte da linhagem do rei mais importante de Israel no Antigo Testamento.
  • Lemos em Mateus 1.4-6, que Raabe foi incluída no povo de Israel e foi importante em sua história. Ela é antepassada de Davi e também é uma antepassada de Jesus. Deus a salvou e a incluiu em sua história de salvação do mundo.
  • Yahweh fez questão de registra-la na genealogia de Jesus. Uma prostituta teve sua vida transformada pela fé em Deus e foi aceita em seu povo.

Leia também: Genealogia de Jesus: significado e estudo

Raabe no Novo Testamento

Ela é citada em três ocasiões. A primeira em Mateus 1.4-6, fazendo parte da genealogia de Jesus (como comentado no tópico anterior).

Em Hebreus 11.31; ela é citada como um exemplo de fé. Sua vida foi salva por meio da fé em Deus. Ela é um sinal no Antigo Testamento daquilo que se concretiza plenamente no evangelho. Somente através da fé somos salvos (Ef 2.8).

Em Tiago 2.22-26, ela é novamente citada como exemplo de fé e prática. Ela é até mesmo comparada a Abraão. Uma fé com obras, não com palavras vazias. Raabe se colocou em risco ao proteger os vigias, sua fé a levou a se arriscar. Por isso ela é um exemplo para nós.

Raabe, pregação

  • Pregação: Graça para o Maior Pecador – Josué 2 – Rev. Augustus Nicodemus Lopes

Categorias
Personagens Bíblicos

Paulo é um dos personagens mais importantes do Novo Testamento. Sua obra missionária é extremamente importante para a expansão e desenvolvimento do cristianismo. Treze livros do Novo Testamento são atribuídos a ele. Além disso, grande parte do Livro dos Atos conta sua história. Ainda assim, vemos que uma vida tão dedicada a Deus não está livre de desafios e sofrimentos.

O Apóstolo Paulo relata para nós alguns de seus sofrimentos, tais como: prisões, açoites, exposição à morte, apedrejamento, naufrágios, fome, sede, frio, entre tantas outras coisas (2Co 11.23-28). Contudo, além desses sofrimentos, Paulo relata um ainda maior. Um espinho na carne.

Para impedir que eu me exaltasse por causa da grandeza dessas revelações, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás, para me atormentar.

2 Corintios 12:7

O que era o espinho na carne?

Em 2Co 12.7, Paulo menciona que lhe foi dado um espinho na carne. Mas, não há uma explicação sobre qual exatamente era esse espinho. A palavra espinho é simbólica aqui, se refere a algo agudo, que causa dor e desconforto.

Esse espinho enfincado na carne parece indicar algum sofrimento corporal ou enfermidade constante. Mesmo que Paulo tenha sido levado ao terceiro céu, o espinho severamente lhe mostrava que ele era um homem com um corpo frágil e mortal. [fonte] THAYER’S Greek Lexicon. Verbete: σκόλοψ [/fonte]

A palavra “espinho” era também usada com um sentido de tortura em uma punição conhecida como empalar. As palavras gregas para “empalar” e “crucificar” eram, de fato, usadas quase como sinônimos, indicando um tipo de tortura. [fonte] Ellicott’s Commentary for English Readers [/fonte]

De certa forma, o sofrimento de Paulo faz parte da cruz que ele havia de carregar pelo evangelho (Mt 16.24). Mas, veja que para Paulo, sofrer pelo evangelho era motivo de gloriar-se (2Co 11.30; 2Co 12.1).

Primeiras Hipóteses sobre o Espinho na Carne:

Visto que não podemos saber qual era exatamente o espinho, apresentamos agora o que alguns estudiosos supõem que ele era:

  • A lembrança e remorso por seu passado, quando perseguia os discípulos de Jesus.
  • Uma desconfiança a respeito de sua própria salvação e se teria recebido o perdão amoroso de Deus.

Essas duas primeiras hipóteses são descartadas pelos estudiosos atualmente. Visto que Paulo fala em seus escritos coisas que contradizem essas ideias. Quanto ao seu passado, ele diz que Jesus veio salvar os pecadores, dos quais ele é o pior. Mas, mesmo sendo o pior, a misericórdia de Deus o havia salvo 1Tm 1.15-16. Portanto, não havia dúvida a respeito de sua salvação e do perdão de Deus sobre ele.

Quanto ao remorso sobre seu passado, Paulo diz que a graça de Deus não havia falhado para com ele, mesmo ele tendo perseguido a igreja de Deus (1Co 15.9-10). Além disso, a conversão de Paulo foi motivo de grande alegria para a igreja e uma grande demonstração do poder de Deus. Pois, Deus havia convertido o maior perseguidor da igreja e feito dele um propagador do evangelho. (Gl 1.14; Gl 1.23-24)

Sendo assim, Paulo não tinha remorso por seu passado. Embora fossem lembranças tristes, Deus havia mudado sua vida e agora ele sofria juntamente com a igreja que perseguiu outrora. Ademais, a misericórdia o havia alcançado extraordinariamente. Portanto, Paulo estava resolvido com seu passado e também convicto de que a salvação era garantida por Jesus Cristo (Fp 1.6).

Outras Hipóteses sobre o Espinho na Carne:

Outras duas hipóteses permanecem:

  • (1) Paulo está falando de uma luta com a paixão sensual.
  • (2) Ele se refere a uma enfermidade crônica em seu corpo que recorrentemente causa dor aguda.

Quanto à primeira hipótese (1), parecem contribuir para esse pensamento a linguagem de Paulo em algumas cartas. Quando ele argumenta sobre suas tentações. Ele fala sobre a lei dos seus membros que guerreiam contra o que ele deseja verdadeiramente (Rm 7.23); o pecado operou nele todo tipo de concupiscências (Rm 7.8); ele achou necessário subjugar seu próprio corpo e mante-lo em sujeição (1Co 9.27); entre outras referências. Desse modo, podemos traçar uma referência alusiva às tentações de impulsos naturais do corpo. Essas tentações poderiam causar constrangimento e sofrimento moral, além de extremo desconforto com a luta constante contra sua própria carne.

Esse entendimento foi defendido por alguns pensadores na patrística, era medieval e católicos. Embora haja pouco peso de autoridade nessa interpretação, ela evidencia que tal tentação é amarga e dolorosa. Contudo, é necessário levar em consideração que essa interpretação foi influenciada por aqueles que ou viviam em monastérios ou se dedicado ao celibato. A partir de seus testemunhos, vemos que a tentação da sexualidade pode abalar profundamente homens que estão buscando um alto grau de santidade. Relatos de Antônio, Jerônimo, Ambrósio e Agostinho não têm receio em expor os perigos e dificuldades desse tipo de tentação que todos eles enfrentavam.

Contudo, pesa contra essa primeira hipótese o fato de que não há nada claro na história de Paulo sobre pecados dessa natureza. Tornando assim essa hipótese extremamente especulativa. Mesmo as referências bíblicas usadas por aqueles que defendem essa hipótese, não podem ser usadas com exatidão, pois, poderiam se referir a diversas tentações diferentes. Não há também qualquer evidência de que a palavra espinho, no grego, fosse usada com o sentido de tentação sexual. Se o apóstolo tivesse a intenção de falar sobre essa tentação, ele precisaria ser mais explícito para se fazer entender. Portanto, é difícil crer que seria esse o espinho de Paulo. [fonte] Ellicott’s Commentary for English Readers [/fonte]

O Espinho na carne era uma enfermidade?

A hipótese que permanece é “uma enfermidade crônica em seu corpo que recorrentemente causa dor aguda”. Aqui há mais base, pois há evidências que Paulo sofria de agudas enfermidades. Veja Gl 6.11, Gl 4.14-15, esses textos indicam as sobrancelhas e olhos como o local da dor aguda. A própria palavra esbofetear, indica a face como o alvo do sofrimento.

Ao analisar a expressão “mensageiro de Satanás”, usada por Paulo é importante lembrar que, no pensamento judaico, entendia-se que as doenças eram causadas pelos demônios. Veja o sofrimento do Jó; a mulher doente aprisionada por Satanás (Lc 13.11,16); Paulo também faz menção às lutas que tem enfrentado por causa do inimigo (1Ts 2.18); há também a passagem quando ele entrega alguns homens para o inimigo, como forma de disciplina, afim de que seus corpos sofram, mas a alma seja salva (1Co 5.5; 1Tm 1.20); Pedro descreve as curas de Jesus como a libertação daqueles que estavam sendo oprimidos pelo diabo (Atos 10.38). Essas são evidências suficientes de que, quando se referiam à maioria dos sofrimentos e calamidades da mente e do corpo, eles criam que se tratava da ação de Satanás.

