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Templo do Espírito Santo: O que significa? Versículos, tatuagem, etc.

Nosso corpo é o templo do Espírito Santo significa, essencialmente, que o Espírito Santo faz de nosso corpo sua habitação. Somos sua morada! Por isso, devemos ser guiados pela vontade dele e não pertencemos mais a nós mesmos. (1Co 6.19)
No Antigo Testamento, o templo era o lugar sagrado que tinha a presença de Deus. Era o sinal visível do Deus Vivo habitando em meio ao seu povo. Contudo, no Novo Testamento, o Espírito Santo de Deus habita no corpo dos cristãos, e não em templos de pedra. (1Co 3.16) Ou seja, dia a dia Deus está com cada um de seus filhos, guiando-os, fortalecendo, aconselhando e lhes sustentando.

Templo do Espírito Santo – Estudo

O templo é uma das partes mais importantes da religião judaica no Antigo Testamento (AT). Entender o simbolismo do templo no AT nos ajuda a compreender a profundidade dessa verdade do Novo Testamento (NT), a saber, de que o cristão é templo do Espírito Santo.

O templo no Antigo Testamento

O Templo é uma das coisas mais importantes no Antigo Testamento. Pois, é um dos principais pilares da fé judaica. Deus escolheu aquele templo para colocar seu nome ali, seus olhos e seu coração dariam atenção constante àquele lugar (2Cr 7.11-16). Quando o Novo Testamento fala sobre Cristo, fica claro que  os três grandes pilares do judaísmo antigo — a saber: a Torá, o Templo e a Terra Prometida — são reavaliados a partir de Jesus.
Desse modo, observamos que todo o Antigo Testamento aponta para Cristo como o ápice da glória de Deus e o cumprimento de sua Palavra. O templo tem o propósito de que todos saibam que Deus está presente ali, que Deus os ouve e habita com seu povo. O templo é uma forma do povo ver Deus sempre presente, ao seu lado.

O templo no Novo Testamento

Portanto, a importância do templo será revista a partir da boa nova do Evangelho. Pois, no NT, Jesus é o templo! (João 2.19) Imagine quão chocante era tal afirmação! No Antigo Testamento, o templo era o local da habitação santíssima de Deus no meio de Israel. Algumas partes do templo, como o Lugar Santíssimo, eram extremamente reservadas e apenas o sacerdote poderia entrar. Mas, para isso, ele precisaria passar por rituais rígidos de purificação.
Quando o Novo Testamento diz que esse Deus Santíssimo, glorioso, não habita mais no templo de Israel, mas está plenamente revelado em Jesus, anuncia-se uma notícia inimaginável para um judeu.
No Antigo Testamento, o templo era o símbolo da presença de Deus, no entanto, no NT, Jesus é Deus conosco (Mt 1.23). Ele é a presença de Deus fora do templo, andando nas ruas e levando a glória de Deus por onde vai. Ele é plenamente Deus em meio ao seu povo.
O templo do AT tinha concluído seu propósito que era apontar para o que Cristo traria em plenitude. O templo limitava o acesso a Deus, poucos poderiam entrar em todos os lugares, havia barreiras entre a presença de Deus e o povo. Mas, em Cristo há liberdade para o acesso à presença de Deus. Isso é anunciado quando o véu do templo se rasga de alto a baixo. (Mt 27.50-51) O sacrifício de Jesus nos dá acesso à presença de Deus.

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O Espírito Santo:

Jesus, antes de ser crucificado prometeu que enviaria o Conselheiro. (João 16.7-8) Além disso, Cristo nos diz que esse Conselheiro seria o Espírito da Verdade que nos guiaria. (João 16.13) Portanto, a partir desses trechos, veja que o Espírito Santo é enviado por Jesus para nos convencer do pecado, da justiça e do juízo. Além disso, guiará os cristãos na verdade, ou seja, nos ensinamentos de Cristo.
Quando estudamos a questão de sermos templo do Espírito Santo, precisamos lembrar dessas coisas. Pois, somos morada  do Espírito Santo, enviado por Jesus!

Posso fazer o que quiser com meu corpo?

Não. Pois, seu corpo agora é templo do Espírito Santo. Toda sua vida pertence a ele. Isso significa que você deve confiar que ele lhe dará os melhores conselhos sobre como cuidar de seu próprio corpo. Não faça o que você quiser, se você é habitação do Espírito, busque conhecer a mente dele para experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus em sua vida. (Rm 12.1-2)
O Espírito Santo tem um propósito para habitar em nós. Vemos nos escritos de Paulo à igreja em Corinto. Na primeira carta à essa igreja, lemos:

Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês? (1 Coríntios 3:16)

Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos? (1 Coríntios 6:19)

Observe que ser templo do Espírito Santo é um privilégio. Porém, privilégios trazem grandes responsabilidades. A condição dos coríntios de justificados e santificados em Cristo deve resultar numa vida de obediência crescente
às exigências de Deus (ICo 6.11,12-20). Embora para 0 crente todas as coisas sejam “permitidas”, ainda assim, nem tudo convém. O Espírito nos impulsiona para uma vida de santidade. (ICo 6.12)
A igreja é templo do Espírito, construída sobre o alicerce da cruz de Cristo (1Pe 1.18-20; 1Co 1.19,20; 1Co 3.10-23). Por isso, cada cristão é chamado a viver por amor a Jesus, acima de tudo! Jesus nos deu nova vida, não devemos mais ser escravos do pecado. Esse é o contexto presente em 1Co 6.9-11.

Sendo assim, o Espírito habita faz de nós seu templo para nos:

  • Limpar do pecado;
  • Santificar;
  • Guiar na Palavra da Verdade;
  • Moldar nossas vidas ao caráter de Cristo.

A glória de Jesus está presente em seu povo e deve brilhar através dele. Assim como Jesus é a presença de Deus em meio às pessoas, o cristão deve ser um sinal da presença de Jesus onde estiver. Isso só é possível pela ação do Espírito Santo naqueles em quem ele habita.

Leia Também: O que a Bíblia fala sobre Tatuagem? Tatuagem é pecado?

A Santidade do Templo do Espírito Santo

Sem dúvidas, ao falarmos da habitação de Deus, devemos falar de sua santidade.  A convicção de que Deus é
santo é fundamental na vida do cristão. Pois, ele nos diz “sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.15-16). O mesmo princípio está presente em 1Tessalonicenses 4.3-8, de que crentes devem manter distância das práticas imorais e atender ao chamado divino para ter uma vida de “santificação” (ITs 4.7).
No entanto, isso só é possível quando estamos amparados no dom do Espírito Santo (ITs 4.8). Pois, ele nos conduz à santidade na redenção (2Ts 2.13 – Esse texto evidencia ainda mais que a presença do Espírito Santo conduz à fé na verdade e à uma vida naqueles que foram salvos).
Esse pano de fundo serve para mostrar a importância da mensagem de 1Coríntios 6.12-20, onde vemos a insistência de Paulo para fugirmos da “imoralidade sexual”. Outros pecados são listados em 1Co 6.9-11, tais como idolatria, imoralidade, amor ao dinheiro, trapaceiros, caluniadores e etc. Não só a imoralidade sexual, mas todos esses pecados devem ser combatidos pelo cristão.
Porque se somos habitação do Espírito Santo, devemos ser santos, assim como Ele é. Em outras palavras, o Senhor terá um povo santo e nosso corpo deve ser expressão de sua santidade.

Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.
Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.

Romanos 8:28,29

Pregação sobre o templo do Espírito Santo:

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Genealogia de Jesus: significado e estudo

A Bíblia relata para nós duas genealogias de Jesus. A primeira está em Mateus 1.1-17 e a segunda está em Lucas 3.23-38. Cada uma delas tem particularidades ricas em significado e ensino. Portanto, merecem nosso estudo e atenção!

Desde muito tempo atrás, a interpretação tradicional supõe que:

  • a genealogia registrada em Mateus acompanha a linhagem de Jesus por intermédio de José (sua genealogia legal),
  • Enquanto que a genealogia em Lucas acompanha sua linhagem por meio de Maria (sua genealogia natural).

Algumas Teorias sobre as Genealogias de Jesus

A interpretação tradicional encontra algum apoio no fato de que, em Mateus, a narrativa do nascimento de Jesus concentra-se mais no papel de José que no de Maria (Veja Mateus 1.19-25; Mt 2.19-23). E por sua vez, a narrativa de Lucas faz de Maria personagem principal (Veja Lucas 1.28-30; Lc 1.42-48; Lc 2.19).

Há uma antiga hipótese que explica esse fato porque José seria a fonte de boa parte das narrativas do nascimento registradas em Mateus, ao passo que Maria é a fonte da maior parte do material de Lucas.

Outra teoria que plausível é a ideia de que Mateus apresenta a genealogia régia ou legal, enquanto que Lucas apresenta os que concreta e fisicamente descenderam de Davi.

Mas, qual é a diferença nisso? Naquela época havia antigas listas dinásticas, que apenas acompanhavam a linhagem da sucessão. Por isso, eram seletivas em suas informações. Não registravam todos os nomes de descendentes, apenas os sucessores mais importantes. Sendo assim, Mateus teria usado uma dessas listas dinásticas, enquanto Lucas reconstruiu a genealogia mais minuciosamente. Essa teoria não é impossível. No entanto, infelizmente, não há como confirmá-la ou refutá-la.

O fato é que os autores tinham em mente ensinar verdades a respeito de Cristo. Não queriam um registro científico histórico, mas trouxeram verdades profundas sobre o nascimento do Filho de Deus. Para isso, fizeram caminhos diferentes, mas não falaciosos.

Comparando as Genealogias

Começaremos pela genealogia registrada em Mateus e depois falaremos sobre Lucas. Cada um deles teve um propósito ao escrever seu evangelhos. Há algumas diferenças notáveis que nos ajudam a entender os objetivos dos autores. Vejamos a seguir:

A genealogia em Mateus

Em Mateus, a genealogia serve de introdução ao Evangelho, em especial para as narrativas do nascimento, e acompanha a linhagem que vai desde Abraão e, que através de José chega a Jesus. Ele usa repetidamente o verbo “gerou”.

