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Dízimo no Novo Testamento: É válido? Versículos.

O que é o Dízimo?

A palavra dízimo significa “a décima parte” ou “dar um décimo”. Ou seja, dizimar é oferecer 10% de algo. No mundo antigo, esse montante era considerado como a parte devida por um adorador ao seu deus para sustento do santuário e de seus sacerdotes. O costume é anterior até mesmo ao Antigo Testamento, pois, outros povos semíticos e indo-germânicos tinham essa prática.

É provável que o número 10 tenha sido escolhido por ser a base do sistema de contagem antigo, que o fazia em unidades de dez. É possível também que tenham escolhido o número dez por considerarem-no um número sagrado, composto por dois outros números sagrados, 7+3. Além disso, era um número redondo muito utilizado nas contagens. Veja como exemplo a Arca de Noé (Gn 6.15), suas medições eram empregadas em cifras de dez.

Dízimo no Antigo Testamento

O dízimo surge na Bíblia já no tempo dos patriarcas, quando Abraão entrega o dízimo de tudo a Melquisedeque (Gn 14.20). Mais tarde é Jacó quem se dispõe a entregar o dízimo a Deus (Gn 28.22).

Contudo, observa-se que não há uma explicação ou menção de alguma lei que os obrigasse a isso. No entanto, especialmente no caso de Jacó, a atitude é resultado do encontro que teve com Deus em Betel e demonstra uma atitude de louvor e gratidão pelas bênçãos que receberia do Senhor.

Sendo assim, o dízimo dos patriarcas indica uma forma de retribuir a Deus por suas dádivas, como vitórias em batalhas, ou o sucesso numa jornada importante. Portanto, era uma forma de gratidão e reconhecimento da soberania de Deus sobre os sucessos da vida.

Na Lei de Moisés o dízimo era a forma de declarar e reconhecer que todas as coisas e todas os bens do homem pertencem a Deus. Por essa razão os dízimos pertenciam ao Senhor (Lv 27.30). Havia duas maneiras de se entregar o dízimo: (1) anualmente se levava o dízimo ao templo e era entregue aos levitas, realizava-se então uma refeição cultual da família (Dt 12. 5,11; Dt 14.23); (2) a cada três anos o dízimo era deixado na própria cidade e entregue aos levitas e necessitados da cidade para seu sustento.

Qual é o propósito do Dízimo?

No Antigo Testamento, o dízimo era usado para:

  • sustento dos levitas e sacerdotes na tenda da congregação e no templo;
  • auxílio aos necessitados, estrangeiros, órfãos e viúvas (Dt 14.28-29; Dt 26.12-13);
  • realizar a celebração cultual pelas famílias do povo de Deus, juntamente com os levitas de suas respectivas cidades. (Dt 12.12)

O Significado do dízimo no Antigo Testamento

É a forma de declarar que Deus é o proprietário da terra e de seus frutos, é aquele que dá todas as bênçãos (Sl 24.1). Era também o símbolo de gratidão pela generosidade do Senhor. Além disso, por ser usado no sustento dos levitas e necessitados, o dízimo era uma oportunidade de participar na obra de Deus e em sua preocupação para com os pobres. Pois, assim como o Senhor abençoava os israelitas, eles deveriam repartir suas bênçãos com as pessoas menos afortunadas. Sendo assim, entregar o dízimo era um ato de adoração a Deus.

Em suma, o dízimo era:

  1. é uma oferta que reconhece a soberania de Deus;
  2. um meio para sustento dos levitas;
  3. e uma oferta para caridade.

O Dízimo no Novo Testamento

Embora tenha um papel importante no Antigo Testamento, no Novo Testamento, ele é tratado de forma diferente, visto que não há qualquer menção ao dízimo como instrução ou obrigação à igreja.

Jesus menciona que o dízimo é dado por escribas e fariseus (Mt 23.33), mas nunca manda seus discípulos fazerem o mesmo. Em Hebreus 7.2-5, menciona-se o dízimo de Abraão, contudo, não é ensinado aos leitores de Hebreus que façam o mesmo. Paulo, em seus escritos, fala a respeito de repartir seus bens com os pobres (1Co 16.1-3), e sobre o sustento do ministério (1Co 9.12-14). Embora ele insista na generosidade, não há uma única vez que faça isso como um mandamento ou em que alguma quantia ou porcentagem seja especificada.

Contudo, isso não significa que o Novo Testamento não traga princípios a respeito da contribuição. Apesar de não estabelecer de dízimo, o ensino é a respeito de uma contribuição generosa e com alegria. O dízimo é substituído no Novo Testamento!