Portanto, há evidências que apontam essa hipótese como mais provável. [fonte] Ellicott’s Commentary for English Readers [/fonte]

Contexto de 2 Coríntios 12 e o Espinho.

Em 2Co 11, Paulo fala a respeito de seus sofrimentos e esforços por causa do evangelho. Após enumerar diversos acontecimentos, ele fala a respeito de visões e revelações que recebeu. Tanto os sofrimento quanto as revelações servem como prova de seu apostolado e indicam que as doutrinas, ensinamentos e repreensões de Paulo devem ser recebidas com respeito.

Em especial no capítulo 12, Paulo fala que recebeu recebeu revelações e visões maravilhosas demais, que não cabe ao homem falar (2Co 12.1,4).Visto que isso poderia se tornar um motivo de vanglória e orgulho, Paulo diz que prefere se gloriar em suas fraquezas (2Co 12.5).

É exatamente essa a base para entender o propósito do espinho na carne. Esse espinho tem o propósito de impedi-lo de se gloriar. Portanto, é para mantê-lo humilde e lembrá-lo de que é um homem frágil e dependente da graça de Deus.

O propósito do Espinho na Carne

Paulo diz:

Para impedir que eu me exaltasse por causa da grandeza dessas revelações, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás, para me atormentar.

2 Corintios 12:7

Sendo assim, o propósito deste espinho é claro: impedir que Paulo se exalte. É sua provação mais afiada. O tom de Paulo sobre o espinho na carne indica que essa dor é a “coroa” de todas suas enfermidades, com o propósito de mantê-lo humilde

Além disso, o espinho é também um meio de levá-lo a repousar na graça de Deus.

Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza

2 Corintios 12:9

Paulo aprendeu através da dor que a graça de Deus é suficiente. E à medida que ele se sentia mais fraco, mais o poder de Deus o fortalecia. Então, quando ele estava fraco, na verdade, ele era forte (2Co 12.10).

Embora sofresse com suas dores, Paulo aprendeu a se alegrar em suas lutas e fraquezas. Seus problemas se tornaram em oportunidade de alegria. Pois, nesses momentos ele experimentava ainda mais do poder de Deus em sua vida.

Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim.
Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte.

2 Corintios 12:9,10

Conclusão

Portanto, assim como Paulo sofreu em sua caminhada com Cristo, nós também sofremos. Mas, o sofrimento nos aproxima da graça de Deus. E quando nos entregamos à essa dependência, a graça do Pai nos supre, ampara, fortalece e nos faz amadurecer na fé. O sofrimento na vida é inevitável, mas com Cristo não sofremos em vão.

“Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo”.

João 16:33

Categorias
Conhecer a Bíblia Personagens Bíblicos

Caim foi o primeiro filho de Adão e Eva. Ele é comumente lembrado pelo seu terrível ato contra Abel, seu irmão mais novo. Depois de uma desavença, por inveja e ciúmes, Caim assassina seu irmão. Sua sentença é viver em fuga pela terra (Gn 4.10-12).

A Bíblia não nos fala o nome ou quem foi a esposa de Caim. Pois, é possível que seu nome não fosse relevante para os relatos bíblicos. Mas, nos diz que Caim e sua esposa tiveram um filho chamado Enoque (Gn 4.17).

Genealogia de Caim:

  • Os pais de Caim foram Adão e Eva (Gn 4.1).
  • Ele e sua esposa tiveram um filho, chamado Enoque (Gn 4.17).
  • De Enoque nasceu Irade. O filho de Irade foi Meujael. De Meujael, nasceu Metusael. De Metusael nasceu Lameque. (Gn 4.18)
  • Lameque teve duas esposas, a primeira lhe deu o filho Jabal, que foi o pai daqueles que moram em tendas e criam rebanhos. O outro filho era Jubal, que foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta.
  • A outra esposa de Lameque lhe deu Tubalcaim, que fabricava todo tipo de ferramentas de bronze e de ferro.

Essa é a posteridade e genealogia de Caim registrada em Gênesis.

Avan foi esposa de Caim?

Esse relato é contato no Livro dos Jubileus. Lá está escrito que Avan teria sido uma filha de Adão e Eva, nascida após Abel. Ela teria se tornado esposa de Caim após a morte de Abel. Caim e Avan teriam tido relações e gerado vários filhos.

Contudo, o Livro dos Jubileus não é reconhecido pelos judeus como Escritura Sagrada, inspirada por Deus. Sendo assim, os relatos que estão presentes nesse livro não são confiáveis, nem tampouco podem ser tidos como reais. É um livro antiquíssimo, mas apócrifo, que não é reconhecido como verdadeiro nem por judeus, nem por cristãos.

Concluindo, a história de Avan como esposa de Caim não pode ser aceita como verdadeira.

Jarede, esposa de Caim?

Em Gn 5.18, lemos que Jarede gerou Enoque. Em Gn 4.17, vemos que o filho de Caim e sua esposa se chamava Enoque. Desses dois versículos surgem uma confusão que leva algumas pessoas a acreditarem que Jarede seja esposa de Caim. Contudo, Jarede é um homem descendente de Sete, o outro filho de Adão. Não é possível que seja esposa de Caim.

Para deixar mais evidente, veja que Enoque, filho de Caim, teve um filho chamado Irade (Gn 4.18). Enquanto que o Enoque, filho de Jarede, teve um filho chamado Matusalém (Gn 5.21). Concluindo, são dois “Enoques” diferentes, filhos de pais diferentes, que apenas têm o mesmo nome. Sendo assim, Jarede não é esposa de Caim.

Existiam pessoas fora do Jardim do Éden?

Em Gn 3.20, a Bíblia nos diz que Eva é a mãe de toda humanidade. Portanto, todos os seres humanos são descendentes do primeiro casal, Adão e Eva. A partir dos dois, a humanidade foi se multiplicando. Não existiam pessoas fora do Éden antes que os descendentes de Eva se espalhassem pela terra.

No início, os seres humanos viviam muito mais tempo, veja Adão que viveu 930 anos (Gn 5.4-5). Nesse tempo, a princípio, irmãos e irmãs se casavam, assim como primos e primas também. Isso fazia parte do plano de Deus de permitir que a humanidade se multiplicasse a partir do primeiro casal. Dessa forma, é possível que Caim tenha se casado com uma irmã, ou prima. Veja que Adão teve muitos outros filhos (Gn 5.4).

Portanto, não existiam pessoas fora do Éden. Posteriormente, a humanidade foi se espalhando por diversas terras e ocupando o mundo.

Como Caim morreu?

Não se sabe, pois a Bíblia não relata sua morte. A Bíblia dá ênfase à vida e genealogia de Sete, outro filho de Adão e Eva. Porquanto, é através dele que Deus dará continuidade a seu plano redentivo na história.

O Livro dos Jubileus afirma que Caim morreu quando sua casa desabou sobre ele e uma pedra o feriu. Porque ele havia matado Abel com uma pedra, por uma pedra também tinha de morrer. Porém, esse livro não é bíblico, desse modo, não devemos considerá-lo fidedigno e inerrante.

Esposa de Abel? Filhos de Abel?

A Bíblia não relata que Abel tenha tido esposa ou filhos. Sua vida foi curta e muito provável que ele não tenha tido descendentes. Veja que a Bíblia conta sobre os filhos de Caim e também de Sete, mas não menciona Abel. Portanto, é seguro afirmar que caso houvesse descendentes de Abel, eles seriam mencionados. Por não haver menção, então, conclui-se que não haja.

Categorias
Conhecer a Bíblia Personagens Bíblicos

Jezabel é uma das personagens mais marcantes do Antigo Testamento. Mas, ela não é lembrada por coisas boas. Ao invés disso, sua vida é um exemplo de desprezo pelas coisas de Deus. Ela se dedicou a fazer aquilo que é mau e a perseguir aqueles que amavam o Senhor.

Conhecendo Jezabel:

Em 1Rs 16.31, ela é citada pela primeira vez. Jezabel é filha de Etbaal, rei dos sidônios. Sendo assim, ela é uma princesa de um povo pagão que adorava Baal e Astarte. O nome Etbaal significa “com Baal”. Antes de ser rei, ele era um sacerdote da deusa Astarte, dos fenícios. Provavelmente, por conta disso, sua filha Jezabel era tão dedicada e devota aos deuses pagãos.