Há uma divisão de organização dos nomes em três grupos de catorze. É notável a inserção de algumas mulheres e, possivelmente, alguns irmãos. Contudo, percebe-se também a omissão de vários nomes.

No final da genealogia, há um detalhe muito importante, a ausência do verbo “gerou”. Mateus fez uso repetitivo desse verbo para traçar a conexão entre pais e filhos. No entanto, quando se refere a José e Jesus ele não usa o verbo (Mt 1.16). José é o marido de Maria, da qual Jesus nasceu. Mas, José não “gerou” Jesus. Isso, reflete a crença do autor na concepção virginal.

A genealogia em Lucas

Em Lucas a genealogia aparece após o batismo e serve de introdução ao ministério de Jesus e, dessa maneira, não faz parte propriamente da narrativa do nascimento de Cristo. Lucas usa a expressão “filho de” repetidamente. Seu registro começa com Jesus, chega até Adão e, por fim, Deus.

Essa genealogia começa com uma explicação que indicando que Jesus não era filho biológico de José:

Jesus tinha cerca de trinta anos de idade quando começou seu ministério. Ele era, como se pensava, filho de José, filho de Eli… Lucas 3:23 [grifo nosso]

A explicação “como se pensava” mostra que Jesus era conhecido pelo povo como filho de José, mas na realidade, ele é Filho de Deus. É interessante ver que é o próprio Deus que afirma isso em Lc 3.22, um versículo antes da abertura da genealogia.

Resumindo as ideias

À primeira vista, parece que a genealogia de Mateus tem como propósito apresentar Jesus como um israelita verdadeiro e, em particular, um descendente de Davi. Enquanto Lucas tenta mostrar que Jesus é um ser humano de verdade. Isso pode explicar certas diferenças encontradas na forma e no conteúdo dessas genealogias.

Em ambas, contudo, a intenção básica é dizer ou explicar aos leitores algo acerca de Jesus e de seu caráter, não tanto dar a conhecer seus ancestrais.

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A Teologia na Genealogia de Jesus

Alguns aspectos mais profundos nessas genealogias nos trazem ensinos riquíssimos. Por isso merecem atenção especial.

Objetivos teológicos de Mateus

A genealogia de Mateus deve ser lida em conjunto com o trecho seguinte (Mt 1.18-25). Juntas, as duas partes destacam Jesus como Filho de Davi e Filho de Deus, temas desenvolvidos em outras passagens do evangelho.

Provavelmente, o objetivo de Mateus 1.18-25 é explicar a genealogia e, em particular, como Jesus podia ter nascido de Maria, mas não de José, e ainda assim pertencer à linhagem davídica. Isso significa que a genealogia e o trecho seguinte pressupõem e tentam explicar o nascimento virginal. Mateus se preocupa em explicar essa questão, pois, seria um tema sensível a respeito da origem de Cristo.

Por esse motivo, podemos considerar que Mateus encontrou um meio de defender
a concepção virginal. Isso explica, em parte, a decisão incomum de incluir várias mulheres na genealogia.

Na verdade, isso só acontecia quando:

  • o pai era desconhecido,
  • ou quando os filhos de um patriarca provinham da união com esposas diferentes,
  • ou quando as mulheres estavam relacionadas com algum personagem importante
  • ou quando eram elas mesmas personagens famosas (como é o caso aqui).

As mulheres na genealogia em Mateus

Mateus não cita apenas Maria. Ele inclui outras quatro mulheres: Tamar, Raabe, Rute e Bate-Seba. Alguns estudiosos discutem por qual motivo Mateus as incluiu em sua lista. As principais hipóteses são:

  1. É possível que Mateus estivesse mostrando uma ponte entre Jesus e gentios e pecadores. Visto que algumas dessas mulheres tinham histórias controversas. Como é o exemplo de Raabe que era uma prostituta pagã, mas foi acolhida pelo povo de Deus e teve sua vida transformada.
  2. Alguns acreditam que a menção a essas quatro mulheres teve o objetivo de mostrar que elas foram veículos do plano messiânico de Deus, apesar das uniões irregulares. Desse modo, parece que nosso autor deseja, por meio dessa genealogia, chamar a atenção para Maria como instrumento do plano messiânico de Deus (e como fonte da humanidade de Jesus), mostrando que, para ser descendente de Davi, Jesus foi devedor tanto a mulheres quanto a homens.

Leia também: Quem foi Raabe?

A importância de José em Mateus

Embora o Evangelista mencione Maria na genealogia, é José com seus
sonhos que faz a ligação entre as várias narrativas de Mateus 1—2.

Mateus concentra sua atenção na reação de José diante da intervenção divina na vida de Maria e, em particular, mostra como, por meio de sonhos, ele é repetidas vezes levado a fazer a vontade de Deus. Não é por acidente que, além de
Jesus, nesses relatos só José seja chamado “filho de Davi”. Ele é visto como o típico patriarca que guiará e protegerá Maria e Jesus de acordo com a direção de Deus.

José é apresentado como um discípulo-modelo e um filho de Israel. É obediente aos sonhos celestes e chamado “homem justo” (Mt 1.19), ou seja, aquele que apoia e defende a Lei. Assim, em Mateus 1.18,19 ele é apresentado como alguém apanhado entre a santa lei de Deus e seu amor por Maria.

Ele é um judeu fiel, que está disposto a abrir mão do que era visto como o
maior privilégio de um pai judeu — engravidar a esposa de seu primogênito — a fim de obedecer à vontade de Deus (Mt 1.24).

Assim, Mateus explica um pouco como Jesus se tornou legalmente filho
de Davi e busca mostrar a veracidade da origem de Jesus. Nessa apresentação, Maria não apenas está submissa à liderança de José, mas também totalmente calada. Por isso, é possível que o autor esteja reafirmando os tradicionais papéis judaicos de liderança masculina e submissão feminina por causa de seu público judaico-cristão.

Objetivos teológicos de Lucas

A genealogia de Lucas apresenta Jesus no contexto mais amplo da humanidade em geral não apenas do judaísmo. Isso acontece porque Lucas está escrevendo para um público gentio e deseja mostrar que Jesus também veio para eles.

Contudo, é importante enfatizar que Jesus é apresentado como o ideal humano! Ele não é apenas um só com toda a humanidade, mas, deve ser visto como o modelo de relacionamento pessoal com Deus e com o próximo! Ele também é o exemplo de como se deve agir na tentação e em outros aspectos de como seguir a vontade de Deus.

Lucas apresenta Jesus como o Novo Adão, ou seja, ele é o primeiro em uma nova linhagem de seres humanos. Mas com a diferença fundamental é que esse Adão — ao contrário do primeiro — é um filho obediente de Deus.

Um fato importantíssimo é a presença da expressão “filho de Deus” no final da genealogia. Pois, os judeus, em suas genealogias, não tinham o costume de se referir a alguém dessa forma. Existe, então, uma ênfase não apenas na humanidade plena de Jesus (um filho de Adão), mas também em sua origem divina, que portanto, procede de Deus (um filho de Deus).

Conclusão

Em Mateus e Lucas, os objetivos são mostrar a natureza de Jesus e as verdades bíblicas que se concretizam ali. Os autores não estavam preocupados em apresentar listas minuciosas ou exaustivas de todos os antepassados de Jesus. Eles desejavam realçar alguns aspectos de sua herança, os quais iriam demonstrar aos seus leitores a relevância e a natureza de Jesus.

Fonte Bibliográfica:

Esse artigo sobre as genealogias de Jesus tem como fonte principal o Dicionário Teológico do Novo Testamento; Editora Vida Nova. São Paulo: 2012. Verbete: Jesus, Nascimento de. Escrito por B. Witherington. pág. 706-710.

 

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A Mulher Samaritana

Um dos encontros mais marcantes de Jesus na Bíblia é com a Mulher Samaritana. Esse momento está relatado em João 4.3-30. O evangelho não nos conta qual era o nome verdadeiro dela. Por isso, ficou conhecida como Mulher Samaritana. Ou seja, uma mulher de Samaria que teve um diálogo marcante com Jesus, a partir do qual toda sua vida mudou.

Os Samaritanos

Os samaritanos eram um povo com antepassados israelitas, mas, ao longo dos séculos foi mesclado com outros diversos povos pagãos que dominaram seu território. O povo que era israelita se casou com pessoas da Babilônia, adoraram outros deuses. Foram mudanças profundas nos costumes e religião do povo do Reino do Norte.

Dessa forma, os judeus não consideravam os samaritanos como parte do Israel verdadeiro. Havia grande rivalidade entre judeus e samaritanos, ambos se odiavam profundamente.

O encontro de Jesus com essa mulher é uma quebra de paradigmas culturais da época. Visto que judeus não falavam com samaritanos. Tampouco, um rabi judeu falaria com uma mulher de Samaria.

Jesus teve de passar por Samaria

João nos conta que Jesus teve de passar por Samaria (Jo 4.4). Mas por quê? Ele estava saindo da Judeia em direção à Galileia. Sendo assim, “teve de passar” poderia significar apenas que o caminho mais curto e rápido da Judeia para a Galileia era a estrada que passava por Samaria. Muitos viajantes galileus usavam esse percurso para ir a Jerusalém.

No entanto, “teve de passar por Samaria” tem outro sentido. Veja:

  • O Evangelho de João enfatiza constantemente a consciência do plano divino agindo no tempo correto em cada passo de Jesus (Jo 2.4; Jo 7.30; Jo 12.23; Jo 13.1).
  • Ao fim de sua conversa com a Mulher Samaritana, Jesus diz que seu alimento é fazer a vontade de seu pai e concluir sua obra. (Jo 4.34)
  • Sendo assim, havia um propósito de Deus para o encontro entre Jesus e aquela mulher.
  • Portanto, Jesus teve de passar em Samaria para cumprir a vontade do Pai de levar o evangelho também aos samaritanos.

O encontro entre Jesus e a Mulher Samaritana

Em meio a sua viagem, Jesus passou pela cidade samaritana de Sicar. Seus discípulos tinham ido buscar comida. Havia ali um poço. Jesus estava cansado da viagem e decidiu sentar-se um pouco.

