Deus ama o pecador e odeia o pecado?

A frase “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”  é um dos jargões crentes mais conhecidos e repetidos no meio evangélico. A princípio ela parece uma verdade inegável que demonstra a beleza do amor de Deus e do evangelho. Entretanto, essa frase precisa de uma reflexão mais profunda que a analise de maneira mais cuidadosa. Pois, ela não expressa claramente e totalmente algumas verdades bíblicas.

O problema

Primeiramente, este não é um assunto fácil, visto que pensar sobre ele aflora emoções. A visão contemporânea que predomina é de um Deus amoroso, que ama indistintamente e que promete que tudo vai dar certo para todos. É um tipo universalismo, que diz que todos serão abençoados e salvos. Fala-se sobre Deus como sendo somente amor e que esse amor se estende a todas as criaturas. Assim, ele seria incapaz de sentimentos como raiva e ódio em relação à criação. O problema é que essa visão escolhe algumas características de Deus e ignora outras.

Mas a Bíblia diz que Deus é justo (Dt 32.4Dt 32.4), santo, fogo consumidor (Hb 12.29Hb 12.29). Habacuque (Hc 1.13Hc 1.13) diz que ele é tão puro de olhos que não consegue contemplar o mal. Em diversos lugares da Bíblia, vemos que Deus haverá de trazer a juízo toda obra. Dizer que Deus é amor e misericórdia e parar aí é errado. Ele também é justiça, santidade e retidão! Deus não é só amor, ele tem outros atributos igualmente importantes.

Não se deve definir Deus a partir de um único atributo, mas deve-se olhar para o conjunto harmônico desses atributos que constituem sua personalidade santa, perfeita, absoluta e infinita. Ele é o equilíbrio de todas essas qualidades.

O amor de Deus na Bíblia

É bíblico afirmar que “Deus ama o pecador mas odeia o pecado”? Não é exatamente bíblico. Existe um sentido geral (genérico) no amor de Deus. Em João 3.16, João 3.16, lemos que Deus ama o mundo, a humanidade, a criação; ele se preocupa com seres humanos em geral. Em Mateus 5.45, Mateus 5.45, Jesus afirma que o sol nasce e a chuva vem sobre justos e injustos. Então, fica claro que como criador, Deus tem boa vontade, amor, cuidado para com toda criação. Isso inclui pecadores, ímpios, ateus, quaisquer pessoas que não estão preocupadas com ele.

Mas, no sentido salvífico, o amor salvador que redime e resgata o pecador da sua situação. Nós temos que entender que esse amor é exclusivo sobre o povo de Deus, individualmente sobre aqueles que Deus chama através da sua soberania, da sua graça e da sua vontade eletiva desde antes da fundação do mundo. Em João 3.16, João 3.16, que declara o amor de Deus sobre todo o mundo, declara especificamente que o amor salvífico é para aqueles que creem em seu Filho Jesus.

Portanto, em um sentido geral, como criador, Deus ama a todos. Mas, ele não vai salvar todos. O amor salvador de Deus é estendido para alguns, apenas para aqueles que se arrependem e creem. Os demais não são contemplados pelo amor salvador de Deus, portanto, estão debaixo da sua ira e da sua justiça.

A Ira de Deus

Quando se fala sobre a ira de Deus, não se deve confundir com as manifestações humanas de ira que são reações egoístas. Quando a Bíblia fala do ódio, da ira e raiva de Deus, é uma maneira de se referir à reação da santidade de Deus diante desobediência, diante do desacato, da indiferença humana em relação ao seu criador.

Pecado e Pecador

A frase tema desse post não é a expressão completa da verdade bíblica. Ela demonstra uma possibilidade de separar o pecado do pecador. No entanto, é impossível separar a realidade do pecado do pecador. O pecado não é uma coisa independente, que existe à parte do agente humano. O pecador comete pecados, e o pecado só existe no contexto desta ação deliberada do pecador. As duas coisas se misturam, estão unidas, não há como tratar uma sem tratar a outra. Em Tiago 1.12-15, Tiago 1.12-15, o pecado é resultado da união da nossa vontade com a tentação, e uma vez gerado traz a morte. Não há como separar as duas coisas.

Em Romanos 9.11-18, Romanos 9.11-18, lemos sobre aborrecimento de Deus contra Esaú. Em Malaquias 1, Deus diz “amei a Jacó, aborreci a Esaú”. Porque Deus é justo e repudiava os atos pecaminosos de Esaú, e iria fazer recair sobre ele a sua justiça. Ele escolheu amar Jacó e não Esaú.

Salmos 11.5 Salmos 11.5 diz: O Senhor prova o justo, mas o ímpio e a quem ama a injustiça, a sua alma odeia.

A sua alma odeia a pessoa que ama a violência. Não diz que Deus odeia a violência, mas que odeia aquele que a pratica.

Provérbios 6.16 Provérbios 6.16 – há uma lista de 7 coisas que Deus abomina. Nessa lista, vemos tipos de pessoas que proferem mentiras, fazem projetos iníquos, e mãos que derramam sangue. Novamente, Deus não abomina somente as ações, mas também aqueles que as praticam.

Concluindo, não há como separar pecado e pecador. Sendo assim, qual é a solução?

Há solução para o pecador?

Sim, a solução está em Jesus. Ele morreu na cruz, carregando o peso dos nossos pecados. O ódio de Deus por todos os pecados e pecadores foi colocado sobre ele, sua morte é uma morte substitutiva. Ele morreu no lugar dos pecadores que mereciam a ira, raiva e ódio de Deus por causa do pecado.

“Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.
Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele.
Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus.

João 3:16-18João 3:16-18

Leia João 3.16-18João 3.16-18. Há uma boa notícia, Jesus veio para salvar e dar vida eterna para aqueles que creem e se arrependem. Entretanto, aqueles que não recebem Jesus, permanecem sob a ira de Deus e continuam condenados. Em Jesus, o pecador deixa de estar sob a ira e recebe o amor de Deus.

Conclusão

Portanto, a expressão correta seria pensarmos no amor de Deus em dois níveis.

  • 1) O Amor geral de Deus para com a humanidade, sua boa vontade, que faz com que sua providência cuide da sua criação, dá saúde e prosperidade até mesmo para ímpios. Todos são beneficiados pela bondade e amor de Deus como criador.
  • 2) O amor salvador e redentor de Deus que é exclusivo para seu povo. Deus por seu amor preservou alguns e chamou para serem seus, aos quais ele perdoou completamente em Cristo Jesus.  Aos demais ele reserva a sua santa ira, e serão punidos por causa de seus pecados.

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