Jezabel se torna a esposa de Acabe, rei de Israel. O casamento dos dois é um ponto de virada na vida de Acabe. Ele era forte fisicamente, com potencial para liderar o povo em batalhas. Contudo, sua moral e caráter eram fracos e duvidosos. O casamento era a forma de selar a aliança de Acabe com o Rei Etbaal. O objetivo era fortalecer as relações entre Israel e a Fenícia.

A história nos mostra que Jezabel tinha altíssima influência sobre Acabe (1Rs 21.25). Ela era implacável. Inclusive, tão logo ela é apresentada na Bíblia, vemos que Acabe passa a adorar Baal e os deuses pagãos.

Significado do nome: Jezabel.

Jezabel ou Jezebel significa “Baal exalta” ou “Baal é marido de” ou “impura”. É um nome de origem fenícia em homenagem ao falso deus Baal.

Ela é citada 13 vezes no 1º Livro dos Reis e 6 vezes no 2º Livro dos Reis.

A Rainha Jezabel:

Ela foi esposa de Acabe, Rei de Israel. Nesse tempo, Israel estava dividido em dois reinos: o Reino do Norte e Reino do Sul, sendo o norte chamado de Israel e o sul de Judá.

Acabe era um rei mau que se envolveu com diversos falsos deuses, em especial Baal e Aserá. Além disso, a Bíblia relata que ele cometeu coisas piores que qualquer outro rei que o antecedeu (1Rs 16.30).

Jezabel era uma rainha tão má quanto Acabe. Ela não honrava ao Deus de Israel, pelo contrário, ela incentivava a idolatria e sustentava diversos profetas dos falsos deuses (1Rs 18.19). Ela se esforçou em desviar o povo de Israel dos caminhos de Deus. Do mesmo modo, a rainha combateu e perseguiu os profetas do Senhor, inclusive, matando-os (1Re 18.4).

Acabe, Elias e Jezabel.

Mesmo com toda perseguição e assassinatos dos profetas do Deus verdadeiro, ainda havia um profeta em Israel. Seu nome era Elias. Elias foi enviado por Deus para confrontar Acabe e a perversidade de seu reinado e dizer que não haveria chuva em Israel (1Rs 17.1). Vendo que o as palavras do profeta se concretizaram, Acabe se esforçou para encontrar Elias (1Rs 18.10) e trazê-lo à força para reverter a situação, provavelmente. Depois de certo tempo, Elias é enviado por Deus para falar novamente com Acabe, para dizer que haveria chuva (1Rs 18.1-2).

Acabe recebe Elias de maneira ríspida, chamando-o de perturbador de Israel (1Rs 18.17-18). Elias diz que a verdadeira perturbação de Israel era culpa do rei Acabe, que havia abandonado os mandamentos do Senhor e seguido aos baalins. A acusação de Elias se aplica tanto a Acabe quanto a Jezabel. E para mostrar a todo povo quem era o Deus verdadeiro, Elias desafia todos os profetas de Baal e Aserá que comiam à mesa de Jezabel (1Rs 18.19).

Os profetas de Jezabel são desafiados por Elias

Eram 450 profetas de Baal e 400 profetas de Aserá que eram protegidos por Jezabel. Todos eles foram convocados para o desafio de Elias. O desafio consistia em trazer dois novilhos, um para Baal e outro para o Senhor Deus verdadeiro. Os profetas e Elias construiriam um altar, cada qual para seu deus, e colocariam o novilho sobre o altar. Não acenderiam fogo, mas clamariam. O deus que respondesse com fogo sobre o altar mostraria que é o verdadeiro (1Rs 18.23-24).

Os profetas de Baal clamaram do amanhecer até meio dia, mas não houve resposta (1Rs 18.26). Elias zombou deles, perguntando se por acaso Baal não estaria dormindo ou viajando (1Rs 18.27). Todo povo havia se reunido para ver o desafio. Os profetas continuaram clamando até o entardecer, mas Baal não havia respondido (1Rs 18.29). Elias, então, chama a atenção do povo e reconstrói o altar de Deus que estava em ruínas (1Rs 18.30-31). Ele pede que encharquem o altar e o novilho, de forma que a água escorria pelo altar (1Rs 18.35). Pediu que encharcassem o altar mais uma vez.

A Resposta do Deus Verdadeiro

Elias orou ao Senhor, na hora do sacrifício da tarde. Ao fim da oração, Deus enviou fogo do céu que caiu sobre o altar e o novilho. Toda água que encharcava o altar também evaporou (1Rs 18.36-38). Ao ver isso, o povo de Israel se lançou ao chão, prostrado. Eles declaravam “O Senhor é Deus! O Senhor é Deus!” (1Rs 18.39). Elias então ordenou que fossem capturados os falsos profetas que serviam a Baal e depois os matou (1Rs 18.40).

Esse episódio é uma afronta a Jezabel que se sentiu humilhada, pois viu seus profetas sendo derrotados e mortos. Além disso, viu seus falsos deuses sendo derrotados publicamente. E o povo agora voltava seu coração para o Deus verdadeiro. Ela se irou profundamente.

A Vingança de Jezabel:

Ao ouvir o que Elias tinha feito, Jezabel jura por sua vida que fará a Elias o que eles fez aos seus profetas. Ela jura que dentro de 24h cumpriria sua vingança (1Rs 19.1-2). Contudo, Elias foge e o Senhor o protege. Jezabel não consegue cumprir sua vingança e novamente é humilhada.

Ela se julgava poderosa e ilimitada. Mas, o Deus de Israel mostraria para ela quem é verdadeiramente Rei sobre Israel. Acabe e Jezabel esqueceram-se do Senhor e se esforçaram em enfrentar o Deus vivo. Portanto, eram tolos, embora não o soubessem.

A Vinha de Nabote:

Esse relato está em 1 Reis 21. Nabote era um homem que tinha uma vinha ao lado do palácio em Jezreel. Acabe desejava a vinha dele e lhe fez uma oferta de compra. Contudo, Nabote recusa, pois aquela vinha era uma herança de família.

Acabe fica irado, para de comer e fica emburrado. Jezabel vê a situação de seu marido e lhe pergunta o que está acontecendo. Nesse momento, Acabe lhe conta a situação. Ela diz que dará um jeito de conseguir a vinha de Nabote para seu marido.

Jezabel planeja uma ação extremamente maligna (1Rs 21.9-10). Seu plano consiste em contratar duas pessoas para um falso testemunho diante do povo, dizendo que Nabote amaldiçoou a Deus e ao rei. Após isso, Nabote seria apedrejado. Posteriormente, seu plano é realizado e Nabote é assassinado (1Rs 21.14). Então, Acabe toma posse da vinha que tanto queria.

Sentença contra Jezabel.

Jezabel se sentiu muito astuta ao traçar seu plano para conseguir a vinha de Nabote. Contudo, ela não levou em consideração que o Deus de Israel não ignora o pecado e a maldade. Tão logo Acabe se levanta para tomar posse da vinha, o Senhor ordena que Elias vá ao encontro dele para proferir a sentença. Jezabel e Acabe foram julgados por Deus e agora ouviriam as suas sentenças (1Rs 21.18).

A sentença de Acabe diz que onde os cães lamberam o sangue de Nabote, ali também lamberão o sangue de Acabe. Haveria desgraça sobre a vida de Acabe e seus descentes masculinos seriam eliminados (1Rs 21.19,21).

Quanto a Jezabel, os cães a devorariam junto ao muro de Jezreel (cidade da vinha de Nabote). (1Rs 21.23)

Nunca existiu ninguém como Acabe, que se vendeu para fazer o que o Senhor reprova, pressionado por sua mulher Jezabel.

1 Reis 21:25

A Sentença se Cumpre!

Acabe morreu durante uma guerra, registrada em 1 Reis 22. Ele morreu em seu carro de guerra, seu sangue escorreu pelo carro. Após sua morte, ele foi sepultado e seu carro de guerra foi lavado. No local onde o carro foi lavado, o sangue de Acabe escorreu pelo chão e ali o seu sangue foi lambido por cães (1Rs 22.37-38). Dessa forma, a primeira parte da sentença contra Acabe se cumpriu.