Era por volta do meio dia, o momento em que o sol está mais forte. Então, uma mulher samaritana veio buscar água no poço. Nesse momento, Jesus aproveita a oportunidade para pedir água àquela mulher. A mulher se assusta e pergunta “Como o senhor sendo judeu pede água para mim que sou samaritana???” (Jo 4.9).

Vamos ver os detalhes desse momento

  • As mulheres daquele época costumavam buscar água no poço logo cedo. Elas iam em grupo. E aproveitavam o momento em que o sol estava mais ameno.
  • Aquela mulher samaritana faz o oposto. Ela vai ao meio dia, sozinha. Como se estivesse evitando se encontrar com outras pessoas. (Jo 4.6)
  • Jesus pede água para a samaritana. Isso vai contra a rivalidade dos judeus e samaritanos. Veja que a atitude de Jesus espanta a mulher. João faz questão de nos explicar que judeus não se davam bem com samaritanos.(Jo 4.9)

É em meio a esses detalhes que percebemos que esse não é um encontro comum, por mero acaso. Jesus tem um propósito ali. E logo ele começa a revelá-lo.

A primeira parte do diálogo

Ao ouvir a reação espantada da mulher, Jesus lhe responde de maneira enigmática.

Jesus lhe respondeu: “Se você conhecesse o dom de Deus e quem lhe está pedindo água, você lhe teria pedido e ele lhe teria dado água viva”.
João 4:10

Nessa frase, vemos que ele desperta a curiosidade da mulher. Ao mencionar a água viva e também ao sugerir um mistério sobre “quem está lhe pedindo a água”. Sutilmente Jesus instiga a mulher a pensar além da água, e quem seria esse com quem ela falava.

As objeções da Mulher

Mas a mulher lhe faz objeção com dois pontos:

  • Se o senhor não tem como pegar água do poço, como e onde vai conseguir essa tal água viva? (Jo 4.11)
  • Por acaso, o senhor é maior que Jacó que construiu o poço e bebeu dele com seus filhos e seu gado? (Jo 4.12)

A resposta de Jesus

Jesus não responde diretamente as perguntas da mulher, ele continua em seu enigma. Esse enigma é chamado Mashal, é um dito paradoxal, velado e contundente. Alguns termos demonstram dupla interpretação. De forma que o ensino é dado em forma de enigma. [fonte] Hendriksen, William. Comentário do Novo Testamento – João [/fonte]

Jesus respondeu: “Quem beber desta água terá sede outra vez,
mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Pelo contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna”.
João 4:13,14

Perceba que ele continua instigando a curiosidade da mulher. E através do assunto da água, ele está ensinando algo sobre o evangelho. Água e sede tem um duplo sentido na frase de Jesus. Porém, a mulher entende apenas o sentido material dos termos, enquanto o mestre está ensinando algo espiritual.

Ao ouvir Jesus dizer “água viva” a mulher pode ter entendido primeiramente “água nascente”. Como se Jesus estivesse se referindo a uma fonte de corrente, uma nascente de água em outro lugar. Mas, o ensino de Cristo aponta que água viva é um símbolo de fonte infinita de vida, a dádiva da vida eterna e salvação.

As sedes da Mulher Samaritana

A fala de Jesus mostra diferentes sedes de uma pessoa. Percebemos isso ao ver Jesus mencionando a vida eterna. Contudo, a mulher deseja uma água que a faça não ter mais sede física, para que não precise ir novamente ao poço. (Jo 4.15) Ela conhece a sede do corpo. Mas isso não é tudo.

Ela tem uma sede mais profunda, mas não sabe. A sede da alma que ela esconde tão bem, até de si mesma. A sede espiritual de uma vida árida e distante de Deus. Uma sede como a do Salmo 42.1-2. A sede da alma só pode ser saciada com um encontro real com o Deus vivo.

Sendo assim, o Criador conhece o coração que está sedento e precisa desesperadamente da água viva. Água que flui do próprio Deus.

Os 5 maridos da Mulher Samaritana

Ambos estavam falando sobre água e sede. De repente Jesus diz: “Vá chamar seu marido e volte!”. A mulher, desconcertada, diz “Não tenho marido”. A resposta está correta. Ela não tem marido. Ela já teve cinco, e agora estava com um homem, mas este não era seu marido. (Jo 4.16-17)

Talvez, seja esse o motivo pelo qual ela ia buscar água sozinha. Pode ser que esse fosse um motivo de vergonha para ela.

Repare nas respostas anteriores dessa mulher. Se olharmos o texto em grego (língua original), veremos:

  • No versículo 9, ela usa cerca de 11 palavras.
  • Nos versículos 11 e 12, são 42 palavras.
  • No versículo 15, são 13 palavras.
  • Mas, no versículo 17, ela usa apenas 3 palavras.

Diante disso, percebe-se que ela não gostava do assunto. E colocou-se em posição defensiva quando Cristo menciona seu marido. Sua postura muda drasticamente.

Por que Jesus mandou a mulher samaritana chamar seu marido?

Porque ele conhecia o coração da mulher. Através dessa frase ele demonstra que conhece até os segredos da vida dela. Ao mencionar esse assunto, ele está se aprofundando e falando à consciência dela. Jesus demonstra conhecer o passado e o presente da mulher.

Ao expor verdades sobre a mulher e sua vida atual de pecado, Jesus estava preparando-a para conhecer a verdade sobre a água viva. Diante do que ela ouve sobre sua própria história, ela o chama de profeta (Jo 4.19). Ao chamá-lo assim, ela confirma que o que ele havia dito era verdadeiro. Ela assume seu pecado.

A partir disso, a conversa se encaminha para o seu ponto mais importante.

A segunda parte do diálogo

É interessante que a partir de sua conversa com Jesus, aquela mulher levante a questão da adoração. Ela pergunta qual é o lugar correto para adorar a Deus. (Jo 4.20) Ao ter seu pecado exposto por Cristo, ela fala sobre adoração. Se caso agora ela estivesse se arrependendo, aonde deveria buscar a Deus?

Verdadeiros adoradores

Nesse momento Jesus ensina algo maravilhoso para ela e para nós. Não importa o local de adoração, se é Jerusalém ou qualquer outro lugar no mundo. A verdadeira adoração é em espírito e em verdade. Os verdadeiros adoradores que Deus procura o adorarão assim. (Jo 4.21-24)

Mas, qual é o significado de adorar em espírito e em verdade?

Vejamos o contexto da fala de Jesus em Jo 4.23-24;

  • a adoração a Deus não está restrita a um lugar sagrado (Jo 4.21)
  • essa adoração é preenchida pela verdade, ou seja, conhecimento claro e profundo de Deus, que flui de sua salvação. (Jo 4.22)
    • Sendo assim, adorar a Deus em Espírito e em Verdade, significa: honrar a Deus de tal maneira que todo o ser entra em ação, e fazer isso em perfeita harmonia com a vontade de Deus, conforme se encontra revelada nas Escrituras. [fonte] Hendriksen, William.[/fonte]

Essa adoração tem seu fundamento na verdade que Jesus revela a seguir:

Então Jesus declarou: “Eu sou o Messias! Eu, que estou falando com você”.
João 4:26

Jesus revela que ele é o Messias, o Filho de Deus que veio ao mundo para salvar e resgatar os perdidos. É muito especial que ele tenha revelado isso de forma tão direta a essa mulher. Visto que, em outras ocasiões e encontros ele não tenha falado isso abertamente.

O Testemunho da Mulher

Veja que nesse momento os discípulos de Jesus chegam. A mulher deixa o cântaro ali mesmo e corre para a cidade para contar a todos sobre o homem que encontrou no poço. Chama os seus vizinhos e conhecidos para conhecê-lo dizendo “Será que ele é o Cristo?”. (Jo 4.28-29) (Cristo e Messias são palavras com mesmo significado)

A partir do testemunho dela, muitos samaritanos vêm até Jesus e o conhecem.(Jo 4.39) Eles pedem que Jesus permaneça ali, ele aceita e fica por dois dias. Após esses tempo aprendendo com Jesus, eles dizem:

E disseram à mulher: “Agora cremos não somente por causa do que você disse, pois nós mesmos o ouvimos e sabemos que este é realmente o Salvador do mundo“.
João 4:42

Veja que o que Cristo disse à mulher se cumpriu. A partir do momento que ela reconheceu que ele era o Messias, sua vida foi transformada. Como se água viva estivesse fluindo do seu coração que outrora estava árido pelo pecado.

Ao receber a água viva, ela partiu e contou aos outros sobre o Messias. Ela conta a todos sobre a fonte de água viva que transformou sua vida. Desse modo, de dentro dela a água viva jorrava em forma de testemunho àqueles que a ouviam. (Jo 4.13-14) Ela pôde saciar sua sede espiritual. E então, agora, ela e seus conterrâneos sabiam que Jesus Cristo é o Salvador do mundo.

 

 

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A Mulher do Fluxo de Sangue

Em Marcos 5.24-34; Lc 8.43-48 e Mt 9.20-22;  a Bíblia relata para nós o momento em que uma mulher toca em Jesus. Isso pode parecer normal. Contudo, a história relata que como um ato de fé essa mulher toca em Jesus para ser curada de uma doença que a afligia por 12 longos anos.

Essa história tem detalhes e ensinamentos muito valiosos. Portanto, vamos nos aprofundar através do estudo dessa passagem bíblica.

Contexto anterior

Em todos os relatos bíblicos da história dessa mulher, lemos antes que um homem chamado Jairo vai ao encontro de Jesus e pede com urgência que ele vá até sua casa, pois sua filha está muito doente, à beira da morte. Ao ouvir o pedido, Jesus começa a acompanhar Jairo até sua casa. Contudo, no meio do caminho, uma grande multidão se aproximou de Jesus e seus companheiros, de forma que era difícil andar. 

Em meio à multidão, estava uma mulher que padecia havia 12 anos de uma hemorragia (ou fluxo de sangue). (Mc 5.25) Os três evangelhos relatam o tempo que ela sofria desse mal. Porém, nenhum deles relata seu nome. No entanto, todos enfatizam, especialmente, a sua fé

A realidade da Mulher com fluxo de sangue

Essa mulher sofria há muito tempo e gastou tudo que tinha com os médicos à procura de uma cura (Lc 8.43). Mas, ao invés de melhorar, sua situação era cada vez pior (Mc 5.36). A história parece demonstrar que a hemorragia era incurável. Uma doença que piorava gradualmente e debilitava a mulher, lhe causando sofrimento e vergonha, além de outros diversos incômodos e constrangimentos.