Especialmente no Novo Testamento, aprendemos que a contribuição deve ser voluntária, sem uma quantia especificada, conforme Deus prosperou o crente (1 Co 16.2). O cristão deve contribuir com alegria, sabendo que é Deus que lhe deu tudo que tem, e lhe dá também a oportunidade de oferecer uma oferta de louvor e gratidão ao Senhor:

Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria.
E Deus é poderoso para fazer que lhes seja acrescentada toda a graça, para que em todas as coisas, em todo o tempo, tendo tudo o que é necessário, vocês transbordem em toda boa obra.
2 Coríntios 9:7,8

Além disso, Paulo nos dá como exemplo e inspiração o caráter do próprio Deus que distribuiu seus bens e sua justiça sobre os necessitados (2Co 9.9). Ademais, é o próprio Senhor quem nos dá condição de sermos generosos, com a finalidade de glorificar sempre o nome de Deus. Sendo assim, todos os bens do cristãos pertencem a Deus e devem ser usados com sabedoria a fim de glorificador o Senhor. Dessa forma, o cristão olha para o que tem lembrando que tudo é uma dádiva divina.

Vocês serão enriquecidos de todas as formas, para que possam ser generosos em qualquer ocasião e, por nosso intermédio, a sua generosidade resulte em ação de graças a Deus.
2 Coríntios 9:11

Portanto, embora não haja um mandamento no Novo Testamento em relação ao dízimo, fica claro que o cristão deve contribuir. Contudo, agora de uma forma diferente, com motivações diferentes.

Razões e características da contribuição no Novo Testamento:

  • O cristão contribui conforme o que estipula em seu coração, não com peso ou obrigação, mas com alegria! (2Co 9.7);
  • deve contribuir de acordo com as bênçãos que Deus lhe tem dado (1Co 16.2);
  • contribui pois tem consciência de que é servo de Deus (Rm 6.16);
  • o cristão sabe que seus bens e posses pertencem a Deus, e que ele é somente um mordomo que administra aquilo que seu Senhor lhe confiou (1Pe 4.10);
  • o cristão tem a consciência de que prestará contas a Deus do que fez com recursos (Rm 14.12);
  • aquele que contribui o faz pois tem a generosidade de Cristo como seu modelo, e o Espírito Santo o motiva (2Co 8.9)
  • o dízimo jamais é mencionado como uma forma de obrigar Deus a nos abençoar!
  • Ele não pode ser usado para barganhar ou negociar com Deus.
  • Deus não nos abençoa mais quando contribuímos mais na igreja.

Em suma, a contribuição no Novo Testamento é feita com bom ânimo, voluntária e constantemente, e com generosidade sem limites (1Co 16.1-2; 2Co 9.6-9).

Leia também: Versículos sobre Dízimo e Oferta

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Uso do Dízimo na Igreja hoje

As igrejas hoje têm diferentes formas de administrar os seus recursos e as contribuições dos fiéis.

Normalmente, o dízimo é usado para: sustento pastoral, manutenção do templo ou aluguel de espaço para culto, pagamento de água e luz, auxílio aos necessitados ou a projetos de ação social, apoio a missionários e etc.

Contudo, atualmente vemos diversos escândalos envolvendo igrejas e suas práticas abusivas em relação a dízimos e ofertas. Situações que ocasionam vergonha e constrangimento para cristãos sérios e tementes a Deus. Por esta razão, dízimo e contribuição na igreja se tornaram um tema delicado, especialmente ao falar com não cristãos. Por esta razão, é necessário que cada cristão busque conhecer o funcionamento de sua igreja local e pergunte ao seu líder sobre o uso dos recursos naquela igreja.

Transparência e Prestação de contas na Administração Eclesiástica

A pessoa que tiver dúvidas e desejar conhecer melhor a administração dos recursos da igreja local deve entrar em contato com a liderança da igreja.

Diversas denominações fazem questão de manter registros claros e transparentes de todas as atividades financeiras da igreja. Além disso, fazem questão de disponibilizar os relatórios e comprovantes das transações financeiras para que qualquer pessoa possa averiguar a legitimidade do uso das contribuições.

Portanto, você que contribui tem o direito de exigir que sua igreja seja transparente sobre a forma como tem utilizado as ofertas dos crentes. Assim, você ajuda na construção de uma administração saudável e idônea da igreja local.

Pregação sobre dízimo no Novo Testamento

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