Em 2Rs 9.6-8, lemos que o Senhor levanta Jeú para concretizar outra parte da sentença proferida anteriormente. Jeú reúne um exército e marcha contra o filho de Acabe, o Rei Jorão.

Quando Jorão viu Jeú, perguntou: “Você vem em paz, Jeú? ” Jeú respondeu: “Como pode haver paz, enquanto continua toda a idolatria e as feitiçarias de sua mãe Jezabel? ”
Jorão deu meia-volta e fugiu, gritando para Acazias: “Traição, Acazias! ”
Então Jeú disparou seu arco com toda força e atingiu Jorão nas costas. A flecha atravessou-lhe o coração e ele caiu morto. (grifo nosso)
2 Reis 9:22-24

A Morte de Jezabel

Em 2Rs 9.10, lemos que dentro da sentença há uma parte especialmente reservada a Jezabel. Pois, os pecados e crimes dela foram gravíssimos.

Após matar Jorão, Jeú entra na cidade e vê Jezabel arrumada e maquiada em uma janela. Certamente ela queria que ele a visse bela. Mas, ele grita e pede que alguém lançasse Jezabel pela janela. Um dos funcionários do palácio cumpre sua ordem:

Em seguida Jeú entrou em Jezreel. Ao saber disso, Jezabel pintou os olhos, arrumou o cabelo e ficou olhando de uma janela do palácio.
Quando Jeú passou pelo portão, ela gritou: “Como vai, Zinri, assassino do seu senhor? ”
Ele ergueu os olhos para a janela e gritou: “Quem de vocês está do meu lado? ” Dois ou três funcionários olharam para ele.
Então Jeú ordenou: “Joguem essa mulher para baixo! ” Eles a jogaram e o sangue dela espirrou na parede e nos cavalos, e Jeú a atropelou.

2 Reis 9:30-33

Jeú deu ordens aos seus servos para que sepultassem Jezabel, mas quando eles vão buscar seu corpo, encontram apenas restos. Pois, cães haviam comido a maior parte do corpo da rainha Jezabel.

Jeú entrou, comeu, bebeu e ordenou: “Peguem aquela maldita e sepultem-na, afinal era filha de rei”.
Mas, quando foram sepultá-la, só encontraram o crânio, os pés e as mãos.
Então voltaram e contaram isso a Jeú, que disse: “Cumpriu-se a palavra do Senhor, anunciada por meio do seu servo Elias, o tesbita: Num terreno em Jezreel cães devorarão a carne de Jezabel,
os seus restos mortais serão espalhados num terreno em Jezreel, como esterco no campo, de modo que ninguém será capaz de dizer: ‘Esta é Jezabel’ “.
2 Reis 9:34-37 (grifo nosso)

A sentença sobre os pecados e crimes de Jezabel se cumpriu conforme o Senhor havia dito! Pois, o Deus de Israel não falha e não mente. A arrogância de Jezabel precedeu sua ruína e seu fim foi terrível, assim como toda sua vida.

Características de Jezabel:

A rainha Jezabel foi uma mulher manipuladora, sedenta por poder, gananciosa, infiel a Deus, assassina, cruel e causou destruição para toda sua família.

Espírito de Jezabel

Sua maldade e conduta horripilantes foram tão marcantes que ela ainda é citada no Novo Testamento, séculos depois. Em Ap 2.20-23, é citada uma Jezabel. Sua citação faz alusão à Jezabel do Antigo Testamento.

Essa menção, sobretudo, designa uma mulher que é astuta e persuasiva, capaz de exercer grande influência sobre outros; que tinha talentos de alta ordem e que era uma defensora completa do que é errado. Ela era inescrupulosa na maneira como agia para alcançar seus objetivos. Além disso, a tendência de sua influência era conduzir as pessoas a práticas abomináveis de idolatria.

Categorias
Conhecer a Bíblia Personagens Bíblicos

Introdução

Calebe foi um israelita, líder da tribo de Judá, (Nm 13.2,6) nos tempos em que o povo de Israel peregrinou no deserto em busca da terra prometida. O povo havia sido liberto do Egito pela ação poderosa de Deus. Agora, peregrinava no deserto sob a liderança de Moisés em direção à promessa do Senhor. Calebe fazia parte desta geração e teve papel importante como companheiro de Josué que foi sucessor de Moisés nessa jornada.

Espiando a Terra Prometida – parte 1.

Calebe é apresentado na Bíblia pela primeira vez em Nm 13.6. Nesse momento, Deus diz a Moisés para separar um líder de cada tribo de Israel para espiarem e conhecerem a terra que ele havia prometido (Nm 13.1-2). Portanto, 12 homens são escolhidos para espiarem a terra. Dentre eles, dois nomes se destacam Calebe da tribo de Judá, e Oséias da tribo de Efraim. Oséias, logo depois recebe o nome de Josué (Nm 13.16). Calebe tinha 40 anos quando foi escolhido como espião (Js 14.6,7).

Após escolherem os espias, eles receberam essas orientações de Moisés (Nm 13.18-20):

  • Eles deveriam observar se o povo que já habitava naquela terra era forte ou numeroso;
  • se habitavam em boa terra, se as cidades eram fortificadas ou não tinham muros;
  • deviam observar se a terra era fértil, se havia florestas ou não.

Calebe estava nessa missão e deveria relatar tudo que visse com fidelidade. A missão durou 40 dias (Nm 13.25) A terra era maravilhosa, com frutos lindos. O relato dos espias dizia que, de fato, a terra manava leite e mel, ou seja, era abundante em maravilhas (Nm 13.27). Mas…

Espiando a Terra Prometida – parte 2.

Embora os espias trouxessem notícias maravilhosas sobre a terra prometida, havia um problema. A terra estava habitada por diversos povos (Nm 13.28-29). Esses povos eram fortes e suas cidades fortificadas. Diante disso, os espias ficaram com medo e aterrorizados. Ainda mais, eles espalharam as notícias ruins por todo o povo para o desanimar (Nm 13.31-33). Contudo, um dos espias ergueu sua voz para dizer:

“Subamos e tomemos posse da terra. É certo que venceremos”

Números 13:30

Calebe foi corajoso para animar o povo e afirmar a vitória certa, mesmo contra inimigos mais poderosos. Pois, ele confiava em Deus que havia feito a promessa e a cumpriria. Ele foi corajoso para enfrentar os companheiros do seu próprio povo que não tinham fé em Deus.

Calebe – Companheiro de Josué.

Após ouvir os relatos dos espias, todo o povo de Israel começou a chorar, lamentar e reclamar. Queixaram-se contra Moisés, dizendo que preferiam ter morrido no Egito, ou no deserto. Ainda mais, cogitaram até mesmo voltar para o Egito, na terra onde foram escravos (Nm 14.1-4). Seu medo os impedia de crer em Deus. Era um povo rebelde e murmurador.

Contudo, dentre todo o povo, dois homens rasgaram suas vestes e ergueram sua voz. Calebe e Josué se levantaram no meio do povo e disseram:

A terra que percorremos em missão de reconhecimento é excelente.
Se o Senhor se agradar de nós, ele nos fará entrar nessa terra, onde manam leite e mel, e a dará a nós.
Somente não sejam rebeldes contra o Senhor. E não tenham medo do povo da terra, porque nós os devoraremos como se fossem pão. A proteção deles se foi, mas o Senhor está conosco. Não tenham medo deles”

Números 14:7-9

Todavia, o povo não queria ouvir a voz deles. Não quiseram confiar em Deus e enfrentar os inimigos. Ao invés disso, queriam apedrejar Calebe e Josué (Nm 14.10).

Veja mais sobre Josué.

O pecado do povo.

Quando os israelitas se rebelavam contra Moisés, Josué e Calebe. Deus se manifestou diante do povo (Nm 14.10-11). O pecado de Israel era: não crer em Deus, apesar de todo os sinais que ele já tinha realizado. Embora, Deus já os tivesse libertado do Egito de maneira miraculosa, cuidasse deles diariamente no deserto, Israel recusava-se a confiar em Deus de todo seu coração. O povo sempre procurava motivos para reclamar e desculpas para voltar para o Egito.

Sendo assim, a consequência dos pecados do povo foi peregrinar no deserto por 40 anos. E nenhum dos que viram a glória de Deus no deserto poderia entrar na terra prometida. Pois, apesar de tudo que Deus havia feito, ainda assim desconfiaram, desobedeceram e colocaram o Senhor à prova (Nm 14.22-23). Exceto, Josué, Calebe e os que tinham menos de 20 anos (Nm 14.29-30).