Ser uma mulher com hemorragia nos tempos bíblicos era mais do que um problema clínico. Havia outras implicações culturais. 

Questões culturais – Fluxo de Sangue no Antigo Testamento

Qualquer mulher que estivesse em seu período menstrual era considerada impura cerimonialmente (Lv 15.19). Ou seja, por conta de sua doença, essa mulher tinha também restrições culturais. Pois, quem tocasse nela seria considerado impuro. Assim, as pessoas a evitavam. Além disso, ela não podia entrar no templo para participar dos momentos de adoração. 

Sendo assim, além do sofrimento físico, sua doença lhe causa exclusão social. A mulher sofria havia doze anos e estava sem esperanças. Até que ouviu falar de Jesus (Mc 5.27).

O encontro da Mulher com Jesus

Em meio ao aperto da multidão (Mc 5.24), que o cercava por todos os lados, Jesus sentiu um toque diferente. Ao sentir esse toque, Jesus perguntou “Quem me tocou?” (Mc 5.30). Perceba que cena curiosa. Jesus está sendo comprimido e apertado por toda multidão ao redor e de repente pergunta quem o está tocando. 

Seus discípulos estranham a pergunta do mestre! “A multidão toda te aperta e você pergunta quem te tocou?” (Mc 5.31) Várias pessoas estão tocando Jesus! Mas, em meio a toda pressão da multidão, um toque foi diferente. Jesus não estava falando dos toques físicos, mas de um toque de fé.

Uma mulher com fluxo de sangue, acanhada e humilde, havia se esgueirado em meio a multidão. E sutilmente tocou a barra do manto de Jesus. Discretamente, ela o tocou. Um toque sutil e rápido. Pois, ela acreditava “Se eu apenas o tocar serei curada” (Mc 5.28).

Ela não queria interromper o mestre. Por causa de sua condição, ela nem ousa apresentar-se. Ela não tinha o que lhe oferecer. Nem ao menos se achava digna de se colocar diante dele. Tudo que ela tinha era uma simples fé que ao tocá-lo, mesmo que fosse um breve toque em sua veste, ela seria curada. Pois, ela sabia que o poder de Jesus era grandioso, então apenas um toque seria suficiente.

A mulher imaginava que Jesus jamais perceberia o toque dela na ponta da veste. 

A cura da Mulher com fluxo de sangue

Imediatamente!!! Ao tocar a veste de Jesus, a mulher é imediatamente curada! (Mc 5.29) Ela sente seu corpo livre do sofrimento que carregava há tantos anos! O alívio lhe percorre o corpo e a mente. A leveza invade sua alma.

Então, de repente ela ouve Jesus perguntar “Quem me tocou?”. 

Ao ver que Jesus insistia e procurava saber quem havia lhe tocado, a mulher se apresenta diante dele. Veja que ela treme de medo ao se colocar diante dele. (Mc 5.33) Ela se prostra de joelhos, aos pés de Jesus e lhe conta toda a verdade. Seu medo pode ser por ter tocado o mestre sendo ela impura. Ou por ter “usado” o poder do mestre sem sua permissão. Ele teme a Jesus, pois não o conhece. 

A fé da mulher não é perfeita. Mas, Deus graciosamente concede cura para ela. Além disso, sua fé aprofundada e elevada através de seu encontro com Jesus. 

O ciclo do encontro com Deus

Ao tocar Jesus, a mulher recebe a cura. Entretanto, o propósito do encontro com Jesus não estava completo. Por isso, Jesus faz questão de saber quem lhe tocou. Veja o que lemos no Salmos 50.15:

“e clame a mim no dia da angústia; eu o livrarei, e você me honrará.”
Salmos 50:15

Nesse versículo vemos 3 passos: Clamor – Livramento – Glória a Deus.

Sendo assim, o ciclo e propósito daquele encontro não estava completo. Ela (1) havia clamado a ele com o toque, (2) recebeu a cura, mas ainda não havia o honrado, faltando assim o terceiro passo. Então, quando ela se prostra e lhe conta tudo, o ciclo se completa.

Por fim, veja que é apenas nesse momento que ela recebe o carinho direto de Jesus. Ele lhe diz:

Então ele lhe disse: “Filha, a sua fé a curou! Vá em paz e fique livre do seu sofrimento”.
Marcos 5:34

Perceba a forma gentil que ele usa ao chamá-la de filha. Não só a cura é derramada sobre ela, Jesus lhe dá paz e liberdade. A certeza de que o sofrimento não voltará.

Ao apenas tocar em Jesus, ela não havia recebido a parte mais especial: falar com ele e receber seu afeto. Ela sentiu medo quando ele chamou. Mas, as palavras de Jesus a conduzem a conhecer o coração do mestre.

Depois desse encontro, ela pode perceber que não foi apenas o poder de Jesus que a curou, mas sim, sua graça e misericórdia. Portanto, a fé não se baseia apenas em crer no poder de Deus. Mas, em que Deus nos ama e tem compaixão dos que sofrem.

Ainda que ela tenha tido que esperar 12 anos. O sofrimento teve o propósito de aproximá-la de Jesus e dar a ela o privilégio de receber seu afeto e poder.

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Jeová Nissi – Significado

Ao longo do Antigo Testamento, lemos a história da aliança entre Deus e Israel. Fica evidente que o povo de Israel foi conhecendo o Senhor progressivamente. Ou seja, aos poucos eles descobriam mais a respeito de Deus, seu caráter, poder e maravilhas.

Alguns eventos na história foram marcantes para o povo, e características de Deus se manifestaram de maneira especial. Em alguns desses eventos, o povo dava um novo nome ao Senhor para se lembrar quem ele é e o que havia feito por eles. Os nomes tinham uma aplicação didática. Era uma forma de ensinar o povo a respeito do seu Deus.

Alguns nomes conhecidos e muito usados para Deus são: SENHOR dos Exércitos (Sl 46.7), Jeová Rafa (Ex 15.26), Deus Altíssimo (Sl 57.2), entre outros títulos. No Novo Testamento vemos isso com menos frequência, mas um exemplo é Emanuel (Profecia em Is 7.14; concretiza-se em Mt 1.23).

Nesse artigo trataremos especialmente do nome Jeová Nissi.

Jeová Nissi – Contexto de Êxodo 17

É importante conhecer o contexto no qual surge o nome, pois, o contexto nos ensina o significado do nome e também sua aplicação para as nossas vidas. Em Êxodo 17.15, o nome Jeová Nissi é usado pela primeira vez.

O povo de Israel foi atacado pelos amalequitas (Ex 17.8), assim entraram em guerra. Enquanto os guerreiros de Israel foram para o campo de batalha, Moisés foi para o alto da colina, com a vara de Deus em sua mão (Ex 17.9-10). Moisés, Arão e Hur subiram a colina. Enquanto Moisés mantinha suas mãos levantadas, os guerreiros de Israel prevaleciam. Porém, quando ele abaixava as mãos, os inimigos avançavam (EX 17.11).

Com o passar do tempo, Moisés já estava cansado. Então, Arão e Hur lhe deram uma pedra para sentar e seguravam as suas mãos erguidas. Assim, com ajuda, Moisés conseguiu manter as mãos firmes até o pôr-do-sol. Dessa forma, o exército de Israel venceu a batalha.

Ao fim da batalha, Deus diz a Moisés que escreva em um rolo o que havia acontecido. Isso serviria de memorial. Nessa ocasião, Moisés constrói um altar e o chama de Jeová Nissi, que quer dizer “O SENHOR é minha bandeira”.

Jeová Nissi – Significado das palavras

O nome é composto por duas palavras. יְהוָ֥ה נִסִּֽי – Jeová Nissi.

  • A primeira palavra é o nome pessoal de Deus יְהוָֹה – Yahweh.

Esse nome é significa: aquele que dá vida, criador. Mas, em seu sentido mais puro significa “Aquele que é”. Também entendido como o absoluto e imutável e aquele que vive para sempre.

O próprio Deus se apresenta assim, quando Moisés lhe pergunta seu nome (Ex 3.12-15). As versões bíblicas em português traduzem o nome como “Eu Sou” ou “Eu Sou O Que Sou”. [fonte] Brown-Driver-Briggs. Verbete: יהוה [/fonte]

  • A segunda palavra é Nissi.

O significado é bandeira, sinal, estandarte. É como um símbolo de guerra. É a mesma palavra traduzida como “alto poste”, usada para descrever a serpente de bronze em Nm 21.8. Contudo, bandeira pode ser mal interpretado por nós hoje, pois imaginamos bandeira como um tecido, ornamentado com algum significado. No entanto, nos tempos bíblicos a “bandeira” ou estandarte de guerra era um poste de metal com ornamento em metal brilhante no topo para captar luz.

O significado de Jeová Nissi – Estudo

A bandeira, ou estandarte de batalha, é o símbolo visível da causa de um exército, é também o símbolo do rei ou comandante da tropa. Então, Moisés, ao dar esse nome ao altar, estava imprimindo na mente dos israelitas que saíram do Egito quem era seu Deus, o seu poderoso e verdadeiro líder.

Os israelitas tinham acabado de enfrentar sua primeira batalha depois da saída do Egito, ainda eram covardes e murmuradores, como se vê em Ex 17.2-3. Portanto, era necessário que aprendessem quem era o SENHOR que seguiam.

Lendo Ex 17.9-16, aprendemos:

  • Primeiramente, Moisés os faz ver que eles não batalham sozinhos, mas que Deus é sua bandeira, seu estandarte de guerra, seu rei e seu comandante. O povo batalha em nome do SENHOR e não estavam sozinhos. O povo pertence a um só Deus!
  • Em segundo lugar, também fica claro que para obter vitória, o povo deveria seguir as ordens de seu comandante. Não basta ter o estandarte ao seu lado, devemos obedecê-lo e segui-lo com dedicação e fidelidade.
  • Por fim, o povo aprende de quem vem o poder para a vitória. Israel é frágil e pequeno, contudo, seu comandante os conduz à vitória. A glória pertence ao SENHOR. Israel não deveria se tornar arrogante. [fonte] MacLaren’s Expositions [/fonte]

Sendo assim, a presença e o poder de Yahweh eram a bandeira sob a qual eles estavam alistados. Yahweh é a fonte de ânimo que os mantém unidos. O SENHOR é a bandeira que eles levantam no dia do triunfo. No nome de Deus, o povo sempre ergue seus estandartes. Ele que faz toda a obra, merece receber todo o louvor. [fonte] Benson Commentary [/fonte]

Conclusão

Jeová Nissi significa literalmente “O SENHOR é nossa Bandeira”. Contudo há um significado profundo nisso. Quando temos o SENHOR como nossa bandeira, significa dizer que ele é a razão pela qual lutamos. Dedicamos nossa vida para segui-lo. Assim, devemos segui-lo com fidelidade, confiança e coragem. O Senhor é nosso líder, que nos conduz nas batalhas da vida. A ele pertencem a vitória e a glória. A nós cabem o prazer e a honra de segui-lo e tê-lo ao nosso lado no dia a dia.

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Como ser cheio do Espírito Santo?

Quem é o Espírito Santo?

O Espírito Santo é o próprio Deus! Ele é a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Isso não quer dizer que seja o terceiro em importância, apenas se usa esse número para distinguir entre as pessoas da Trindade.

O Espírito Santo não é um poder impessoal, não é uma força sobrenatural. Ele é uma pessoa divina. Portanto, a Bíblia nos mostra que não devemos buscá-lo como uma coisa ou fonte de poder, mas devemos nos relacionar com ele de forma pessoal

Veja mais sobre Espírito Santo.

Ter o Espírito Santo x Ser Cheio do Espírito Santo

Segundo a Bíblia, todos aqueles que recebem Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador e verdadeiramente creem nele, têm o Espírito Santo. Portanto, não há como ser verdadeiramente cristão e não ter o Espírito Santo (Rm 8.9).

Pois, é ele que age em nós para que nos convencer do nosso pecado, da justiça e do juízo (João 16.8). Além disso, a regeneração e a lavagem dos pecados é feita por ele (Tito 3.5) Essa regeneração é a nova vida que nos foi dada quando estávamos mortos em nossos delitos e pecados (Ef 2.5). O novo nascimento é a obra do Espírito que toca no mais profundo íntimo do ser, ali ele cria essa nova vida e e passa a transformar o nosso interior. Concluindo, todo filho de Deus tem o Espírito Santo (Rm 8.15-16)!

Contudo, ter o Espírito Santo é diferente de estar cheio dele:

“A  diferença entre ter e ser cheio do Espírito Santo é a mesma diferença entre comprar uma casa e mudar para uma casa. Ser cheio do Espirito Santo não se trata de possuir uma maior dose do Espírito Santo, mas o Espírito Santo possuir uma parte maior da nossa personalidade. Infelizmente, não lhe oferecemos todas as chaves para que tenha acesso livre em todos os sucessos de nossa vida. É preciso que ele disponha de tudo, porquanto não se trata de hósdede qualquer, mas do próprio dono da nossa existência”. [fonte] Oswald J. Smith – A concessão do Poder [/fonte] – (grifo nosso).

Sendo assim, para sermos cheios do Espírito Santo é necessário que ele tenha liberdade para agir e transformar tudo que há em nós.

O que é ser cheio do Espírito Santo?

Para alguns, ser cheio do Espírito Santo é ter mais poder, dons e fazer coisas sobrenaturais. Alguns chamam de segunda benção, concedida apenas aos que se dedicarem mais. Mas, conforme a Bíblia, encher-se do Espírito Santo significa rendermos nossos desejos, ações e vontades ao controle dele. Para que ele nos conduza, nos fortaleça e nos molde.

Encher-se do Espírito Santo é encher-se da nova vida recebida em Cristo (Ef 4.22-24). O Espírito Santo nos guia e orienta conforme o que Jesus ensinou (João 14.26). Portanto, o propósito de Deus em nossas vidas é moldar-nos à imagem de Cristo (Rm 8.29).

Esse processo de mudança e transformação é chamado de Santificação. O Espírito Santo está agindo em nós para nos tornar cada vez mais santos. Sendo assim, nosso dever é obedecê-lo, e praticarmos aquilo que nos ensina. Para sermos cheios do Espírito Santo, devemos buscar a santidade e nos esforçar para viver a nova vida que nos foi dada.

Como ser cheio do Espírito Santo?

Em Atos 1.4-5, Jesus orienta seus discípulos a esperarem até o momento em que fossem batizados com o Espírito Santo. Em Atos 2.4, vemos a promessa de Criso se cumprir, e o Espírito Santo descer sobre os seus discípulos.

Veja que Jesus não os ensina maneiras para receber o Espírito. Ele promete que o Espírito virá sobre seus discípulos e os capacitará a cumprirem os seus mandamentos. Portanto, é errado pensar que nós devemos nos esforçar para receber o Espírito. Pois, ele vem graciosamente sobre aqueles que são eleitos, como uma dádiva a todos que pertencem a Jesus. Ele não é conquistado por nossa força ou dedicação, de fato, é ele quem conquista nossos corações.

Estudo – Efésios 5.

Contudo, também é errado ser indiferente ao Espírito Santo. Paulo nos orienta a nos enchermos do Espírito (Ef 5.18).

  • “enchei-vos do Espírito” significa literalmente “deixem-se encher do Espírito”. Tem o sentido de ser preenchido, repleto, equipar-se, satisfazer-se no Espírito.

Essa ordem de Paulo para a Igreja de Éfeso aponta a necessidade de nos abrirmos para o agir do Espírito em nossa vida. Ele nos dá orientações sobre como fazer isso.

  • Ele diz para sermos imitadores de Deus e vivermos no amor que Cristo nos ensinou. (Ef 5.1-2)
  • Não devemos buscar os prazeres desse mundo, como a bebida forte. Mas, nosso prazer deve estar em uma relação profunda com Deus. (Ef 5.18)
  • O conteúdo das nossas relações uns com os outros e as expressões de alegria devem ser cânticos de louvor a Deus. (Ef 5.19)
  • Devemos ser gratos a Deus por todas as coisas e expressar essa gratidão. (Ef 5.20)
  • Por fim, devemos servir e nos sujeitar uns aos outros em amor, por causa de Cristo. (Ef 5.21)

Além disso, a continuidade da carta aos Efésios nos capítulos 5 e 6 demonstram mais aspectos práticos de como devemos ser cheios do Espírito Santo no dia a dia. Ser cheio do Espírito Santo não significa ter sensações ou emoções fortes. Tampouco, está restrito a movimentos sobrenaturais durante um culto, ou acampamento. Ser cheio do Espírito Santo é ter uma vida moldada por Deus. Isso se reflete em nossas atitudes e estilo de vida no cotidiano.

Outras dicas práticas ao longo da Bíblia

Os cristãos que continuam a crescer “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pedro 3: 18) fazem isso ao: (1) dar ouvidos à sua Palavra (João 15: 7), (2) ao falar com ele em oração (João 16: 24) e (3) ao amar os outros com seu tempo e suas vidas (João 13: 35).

Eis algumas maneiras práticas pelas quais os cristãos são capazes de aprofundar a paixão que têm por Deus e expressar o amor que sentem pelos outros: (1) ao participarem da adoração coletiva (Salmos 100: 1-5), (2) ao tirar períodos extensos para jejuar e orar (Mateus 6: 16-18) e (3) ao suprir as necessidades dos outros (2Coríntios 8-9). [fonte] Challies, Tim; Byers, Josh. Teologia visual: Uma ferramenta inovadora para o estudo de Deus (Locais do Kindle 1372-1376). Thomas Nelson Brasil. Edição do Kindle. [/fonte]

Pregações Reformadas sobre Plenitude do Espírito Santo

1º A plenitude do Espírito Santo – Rev. Augustus Nicodemus:

2º Plenitude do Espírito Santo – Rev. Hernandes Dias Lopes:

 

 

 

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Quais são os Dons Espirituais e seus significados?

Dons espirituais na Bíblia – Estudo

O apóstolo Paulo fala a respeito dos dons espirituais em sua primeira carta à igreja de Corinto. Ele lista alguns dons e ministérios que o Senhor concede aos cristãos. Esses dons são para o bem comum (1Co 12.7). Ou seja, para servir e edificar a igreja

O Espírito Santo é quem manifesta esses dons na vida do crente. Paulo enfatiza que é um só Espírito que realiza essas coisas e dá os dons a quem quer de acordo com sua vontade (1Co 12.8,9,11). Dessa maneira, diferentemente da vida que tinham como pagãos, quando adoravam diversos deuses, os cristãos de Corinto deviam buscar tudo que precisavam no único Deus verdadeiro (1Co 12.1-2). Portanto, os cristãos deviam dedicar-se a conhecer o único Deus que conduzia suas novas vidas. Além disso, nessa nova vida, os cristãos recebiam dons e ministérios. Ministério quer dizer serviço! Conforme o que Paulo ensina, os seus dons eram para servir!

Os dons não devem ser usados levianamente, não são concedidos para engrandecimento próprio, ou fins arrogantes. Assim, como é um só o Espírito que dá os dons, os cristãos são um só corpo (1Co 12.13) com membros que devem se esforçar para servir uns aos outros em amor.

Embora sejam um só corpo, cada cristão é um membro diferente nesse organismo (1Co 12. 14,17; 1Co 12.19,20). A cada um são dados diferentes dons e habilidades para servir ao todo. Paulo usa o exemplo do corpo para mostrar como, embora diferentes, todos tem sua função na igreja e todos são importantes (1Co 12.22-24).

Quais são os 9 dons espirituais dados por Deus?

Paulo lista nove dons espirituais dados por Deus (1Co 12.9-11):

  • Palavra de Sabedoria
  • Palavra de Conhecimento
  • Dons de Cura
  • Poder para operar milagres
  • Profecia
  • Discernimento de Espírito
  • Variedade de línguas
  • Interpretação de línguas

É importante notar que Paulo não diz que esses são os únicos dons que Deus concede às pessoas. Ele faz essa lista, a princípio, para ensinar a igreja de Corinto.