Calebe – Exemplo para o povo.

A razão para Calebe não receber o  mesmo castigo era sua integridade e fidelidade a Deus (Nm 14.24). Por essa razão, ele seria abençoado e seus descentes também. Dentre um povo que constantemente se afastava de Deus, Calebe era um exemplo do que se deve fazer. Ele ainda é um exemplo para nós. Exemplo de coragem, fé e obediência ao Senhor, mesmo em meio a situações adversas, mesmo quando querem nos fazer mal por confiarmos em Deus.

Muito tempo após o acontecimento dos espias, os nomes de Josué e Calebe ainda eram citados como exemplos diante do povo, pois, foram os únicos que confiaram em Deus em meio à rebelião de Israel (Nm 26.65; Nm 32.11-12; Dt 1.36). Deus não esquece daqueles que lhe são fiéis e não esquece de suas promessas.

A Entrada na Terra Prometida.

Ao começarem as orientações para divisão da Terra Prometida, Calebe é citado novamente como líder da tribo de Judá (Nm 34.19). Ele e Josué são os únicos adultos da antiga geração que poderão ver a terra prometida, conforme Deus dissera. Nesse tempo, Calebe tinha 85 anos de idade (Js 14.10).

Ao entrarem na terra prometida, ainda precisaram travar diversas batalhas contra os inimigos antes de tomar posse da terra. Calebe era um dos guerreiros, mesmo avançado em idade. Ele estava plenamente convicto que aquilo que Deus prometeu se cumpriria(Js 14.9). Mesmo com 85 anos, sabia ter a mesma força e vigor que tinha com 40 anos (Js 14.10-11). Pois o Senhor estava com ele.

Os inimigos que haviam amedrontado Israel 40 anos antes ainda habitavam a terra, as dificuldades e problemas permaneciam. Mas, dessa vez, o povo não era o mesmo. Calebe liderou a tribo de Judá para a conquista de sua herança (Nm 14.12-13). Mesmo diante das dificuldades, a certeza de Calebe era “se o Senhor estiver comigo, eu os expulsarei de lá, como ele prometeu” (Js 14:12). E assim aconteceu, o povo liderado por Calebe conquistou o monte Hebrom. E essa foi a herança de seus descendentes (Js 14.14).

Genealogia, Esposa, Filhos e Geração.

O pai de Calebe foi Jefoné, o quenezeu. Isso mostra que o pai de Calebe não era israelita. Quenezeu significa “descendente de Quenaz”. Quenaz é também o nome do irmão de Calebe (Js 15.17). Não há mais informações sobre o pai de Calebe. Entende-se que sua mãe tenha sido israelita, da tribo de Judá, mas não se sabe seu nome.

Sua filha se chamava Acsa, e se casou com Otoniel, sobrinho de Calebe (Js.15.16-17).

Otoniel se tornou juiz em Israel posteriormente (Jz 3.9-11).

Não há relatos sobre o nome da esposa de Calebe ou de outros filhos.

Veja mais sobre a esposa de Josué.

Conclusão.

Calebe é um exemplo de dedicação ao Senhor, com coragem e fidelidade. Repete-se constantemente que ele serviu ao Senhor com integridade e de todo o coração. Assim devemos nós também buscar e servir a Deus, com fé, coragem, integridade e de todo o coração. Dessa forma, certamente honraremos a Deus e receberemos as bênçãos que ele promete.

Categorias
Personagens Bíblicos

A história de Isaque é contada no livro de Gênesis. Ele é o filho prometido por Deus para Abraão e Sara. Ele nasceu quando seu pai tinha 100 anos e sua mãe 90. Sendo assim, um momento muito improvável para se ter um filho. Abraão recebeu a promessa de Deus, mas foi difícil acreditar, pois, já era idoso. Contudo, Deus afirmou que faria de Abraão e sua descendência uma grande nação (Gn 17.16-22).

Em Gn 21.1-7, lemos que Deus cumpriu sua promessa e nasceu Isaque. Seu nome foi escolhido por Deus (Gn 17.19), Abraão obedeceu chamando-o assim e circuncidou seu filho. O nascimento de Isaque mostra Deus sendo fiel à promessa que tinha feito. Ademais, Abraão obedeceu à aliança circuncidando seu filho e colocando o nome que fora determinado.

Significado de Isaque

O nome Isaque significa “Ele ri” ou “vai rir”. Quando Deus fala com Abraão e Sara, eles riem (Gn 17.17; Gn 18.12). Seus risos foram de desconfiança, acharam muito difícil que Deus cumprisse o que prometera. Mas, quando Isaque nasceu, Sara disse que Deus havia lhe dado razão para sorrir e aqueles que ouvissem sua história riram junto com ela. Agora o riso, não era mais por desconfiar, mas por alegrar-se na fidelidade de Deus (Gn 21.6-7).

Moriá

Um dos momentos mais marcantes na vida de Isaque acontece quando Abraão, seu pai, o leva para o Monte Moriá. Deus havia decidido provar Abraão, dizendo que ele fosse até Moriá. Ali, ele ofereceria Isaque como holocausto (Gn 22.1-2).  Abraão obedeceu levando seu filho até o monte. Ele prepara o altar e seu coração. A provação era extremamente difícil. Ele precisaria entregar o seu filho amado.

Abraão coloca Isaque sobre o altar, levanta sua mão com o cutelo para sacrificá-lo. Entretanto, o Anjo do Senhor o chama e o impede de completar o sacrifício de seu filho (Gn 22.9-12).

Aquele teste serviu para mostrar que Abraão temia a Deus. Como resultado, o Anjo do Senhor prometeu que  através da descendência de Abraão e Isaque todas as nações da terra seriam abençoadas (Gn 22.17-18).

A benção prometida para todas as nações foi concretizada em Jesus. Quando Deus levou seu único filho ao Monte do Gólgota e ali o sacrificou pelos pecados da humanidade. Naquele dia, o Filho morreu sobre a cruz, para que todos os que nele cressem tivessem vida eterna (João 3.16).

No Moriá, Deus revelou o que faria pelos pecadores e no calvário ele o fez, entregando seu próprio Filho por amor.

Esposa de Isaque – Rebeca

A única esposa de Isaque foi Rebeca. Sua escolha foi muito especial. Abraão enviou seu servo mais experiente para a terra de sua parentela. Disse ao servo que lá escolhesse uma esposa para Isaque (Gn 24.2-4). O servo viajou procurando o local indicado, e pediu a Deus ajuda e um sinal. O Sinal seria que ao pedir água à moça, a escolhida deveria dizer que daria água a ele e seus camelos (Gn 24.14). Quando Rebeca aparece, o servo lhe pede água. Ela lhe dá água e depois dá água aos camelos (Gn 24.17-20).

Por ter percebido que Deus o havia guiado até o local e para a futura esposa certa para Isaque, o servo louva a Deus (Gn 24.27,48). Rebeca era muito bela (Gn 24.15,16). Ela decidi ir com o servo de Abraão para casar-se com Isaque (Gn 24.58). Ao encontrar-se com Isaque, logo casam (Gn 24.67). A Bíblia relata que Isaque a amou.

Esaú e Jacó – Filhos de Isaque e Rebeca

Isaque e Rebeca tiveram dois filhos, Esaú e Jacó. Eles eram gêmeos. O favorito de Isaque era Esaú, mas Rebeca preferia Jacó (Gn 25.28). Esaú era homem do campo, habilidoso na caça. Jacó era pacato, vivia em tendas (Gn 25.27).

Os filhos conheciam as preferências de seus pais. Esaú havia nascido primeiro, portanto, era o primogênito. Isso fazia com que ele tivesse mais direitos e maior herança. Jacó era esperto e trapaceiro, e conseguiu enredar seu irmão para que vendesse o direito de primogenitura por uma prato de comida (Gn 25.29-34).

Posteriormente, Isaque envelhece e fica muito idoso e debilitado. Então, Rebeca trama um plano com Jacó para enganar seu pai e receber a bênção que seria de Esaú (Gn 27.6-10; Gn 27.15-18). O plano funciona e eles enganam Isaque que abençoa Jacó, ao invés de Esaú (Gn 27.27-29). Logo depois, Esaú chega a seu pai e descobre que Jacó havia roubado sua bênção. Desta forma, os irmãos entraram em grande conflito. Esaú odiou seu irmão e queria matá-lo (Gn 27.35-36,41). Contudo, Jacó fugiu. Apenas anos mais tarde, os filhos de Isaque fizeram as pazes.