Dons espirituais e seus significados:

Seguindo a lista escrita acima, vamos ver um pouco sobre cada dom. Os dons não são independentes, alguns deles relacionam-se entre si e tem significados próximos. Por isso, vamos vê-los em grupos.

1º Os Dons pedagógicos:

  • Palavras de Sabedoria: é o dom dado a uma pessoa para que ela fale de maneira sábia. A sabedoria já fora mencionada por Paulo em sua carta (1Co 2.7-8). Ali ele esclarece que essa sabedoria não é humana, mas vem de Deus e revela o evangelho e a obra de Jesus. Além disso, Paulo ainda fala que é o próprio Espírito Santo que revela esta sabedoria (1Co 2.10). Não é mero conhecimento, mas se trata de conhecer a Deus intimamente, além do intelecto, mas com base no amor e devoção. Sendo assim, “palavras de sabedoria” é um dom para falar sabiamente, sendo intimamente orientado por Deus. Em especial, revela a sabedoria do evangelho e da glória de Deus persuasivamente para a conversão dos outros. Pode ser compreendido também como um dom para entender aquilo que Deus revela em sua palavra e habilidade para dar conselhos.
  • Palavras de Conhecimento: conhecimento e sabedoria se diferem um pouco no Novo Testamento. Enquanto sabedoria se refere mais às coisas do Espírito, o conhecimento se refere a coisas do intelecto, inteligência. Dessa maneira, as palavras de conhecimento podem ser o dom para o estudo, desenvolvimento da inteligência e entendimento. Não se trata de apenas desenvolver sua própria inteligência. Mas, de servir aos outros com ela, ajudando-os a se desenvolverem também. Pode ser visto como um dom para mestres, professores e etc.

Observe que os dois primeiros dons estão ligados, pois, são dons pedagógicos! Paulo os coloca juntos intencionalmente. Em Tiago 1.5, lemos que se alguém deseja sabedoria deve pedir a Deus que a todos dá generosamente. Essa sabedoria e inteligência são vindas do alto. Não meramente humanas. Esses dons juntos, chegam ao ápice de sua expressão e importância quando a Palavra de Deus é conhecida, compreendida e explicada para seu povo. 

2º Os Dons Sobrenaturais:

  • Fé: é o terceiro dom citado por Paulo. Contudo, aqui ele não se refere à fé que salva, aquela que crê em Jesus como salvador. Pois, essa fé que salva todo crente deve ter. O dom da fé citado por Paulo está ligado a outros dois dons sobrenaturais da lista: cura e milagres. Essa fé é a confiança completa e imperturbável no fato de que Deus irá agir e fará milagres. Os apóstolos demonstraram esse tipo de fé depois do Pentecostes em Atos (Atos 3.1-6). Paulo demonstrou esse dom em Atos 27.23-26 e Atos 27.34. Em Hebreus 11.1-3 em diante, vemos a fé e também diversos exemplos dela.
  • Dons de Cura: A fé e os dons de cura estão intimamente ligados. Ao longo do Novo Testamento, vemos diversos relatos de cura. Alguns feitos por Jesus, seus apóstolos e diáconos da igreja. Contudo, esse dom não significa que Deus irá curar em toda a oração feita. As curas sempre tem um propósito. No Novo Testamento, as curas eram geralmente realizadas para fortalecer a fé, propagar o evangelho e mostrar a glória de Deus. Contudo, há momentos em que Deus decide não curar. Veja os exemplos na vida de Paulo que tinha o espinho na carne (2Co 12.9), Timóteo (1Tm 5.23) e etc.
  • Poder para operar milagres: o poder para fazer  milagres e o dom da cura são temporários. Acontecem quando Deus se manifesta de maneira especial em uma situação através da vida de um cristão. Paulo não está dizendo que todo crente tem esse dom. Em 2Co 12.12, ele mostra que esse dom é mais visto nos apóstolos. Milagres e curas, no Novo Testamento, parecem algumas vezes ter o mesmo significado. Todavia, milagres podem ser entendidos como ligados à natureza, e a cura ao corpo humano. Contudo, quando a era apostólica chegou ao fim, os milagres na natureza parecem ter chegado ao fim.

3º Os Dons de Comunicação:

  • Profecia: esse dom, na época da igreja primitiva, estava ligado a predições (Atos 11.28; Atos 21.11). Contudo, era mais frequentemente ligado a quando Deus escolhia pessoas para interpretar sua vontade à igreja (Ef 4.11). Em 1Co 14.30, Paulo escreve sobre pessoas na igreja de Corinto que receberam revelações de Deus para instruir e encorajar os crentes. No entanto, essas revelações sempre deveria ser examinadas minuciosamente (1Co 14.32). A igreja sempre deve examinar as palavras desses profetas com base nas Escrituras. Para os profetas e para a igreja, as Escrituras são o padrão! Entretanto, é importante frisar que com o livro final do Novo Testamento, Deus completou o cânone sagrado. Ou seja, após o término da Bíblia, Deus não deu nenhuma revelação canônica adicional. Portanto, os profetas posteriores a isso, não prediziam mais o futuro. Eles explicavam e ensinavam as Escrituras aos membros da igreja.
  • Discernimento de Espírito: esse dom está ligado ao anterior. Paulo diz que algumas pessoas receberam o dom de examinar e avaliar o espírito. Isso significa que elas podiam avaliar se uma mensagem ou ação era de Deus ou não. Elas avaliavam com base na palavra, ação e aparência do que era manifestado. João disse aos seus leitores que eles deviam testar os espíritos para se protegerem das mensagens dos falsos profetas (1Jo 4.1-3). Pessoas com esse dom estão cheias do Espírito Santo e reconhecem instantaneamente espíritos de falsidade. Eles devem proteger a igreja das heresias e dos falsos mestres.

4º Os Dons de Línguas:

Esses dons ainda fazem parte dos dons de comunicação. Mas, reunimos os dois últimos dons em um mesmo tópico para facilitar a compreensão:

  • Variedade e Interpretação de Línguas: A palavra “língua” pode significar ou uma língua conhecida (At 2.6,8,11) ou modo de falar (1Co 14.2,4,28); na presente epístola, a palavra pode significar qualquer das duas – o sentido depende do contexto. Na cidade comercial de Corinto, onde visitantes internacionais e residentes temporários eram numerosos e suas várias línguas eram faladas, havia grande procura por tradutores.Por outro lado, a congregação de Corinto também tinha a experiência do falar em línguas. A glossolalia (falar em línguas estranhas) se refere a um ato de culto dirigido a Deus; mas quando outros crentes estavam presentes em Corinto, a mensagem tinha de ser interpretada para o bem dos que assistiam. Para promover a reverência no culto, Paulo exigia que o falar em línguas fosse edificante, inteligível, em ordem e controlado. [fonte] KISTEMAKER, Simon. Comentário Bíblico do Novo Testamento – 1 Coríntios. [/fonte]
  • Observe que Paulo escreve a expressão variedades de línguas. Isso aponta para as duas variedades de línguas conhecidas (1Co 14.9-10) e para o falar em línguas. Ele atribui todas essas línguas e sua interpretação ao trabalho do Espírito Santo (1Co 12.7, 11). Assim, ele indica que o Espírito dá ao intérprete da glossolalia a capacidade de entender e transmitir o sentido da mensagem falada.

Conclusão

Os dons são concedidos por Deus aos seus filhos. Eles não são um meio para o engrandecimento próprio, mas devem ser utilizados para servir ao próximo, fortalecer a igreja e propagar o evangelho. Os cristãos de Corinto buscavam os dons para alimentar seu próprio ego. É por isso que Paulo os instrui sobre a maneira correta de buscar os dons e aplicá-los.

Após falar dos dons, Paulo passa a ensinar àquela igreja o dom mais excelente: O AMOR. (1Co 13.1-13). Portanto, se você quer dons, primeiramente busque intimidade sincera com o Espírito Santo, ame o próximo, dedique-se à leitura da Palavra e ande com Deus. Lembre-se que os dons não são para você e não são seus. Tudo é de Deus e é ele que age em nós para o bem de seu povo.

Sem amor, nada disso será útil!

Nota do Editor
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Por que Deus criou o homem?

No ínicio, Deus criou os céus e a terra e tudo que neles há. Deus criou o mundo para seu próprio louvor. Para sua própria glória. [fonte] PIPER, John. disponível em: LINK > acesso em 25 de outubro de 2018. [/fonte]

Nesse mesmo propósito, Ele decidiu criar a humanidade, à sua imagem e semelhança:

“Criou Deus o homem a sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Deus os abençoou, e lhes disse: ‘Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra’” (Gênesis 1:27-28).

Após criar as plantas e animais na terra, Deus consumou o auge de sua criação ao fazer o homem. Ele não o criou porque lhe faltasse alguma coisa ou precisasse de algo. Deus não estava sozinho, nem precisava de alguém ou de algo para lhe trazer louvor ou dar-lhe glória, mas ele ainda escolheu criar-nos e nós devemos dar-lhe glória. [fonte] Grudem, Wayne. Bases da fé cristã: 20 fundamentos que todo cristão precisa entender (Locais do Kindle 792-800). Thomas Nelson Brasil. Edição do Kindle. [/fonte] 

Deus nos criou com um propósito?

Em Isaías 43:7, Deus diz: “[…] a quem criei para a minha glória, a quem formei e fiz”. Esse fato deve esclarecer o significado da nossa vida. Porém, se não entendermos sua importância, ele pode soar como vazio e sem sentido. Dar glória a Deus significa dar-lhe grande honra e louvor, e podemos fazer isso de várias maneiras.

Por termos sido criados para a glória de Deus, nosso propósito máximo na vida deveria ser viver para sua glória. Pois, glorificar a Deus

  • concederá à nossa vida propósito e significado;
  • dará à vida a alegria pela qual todos ansiamos.

Nossa vida foi criada para termos um relacionamento profundo com Deus, através do qual encontraremos sentido, propósito e realização somente Nele.

O Catecismo de Westminster diz:

1. Qual é o fim supremo e principal do homem?

Resposta. O fim supremo e principal do homem e glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.