Patriarcas

A importância de Isaque na história é notável. O povo de Israel descende de Abraão, Isaque e Jacó. Esses são os três patriarcas. Ele é o único dos três que não teve seu nome mudado por Deus. Poucos acontecimentos de sua vida são relatados em Gênesis. Mas, seu nome é mencionado 80 vezes no livro. É o único dos patriarcas que nunca deixou a terra de Canaã. Morreu com 180 anos, foi sepultado por seus filhos, Jacó e Esaú (Gn 35.28-29). É também o patriarca com vida mais longa.

Categorias
Bíblia Personagens Bíblicos

A história da Arca de Noé é uma das mais conhecidas da Bíblia. Ela conta como Deus poupou Noé e sua família do dilúvio. Esse registro está em Gênesis e também nos conta quem eram os filhos de Noé que foram salvos com ele. Noé teve três filhos chamados Sem, Cam e Jafé. Eles e suas esposas estavam dentro da arca durante o dilúvio. Após o dilúvio, foram responsáveis por repovoar a terra. A Bíblia não relata o nome da esposa de Noé e de suas noras.

Genealogia de Noé

Em Gênesis 5, está registrada a genealogia de Adão até Noé. O nome de seu pai era Lameque:

“Aos 182 anos, Lameque gerou um filho. Deu-lhe o nome de Noé e disse: “Ele nos aliviará do nosso trabalho e do sofrimento de nossas mãos, causados pela terra que o SENHOR amaldiçoou”. Depois que Noé nasceu, Lameque viveu 595 anos e gerou outros filhos e filhas. Viveu ao todo 777 anos e morreu. Aos 500 anos, Noé tinha gerado Sem, Cam e Jafé.” Gênesis 5:28-32

Noé era da linhagem de Sete, filho de Adão. Entre seus antepassados, nomes muito importantes se destacam, como Enoque e Matusalém. Sua genealogia, no entanto, é diferente das outras. Comumente, a genealogia cita apenas o filho mais velho e qual era a idade do pai quando o filho nasceu. No caso de Noé, a Bíblia cita seus três filhos, demonstrando a importância que terão na história posterior, quando serão abençoados por Deus e repovoarão a terra.

Descendência de Noé

Em Gênesis 10 está o registro dos descendentes de Noé:

  • Jafé, seus filhos foram: Gômer, Magogue, Madai, Javã, Tubal, Meseque e Tirás. Deles procedem os povos marítimos, os quais se separaram em seu território, conforme a sua língua, cada um segundo os clãs de suas nações. (Gn 10.5)
  • Cam, seus filhos foram: Cuxe, Mizraim, Fute e Canaã. Cuxe gerou também Ninrode, o primeiro homem poderoso na terra. Ele foi o mais valente dos caçadores. Seu reinado era extenso e depois partiu para a Assíria, onde fundou Nínive. De Mizraim vieram diversos povos, inclusive os filisteus. (Gn 10. 8-14). De Canaã vem o nome da terra de Canaã, onde seus descentes habitavam até que os israelitas vieram tomar posse da terra.
  • Sem, o filho mais velho de Noé, gerou: Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Arã. Dois anos depois do Dilúvio, aos 100 anos de idade, Sem gerou Arfaxade (Gn 11.10). É da linhagem de Arfaxade que depois de algumas gerações vem Naor. De Naor, nasceu Terá. De Terá, nasceu Abrão. Abrão que posteriormente foi chamado Abraão, que foi escolhido por Deus para ser Pai de multidões, Pai da nação de Israel. De Sem, vem o povo Semita.

Origem dos povos

Os descendentes de Sem, Cam e Jafé deram origem a vários povos. Os que vieram de Jafé deslocaram-se para o norte, na direção do que hoje é Europa e Ásia. Os descendentes de Cam se caminharam para o sul, onde hoje é Palestina e a África. Os filhos de Sem se estabeleceram na região do Oriente Médio. Assim, a Bíblia conta de onde vêm os povos que estão ao redor de Israel. Todos têm origem em Sem, Cam e Jafé. Portanto, são descendentes de Noé. E Noé é descendente de Adão.

Conclusão

A Bíblia nos mostra que todos os povos têm uma mesma origem. Todos estão ligados a Adão, embora haja diferentes povos, com diferentes culturas. Portanto, fica claro que as diferenças entre seres humanos foram criadas por Deus, como sinal de sua criatividade e riqueza da sua multiforme sabedoria e beleza. As diferenças não devem ser motivadores de preconceitos, rivalidades e etc. Todos os povos foram criados por Deus e tem o mesmo valor diante dele

 

 

Categorias
Personagens Bíblicos

Essa dúvida surge a partir de Êxodo 4.10. Moisés tem um encontro surpreendente com Deus e recebe uma missão. No entanto, sua objeção é:

Disse, porém, Moisés ao Senhor: “Ó Senhor! Nunca tive facilidade para falar, nem no passado nem agora que falaste a teu servo. Não consigo falar bem!”
Êxodo 4:10 (NVI)

Nesse trecho, Moisés não diz que é gago. Contudo, ele explica que não tem facilidade para falar. Sua missão era apresentar-se diante do povo e do Faraó e proclamar a mensagem do Senhor. Para essa tarefa era fundamental alguém que pudesse se comunicar com facilidade e confiança.

O que significa Pesado de Língua?

Outra versão da Bíblia traduz “Não consigo falar bem” dessa forma: porque sou pesado de boca e pesado de língua. Esse trecho pode ser traduzido como “devagar de boca e de língua”. Dessa passagem pode ter surgido a ideia de que Moisés era gago. Todavia, é mais provável que se refira à falta de habilidade para se comunicar com clareza e em público.

Moisés era estudado?

Sim, a Bíblia diz que ele foi ensinado segundo os costumes egípcios. “Moisés foi educado em toda a sabedoria dos egípcios e veio a ser poderoso em palavras e obras.”(Atos 7:22) Ele aprendeu diversas áreas do conhecimento dos egípcios, como se estivesse na melhor escola da época. Foi educado como filho da filha de Faraó.

Qual era a dificuldade de Moisés?

Provavelmente, ele não era gago, mas tinha dificuldade de falar bem. Contudo, essa não era a sua única dificuldade. Vemos que Moisés procurou diversas razões para se mostrar inadequado para a missão que Deus tinha para ele.

  • Primeiramente: Moisés respondeu: “E se eles não acreditarem em mim nem quiserem me ouvir e disserem: ‘O Senhor não lhe apareceu’?” Êxodo 4:1. Então, Deus ensina alguns sinais extraordinários para que Moisés mostre ao povo que sua missão é verdadeiramente de Deus.
  • Em seguida, Moisés diz ao Senhor: “Ó Senhor! Nunca tive facilidade para falar, nem no passado nem agora que falaste a teu servo. Não consigo falar bem!” Êxodo 4:10. O Senhor responde dizendo que estará com Moisés e o ensinará o que falar.
  • Por fim, Moisés diz: “Ah Senhor! Peço-te que envies outra pessoa”. Êxodo 4:13. Neste momento, Deus se irrita com Moisés, mas lhe diz para usar a ajuda de seu irmão Arão, para ser seu porta-voz.

Sem dúvida, Moisés tinha diversos motivos para ter medo. Ele procurou diversas justificativas, elas demonstravam a sua falta de confiança. Quando se viu sem mais desculpas, pediu que Deus escolhesse outro. Entretanto, Deus o havia escolhido para a missão e estaria com ele durante toda a jornada. Isso seria suficiente para Moisés dar conta da missão. Para cada justificativa, Deus lhe deu uma resposta como fonte de força. Moisés precisava ter fé para seguir adiante.

Conclusão

Portanto, Moisés não era gago. Ele tinha dificuldades para falar. Essa era uma das desculpas que ele encontrou para não engajar-se na missão que Deus tinha para ele. Contudo, Deus não deu ouvidos às desculpas. Ele fortaleceu Moisés, o encorajou e conduziu durante toda a missão que lhe tinha dado. Por fim, vemos em Hebreus 11, o nome de Moisés sendo citado na galeria dos heróis da fé. Aquele homem com dificuldade de falar, falta de confiança, temeroso, foi transformado por Deus no líder que tirou Israel do Egito. Ele se tornou um exemplo de fé!