Rom. 11:36; 1 Cor. 10:31; Sal. 73:24-26; João 17:22-24. [fonte] Catecismo Maior de Westminster. Pergunta 1. Disponível em: LINK [/fonte]

Esse questão elucida qual é o propósito da humanidade. Ou seja, sua razão de existir é glorificar a Deus e também satisfazer-se, deleitar-se nele para sempre. Deus criou o homem para adorá-lo e alegrar-se em um relacionamento com ele!

John Piper diz que Deus é mais glorificado em nós quando estamos mais satisfeitos nele. A glória dEle brilha na nossa vida quando nossa felicidade está nEle. Deus é a fonte da maior felicidade, Ele é o maior tesouro no mundo. Sua glória é o presente mais agradável que poderia nos dar. Portanto, não há propósito melhor para a vida do homem que glorificá-lo e ser plenamente satisfeito nele com todo prazer e alegria. [fonte] PIPER, John. [/fonte]

Como podemos glorificar a Deus?

Uma das maneiras pelas quais podemos glorificar a Deus é deleitando-nos nele. Como Davi diz: “Tu me farás conhecer a vereda da vida, a alegria plena da tua presença, eterno prazer à tua direita” (Salmos 16:11). [fonte] GRUDEM, Wayne. [/fonte]

  • Plenitude de alegria é achada em conhecer a Deus e deleitar-se nele. Quando fazemos isso, damos-lhe a glória que ele deseja e que almejamos dar-lhe. Em meio a tudo isso, vemos Deus se regozijando em nós “com o seu amor” e exultando sobre nós com “brados de alegria” (Sofonias 3:17).
  • Glorificamos a Deus quando obedecemos aos seus mandamentos: “Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos.” (João 14:15)
  • Glorificamos a Deus quando fazemos boas obras e tornamos seu nome conhecido: “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus”. (Mateus 5:16)

Por que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança?

A única parte da criação divina feita “à imagem de Deus” foi a humanidade (Gênesis 1:27). Ela foi  planejada para ser semelhante a ele e receber alguns atributos que apenas Ele tem. Logo, quanto mais entendermos sobre Deus, mais entendemos a nós mesmos. Os benefícios dessa semelhança com Deus:

  • somos criaturas morais feitas com um sentido inato do certo e errado — esse é um reflexo do perfeito senso de Deus sobre o certo e o errado.
  • Além disso, não somos meramente criaturas físicas; somos também criaturas espirituais, o que significa que somos um pouco como Deus, que é espírito. Nosso espírito é um reflexo da natureza divina e nos permite uma relação pessoal com ele.
  • Vejamos outro exemplo: nossa capacidade de pensar e processar informações é um reflexo do conhecimento de Deus.
  • E nossa capacidade de nos relacionarmos uns com os outros, bem como nosso desejo de estar em comunidade, é um reflexo da perfeita comunidade de Deus dentro da Trindade. O Pai, o Filho e o Espírito Santo têm sempre estado relacionados perfeitamente um com o outro.[fonte] GRUDEM, Wayne. [/fonte]

A queda!

Embora tenha sido criado à imagem e semelhança de Deus, o homem pecou. O pecado afetou profundamente todas as áreas da vida do ser humano, o afastou de Deus. Assim, o afastou de seu principal propósito e de sua verdadeira fonte de alegria.

Por causa do pecado, a imagem de Deus em nós ficou parcialmente distorcida. Embora a Bíblia seja clara sobre o homem ainda ser “feito à semelhança de Deus” (Tiago 3:9), essa semelhança contaminada pelo pecado não se parece com tudo o que se pensa a respeito. Por exemplo, o pecado distorce o julgamento moral, obscurece o pensamento e dificulta o companheirismo com os outros.

Veja mais: Deus ama o pecador?

A boa notícia é que a imagem de Deus está sendo restaurada. Deus redime seus filhos por meio da vida, morte e ressurreição de Jesus, para que sejam “conforme à imagem de seu Filho” (Romanos 8:29), que é a “imagem do Deus invisível” (Colossenses 1:15). Paulo diz que os cristãos amados possuem nova natureza, que “está sendo renovada em conhecimento, à imagem do seu Criador” (Colossenses 3:10). Enquanto aqui na Terra, “estamos sendo transformados” à imagem de Cristo, “com glória cada vez maior” (2Coríntios 3:18).

No final dos tempos, todos os filhos de Deus se tornarão como seu Filho Jesus Cristo. Pois, “assim como tivemos a imagem do homem terreno, teremos também a imagem do homem celestial” (1Coríntios 15:49). Cristo “é a imagem de Deus” (2Coríntios 4:4) em sentido perfeito. Em Jesus, vemos a semelhança de Deus como se pretendia, e, por causa dele, seremos transformados para refletir a imagem de Deus como estávamos destinados a ter. [fonte] Grudem, Wayne. Bases da fé cristã: 20 fundamentos que todo cristão precisa entender. Thomas Nelson Brasil. Edição do Kindle. [/fonte]

Por que Deus criou o homem sabendo que ele ia pecar?

Deus criou a humanidade mesmo sabendo que ela pecaria, pois, em Cristo ele já planejava restaurar todas as coisas. A glória de Deus se revela na criação, na natureza, na humanidade. Mas, a glória de Deus se revela de maneira plena e mais excelsa em Jesus Cristo! Deus criou a humanidade, mesmo sabendo que ela cairia, por causa de Jesus Cristo. Para manifestar sua glória plena em Jesus!

“Deus criou este mundo para o louvor da glória da sua graça revelada supremamente na morte de Jesus. […] Na cruz, Deus sustenta sua glória e provê nosso perdão. Na cruz, Deus vindica seu próprio louvor e assegura nossa felicidade. Na cruz, Deus engrandece seu valor e satisfaz nossa alma. No maior ato da história, Cristo tornou isto realidade para pecadores indignos, que Deus poderia ser mais glorificado em nós por sermos mais satisfeitos nele.” [fonte] PIPER, John.[/fonte]

Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém. (Romanos 11:36)

Considerações Bibliográficas:

Esse post teve por base o livro de Wayne Grudem: Bases da fé cristã: 20 fundamentos que todo cristão precisa entender. Capítulo 7 “O que é o homem?”. [fonte] Grudem, Wayne. Bases da fé cristã: 20 fundamentos que todo cristão precisa entender. Thomas Nelson Brasil. Edição do Kindle. [/fonte]

E também tivemos grande contribuição do site Desiring God, com John Piper, disponível em: LINK

 

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Deus ama o pecador e odeia o pecado?

A frase “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”  é um dos jargões crentes mais conhecidos e repetidos no meio evangélico. A princípio ela parece uma verdade inegável que demonstra a beleza do amor de Deus e do evangelho. Entretanto, essa frase precisa de uma reflexão mais profunda que a analise de maneira mais cuidadosa. Pois, ela não expressa claramente e totalmente algumas verdades bíblicas.

O problema

Primeiramente, este não é um assunto fácil, visto que pensar sobre ele aflora emoções. A visão contemporânea que predomina é de um Deus amoroso, que ama indistintamente e que promete que tudo vai dar certo para todos. É um tipo universalismo, que diz que todos serão abençoados e salvos. Fala-se sobre Deus como sendo somente amor e que esse amor se estende a todas as criaturas. Assim, ele seria incapaz de sentimentos como raiva e ódio em relação à criação. O problema é que essa visão escolhe algumas características de Deus e ignora outras.

Mas a Bíblia diz que Deus é justo (Dt 32.4), santo, fogo consumidor (Hb 12.29). Habacuque (Hc 1.13) diz que ele é tão puro de olhos que não consegue contemplar o mal. Em diversos lugares da Bíblia, vemos que Deus haverá de trazer a juízo toda obra. Dizer que Deus é amor e misericórdia e parar aí é errado. Ele também é justiça, santidade e retidão! Deus não é só amor, ele tem outros atributos igualmente importantes.

Não se deve definir Deus a partir de um único atributo, mas deve-se olhar para o conjunto harmônico desses atributos que constituem sua personalidade santa, perfeita, absoluta e infinita. Ele é o equilíbrio de todas essas qualidades.

O amor de Deus na Bíblia

É bíblico afirmar que “Deus ama o pecador mas odeia o pecado”? Não é exatamente bíblico. Existe um sentido geral (genérico) no amor de Deus. Em João 3.16, lemos que Deus ama o mundo, a humanidade, a criação; ele se preocupa com seres humanos em geral. Em Mateus 5.45, Jesus afirma que o sol nasce e a chuva vem sobre justos e injustos. Então, fica claro que como criador, Deus tem boa vontade, amor, cuidado para com toda criação. Isso inclui pecadores, ímpios, ateus, quaisquer pessoas que não estão preocupadas com ele.

Mas, no sentido salvífico, o amor salvador que redime e resgata o pecador da sua situação. Nós temos que entender que esse amor é exclusivo sobre o povo de Deus, individualmente sobre aqueles que Deus chama através da sua soberania, da sua graça e da sua vontade eletiva desde antes da fundação do mundo. Em João 3.16, que declara o amor de Deus sobre todo o mundo, declara especificamente que o amor salvífico é para aqueles que creem em seu Filho Jesus.

Portanto, em um sentido geral, como criador, Deus ama a todos. Mas, ele não vai salvar todos. O amor salvador de Deus é estendido para alguns, apenas para aqueles que se arrependem e creem. Os demais não são contemplados pelo amor salvador de Deus, portanto, estão debaixo da sua ira e da sua justiça.

A Ira de Deus

Quando se fala sobre a ira de Deus, não se deve confundir com as manifestações humanas de ira que são reações egoístas. Quando a Bíblia fala do ódio, da ira e raiva de Deus, é uma maneira de se referir à reação da santidade de Deus diante desobediência, diante do desacato, da indiferença humana em relação ao seu criador.

Pecado e Pecador

A frase tema desse post não é a expressão completa da verdade bíblica. Ela demonstra uma possibilidade de separar o pecado do pecador. No entanto, é impossível separar a realidade do pecado do pecador. O pecado não é uma coisa independente, que existe à parte do agente humano. O pecador comete pecados, e o pecado só existe no contexto desta ação deliberada do pecador. As duas coisas se misturam, estão unidas, não há como tratar uma sem tratar a outra. Em Tiago 1.12-15, o pecado é resultado da união da nossa vontade com a tentação, e uma vez gerado traz a morte. Não há como separar as duas coisas.

Em Romanos 9.11-18, lemos sobre aborrecimento de Deus contra Esaú. Em Malaquias 1, Deus diz “amei a Jacó, aborreci a Esaú”. Porque Deus é justo e repudiava os atos pecaminosos de Esaú, e iria fazer recair sobre ele a sua justiça. Ele escolheu amar Jacó e não Esaú.

Salmos 11.5 diz: O Senhor prova o justo, mas o ímpio e a quem ama a injustiça, a sua alma odeia.

A sua alma odeia a pessoa que ama a violência. Não diz que Deus odeia a violência, mas que odeia aquele que a pratica.

Provérbios 6.16 – há uma lista de 7 coisas que Deus abomina. Nessa lista, vemos tipos de pessoas que proferem mentiras, fazem projetos iníquos, e mãos que derramam sangue. Novamente, Deus não abomina somente as ações, mas também aqueles que as praticam.

Concluindo, não há como separar pecado e pecador. Sendo assim, qual é a solução?

Há solução para o pecador?

Sim, a solução está em Jesus. Ele morreu na cruz, carregando o peso dos nossos pecados. O ódio de Deus por todos os pecados e pecadores foi colocado sobre ele, sua morte é uma morte substitutiva. Ele morreu no lugar dos pecadores que mereciam a ira, raiva e ódio de Deus por causa do pecado.

“Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.
Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele.
Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus.

João 3:16-18

Leia João 3.16-18. Há uma boa notícia, Jesus veio para salvar e dar vida eterna para aqueles que creem e se arrependem. Entretanto, aqueles que não recebem Jesus, permanecem sob a ira de Deus e continuam condenados. Em Jesus, o pecador deixa de estar sob a ira e recebe o amor de Deus.

Conclusão

Portanto, a expressão correta seria pensarmos no amor de Deus em dois níveis.

  • 1) O Amor geral de Deus para com a humanidade, sua boa vontade, que faz com que sua providência cuide da sua criação, dá saúde e prosperidade até mesmo para ímpios. Todos são beneficiados pela bondade e amor de Deus como criador.
  • 2) O amor salvador e redentor de Deus que é exclusivo para seu povo. Deus por seu amor preservou alguns e chamou para serem seus, aos quais ele perdoou completamente em Cristo Jesus.  Aos demais ele reserva a sua santa ira, e serão punidos por causa de seus pecados.

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Deus Espírito Santo

O Espírito Santo é uma pessoa? Saiba mais aqui!

Sim, o Espírito Santo é uma pessoa divina. Ele é plenamente Deus e é uma pessoa, não uma força. O Concílio de Constantinopla, 381 d.C., afirma: “[Cremos] no Espírito Santo, o Senhor e Doador da vida, que procede do Pai, que junto com o Pai e o Filho é adorado e glorificado, que falou por meio dos profetas.”.

Portanto, ele é a terceira pessoa da Trindade, mas isso não significa que seja o terceiro em importância. (A designação de primeira, segunda e terceira pessoa é didática e não caracteriza uma hierarquia dentro da Trindade) O Espírito Santo não é uma manifestação do poder de Deus, mas o próprio e onipotente Yahweh em pessoa.

Estudo Bíblico

O termo hebraico para espírito é “ruach” e o grego é “pneuma”, assim como o vocábulo latino “spiritus”, derivam de raízes que significam soprar, respirar ou vento. Contudo, seu sentido bíblico é mais do que isso. No Antigo Testamento, fala-se mais comumente “Espírito de Deus” ou “Espírito do Senhor”. A expressão “Espírito Santo” aparece somente em Sl 51.11 e Is 63.10,11. Entretanto, no Novo Testamento, o termo Espírito Santo ocorre diversas vezes e claramente se refere à terceira pessoa da Trindade.

É notável que no AT, repetidamente, chame-se Deus de o “Santo de Israel”, enquanto no NT, raramente aplica-se o adjetivo “santo” a Deus Pai. Mas, usa-se frequentemente para caracterizar o Espírito. É provável que isso se deva ao fato de que foi especialmente no Espírito e sua obra santificadora que Deus se revelou como Santo. É o Espírito Santo que faz sua habitação nos corações dos crentes, que os separa para Deus e que os purifica do pecado. [fonte] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática.  Editora Cultura Cristã. [/fonte]

O Espírito Santo é uma pessoa

As expressões “Espírito de Deus” e “Espírito Santo” não indicam com clareza uma pessoalidade. Além disso, a pessoa do Espírito Santo não apareceu de forma pessoal, física, claramente discernível entre os homens, como aconteceu com o Filho de Deus. Talvez, por causa disso, a pessoalidade do Espírito Santo foi muitas vezes colocada em questão.

Isso pode confundir alguns e levá-los a pensar que o Espírito Santo é apenas uma manifestação do poder de Deus em ocasiões especiais ao longo da Bíblia. Portanto, é preciso que fique claro que o Espírito Santo é uma pessoa divina que compartilha os atributos que pertencem somente a Deus. Seus atributos e características demonstram que ele é mais do que uma força ou poder agindo, ele é uma pessoa.

Sendo assim, vejamos algumas provas que indicam sua pessoalidade no Novo Testamento. Em João 14.26; 15.26 e 16.7,  o Espírito Santo é chamado de Parakletos, Consolador. Esse termo não pode ser traduzido como consolação, ou conforto, nem pode ser considerado como nome de alguma coisa abstrata. Ele é o Consolador, alguém (pessoa) que consola. Nos textos citados do Evangelho de João, o Espírito Santo é aquele que dará continuidade à obra de Cristo. Jesus se refere ao Espírito como “ELE”, não como “Isso”. O pronome indica que Jesus estava falando de alguém e não uma coisa.

Em Mateus 28.19, Jesus diz: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. A forma instituída por Jesus para o batismo, indica a pessoa do Espírito Santo como um pessoa divina que faz parte da Trindade. Se ele fosse apenas uma manifestação de poder, não seria citado aqui dessa forma.

Espírito Santo, pessoa ou força?

Ao Espírito Santo são atribuídas diversas características de pessoa. Inúmeros textos servem como evidência. Ele tem sentimentos (Is 63.10; Ef 4.30); ensina e testemunha (Jo 14.26, 15.26); tem vontade (At 16.7; 1 Co 12.11, Rm 8.5). Além disso, ele fala, ordena, revela, luta, cria, intercede, vivifica os mortos e etc. Em Atos, vemos o Espírito se relacionando com a Igreja e os Apóstolos e como sua vontade os instruía nas decisões e os capacitava (Atos 2.4).

Ao se estudar esses textos, não há como interpretar o Espírito Santo como uma força ou algo impessoal. Ele se revela como uma pessoa com poder. Mas é um equívoco entendê-lo apenas como um poder.

Algumas passagens distinguem o Espírito do seu poder. Por exemplo, Lc 1.14 e 4.14, At 10.38, Rm 15.13, faça um exercício. Leia esses trechos e substitua a expressão “Espírito Santo” por “poder” ou “influência”. Você verá que a frase não fará sentido, ficará sem nexo e até absurda. Essa é uma maneira simples de demonstrar que nesses contextos, não há como entender o Espírito Santo sendo uma força impessoal.

Veja outros textos que falam mais sobre o Espírito Santo: Gn 1.2; 6.3; Lc 12.12; Jo 16.8; At 8.29; 13.2; Rm 8.11; 1 Co 2.10,11; 2 Co 13.13; 1 Pe 1.1,2.

O que define o Espírito Santo como uma pessoa?

Os seguintes argumentos bíblicos demonstram a divindade e pessoalidade distinta do Espírito Santo:

  • O Espírito está no mesmo nível e ordem de precedência de Deus Pai e de Deus Filho: Mt 28.19 e 1 Co 12.3-6.
  • Ele tem nomes que são apropriados apenas a uma pessoa divina: At 5.3,4,9.
  • Ele possui características de uma pessoa: vontade e entendimento, 1 Co 12.11; 2.10.
  • Ele é o autor voluntário de ações divinas, inclusive a Criação (Gn 1.2), fala por meio de profetas (2 Pe 2.21), vivifica, santifica, consola (Jo 14.16,17) e instrui (Jo 16.13).
  • Na Bíblia, dá-se a ele a mesma consideração de fé, adoração e obediência que se dá às outras pessoas do Pai e do Filho: Mt 12.31,32; At 13.2,4. [fonte] TEOLOGIA PURITANA – Doutrina para a Vida.  Editora Vida Nova. [/fonte]

Obras especiais do Espírito Santo

Na Bíblia, certas obras são atribuídas mais particularmente ao Espírito Santo. Pode se dizer que a sua tarefa especial é agir sobre as pessoas e dentro delas. Sua obra dá continuidade à obra do Filho, como a obra do Filho segue a do Pai.

O Espírito Santo inspirou as Escrituras e desse modo trouxe aos homens a revelação especial de Deus (1 Co 2.13; 2 Pe 2.21). É ele quem dá forma e crescimento à Igreja, pela regeneração, santificação e habita nela como o princípio da nova vida (Ef 1.22,23, 2.22; 1 Co 3.16, 12.4). O Espírito dá testemunho de Crista e guia a Igreja em toda verdade. Ao fazer isso, ele manifesta a glória de Deus e de Cristo, aumento nosso conhecimento do Salvador, livra de erro a Igreja e a prepara para seu destino eterno (At 5.32; Hb 10.15, 1 Jo 2.27). [fonte] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática.  Editora Cultura Cristã. [/fonte]

Conclusão

Em conclusão, a partir desses versículos bíblicos, podemos constatar que o Espírito Santo é uma pessoa e não uma manifestação de poder. Ele é Deus! Ele cuida dos discípulos de Jesus e age hoje dando continuidade à obra de Jesus Cristo. Ele tem vontades, desejos, poder e está presente em nossas vidas como o Consolador que nos ensina a guardar os mandamento de Cristo.

Portanto, não há como ser cristão e não ter o Espírito Santo dentro de nós. Não há como se converter para Jesus, sem que o Espírito Santo haja em nossos corações. Ele deve ser adorado, buscado e conhecido pelos discípulos de Jesus. Nele nós podemos confiar.