Deus Soberano age naqueles que escolhe e os leva aonde eles nem podem imaginar. O exemplo de Moisés nos convoca a abandonar nossas justificativas e nos colocarmos nas mãos de Deus. Mesmo com nossas limitações, fraquezas e medos. Deus é nossa força e tudo de que precisamos. Assim, nossa vida o glorificará e honraremos seu chamado pra nós.

 

Categorias
Personagens Bíblicos

A história de Ananias e Safira é relatada no livro dos Atos dos Apóstolos. Eles eram membros da Igreja de Jerusalém em seu início. Lucas relata que aquela igreja vivia em plena comunhão, eram uma só mente e um só coração. Os cristãos compartilhavam tudo o que tinham, cuidavam uns dos outros, não havia quem passasse necessidades entre eles. Aqueles que tinham mais posses vendiam o que possuíam e traziam sua ofertas aos apóstolos para que eles distribuíssem conforme cada um precisasse (Atos 4.32-35).

O plano de Ananias e Safira

Ananias e Safira conheciam o costume das ofertas na igreja e viram nisso uma oportunidade de ganhar destaque na comunidade. Os dois tramam um plano: primeiramente, vender uma propriedade e prometer entregar tudo aos irmãos. Mas, na verdade, pensavam em reter parte do valor da venda para si e ofertar apenas uma parte. Na igreja, eles diriam que aquilo era tudo que tinham recebido. Assim, contariam uma pequena mentira em relação ao valor recebido. (Atos 5.1-11)

Certamente, não haveria problema nenhum se eles tivessem ofertado um pouco. Ou, mesmo se ficassem com todo o dinheiro, pois, a propriedade era deles. A questão não é o tamanho da oferta. Deus não está preocupado com o dinheiro que eles ofertariam. Ele não precisa das riquezas das pessoas para abençoa-las.

O problema foi a mentira! O casal teve uma motivação terrivelmente errada. Pedro diz que Satanás havia enchido o coração de Ananias, levando-o a mentir para o Espírito Santo (Atos 5.3).

Estudo Bíblico – Ananias e Safira

Uma tradução mais precisa desse versículo ficaria assim: “Ananias, como é que Satanás encheu o teu coração para falsificar o Espírito Santo?” (Atos 5.3).

Inegavelmente, Ananias tentou forjar uma situação como divinamente inspirada, mas na verdade, era uma fraude. E ainda mais grave, ele procurou incluir o Espírito Santo em sua artimanha.

Então, a ação de Ananias e Safira não é uma simples mentira, mas um perigo crescendo dentro da igreja. Uma semente do mal em meio aos cristãos. Até esse momento em Atos, os problemas da igreja vinham de fora, agora ela está sendo atacada por dentro.

A oferta de Ananias e Safira não era motivada pelo amor aos irmãos. Sua motivação era o egocentrismo, queriam glórias pessoais, eram hipócritas. Ousaram tentar falsificar o Espírito Santo em seu esquema. Seu pecado foi dar parte da venda, afirmando que estavam entregando tudo. Seu erro foi mentir ao Espírito Santo e à Igreja. Eles foram ladrões, mentirosos e avarentos. [fonte]LOPES, Hernandes Dias. Atos – a ação do Espírito Santo na vida da Igreja.[/fonte]

Vejamos a continuação do versículo 3: “[…] e guardar para si uma parte do dinheiro que recebeu pela propriedade?”
Guardar para si no grego é o verbo “νοσφίσασθαι” (nosphisasthai), que significa apropriar-se indevidamente, roubar. [fonte]BibleHub – Interlinear Greek-English.[/fonte]

Assim, fica subentendido que antes da venda, Ananias e Safira assumiram algum tipo de compromisso com a Igreja para doarem todo o dinheiro. Posteriormente, quando entregaram apenas parte do valor, em vez do total, tornaram-se culpados de apropriação indébita/roubo.

Em Lucas 22.3-4, vemos o relato que Satanás entrou em Judas e este traiu Jesus. Agora ele havia entrado no coração de Ananias e Safira, levando-os a mentir ao Espírito Santo. O pecado aqui é julgado pelo Espírito Santo, através de Pedro. E serve de exemplo para toda a igreja.

O Pecado de Ananias assemelha-se ao pecado de Acã no Antigo Testamento.

O Pecado de Acã e sua relação com Ananias

O pecado de Acã foi roubar e esconder em sua tenda bens e posses que deveriam ser dedicados a Deus (Josué 6.17-19 e cap.7). Seu pecado trouxe o julgamento de Deus sobre Israel. Por causa disso, o povo perdeu uma batalha importante e soldados israelitas morreram. Israel sofreu até descobrir o pecado no meio do acampamento. Somente quando Acã foi descoberto e sua família e todos os seus bens foram queimados, Israel pôde continuar sua jornada. O povo que tinha de ser perfeito com o Deus é perfeito. Sendo assim, o pecado de Acã trouxe desgraça para sua nação. Mas Deus agiu para purificá-la novamente.

Da mesma forma, em Atos, a igreja é o novo Israel. A ação de Ananias e Safira tinha profanado a comunhão, violado a pureza da comunidade e poderia contaminar ainda mais a Igreja na continuidade de sua missão.

Portanto, pela gravidade de seus pecados, Acã, Ananias e Safira recebem o julgamento. E isso serve de exemplo e advertência para todo o povo, para que temam o Senhor e andem em seu caminho.

Consequência do Erro de Ananias

No momento em que ouve a repreensão de Pedro por causa do grave pecado, Ananias morre. O pecado que ele tentou esconder foi revelado e julgado pelo Espírito Santo. Contudo, se Ananias tivesse êxito em sua ideia, o fermento da hipocrisia estaria instalado na Igreja. O vigor do cristianismo estaria abalado.

O juízo do Espírito Santo serviu para extirpar a hipocrisia e de forma radical preservar sua igreja. Esse juízo, que aos nossos olhos pode parecer severo demais, é necessário para preservar o povo de Deus no caminho da justiça. Ao ver o que aconteceu com Ananias, o povo teve grande temor. (Atos 5.5)

Consequência do Erro de Safira

Semelhantemente, Safira veio ao lugar de reunião da igreja. Ao encontrar-se com Pedro, primeiramente ouve a pergunta: “Diga-me, foi esse o preço que vocês conseguiram pela propriedade?” (Atos 5.8). Ela não sabia o que havia acontecido com seu marido anteriormente. Mesmo diante da igreja, do apóstolo Pedro e do Espírito Santo, Safira mente. A ela é dada a oportunidade de corrigir o erro, contudo, ela não está arrependida. Porque ela participou do erro do marido, a ela foi dada a mesma sentença.

Ananias e Safira fizeram um pacto de mentira. Entraram
em comum acordo não só para mentir ao Espírito Santo
(At 5.3), mas também para tentar o Espírito do Senhor (At 5.9).
O pecado deles foi planejado. Eles deliberaram agir de
forma hipócrita. Houve uma aliança para o mal. Por isso, o
juízo de Deus se repete em Safira. [fonte]LOPES, Hernandes Dias. Atos – a ação do Espírito Santo na vida da Igreja.[/fonte]

Conclusão

Enfim, a mentira e hipocrisia foram desmascaradas. Todos que ouviram sobre aquele acontecimento ficaram cheios de temor (Atos 5.11). Esse acontecimento demonstra que Deus leva muito a sério a pureza coletiva de seu povo, assim como a sinceridade no compromisso daqueles que se dizem cristãos. Deus conduz sua igreja e a cuida dela. Portanto, fica claro que, quando necessário ele age da forma correta para que todos se mantenham no caminho.

A pureza da comunhão na igreja foi violada pela atitude do casal quando tentaram falsificar o amor gerado pelo Espírito Santo. Assim, atraíram para si o julgamento de Deus. Sua astúcia se tornou em uma armadilha.

Mas, a história de Ananias e Safira nos mostra que Deus conhece os corações. Não há como mentir para ele ou enganá-lo. Ele não se importa com o tamanho da oferta, pois, na verdade, ele busca corações sinceros que o adorem em espírito e em verdade (João 4.24).

 

Categorias
Personagens Bíblicos

Um dom momentos mais marcantes da história de Israel no Antigo Testamento é a libertação da escravidão no Egito. Após ser liberto o povo peregrina no deserto por 40 anos. Sob a liderança de Moisés, caminham em direção à Terra Prometida. O grande sonho desse povo é receber das mãos de Deus a terra onde manam leite e mel.

Moisés não poderá entrar na Terra Prometida, em seu lugar um novo líder dará continuidade à missão de conduzir o povo na conquista da promessa. Esse líder é Josué. Ele é o sucessor de Moisés, escolhido por Deus.

Josué, Filho de Num

Nascido no Egito, era um israelita da tribo de Efraim (tecnicamente, Tribo de José). É o personagem principal do 6º livro da Bíblia, que recebe seu nome. Seu pai era Num e no nascimento recebeu o nome de Oséias, que significa “salvação” (Nm 13.8). Mais tarde, Moisés mudou seu nome para Josué, que significa “Javé é Salvação” (Nm 13.16). Esse nome é muito importante e especial na literatura bíblica, pois, é a raiz hebraica do nome “Jesus” (“Yeshua” em aramaico que também significa “Javé é Salvação”).

Não há relatos a respeito de seus filhos ou sua esposa. As evidências bíblicas apontam que é provável que ele tenha tido família, mas não há registro de seus nomes. Uma das evidências que apontam para a família de Josué são suas palavra no versículo “Mas, eu e a minha família serviremos ao Senhor” (Js 24.15 – NVI).

Veja também: Quem foi a Esposa de Josué?

A Preparação de Josué

Antes de ser líder, Josué foi auxiliar de Moisés. Era um jovem nos tempos do livro do Êxodo. (Ex 33.11), e servia como ministro e companheiro. Acompanhou Moisés quando subiu o Monte Sinai para receber os 10 Mandamentos (Ex 24.13). Ele tinha a confiança de Moisés e buscava o Senhor.

Quando surge um conflito com os amalequitas em Refidim, no deserto do Sinai, Moisés encarrega Josué de um grupo de soldados israelitas para repelir o ataque inimigo. Ele obtém uma grande vitória (Ex 17.9-13). Mais tarde, é escolhido como um dos 12 enviados para espiar a terra de Canaã (Nm 13.8).

Em seu retorno, ele e Calebe apresentam um relatório motivando o povo. Apesar das dificuldades e do poder dos inimigos, eles confiam que a mão do Senhor está ao lado deles e dará vitória, entregando a terra prometida. Os outros espias apresentaram relatórios desanimadores e cheios de medo influenciam o povo a recuar. Por sua fé e coragem firmadas na Palavra de Deus, Josué e Calebe recebem a permissão para entrar na terra prometida quando chegasse a hora. Enquanto os outros espias e os todos adultos do povo morreriam no deserto, porque duvidaram da palavra de Deus

Josué, líder escolhido por Deus

Ao se aproximar o dia da morte de Moisés, conforme Deus havia determinado, Josué é chamado para uma conversa. Nesse momento, ele recebe sua missão, deveres e responsabilidades diretamente de Deus (Dt 31.14). Mas não ouve apenas qual será sua missão, Javé diz:

O Senhor deu esta ordem a Josué, filho de Num: “Seja forte e corajoso, pois você conduzirá os israelitas à terra que lhes prometi sob juramento, e eu próprio estarei com você”. Dt 31.23

A grande responsabilidade de ser o sucessor de Moisés é desafiadora. Josué recebe uma das missões mais difíceis em toda a Bíblia, não está em sua força e em sua capacidade concretizar o sucesso da tarefa. Ele é chamado, por escolha de Deus e capacitado a realizar sua missão em dependência daquele que o chamou.

Josué, capítulo 1

O livro de Josué, capítulo 1, verscículos 1 a 9, demonstra como a tarefa será bem sucedida. Por 3 vezes, Deus lhe diz “Seja forte e corajoso” (Js 1.6,7,9), repetindo o que já havia sido dito em Deuteronômio. Mas a mensagem não se resume ao elemento motivador. O complemento é muito importante para toda a história de Josué.

Primeiramente, Josué deve ser forte e corajoso, pois, ele tem a missão de conduzir e liderar seu povo à terra que havia sido prometida aos seus antepassados (Js 1.6). Ele será o exemplo do povo, o líder que não deve recuar. Mas, não deverá fazer isso de qualquer forma. Pois, vemos a seguir que sua força e coragem devem mantê-lo apegado às coisas que aprendeu com Moisés. Principalmente obedecer a lei, e não se desviar nem para a direita ou para a esquerda. Deve falar da lei, meditar, tê-la na memória. Se cumprir isso, ele será bem sucedido por onde andar. A Palavra do Senhor conduzirá Josué e o fortalecerá na missão. Essa será uma das suas fontes de força e coragem (Js 1.7-8).

Esses conselhos completam-se com:

Não fui eu que lhe ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem se desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar”. (Js 1.9)

A promessa está firmada na palavra dita pelo próprio Deus. Ele é fiel e não volta atrás. O desânimo e o pavor virão ao encontro de Josué e de seu povo durante a jornada. Mas, a presença do Senhor os confortará e fortalecerá. A Palavra do Senhor e sua doce presença são a fonte de força e coragem para aqueles que dedicam sua vida à missão que o Senhor lhes deu.

Josué, confirmado por Deus

A história contada no livro de Josué mostra a ação de Deus para confirmá-lo como o líder do povo (Js 3.7). Uma delas, em especial, é a travessia do Jordão (Js 3.8 – 4.24). O povo está prestes a entrar na terra prometida, mas precisa atravessar o Rio Jordão. Não é uma travessia fácil naquele tempo. Deus dá instruções a Josué de como a travessia deveria ser feita e avisa que fará um milagre. Josué orienta o povo, e quando os sacerdotes pisam nas águas, o rio se abre. As fortes correntezas que desciam rio abaixo, na época da cheia, estancam e abrem caminho para o povo passar.

Josué orienta o povo a pegar 12 pedras, simbolizando as tribos de Israel. Eles devem empilhar essas pedras como um memorial para os filhos dos israelitas lembrarem que Deus os ajudou a passar o Jordão. Para que eles saibam que o Deus vivo está no meio deles e dará a vitória sobre todos os povos inimigos (Js 3.10).

Tal ação de Deus fez com que o povo respeitasse Josué todos os dias da sua vida, assim como tinham feito com Moisés (Js 4.14).

A Conquista de Canaã

Josué obteve diversas vitórias ao longo de sua jornada como líder do povo. Algumas são marcantes e notáveis: a conquista de Jericó (Js 6), a conquista de Ai, a vitória sobre 5 reis, depois outra vitória sobre 7 reis, quando fez o sol parar com sua oração e outras vitórias relatadas em seu livro. Em todas essas vitórias fica clara a ação da mão de Deus conduzindo-o e fortalecendo seu coração.

A habilidade militar de Josué foi uma ferramenta usada por Deus em sua missão, mas não foi a capacidade de Josué que lhe deu a conquista de Canaã. O seu livro deixa claro que foi a mão do Senhor que lhes deu vitória: “[Josué] convocou todo o Israel, com as autoridades, os líderes, os juízes e os oficiais, e lhes disse: “Estou velho, com idade muito avançada. Vocês mesmos viram tudo o que o Senhor, o seu Deus, fez com todas essas nações por amor a vocês; foi o Senhor, o seu Deus, que lutou por vocês.” (Js 23.2-3 – NVI)

A ênfase do livro, portanto, não é a pessoa de Josué. O ponto principal é como Deus é fiel à sua aliança, à promessa que tinha feito a Abraão de dar ao seu povo uma terra onde manam leite e mel. É a fidelidade de Deus que conduz o povo na conquista de Canaã e lhe dá descanso. Após diversas guerras para conquistar a terra prometida, o livro de Josué relata que o Senhor deu repouso a Israel (Js 23.1). O Senhor cumpriu sua promessa, usando homens desde Abraão, José no Egito, Moisés e, por fim, Josué. O papel destes homens é glorificar a Deus e fazê-lo conhecido. Suas conquistas apontam para a grandeza do poder de Deus. Como o próprio nome de Josué diz, “Javé é Salvação”, não é o próprio Josué quem salva e dá a vitória, mas sim, Deus que os acompanha é quem os salva.

Conclusão

Josué é retratado em seu livro como um segundo Moisés conduzindo o povo à vitória em nome e no poder de Javé. Em justiça, sabedoria e lealdade ao Senhor, ele parece encarnar as características necessárias a todos os líderes servos. Ele é o único líder político e militar do Antigo Testamento com uma história imaculada, ou seja, que durante sua vida não se afastou do Senhor.